{"id":1159,"date":"2020-04-08T15:55:05","date_gmt":"2020-04-08T18:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=1159"},"modified":"2020-04-08T15:55:07","modified_gmt":"2020-04-08T18:55:07","slug":"a-colera-uma-pandemia-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2020\/04\/08\/a-colera-uma-pandemia-imperialista\/","title":{"rendered":"A C\u00f3lera, uma Pandemia Imperialista"},"content":{"rendered":"\n<p>Estamos vivendo uma nova pandemia. A cada pandemia, nossos recursos e nossa capacidade de reagir tem aumentado sensivelmente. Mas os nossos problemas, entretanto, ainda s\u00e3o os mesmos: desigualdade, infraestrutura prec\u00e1ria, pouco comprometimento das autoridades p\u00fablicas. E, da mesma forma, em meio \u00e0 loucura coletiva que se instala, h\u00e1 muito esfor\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o e da sociedade para superar e vencer estes momentos t\u00e3o dram\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"625\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/a-cholera-victim-date-circa-mary-evans-picture-library.jpg\" alt=\"Doente de C\u00f3lera (~1880)\" class=\"wp-image-1166\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/a-cholera-victim-date-circa-mary-evans-picture-library.jpg 625w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/a-cholera-victim-date-circa-mary-evans-picture-library-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nosso exerc\u00edcio aqui \u00e9 discutir e trazer alguns dados destas pandemias antigas no mundo e no Brasil. \u00c9 um esfor\u00e7o para que, atrav\u00e9s do conhecimento hist\u00f3rico trazido por estas outras pandemias, nos ajude um pouco na compreens\u00e3o do conturbado momento em que vivemos. Conhecer a hist\u00f3ria, neste caso um pouco de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio para que este conhecimento possa nos ajudar e \u2013 por que n\u00e3o? &#8211; &nbsp;nos guiar neste mar revolto que estamos atravessando.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A primeira pandemia da modernidade<\/h2>\n\n\n\n<p>No rol das grandes pandemias que assolaram a humanidades nos \u00faltimos duzentos anos, as pandemias de c\u00f3lera merecem um lugar de destaque. (adoto aqui c\u00f3lera, seguindo a professora Raquel Lewinson, pois, segundo ela, a palavra n\u00e3o \u00e9 masculina). Sua virul\u00eancia e sua letalidade, assim como a rapidez com que se espalhou por todos os continentes habitados fez dos diversos surtos de c\u00f3lera que tem nos assaltado ate hoje (!) momentos de grande sofrimento e apreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.biologianet.com\/biodiversidade\/reino-ou-dominio-bacteria.htm\">A c\u00f3lera \u00e9 causada por uma bact\u00e9ria, o vibri\u00e3o col\u00e9rico.<\/a> Em meados do s\u00e9culo XX, al\u00e9m do vibri\u00e3o col\u00e9rico \u201ccl\u00e1ssico\u201d, os biotipos El Tor e El-Tor-Inaba surgiram para complicar o quadro. Entretanto, o vibri\u00e3o col\u00e9rico n\u00e3o tem outros hospedeiros al\u00e9m do homem. Por outro lado, n\u00e3o existem hospedeiros animais conhecidos. O vibri\u00e3o se encontra nas fezes, tanto de doentes quanto de pacientes assintom\u00e1ticos. A contamina\u00e7\u00e3o das pessoas se d\u00e1 por ingest\u00e3o de \u00e1gua ou alimentos contaminados.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de deglutido, se conseguir sobreviver \u00e0 acidez do estomago, o vibri\u00e3o chega ao trato digestivo humano. L\u00e1 instalado, o vibri\u00e3o causa muita diarreia e v\u00f4mitos, al\u00e9m de c\u00f3licas abdominais e espasmos musculares violentos. Quando infectada pela c\u00f3lera, a pessoa fica rapidamente desidratada e com uma colora\u00e7\u00e3o azulada, a pele murcha. Assim, a morte se d\u00e1 pela violenta perda de \u00e1gua, assim como dos eletr\u00f3litos nela dissolvidos. Isto causa desidrata\u00e7\u00e3o, queda do volume de sangue circulando, hipertens\u00e3o arterial e arritmias card\u00edacas, bem como fal\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o do sangue e dos rins.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A C\u00f3lera e o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico<\/h2>\n\n\n\n<p>A c\u00f3lera \u00e9 originaria da \u00cdndia, onde ela \u00e9 uma doen\u00e7a end\u00eamica, principalmente na regi\u00e3o de Bengala. Existem not\u00edcias desde 500 a.C., escritas em s\u00e2nscrito e em grego, relatando doen\u00e7as parecidas com a c\u00f3lera. Gaspar Correa, que participou da viagem de Vasco da Gama \u00e0 \u00cdndia, anotou a ocorr\u00eancia de uma fulminante doen\u00e7a na regi\u00e3o do Malabar. Desta forma, Gaspar Correa descreveu uma doen\u00e7a fulminante, uma forte dor de barriga que matava as pessoas em oito horas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, quem mais fez para que a c\u00f3lera virasse uma pandemia foi o Ex\u00e9rcito Ingl\u00eas. Pode-se dizer que a c\u00f3lera foi a primeira grande pandemia imperialista. Viajando em modernos vapores, os soldados ingleses, os \u201c<em>red coats<\/em>\u201d, espalharam a doen\u00e7a a partir da \u00cdndia para quase todos os portos em que fizeram escala no Oceano \u00cdndico, at\u00e9 que chegaram \u00e0s ruas sujas e f\u00e9tidas da Londres oitocentista. De Londres, a c\u00f3lera pegou o trem e espalhou-se rapidamente por todo o Reino Unido. De l\u00e1, o vibri\u00e3o col\u00e9rico atingiu toda a Europa e, pouco mais tarde, as Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Pandemia seus tent\u00e1culos<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim, a c\u00f3lera se espalhou por todo o mundo no s\u00e9culo XIX. Os diversos surtos epid\u00eamicos ocorreram principalmente entre os anos 1817-1823, 1826-1837, 1846-1862, 1864-75 e 1881-1896, chegando mesmo aos dias de hoje. Em sua nova forma, com o vibri\u00e3o El-Tor, a doen\u00e7a voltou a reocupar algumas \u00e1reas da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9ricas, de onde parecia ter sido extinta. No Brasil, os anos 1990 foram anos de epidemias muito intensas de c\u00f3lera do tipo el-Tor-Inaba.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a grande pandemia do c\u00f3lera, que experimentou v\u00e1rios pequenos surtos de mais alta intensidade, as popula\u00e7\u00f5es expostas a sua a\u00e7\u00e3o ficavam apavoradas e desnorteadas. N\u00e3o era para menos. Entretanto, as autoridades p\u00fablicas respons\u00e1veis por este enfrentamento, embora tomassem diversas medidas, n\u00e3o sabiam exatamente o que fazer. Desta forma, havia uma certa no\u00e7\u00e3o que a higiene era importante. Mas n\u00e3o se sabia como a c\u00f3lera se transmitia. Nem qual seria o tratamento mais adequado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pacini e o vacilo de Koch<\/h2>\n\n\n\n<p>Os governos e dos cientistas de todos os pa\u00edses durante este tempo gastaram muito tempo e dinheiro na busca de uma solu\u00e7\u00e3o para se descobrir as causas da transmiss\u00e3o e tamb\u00e9m a cura da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/Filippo_Pacini_1870.jpg\" alt=\"Filipo Pacini, anatomista italiano, descobridor do Vibri\u00e3o da c\u00f3lera em 1854\" class=\"wp-image-1163\" width=\"263\" height=\"391\"\/><figcaption>Filipo Pacini, anatomista italiano, descobridor do Vibri\u00e3o da c\u00f3lera em 1854<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O vibri\u00e3o col\u00e9rico foi descrito pela primeira vez em 1854 pelo m\u00e9dico italiano<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Filippo_Pacini\"> Filipo Pacini <\/a>(1812-1883). O trabalho de Pacini, apesar de muito bem feito e com descri\u00e7\u00f5es muito boas do pat\u00f3geno, foi praticamente ignorado pelos patologistas europeus. Algum tempo depois, pelo alem\u00e3o Robert Koch (1843 &#8211; 1910) que fez o an\u00fancio da descoberta do \u201c<em>comma bacillus<\/em>\u201d em 1883. Motivo pelo qual o vibri\u00e3o ficou durante muito tempo conhecido como o \u201c<em>bacilo de Koch<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(A gente n\u00e3o aprende que um dos princ\u00edpios da ci\u00eancia \u00e9 a prioridade nas descobertas? Por este singelo motivo, o vibri\u00e3o devia se chamar Bacilo de Pacini. No entanto, a quest\u00e3o, como mostraram v\u00e1rios pesquisadores da<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2019\/04\/20\/iluminismo-edimburgo-hutton-geologia\/\"> Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias<\/a>, \u00e9 que a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 neutra. Ela tem cara, etnia, g\u00eanero definidos. A comunidade m\u00e9dica Italiana tanto protestou contra o injusto esquecimento do excelente trabalho de Pacini. Tanto que, em 1965, o Comit\u00ea Internacional de nomenclatura Bacteriol\u00f3gica reconheceu a anterioridade de Pacini e o bacilo foi renomeado como <em>Vibrio colerae Pacini<\/em> 1854.)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"343\" height=\"169\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/1-s2.0-S1198743X14608557-gr1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1165\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/1-s2.0-S1198743X14608557-gr1.jpg 343w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/1-s2.0-S1198743X14608557-gr1-300x148.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><figcaption>Vibri\u00e3o colerico, descrito por Pacini, 1854<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Robert Koch e a bacteriologia<\/h2>\n\n\n\n<p>O bacilo (na verdade um vibri\u00e3o) da c\u00f3lera foi, portanto, (re)descoberto em 1883-84 pelo Dr <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Robert_Koch\">Robert Koch <\/a>(1843 &#8211; 1910) e sua equipe. A descoberta do vibri\u00e3o foi um esfor\u00e7o dos cientistas que constru\u00edam a \u201cteoria dos germes\u201d, ou teoria contagionista. Esta teoria pressupunha que as doen\u00e7as seriam transmitidas atrav\u00e9s do contato entre as pessoas, que transmitiram os \u201cgermes\u201d de uma a outra, provocando o cont\u00e1gio. Entretanto,  a aceita\u00e7\u00e3o desta explica\u00e7\u00e3o, como tudo em ciencia, n\u00e3o era unversal.  Existia uma outra teoria, a teoria miasm\u00e1tica, que pressupunha que a doen\u00e7a se espalharia pelo ar contaminado, os \u201cmiasmas\u201d. Voltaremos a este assunto em outro post.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"220\" height=\"309\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/220px-RobertKoch_cropped.jpg\" alt=\"Robert Koch, bacteriologista alem\u00e3o, foi importante na descoberta dos bacios da difteria, antraz, tuberculose e c\u00f3lera\" class=\"wp-image-1162\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/220px-RobertKoch_cropped.jpg 220w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/220px-RobertKoch_cropped-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><figcaption>Robert Koch, bacteriologista alem\u00e3o, foi importante na descoberta dos bacios da difteria, antraz, tuberculose e c\u00f3lera<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Robert Koch,  a partir de seu laborat\u00f3rio em Berlim fez v\u00e1rias descobertas importantes, como as bact\u00e9rias que causam o antraz, a difteria e a tuberculose. Trabalhando em paralelo com Louis Pasteur e outros, foi um dos criadores da moderna bacteriologia. Desta forma, seu laborat\u00f3rio em Berlim foi um dos primeiros no mundo a desenvolver as t\u00e9cnicas de cultura de bact\u00e9rias que usamos at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"263\" height=\"192\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2020\/04\/images.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do vibri\u00e3o num peri\u00f3dico cientifico do seculo XIX\" class=\"wp-image-1167\"\/><figcaption>Se\u00e7\u00e3o de submucosa intestinal de uma mulher vitima de c\u00f3lera quatro dias ap\u00f3s o \u00f3bito, com comunidades de bact\u00e9ria s em forma de bast\u00e3o (vibri\u00f5es?) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Koch conseguiu isolar o seu \u201ccomma bacilus\u201d numa viagem que fez ao Egito e \u00e0 \u00cdndia, para acompanhar dois surtos importantes da doen\u00e7a. A carta que escreveu em 1884 de Calcut\u00e1 foi importante como o in\u00edcio de novas formas de entender e trabalhar coma doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, n\u00e3o foi um caminho f\u00e1cil. Koch ainda teria que provar que o seu \u201cBacilo\u201d era o transmissor da c\u00f3lera. Seu embate com o famoso m\u00e9dico alem\u00e3o Max von Pettenkofer, que defendia uma teoria que mesclava emana\u00e7\u00f5es miasm\u00e1ticas a partir de intera\u00e7\u00f5es entre o solo e o len\u00e7ol fre\u00e1tico, foram debates importantes neste per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pandemias e Sociedade<\/h2>\n\n\n\n<p>Entretanto, o desenrolar de uma pandemia, como estamos vendo muito bem no presente, n\u00e3o se resume a contendas de ideias ente cientistas. A for\u00e7a da doen\u00e7a e os impactos na sa\u00fade das pessoas tamb\u00e9m acaba por provocar grandes como\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas. Assim, \u00e9 desta intrincada rela\u00e7\u00e3o que temos que escolher os fios que guiam a hist\u00f3ria destes eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>A c\u00f3lera, juntamente com as outras doen\u00e7as end\u00eamicas como a tuberculose, a difteria, a febre amarela e tantas outras foi respons\u00e1vel por um grande n\u00famero de respostas dadas pelas diferentes sociedades para sua erradica\u00e7\u00e3o. Entretanto, depois da Pandemia de c\u00f3lera, a humanidade n\u00e3o seria mais a mesma. Por outro lado, a pandemia  n\u00e3o envolveu somente cientistas em seu trabalho de laborat\u00f3rio, por mais importante que este fosse. Envolveu m\u00e9dicos, mas tamb\u00e9m envolveu engenheiros, arquitetos e pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a c\u00f3lera, como qualquer outra epidemia\/pandemia, &nbsp;quando ataca uma sociedade, e tornou evidentes as suas contradi\u00e7\u00f5es, principalmente as quest\u00f5es de desigualdade social. Assim, as pestes, por mais democr\u00e1ticas que pare\u00e7am, tem uma especial predile\u00e7\u00e3o pelas popula\u00e7\u00f5es mais pobres e, portanto, mais vulner\u00e1veis. Por isso, pandemias tamb\u00e9m s\u00e3o quase sempre misturadas aqui e ali por numerosos protestos e revoltas populares.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que em representa\u00e7\u00f5es mais antigas a peste esteja sempre associada as suas irm\u00e3s, a guerra e a fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos muita coisa a discutir.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\">Para saber mais:<\/p>\n\n\n\n<p>Lewinsohn, Rachel. &#8220;Tr\u00eas epidemias: li\u00e7\u00f5es do passado.&#8221; Ed Unicamp, 2003: 318 p.<\/p>\n\n\n\n<p>Coleman, William. &#8220;Koch&#8217;s comma bacillus: the first year.&#8221;&nbsp;<em>Bulletin of the History of Medicine<\/em>&nbsp;61, no. 3 (1987): 315-342.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos vivendo uma nova pandemia. 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