{"id":285,"date":"2017-01-31T11:34:40","date_gmt":"2017-01-31T13:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=285"},"modified":"2017-01-31T11:36:40","modified_gmt":"2017-01-31T13:36:40","slug":"como-sera-o-nosso-futuro-que-fosseis-descreverao-em-milhoes-de-anos-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/01\/31\/como-sera-o-nosso-futuro-que-fosseis-descreverao-em-milhoes-de-anos-frente\/","title":{"rendered":"Como ser\u00e1 o nosso futuro? Que f\u00f3sseis descrever\u00e3o em milh\u00f5es de anos \u00e0 frente?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Por conta da virada do ano e o in\u00edcio de 2017, fiquei pensando em fechar as cr\u00f4nicas da vida no passado do estado de S\u00e3o Paulo, aproveitando para comentar acerca de qual \u00e9 o registro da vida que atualmente est\u00e1 sendo incorporado \u00e0s camadas de sedimentos que se est\u00e3o depositando. Como a Carolina j\u00e1 descreveu no post\u00a0dela, a inclus\u00e3o de restos org\u00e2nicos (folhas, galhos, carca\u00e7as, conchas, etc.) nas camadas depende do <span style=\"text-decoration: underline\">tempo<\/span> <span style=\"text-decoration: underline\">envolvido<\/span> e da <span style=\"text-decoration: underline\">oportunidade<\/span>, sendo que a parte da Paleontologia que estuda esse processo \u00e9 conhecida como <span style=\"text-decoration: underline\">Tafonomia<\/span>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_288\" aria-describedby=\"caption-attachment-288\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-288\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/floresta-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/floresta-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/floresta-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/floresta-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-288\" class=\"wp-caption-text\">Mata de galeria, no rio Mogi-Gua\u00e7u, SP<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, qual por\u00e7\u00e3o do que hoje apreciamos nas matas de galeria ser\u00e1 preservado? E dos manguezais? Da Mata Atl\u00e2ntica? Do Cerrado? Ser\u00e1 poss\u00edvel reconstruir a sua diversidade, ou ter uma ideia dela ao menos, com base no que hoje est\u00e1 sendo incorporado nas camadas sedimentares em forma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_292\" aria-describedby=\"caption-attachment-292\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-292\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-300x259.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-300x259.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-768x664.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-1024x885.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-292\" class=\"wp-caption-text\">Coleta de uma camada de folhas nas margens do rio Mogi-Gua\u00e7u, SP<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Uma das formas para responder a essas inquietudes, e ao meu modo de ver a mais simples, \u00e9 pesquisar diretamente nos locais onde esses novos registros est\u00e3o acontecendo, como por exemplo nas florestas ciliares ou tamb\u00e9m conhecidas como de galeria ou rip\u00edcolas, que se desenvolvem \u00e0 beira dos rios, especialmente naqueles com muitas curvas ou meandros. Pela migra\u00e7\u00e3o lateral do canal do rio, as curvas acabam se fechando e isolando o bra\u00e7o do rio. Pelo geral, a por\u00e7\u00e3o isolada somente recebe \u00e1gua durante as cheias. Assim, v\u00e3o se formando pequenas lagoas rodeadas por vegeta\u00e7\u00e3o, nas quais caem folhas, galhos, sementes, polens, esporos, insetos, etc. Nesse processo de ac\u00famulo de restos org\u00e2nicos, os vegetais s\u00e3o os que aportam a maior quantidade de biomassa e podem chegar a formar verdadeiras camadas de restos, por vezes bastante espessas, com mais de 20 cm, que ao ser soterrados e prensados entre v\u00e1rias camadas de sedimentos (areia, lama, etc.) poder\u00e3o se transformar em f\u00f3sseis de folhas, galhos e sementes na forma de compress\u00f5es e\/ou impress\u00f5es. A forma de acessar esses ac\u00famulos pelo geral se faz abrindo uma trincheira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_290\" aria-describedby=\"caption-attachment-290\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-290\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-testemunho-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-testemunho-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-testemunho-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/coleta-testemunho.jpg 1224w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-290\" class=\"wp-caption-text\">Coleta do registro sedimentar utilizando um tubo de alum\u00ednio de dois metros.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos manguezais ou mesmo nas lagoas associadas aos meandros, por exemplo, se enfiarmos um tubo oco e resistente de uns dois metros de comprimento e a seguir tampar a extremidade superior, poderemos retira-lo da lama, com bastante esfor\u00e7o, e abri-lo de comprido, de forma a observar um registro ordenado da sucess\u00e3o da deposi\u00e7\u00e3o dos sedimentos em camadas, pelo geral com camadas de v\u00e1rias cores. As camadas mais escuras ter\u00e3o maior quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica preservada e, por conseguinte, maior probabilidade de preserva\u00e7\u00e3o. Nesse registro as amostras da base corresponder\u00e3o aos sedimentos mais antigos e as mais recentes ser\u00e3o as do topo. Uma vez que os sedimentos dos manguezais s\u00e3o bem finos, a deposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lenta, ou seja, para formar uma camada de 1 cm de espessura ser\u00e1 necess\u00e1rio mais tempo envolvido do que em uma camada de areia grossa. Voltando ao registro retirado com o tubo, poderemos ter registrado algumas centenas de anos de deposi\u00e7\u00e3o e nessas camadas estrar\u00e3o preservadas assembleias de microrestos (p\u00f3lens, esporos, diatom\u00e1ceas, etc.) como tamb\u00e9m folhas, sementes, galhos entre outros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_291\" aria-describedby=\"caption-attachment-291\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-291\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/camadas-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/camadas-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/camadas-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/01\/camadas.jpg 1224w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-291\" class=\"wp-caption-text\">Altern\u00e2ncia de camadas de areia (em tons de cinza) e de restos vegetais (mais escuras)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, utilizando essas acumula\u00e7\u00f5es mais \u201c<span style=\"text-decoration: underline\">modernas<\/span>\u201d de restos org\u00e2nicos n\u00e3o fossilizados e que poder\u00e3o se tornar f\u00f3sseis um dia, \u00e9 poss\u00edvel adquirir conhecimento acerca das varia\u00e7\u00f5es na vegeta\u00e7\u00e3o que foram produzidas como consequ\u00eancia de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ou de varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel dos mares ou induzidas pelo homem em escalas menores de tempo, como o \u00faltimo mil\u00eanio, os \u00faltimos s\u00e9culos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Conhecer e entender como acontece a entrada dos restos org\u00e2nicos no registro sedimentar tamb\u00e9m ajuda na hora de interpretar jazimentos f\u00f3sseis pret\u00e9ritos, para se ter uma ideia de onde provem os f\u00f3sseis, como chegaram at\u00e9 o local de deposi\u00e7\u00e3o, como foram fossilizados&#8230; entre outras coisas&#8230; e se o futuro tamb\u00e9m ter\u00e1 f\u00f3sseis da vida que hoje vemos no nosso planeta, pelo menos no pr\u00f3ximo um bilh\u00e3o de anos&#8230; mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria relacionada com a evolu\u00e7\u00e3o do Sol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por conta da virada do ano e o in\u00edcio de 2017, fiquei pensando em fechar as cr\u00f4nicas da vida no passado do estado de S\u00e3o Paulo, aproveitando para comentar acerca de qual \u00e9 o registro da vida que atualmente est\u00e1 sendo incorporado \u00e0s camadas de sedimentos que se est\u00e3o depositando. 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