{"id":1113,"date":"2019-06-14T11:21:29","date_gmt":"2019-06-14T14:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=1113"},"modified":"2019-06-14T11:21:29","modified_gmt":"2019-06-14T14:21:29","slug":"lavoisier-para-alem-da-lenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2019\/06\/14\/lavoisier-para-alem-da-lenda\/","title":{"rendered":"O BIFE DETETIVE E O REFOGADO LAVOISIER"},"content":{"rendered":"<h6>Lavoisier no bandej\u00e3o<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando eu escuto falar de <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/biography\/Antoine-Lavoisier\">Lavoisier<\/a>, imediatamente lembro do refogadinho de legumes do bandej\u00e3o. Sim, l\u00e1 em priscas eras, no s\u00e9culo XX, costum\u00e1vamos dizer que o tal refogadinho, em geral servido nos jantares do bandeco, eram o reaproveitamento das sobras do dia. Logo, eram a mais perfeito tradu\u00e7\u00e3o do \u201c<em>nada se perde, nada se cria, tudo se transforma<\/em>\u201d que hav\u00edamos aprendido nos bancos escolares. Em geral, o tal \u201cRefogado Lavoisier\u201d era servido juntamente com o sempre presente \u201cBife Detetive\u201d \u2013 duro, frio e com nervos de a\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, o que sabemos de Lavoisier?<\/p>\n<figure id=\"attachment_1115\" aria-describedby=\"caption-attachment-1115\" style=\"width: 238px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/biography\/Antoine-Lavoisier\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1115\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2019\/06\/LAVOISIER_PORTRAIT-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1115\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Antoine-Laurent Lavoisier (1743 &#8211; 1794)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando pensamos nele para al\u00e9m do refogado do bandeco, o significado de Lavoisier \u00e9 mais dif\u00edcil, retirado a f\u00f3rceps da mem\u00f3ria. Por exemplo, Lavoisier negou a no\u00e7\u00e3o de \u201cflogisto\u201d, uma no\u00e7\u00e3o meio primitiva e esquisita sobre a composi\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias. Com isso, estabeleceu as bases da Qu\u00edmica Moderna. Descobriu o oxig\u00eanio? Foi guilhotinado durante o per\u00edodo do terror na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em resumo: conhecemos pouco de Lavoisier.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>O &#8220;Pai&#8221; da Quimica?<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\">A discuss\u00e3o como o ele venceu o debate sobre o flogisto \u00e9 interessante. Vez ou outra, esta narrativa vem com uma afirma\u00e7\u00e3o de que Lavoisier trouxe racionalidade para um debate obscuro e primitivo. Apesar de ser parcialmente verdade, esta afirma\u00e7\u00e3o traz um pouco a no\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia que trazia a Luz contra as Trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na verdade, a discuss\u00e3o sobre o flogisto foi um debate entre dois paradigmas importantes do s\u00e9culo XVIII. Entretanto, nenhum dos lados era \u201cirracional\u201d ou obscuro. Lavoisier tem culpas (e responsabilidades) pela Qu\u00edmica Moderna, mas ele n\u00e3o foi o \u201cPai\u201d da Qu\u00edmica, como muitos tentam entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da mesma forma, Lavoisier tamb\u00e9m fez in\u00fameras proposi\u00e7\u00e3o de temas e discuss\u00f5es que n\u00e3o tiveram vida longa no arcabou\u00e7o da Qu\u00edmica. Muitos de seus trabalhos e id\u00e9ias tamb\u00e9m foram abandonadas por obsoletos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da mesma forma, a sua execu\u00e7\u00e3o em 20 Floreal Ano II da Revolu\u00e7\u00e3o (8 de maio de 1794) \u00e9 tida por alguns como uma prova de que a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa era anticient\u00edfica. \u00c9 um debate posterior, dos s\u00e9culos XIX e XX, durante o qual diferentes correntes pol\u00edticas disputaram o significado da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Lavoisier, entretanto, foi executado menos por ser um cientista, e mais por ter sido um funcion\u00e1rio do Antigo Regime, cumprindo o odiado papel de coletor de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, Lavoisier foi isso, nada disso e muito mais.<\/p>\n<h6>A inf\u00e2ncia e a juventude de Lavoisier<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify\">Antoine-Laurent de Lavoisier nasceu em Paris em 26 de agosto de 1743. Pertencia a uma fam\u00edlia rica, que fazia parte da chamada <em>noblesse de robe<\/em> (em portugu\u00eas nobreza de toga). A nobreza de toga eram grupos de funcion\u00e1rios do governo franc\u00eas do Antigos Regime, que ocupavam cargos na administra\u00e7\u00e3o ou na justi\u00e7a. N\u00e3o eram nobres, mas sim burgueses enriquecidos, que eram acolhidos pelos governantes na administra\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, sua m\u00e3e, \u00c9milie Punctis, era filha de uma abastada fam\u00edlia de a\u00e7ougueiros parisienses. Os Lavoisier n\u00e3o eram parisienses, mas sim da pequena Villiers-Cotterets, distante cinquenta milhas a noroeste de Paris. O pai de Antoine, Jean-Antoine Lavoisier, embora de fam\u00edlia enriquecida, era um forasteiro em Paris. \u00a0Na \u00e9poca, as rela\u00e7\u00f5es familiares eram tudo. Foi gra\u00e7as aos esfor\u00e7os do um tio, que Jean Antoine alcan\u00e7ou o cargo de procurador do parlamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9milie Punctis morreu quando o pequeno Antoine tinha cinco anos. Com a heran\u00e7a recebida da m\u00e3e, o menino se tornou uma pessoa rica. Com isso, dedicou-se a estudar: estudou no <em>College des Quatre Nations<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como Col\u00e9gio Mazarin, em Paris. Finalizados seus estudos iniciais, Lavoisier primeiro estudou leis, como seu pai. Ingressou\u00a0 na ordem na Ordem dos Advogado com a idade de vinte e um anos. No entanto, n\u00e3o tinha a menor inten\u00e7\u00e3o de seguir a carreira, embora soubesse da import\u00e2ncia do t\u00edtulo de advogado na sociedade de seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todavia, seu interesse estava noutro lugar. Seu desejo n\u00e3o estava na carreira de advogado de seu pai, mas sim n<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/09\/20\/uma-politica-cientifica-para-o-brasil\/\">uma carreira na ci\u00eancia<\/a>. E aqui o jovem Antoine inicia sua carreira para se tornar um \u00edcone da ci\u00eancia moderna. E nome de Refogado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(continua)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lavoisier no bandej\u00e3o Quando eu escuto falar de Lavoisier, imediatamente lembro do refogadinho de legumes do bandej\u00e3o. Sim, l\u00e1 em priscas eras, no s\u00e9culo XX, costum\u00e1vamos dizer que o tal refogadinho, em geral servido nos jantares do bandeco, eram o reaproveitamento das sobras do dia. 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