{"id":196,"date":"2016-11-09T09:37:28","date_gmt":"2016-11-09T11:37:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=196"},"modified":"2016-12-07T15:27:56","modified_gmt":"2016-12-07T17:27:56","slug":"no-final-do-ultimo-segundo-do-tempo-geologico-o-quaternario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2016\/11\/09\/no-final-do-ultimo-segundo-do-tempo-geologico-o-quaternario\/","title":{"rendered":"NO FINAL DO \u00daLTIMO SEGUNDO DO TEMPO GEOL\u00d3GICO: O QUATERN\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Quatern\u00e1rio \u00e9 dividido em duas \u00e9pocas: o Pleistoceno, que vai de 2 Ma at\u00e9 10.000 anos antes do presente e o Holoceno, que chega at\u00e9 hoje. A tend\u00eancia, que levou ao resfriamento geral do planeta iniciado no Mioceno, se intensificou durante o Pleistoceno. Assim, o clima foi caracterizado por intervalos glaciais com momentos mais amenos como o que atualmente vivemos. Segundo as evid\u00eancias indicam (registros de mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es no registro sedimentar observadas em testemunhos retirado do oceano Pacifico e Atl\u00e2ntico, etc.) esses ciclos podem se ter repetido de 10 a 20 vezes com uma periodicidade de 100.000 anos nos \u00faltimos 2 Ma. Durante os intervalos glaciais o clima a n\u00edvel global foi frio e seco, com o desenvolvimento de extensas calotas de gelo que cobriram aproximadamente 30% da superf\u00edcie do planeta, especialmente nos continentes do hemisf\u00e9rio norte, enquanto que nos continentes do hemisf\u00e9rio sul o clima foi muito mais frio, seco e com glaciares de montanha extensos nos Andes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o associadas a v\u00e1rios fatores influenciados por deriva continental, orog\u00eaneses, altera\u00e7\u00f5es nas concentra\u00e7\u00f5es do CO<sub>2<\/sub> da atmosfera, correntes oce\u00e2nicas, etc. No caso da deriva continental uma das causas foi o isolamento do continente ant\u00e1rtico, iniciado com o rompimento do Gondwana e que levou \u00e0 instala\u00e7\u00e3o da corrente marinha fria subant\u00e1rtica no hemisf\u00e9rio sul, hoje conhecida como corrente de Humboldt, respons\u00e1vel por serem t\u00e3o geladas as \u00e1guas da costa do Chile e do Peru. As mudan\u00e7as na deriva continental tamb\u00e9m influenciaram na forma\u00e7\u00e3o dos extensos len\u00e7\u00f3is de gelo continentais, no isolamento do oceano \u00e1rtico e na forma\u00e7\u00e3o de mares congelados no hemisf\u00e9rio norte. As orogenias, como a dos Andes e particularmente da \u00c1sia central, com o soerguimento dos planaltos dos Himalaias e Tibete produziram um ac\u00famulo de \u00e1reas elevadas a partir do Mioceno. Por outro lado, a consequ\u00eancia da explosiva expans\u00e3o das florestas dominadas por angiospermas acontecida durante o Paleogeno incrementou o sequestro de carbono nos continentes na forma de jazidas de carv\u00e3o, o que levou a uma redu\u00e7\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o do principal g\u00e1s do efeito estufa da atmosfera. Todas essas altera\u00e7\u00f5es repercutiram de forma consider\u00e1vel nos ecossistemas que passaram a ser muito din\u00e2micos, e a nossa esp\u00e9cie surgiu nesse contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dr\u00e1sticas e r\u00e1pidas, claro considerando a enorme dimens\u00e3o do tempo geol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois bem, no sudeste do Brasil, embora n\u00e3o se tenha not\u00edcias de calotas de gelo dessa \u00e9poca, o clima tamb\u00e9m oscilou, alternando per\u00edodos muito secos e mais frios do que o atual, com momentos mais c\u00e1lidos e \u00famidos como os de hoje. Os registros de vida no estado de S\u00e3o Paulo s\u00e3o mais abundantes para o final do Pleistoceno, onde s\u00e3o encontrados, por exemplo, no Munic\u00edpio de Iporanga, dentro das cavernas e abismos do Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR), ossadas relacionadas \u00e0 megafauna. Os registros s\u00e3o bastante abundantes embora a maioria dos esqueletos se apresentem desarticulados e misturados. Nesses h\u00e1 ossos, entre outros, de tigres dente de sabre (<em>Smilodon<\/em>), pregui\u00e7as gigantes (<em>Eremotherium, Lestodon, Ahytherium, Nothotherium; <\/em>Figura 1), parentes dos elefantes conhecidos como <em>Stegomastodon<\/em>, tatus gigantes ou <em>Glyptodon<\/em>, e perissod\u00e1ctilos como o <em>Toxodon<\/em> (Figura 2, end\u00eamicos de Am\u00e9rica do Sul, de tamanho semelhante a um rinoceronte). Uma vez que os conjuntos de ossos se encontram muito misturados, podem ter correspondido a v\u00e1rias comunidades diferentes, mas representam uma composi\u00e7\u00e3o da megafauna caracter\u00edstica da regi\u00e3o intertropical e, sem lugar a d\u00favida, muito diferente da fauna atual da regi\u00e3o. O mesmo podemos comentar acerca da vegeta\u00e7\u00e3o que, pelo tamanho da megafauna e pelos registros conhecidos, principalmente correspondentes a polens, era uma vegeta\u00e7\u00e3o mais aberta que a atual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_198\" aria-describedby=\"caption-attachment-198\" style=\"width: 198px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-198\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/figura-1-198x300.jpg\" alt=\"Diferentes vistas do esqueleto de uma pregui\u00e7a gigante, exemplar exposto no Museu de Ci\u00eancias Naturais - PUC Minas, Belo Horizonte, MG.\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/figura-1-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/figura-1-768x1165.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/figura-1-675x1024.jpg 675w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/11\/figura-1.jpg 1829w\" sizes=\"(max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-198\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1 &#8211; Diferentes vistas do esqueleto de uma pregui\u00e7a gigante, exemplar exposto no Museu de Ci\u00eancias Naturais &#8211; PUC Minas, Belo Horizonte, MG.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Da vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m temos registros a partir aproximadamente do final do Pleistoceno. Um dos mais extensos, inclusive para a Am\u00e9rica do Sul, foi encontrado ao perfurar a cratera deixada pelo impacto de um meteoro, fato acontecido possivelmente durante o Neogeno na regi\u00e3o de Parelheiros, pr\u00f3xima \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo. A cratera, conhecida como de Col\u00f4nia, tem um di\u00e2metro de 3,6 km e se calcula que esteja preenchida por cerca de 300 metros de sedimentos. Os testemunhos rasos estudados possuem uma extens\u00e3o m\u00e9dia de 8,5 m devido \u00e0 dificuldade de se realizar a perfura\u00e7\u00e3o mais profunda e recuperar os sedimentos preservando o empilhamento original das camadas de forma manual. Para se obter um testemunho completo de todo o registro sedimentar presente na cratera seria necess\u00e1rio contar com uma estrutura de perfura\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0quelas utilizadas para prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, o que envolve um custo muito elevado. O estudo desses registros, principalmente utilizando estudos de conjuntos de microf\u00f3sseis, como polens e esporos, mostraram a evolu\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o no local nos \u00faltimos 50.000 anos, que alternou de uma floresta com arauc\u00e1rias nos intervalos mais frios para a Mata Atl\u00e2ntica nos momentos de clima mais ameno como o de hoje, embora com diferentes esp\u00e9cies em cada um dos interglaciares identificados, sendo o \u00faltimo acontecido no Holoceno. Dessa forma, chegamos aos dias de hoje onde est\u00e3o sendo inclu\u00eddos dentro do registro sedimentar os restos de vida que vir\u00e3o nos pr\u00f3ximos milh\u00f5es de anos dever\u00e3o tornar-se f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-231\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/12\/toxodon-300x259.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/12\/toxodon-300x259.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/12\/toxodon-768x662.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2016\/12\/toxodon-1024x883.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Quatern\u00e1rio \u00e9 dividido em duas \u00e9pocas: o Pleistoceno, que vai de 2 Ma at\u00e9 10.000 anos antes do presente e o Holoceno, que chega at\u00e9 hoje. A tend\u00eancia, que levou ao resfriamento geral do planeta iniciado no Mioceno, se intensificou durante o Pleistoceno. Assim, o clima foi caracterizado por intervalos glaciais com momentos mais &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2016\/11\/09\/no-final-do-ultimo-segundo-do-tempo-geologico-o-quaternario\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">NO FINAL DO \u00daLTIMO SEGUNDO DO TEMPO GEOL\u00d3GICO: O QUATERN\u00c1RIO<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":145,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[17,28,18],"tags":[37,36,33,34,35],"class_list":["post-196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fresia-s-ricardi-branco","category-paleodiversidade","category-sao-paulo","tag-cratera-de-colonia","tag-era-do-gelo","tag-megafauna","tag-microfosseis","tag-mudancas-climaticas"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/145"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":233,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196\/revisions\/233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}