{"id":173,"date":"2016-10-12T17:57:54","date_gmt":"2016-10-12T20:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=173"},"modified":"2016-10-12T17:57:55","modified_gmt":"2016-10-12T20:57:55","slug":"mais-proximo-dos-dias-de-hoje-como-chegamos-ate-aqui-e-quem-ficou-pelo-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2016\/10\/12\/mais-proximo-dos-dias-de-hoje-como-chegamos-ate-aqui-e-quem-ficou-pelo-caminho\/","title":{"rendered":"Mais pr\u00f3ximo dos dias de hoje: como chegamos at\u00e9 aqui e quem ficou pelo caminho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Como os registros da Era Cenozoica, s\u00e3o bem mais novos, seus f\u00f3sseis s\u00e3o abundantes e, em muitos casos, muito bem preservados. Antes de continuar vou fazer uma pausa para comentar que a Era Cenozoica \u00e9 dividida em tr\u00eas per\u00edodos: Paleogeno, Neogeno e Quatern\u00e1rio. Estes per\u00edodos, por sua vez, s\u00e3o divididos em \u00e9pocas, distribu\u00eddas da seguinte forma: Paleoceno, Eoceno e Oligoceno pertencem aos Paleogeno. O Neogeno, \u00e9 formado pelo Mioceno e pelo Plioceno, e por \u00faltimo o Quatern\u00e1rio \u00e9 dividido em Pleistoceno e Holoceno onde estamos h\u00e1 uns 10.000 anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_171\" aria-describedby=\"caption-attachment-171\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-171\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-2-300x142.jpg\" alt=\"Bacia de Taubat\u00e9, 1 e 2 s\u00e3o p\u00f3lens de gimnospermas.\" width=\"300\" height=\"142\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-2-300x142.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-2-768x362.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-2-1024x483.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-171\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1- Bacia de Taubat\u00e9, 1 e 2 s\u00e3o p\u00f3lens de gimnospermas.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Retomando o fio do registro f\u00f3ssil no estado de S\u00e3o Paulo, como tinha adiantado no final do \u00faltimo texto, com a extin\u00e7\u00e3o em massa acontecida no final do Cret\u00e1ceo e as mudan\u00e7as na paleogeografia do nosso planeta, houve oportunidade para a renova\u00e7\u00e3o tanto da flora como da fauna ao redor do mundo. Estas mudan\u00e7as foram influenciadas pela presen\u00e7a de regimes clim\u00e1ticos mais \u00famidos e quentes, que permitiram a distribui\u00e7\u00e3o de florestas, dominadas por angiospermas pelas regi\u00f5es subtropicais (localizadas depois 23\u00ba de latitude norte e sul) e at\u00e9 no continente Ant\u00e1rtico, que foi durante milh\u00f5es de anos coberto por densas florestas at\u00e9 que, a partir do Mioceno, paulatinamente, o clima come\u00e7ou a mudar, ficando mais seco e frio, o que conduziria \u00e0s grandes glacia\u00e7\u00f5es do Quatern\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os registros f\u00f3sseis do Paleogeno e do in\u00edcio do Neogeno no estado apresentam florestas formadas por fam\u00edlias de angiospermas (p.ex. leguminosas, gram\u00edneas), de gimnospermas (Podocarpaceae) e samambaias, que existem ainda hoje, embora os g\u00eaneros e esp\u00e9cies possam ser diferentes dos atuais. As rochas sedimentares que cont\u00e9m os f\u00f3sseis deste tempo foram depositadas dentro de um sistema de lagos distribu\u00eddas na margem atl\u00e2ntica que se estendia desde o sul do estado do Rio de Janeiro (Niter\u00f3i) at\u00e9 o Paran\u00e1 (Curitiba), e que hoje compreende, entre outras, as bacias de Taubat\u00e9 (SP), Resende (RJ), Volta Redonda (RJ) e Itabora\u00ed (RJ).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O conjunto e diversidade da vida preservada dentro da bacia de Taubat\u00e9 (Oligoceno-Mioceno) \u00e9 considerado como o mais rico desse tempo no Brasil. Os afloramentos onde os f\u00f3sseis v\u00eam sendo coletados desde mediados do s\u00e9culo passado localizam-se, principalmente, nas pedreiras de argila da cidade de Taubat\u00e9. Na bacia s\u00e3o encontrados abundantes f\u00f3sseis de folhas, sementes, polens (Figura 1), esporos, etc. A an\u00e1lise do conjunto dos vegetais preservados indica que no local estava presente uma mata subtropical \u00famida. Junto aos vegetais tamb\u00e9m encontramos registros de insetos, peixes (Figura 2), anf\u00edbios, tartarugas, serpentes, jacar\u00e9s, aves, mam\u00edferos, al\u00e9m de evid\u00eancias da sua atividade metab\u00f3lica (icnof\u00f3sseis) como excrementos, pegadas, galhas, etc. Os oste\u00edtes (peixes \u00f3sseos) s\u00e3o os vertebrados mais abundantes, contudo os mam\u00edferos s\u00e3o de longe o grupo mais diversificado em esp\u00e9cies, entre os que deixaram registros f\u00f3sseis. Dentre os mam\u00edferos encontramos marsupiais identificados a partir de dentes e ossos das patas (tarsais), quir\u00f3pteros (morcegos), al\u00e9m de dentes e mand\u00edbulas de roedores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_170\" aria-describedby=\"caption-attachment-170\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-170\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-1-225x300.jpg\" alt=\"Figura 2 - Osteite, Tele\u00f3steo muito abundante na Bacia de Taubat\u00e9. 1- Vista geral; 2, 3, 4, e 5 - microfotgorafias obtidas em Microsc\u00f3pio Eletr\u00f4nico de Varredura (MEV); 2- Costelas; 3- Pirita framboidal associada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos tecidos; 4 e 5- Escama.\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-1-768x1025.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/10\/Untitled-1-767x1024.jpg 767w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-170\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2 &#8211; Osteite, Tele\u00f3steo muito abundante na Bacia de Taubat\u00e9. 1- Vista geral; 2, 3, 4, e 5 &#8211; microfotgorafias obtidas em Microsc\u00f3pio Eletr\u00f4nico de Varredura (MEV); 2- Costelas; 3- Pirita framboidal associada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos tecidos; 4 e 5- Escama.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros grupos de mam\u00edferos que a partir deste momento se tornaram mais frequentes e que integraram a megafauna sul americana tamb\u00e9m foram coletados nas rochas sedimentares da bacia de Taubat\u00e9. Assim, por exemplo, encontramos os cingulata (tatus), com f\u00f3sseis das suas caracter\u00edsticas placas d\u00e9rmicas que comp\u00f5em a suas carapa\u00e7as. Os Liptotermos formam parte desse grupo, embora hoje estejam extintos, e que re\u00fanem um grupo de ungulados herb\u00edvoros que experimentaram uma extraordin\u00e1ria diversifica\u00e7\u00e3o durante a Era Cenozoica. Al\u00e9m destes, temos tamb\u00e9m registros dos Astrapotheria, Nothoungulata e Pyrotheria, todos hoje extintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, os registros paulistas do Neogeno s\u00e3o representados por camadas sedimentares que cont\u00e9m conjuntos de microf\u00f3sseis vegetais (polens) e que a partir deste momento (Mioceno) mostram evid\u00eancias da deteriora\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica relacionada ao in\u00edcio da glacia\u00e7\u00e3o no continente ant\u00e1rtico. Esta tend\u00eancia, que levar\u00e1 ao resfriamento geral do planeta, se manifesta nos conjuntos pol\u00ednicos com o surgimento, diversifica\u00e7\u00e3o e aumento da porcentagem de p\u00f3lens de gimnospermas e algumas angiospermas (p.ex. <em>Drimys<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, falarei acerca dos acontecimentos do Quatern\u00e1rio que merecem um texto \u00e0 parte por causa da sua import\u00e2ncia para a distribui\u00e7\u00e3o da vida como hoje a conhecemos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como os registros da Era Cenozoica, s\u00e3o bem mais novos, seus f\u00f3sseis s\u00e3o abundantes e, em muitos casos, muito bem preservados. Antes de continuar vou fazer uma pausa para comentar que a Era Cenozoica \u00e9 dividida em tr\u00eas per\u00edodos: Paleogeno, Neogeno e Quatern\u00e1rio. 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