{"id":305,"date":"2017-02-15T16:14:13","date_gmt":"2017-02-15T18:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=305"},"modified":"2017-02-15T16:14:14","modified_gmt":"2017-02-15T18:14:14","slug":"como-um-tronco-ou-um-osso-vira-pedra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/02\/15\/como-um-tronco-ou-um-osso-vira-pedra\/","title":{"rendered":"Como um tronco ou um osso vira pedra?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Quem j\u00e1 n\u00e3o se deparou com uma pedra (rocha) que um dia formou parte de um dinossauro ou era a rama mais alta de uma \u00e1rvore? Visitando um museu ou mesmo no campo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois bem o processo que converte os restos org\u00e2nicos (vegetais, animais, bacterianos, etc.) em f\u00f3sseis como estes \u00e9 denominado de permineraliza\u00e7\u00e3o e ocorre de forma mais ou menos r\u00e1pida, claro sempre pensando no tempo geol\u00f3gico. O processo se inicia imediatamente ap\u00f3s a queda do resto num ambiente de deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos (c\u00f3rrego, rio, lago, mar&#8230;) ou durante o soterramento num desses locais. O que acontece em geral, \u00e9 que uma solu\u00e7\u00e3o rica em s\u00edlica ou c\u00e1lcio consegue preencher os espa\u00e7os vazios entre as c\u00e9lulas, poros e no interior das c\u00e9lulas. Com o passar do tempo, a perda de \u00e1gua promovida pelo soterramento induz a forma\u00e7\u00e3o de cristais de quartzo, no caso de uma solu\u00e7\u00e3o rica em s\u00edlica ou calcita, no caso do c\u00e1lcio. Esses cristais possuem tamanhos diminutos, da ordem de poucos micrometros (1\/1000 de um mil\u00edmetro), que preservam a anatomia original inclusive das c\u00e9lulas, e por ser muito est\u00e1veis no caso da s\u00edlica, permitem a manuten\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis por muitos milh\u00f5es de anos. Esse processo de fossiliza\u00e7\u00e3o pode levar 50.000 anos ou menos o que, convenhamos, \u00e9 quase nada no tempo geol\u00f3gico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_307\" aria-describedby=\"caption-attachment-307\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-307\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/silica-tronco-300x129.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/silica-tronco-300x129.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/silica-tronco-768x329.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/silica-tronco.jpg 782w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-307\" class=\"wp-caption-text\">Tronco de con\u00edfera da Forma\u00e7\u00e3o Teresina (260 milh\u00f5es de anos) permineralizado por s\u00edlica. A. Corte longitudinal mostrando traqueides; B. Detalhe de um traqueide, notar os cristais de quartzo que formam a estrutura.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m da pemineraliza\u00e7\u00e3o por s\u00edlica ou carbonato de c\u00e1lcio, outros minerais como a pirita (sulfeto de ferro) podem permineralizar estruturas org\u00e2nicas. At\u00e9 mesmo a forma\u00e7\u00e3o de gelo pelo congelamento da \u00e1gua dentro dos tecidos org\u00e2nicos, pode ser considerada uma permineraliza\u00e7\u00e3o, logicamente que bem menos est\u00e1vel, pois o f\u00f3ssil apodrecer\u00e1 ap\u00f3s o descongelamento, como \u00e9 o caso dos mamutes que frequentemente s\u00e3o encontrados na Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Brasil, temos abundantes s\u00edtios com f\u00f3sseis permineralizados, inclusive alguns com o registro de extensas florestas que existiram h\u00e1 mais de 250 milh\u00f5es de anos, como a do Monumento Natural das \u00c1rvores Fossilizadas do Tocantins (MNAFTO), em Biel\u00e2ndia, distrito de Filad\u00e9lfia, que possui uma extens\u00e3o de mais de 32.000 hectares ou as florestas f\u00f3sseis de Mata e de S\u00e3o Padro do Sul no Rio Grande do Sul, um pouco mais jovenzinhas, ou mesmo os registros do interior de S\u00e3o Paulo, que representam as florestas que habitavam as plan\u00edcies de rios ou pr\u00f3ximas \u00e0 costa em climas quentes e secos. No geral eram compostas por \u00e1rvores aparentadas com as arauc\u00e1rias, podocarpos, pinheiros e tamb\u00e9m por samambaias de grande porte e cavalinhas, com certeza sem plantas com flores. Nelas est\u00e3o preservados troncos com tamanhos que alcan\u00e7am os 30 metros de comprimento e 1 metro de di\u00e2metro e, menos frequente, folhas. Ali\u00e1s, a diversidade \u00e9 f\u00f3ssil \u00e9 grande, o que faltam s\u00e3o pesquisadores para estudar tanto material.<\/p>\n<figure id=\"attachment_310\" aria-describedby=\"caption-attachment-310\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-310 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/caule1-300x294.jpg\" width=\"300\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/caule1-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/caule1-768x754.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/caule1-1024x1005.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/02\/caule1.jpg 1470w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-310\" class=\"wp-caption-text\">Caule de samambaia permineralizado por s\u00edlica coletado na MNAPTO<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Por \u00faltimo, o processo de permineraliza\u00e7\u00e3o foi o que permitiu a preserva\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias de vida mais antigas que se conhecem na Terra, com cerca de 3465 milh\u00f5es de anos, que chegaram at\u00e9 os nosso dias e tem sido interpretados como filamentos de col\u00f4nias de bact\u00e9rias fotossintetizantes conhecidas como cianobact\u00e9rias&#8230; Ent\u00e3o a permineralizac\u00e3o \u00e9 um processo que permite tanto a conserva\u00e7\u00e3o dos maiores registros f\u00f3sseis em tamanho como dos menores&#8230; \u00e9 s\u00f3 ter as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e o tempo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o se deparou com uma pedra (rocha) que um dia formou parte de um dinossauro ou era a rama mais alta de uma \u00e1rvore? 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