{"id":317,"date":"2017-03-01T19:42:22","date_gmt":"2017-03-01T22:42:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=317"},"modified":"2017-03-02T11:04:24","modified_gmt":"2017-03-02T14:04:24","slug":"317","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/03\/01\/317\/","title":{"rendered":"O Carnaval dos microbichos"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify\">Faz um tempo que a cada carnaval fico com vontade de ir para Veneza (It\u00e1lia) e utilizar uma m\u00e1scara decorada e inspirada nos foramin\u00edferos. Eles s\u00e3o microf\u00f3sseis, pois estima-se que hoje em dia existam ao redor de 8.000 esp\u00e9cies, mas a grande maioria delas dificilmente alcan\u00e7a mais de 1mm. Pela sistem\u00e1tica, eles s\u00e3o protistas eucariontes cosmopolitas, na sua maioria marinhos, e pertencem ao Filo Granuloreticulosa, possuindo uma c\u00e9lula s\u00f3 e s\u00e3o aparentados com as amebas. Os foramin\u00edferos em vida possuem pseud\u00f3podes (ou falsos p\u00e9s) que os auxiliam em muitas fun\u00e7\u00f5es como na fixa\u00e7\u00e3o, flutua\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, respira\u00e7\u00e3o, coleta, etc.<br \/>\nOs foramin\u00edferos secretam uma carapa\u00e7a ou esqueleto externo, que recebe o nome de testa, que em muitos casos \u00e9 composta por carbonato de c\u00e1lcio na forma de cristais de calcita. A testa \u00e9 preservada facilmente no registro sedimentar, principalmente marinho, sem precisar passar por um processo de fossiliza\u00e7\u00e3o. O formato das testas, ou seja, a sua morfologia externa \u00e9 francamente espetacular e sumamente variada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_320\" aria-describedby=\"caption-attachment-320\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-320 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina1-300x300.jpg\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina1-768x767.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina1.jpg 825w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-320\" class=\"wp-caption-text\">Foramin\u00edfero \u00a0belamente ornamentado (http:\/\/www.foraminifera.eu)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">A enorme quantidade de testas de foramin\u00edferos depositadas no fundo dos mares e oceanos, as famosas vazas de foramin\u00edferos, fazem desse filo de protozoas um dos grupos de f\u00f3sseis mais abundantes do registro fossil\u00edfero do nosso planeta nos \u00faltimos 500 milh\u00f5es de anos. Na verdade, s\u00e3o bem menos famosos que os dinossauros e muito mais bem-sucedidos. Quem n\u00e3o ouviu falar das pir\u00e2mides do Egito, umas das sete maravilhas do mundo antigo? Pois bem, elas foram constru\u00eddas com blocos de pedra calcaria formada pela deposi\u00e7\u00e3o de foramin\u00edferos ou vazas de foramin\u00edferos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As vazas de foramin\u00edferos s\u00e3o mundialmente estudadas em testemunhos recuperados de perfura\u00e7\u00f5es que alcan\u00e7am centenas de metros de profundidade. Esses registros ordenados s\u00e3o precisos e preciosos na hora de realizar correla\u00e7\u00f5es entre camadas de diferentes locais no planeta, datar camadas, calcular \u2013 por meio de is\u00f3topos est\u00e1veis de Oxig\u00eanio \u2013 a temperatura das \u00e1guas na qual foi segregada a testa, ou seja, ter acesso a paleotemperaturas de \u00e9pocas passadas, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-318 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/globigerina-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"170\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/globigerina-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/globigerina-768x385.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/globigerina.jpg 944w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A imagem pertence a um mesmo foramin\u00edfero planct\u00f4nico, a diferencia esta na presen\u00e7a de espinhos em um e sem os espinhos no outro (http:\/\/www.foraminifera.eu)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois bem, as testas dos foramin\u00edferos, como j\u00e1 falei, s\u00e3o super-bonitas e ornamentadas e dependendo da forma como o seu dono habite o ambiente marinho s\u00e3o denominadas como planct\u00f4nicos, se pertencem a indiv\u00edduos que vivem flutuando perto da superf\u00edcie, ou bent\u00f4nicos, se vivem no fundo. Nesse segundo caso, podem viver colados a outros organismos ou enterrados entre os gr\u00e3os de areia. Claro que tamb\u00e9m a sua distribui\u00e7\u00e3o nos mares vai ser regida por par\u00e2metros como temperatura, salinidade, n\u00edvel de oxig\u00eanio, disponibilidade de alimento, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os grupos de foramin\u00edferos que possuem testa de calc\u00e1rio, temos os de testa aglutinante ou Textulariina, os porcel\u00e2nicos ou Miliolina, os de testa hialina ou Rotaliina e um grupo extinto h\u00e1 mais de 250 milh\u00f5es de anos conhecido como de testa microgranular ou Fusilinina. A forma como os cristais de calcita se organizam para formar a testa confere ao protozoa diferentes propriedades para e\u00a0xplorar o seu habitat, ou seja, viver em lugares variados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_321\" aria-describedby=\"caption-attachment-321\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-321\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/aglutinantes-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/aglutinantes-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/aglutinantes-768x384.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/aglutinantes-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/aglutinantes.jpg 1517w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-321\" class=\"wp-caption-text\">Aspecto da testa aglutinante (http:\/\/www.foraminifera.eu)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os grupos de hoje, os foramin\u00edferos aglutinantes secretam um tipo de cimento e com aux\u00edlio dos pseud\u00f3podos (lembrando que s\u00e3o parecidos com as amebas) colhem diminutos fragmentos de conchas ou gr\u00e3os de areia e rochas do fundo, que v\u00e3o colando no cimento e com isso construindo a testa. Na maioria dos casos a testa possui um furo na ponta, para sa\u00edda dos pseud\u00f3podes. Com esse tipo de testa os aglutinantes exploram locais com pouca disponibilidade de carbonato dissolvido na \u00e1gua, como a foz de rios ou mesmo as profundezas dos oceanos, abaixo dos 2.000 metros de profundidade.<\/p>\n<table style=\"width: 808.733px\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 274.8px\">\n<td style=\"width: 322px;height: 274.8px;text-align: right\">\n<p><figure id=\"attachment_322\" aria-describedby=\"caption-attachment-322\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-322\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/miliolida-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/miliolida-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/miliolida-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/miliolida-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/miliolida.jpg 1052w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-322\" class=\"wp-caption-text\">Exemplares com testa porcel\u00e2nica (http:\/\/www.marine.usf.edu)<\/figcaption><\/figure><\/td>\n<td style=\"width: 465.733px;height: 274.8px\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-323\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Sem-t\u00edtulo-7-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"178\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Sem-t\u00edtulo-7-300x178.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Sem-t\u00edtulo-7.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify\">Os foramin\u00edferos com testa porcel\u00e2nica segregam cristais de calcita que s\u00e3o depositados em todas dire\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, sem uma ordem definida, formando uma testa muito robusta e habitam o fundo de todos dos mares e em todas as latitudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os foramin\u00edferos hialinos constroem as suas testas depositando os cristais de calcita de forma ordenada, ent\u00e3o as suas testas s\u00e3o transparentes e finamente perfuradas. Pelas perfura\u00e7\u00f5es emergem os pseud\u00f3podes que auxiliam na flutua\u00e7\u00e3o, sendo esse grupo o que re\u00fane todas as esp\u00e9cies de foramin\u00edferos planct\u00f4nicos, embora tamb\u00e9m existam muitas formas bent\u00f4nicas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_319\" aria-describedby=\"caption-attachment-319\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-319\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina-768x384.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/hialina.jpg 1701w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-319\" class=\"wp-caption-text\">Foman\u00edniferos planct\u00f4nicos de testa hialina (http:\/\/www.foraminifera.eu)<\/figcaption><\/figure>\n<p>As testas podem, independente de como foram constru\u00eddas, ser ornamentadas ou lisas, ter uma ou muitas c\u00e2maras dispostas em uma ou muitas fileiras, em linha ou enroladas, etc. etc. Ent\u00e3o, com essa diversidade e com 500 milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria n\u00e3o vai ser dif\u00edcil eu fazer a minha m\u00e1scara, as de todo um bloco ou mesmo as de todos os foli\u00f5es com motivos de foramin\u00edferos diferentes&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um tempo que a cada carnaval fico com vontade de ir para Veneza (It\u00e1lia) e utilizar uma m\u00e1scara decorada e inspirada nos foramin\u00edferos. 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