{"id":340,"date":"2017-03-08T14:59:08","date_gmt":"2017-03-08T17:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=340"},"modified":"2017-03-08T19:21:14","modified_gmt":"2017-03-08T22:21:14","slug":"as-joias-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/03\/08\/as-joias-do-universo\/","title":{"rendered":"As joias do Universo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">No \u00faltimo dia 22 de Fevereiro, a ag\u00eancia espacial norte-americana NASA divulgou uma not\u00edcia que movimentou a comunidade cient\u00edfica e o mundo todo. Foi anunciada a descoberta de um sistema planet\u00e1rio composto de sete planetas orbitando uma estrela an\u00e3-vermelha. A estrela, com apenas cerca de 8% da massa de nosso Sol, j\u00e1 havia sido registrada anteriormente e foi batizada em referencia ao Telesc\u00f3pio TRAPPIST (que por sua vez recebeu este nome em homenagem aos monges cat\u00f3licos trapistas, uma ordem comum na B\u00e9lgica e na Holanda e famosa por suas deliciosas cervejas). Os sete planetas do Sistema TRAPPIST (planetas \u201cb\u201d, \u201cc\u201d, \u201cd\u201d, \u201ce\u201d, \u201cf\u201d, \u201cg\u201d e \u201ch\u201d) possuem \u00f3rbitas pequenas, tamanhos similares aos da Terra e possivelmente s\u00e3o rochosos. Os planetas \u201ce\u201d, \u201cf\u201d e \u201cg\u201d encontram-se em uma dist\u00e2ncia que pode indicar a exist\u00eancia de \u00e1gua no estado l\u00edquido. A NASA tem planos de investigar sinais de atmosfera nestes planetas e se podem realmente possuir \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_341\" aria-describedby=\"caption-attachment-341\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-341 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig1-trappist-sistem-nasa.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig1-trappist-sistem-nasa.jpg 960w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig1-trappist-sistem-nasa-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig1-trappist-sistem-nasa-768x384.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-341\" class=\"wp-caption-text\">O Sistema TRAPPIST (www.nasa.gov)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Tal descoberta \u00e9 realmente algo extraordin\u00e1rio, mas devemos ser cautelosos com as not\u00edcias que j\u00e1 se espalharam pelas m\u00eddias, em especial pela rede mundial de computadores, e que muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o embasadas em fatos concretos, mas na imagina\u00e7\u00e3o e nos anseios pessoais de seus autores. N\u00e3o \u00e9 verdade que a NASA descobriu um sistema planet\u00e1rio que possua vida, nem mesmo foi relatada a exist\u00eancia de \u00e1gua no estado l\u00edquido, mas a simples possibilidade de exist\u00eancia deste composto primordial j\u00e1 empolga muitas das pessoas que acreditam que a vida animal complexa que habita a Terra tamb\u00e9m esteja espalhada pelo Universo. H\u00e1, no entanto, uma corrente oposta e me lembrei da mesma com todo o frenesi causado pelo Sistema TRAPPIST. H\u00e1 cientistas que defendem a hip\u00f3tese da \u201cTerra Rara\u201d, segundo a qual a vida microbiana simples pode estar difundida pelo Universo, mas a vida animal complexa \u00e9 muito rara. Ainda quando estava na gradua\u00e7\u00e3o tive a oportunidade de ler o <em>best-seller<\/em> do paleont\u00f3logo Peter D. Ward e do astrobi\u00f3logo Donald Browlee (ambos norte-americanos): \u201c<em>Rare Earth: Why Complex Life Is Uncommon in the Universe\u201d <\/em>e que me deixou fascinado! Embora muitas pessoas se excitem com a ideia de vida complexa extraterrestre, a possibilidade de sermos um evento de tamanha singularidade como apresentado pela hip\u00f3tese da Terra Rara me parece muito mais excitante!<\/p>\n<figure id=\"attachment_343\" aria-describedby=\"caption-attachment-343\" style=\"width: 303px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-343 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig-2-Rare_Earth_-_Why_Complex_Life_Is_Uncommon_in_the_Universe.jpg\" alt=\"\" width=\"303\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig-2-Rare_Earth_-_Why_Complex_Life_Is_Uncommon_in_the_Universe.jpg 303w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig-2-Rare_Earth_-_Why_Complex_Life_Is_Uncommon_in_the_Universe-191x300.jpg 191w\" sizes=\"(max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-343\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro &#8220;Rare Earth: Why Complex Life is Uncommon in the Universe&#8221;, de Peter D. Ward e Donald Browlee (2000)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto a vida simples microbiana \u00e9 adaptada \u00e0s mais adversas condi\u00e7\u00f5es, como temperaturas extremas de ambientes polares e de ambientes pr\u00f3ximos a vulc\u00f5es, a vida animal complexa \u00e9 mais restrita e sua exist\u00eancia depende de muitas singularidades que tornam o nosso \u201cp\u00e1lido ponto azul\u201d (como apelidado pelo grande astr\u00f4nomo e divulgador da ci\u00eancia, Carl Sagan) t\u00e3o raro! Para que a vida animal complexa pudesse surgir em nosso planeta foram necess\u00e1rios bilh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria geol\u00f3gica, cerca de 3,8 bilh\u00f5es ou mais. Segundo a hip\u00f3tese da Terra Rara, planetas mais jovens n\u00e3o possuiriam idade suficiente para que a vida pudesse surgir e evoluir para formas t\u00e3o complexas como ocorreu na Terra. Al\u00e9m do tempo de exist\u00eancia dos planetas, h\u00e1 in\u00fameras outras condi\u00e7\u00f5es para abrigarem seres complexos, como os que est\u00e3o lendo este texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 necess\u00e1rio que o planeta n\u00e3o esteja situado na zona central de sua gal\u00e1xia, pois no centro das gal\u00e1xias \u00e9 maior a probabilidade de que ocorram impactos com asteroides e cometas, que podem extinguir a vida. \u00c9 necess\u00e1rio que o planeta mantenha parte de seu calor primordial, o suficiente para que exista a for\u00e7a capaz de mover seus continentes. N\u00e3o fosse a tect\u00f4nica de placas em nossa Terra rara, n\u00e3o haveria continentes-ilha, palco do isolamento geogr\u00e1fico que levou \u00e0s in\u00fameras especia\u00e7\u00f5es e a diversifica\u00e7\u00e3o da vida complexa. \u00c9 necess\u00e1rio que o planeta tenha uma \u00f3rbita est\u00e1vel e quase circular. Planetas com \u00f3rbitas err\u00e1ticas ou que n\u00e3o apresentem \u00f3rbitas pr\u00f3ximas de serem circulares n\u00e3o teriam condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que suportassem a vida complexa como conhecemos, pois ora estariam muito pr\u00f3ximos de sua estrela, ora estariam muito distantes. \u00c9 necess\u00e1rio que a pr\u00f3pria estrela seja est\u00e1vel, sem muitas flutua\u00e7\u00f5es na energia liberada. E mesmo em um sistema planet\u00e1rio com uma estrela relativamente est\u00e1vel, pode ocorrer a libera\u00e7\u00e3o de energia em excesso, o que faz necess\u00e1rio um campo magn\u00e9tico protegendo o planeta.\u00a0 Mesmo na presen\u00e7a de todas estas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 ainda importante a exist\u00eancia de um planeta vizinho de muita massa e que com seu poderoso campo gravitacional atraia qualquer b\u00f3lido errante, protegendo o planeta, como faz J\u00fapiter em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. Muitos podem pensar que a hip\u00f3tese da Terra Rara falhe ao n\u00e3o considerar que a vida em outros planetas possa ser diferente da que aqui ocorre (composta de outras macromol\u00e9culas essenciais) e que tenha outras exig\u00eancias para progredir de formas simples a formas complexas. No entanto, a \u00fanica forma de vida conhecida \u00e9 a que existe em nosso planeta, e o que definimos como vida est\u00e1 restrito a ela.<\/p>\n<p class=\"size-medium wp-image-341\" style=\"text-align: justify\">A descoberta do Sistema TRAPPIST \u00e9 uma boa nova e merece toda a empolga\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica e de todas as pessoas que s\u00e3o apaixonadas por ci\u00eancia, mas n\u00e3o creio que estamos pr\u00f3ximos de encontrar vida complexa. Podemos sim ter esperan\u00e7a de que exista \u00e1gua no estado l\u00edquido, em especial na zona que abriga os planetas \u201ce\u201d, \u201cf\u201d e \u201cg\u201d, e que os planetas sejam realmente rochosos e que possuam atmosferas similares \u00e0s da Terra, e que abriguem, talvez, vida microbiana, vida mais simples. Mas a vida complexa parece ser rara no Universo! N\u00f3s temos a sorte de viver em um planeta que a abriga e que ainda registra nas rochas, atrav\u00e9s dos f\u00f3sseis, a hist\u00f3ria de sua evolu\u00e7\u00e3o. A Terra \u00e9 rara, toda sua diversidade de organismos complexos \u00e9 rara e o registro f\u00f3ssil \u00e9 ainda mais raro. As joias do Universo podem estar mais pr\u00f3ximas de n\u00f3s do que pensamos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_344\" aria-describedby=\"caption-attachment-344\" style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-344 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig3-palebluedot.jpg\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig3-palebluedot.jpg 838w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig3-palebluedot-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/Fig3-palebluedot-768x569.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-344\" class=\"wp-caption-text\">A Terra, nosso p\u00e1lido ponto azul, vista de Saturno e fotografada pela sonda Cassini em 2013. Uma das joias do Universo! (www.science.nasa.gov)<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"size-medium wp-image-341\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 22 de Fevereiro, a ag\u00eancia espacial norte-americana NASA divulgou uma not\u00edcia que movimentou a comunidade cient\u00edfica e o mundo todo. Foi anunciada a descoberta de um sistema planet\u00e1rio composto de sete planetas orbitando uma estrela an\u00e3-vermelha. 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