{"id":371,"date":"2017-03-28T16:28:48","date_gmt":"2017-03-28T19:28:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=371"},"modified":"2017-03-29T09:17:03","modified_gmt":"2017-03-29T12:17:03","slug":"das-cinzas-e-dos-fosseis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/03\/28\/das-cinzas-e-dos-fosseis\/","title":{"rendered":"DAS CINZAS E DOS F\u00d3SSEIS"},"content":{"rendered":"<hr \/>\n<figure id=\"attachment_378\" aria-describedby=\"caption-attachment-378\" style=\"width: 355px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-378\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio3.jpg\" alt=\"\" width=\"355\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio3.jpg 948w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio3-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio3-768x504.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-378\" class=\"wp-caption-text\">http:\/\/orsm.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">No inverno aqui em Campinas, em geral seco, com bastante frequ\u00eancia ocorrem inc\u00eandios. Nessas ocasi\u00f5es as casas, carros, etc. que est\u00e3o perto ou que passam do lado do inc\u00eandio na estrada ficam cobertos daqueles fragmentos de plantas que v\u00eam voando no vento, aqueles carv\u00f5ezinhos. Pois esses fragmentos podem fossilizar e qui\u00e7\u00e1 serem os \u00fanicos testemunhos da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das melhores evid\u00eancias das mais antigas flores f\u00f3sseis pertencem ao que restou de um inc\u00eandio da floresta, que no in\u00edcio do per\u00edodo Cret\u00e1ceo (a uns 110 milh\u00f5es de anos no passado, ou simplesmente Ma.) existia em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De forma geral os f\u00f3sseis vegetais produzidos por inc\u00eandios recebem o nome de carv\u00f5es de queimada, ou <strong><em>charcoals<\/em><\/strong> em ingl\u00eas. Eles s\u00e3o compostos por 60-90% de carbono e s\u00e3o conservados no registro f\u00f3ssil por serem praticamente inertes. Neles h\u00e1 uma excelente preserva\u00e7\u00e3o da morfologia e anatomia, muitas vezes at\u00e9 n\u00edvel celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este tipo de fossiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antigo como o s\u00e3o as plantas na superf\u00edcie do planeta, cujos registros mais antigos datam de uns 400 Ma. (Siluriano) ou um pouco mais&#8230; Isto indica que antes da vida povoar os continentes n\u00e3o existiam inc\u00eandios, talvez porque n\u00e3o houvesse nada para ser queimado. Contudo, evid\u00eancias desses primeiros inc\u00eandios s\u00e3o encontradas em rochas de todos os continentes, o que indica que o processo de conquista do meio seco pela vida foi um evento que aconteceu por toda a superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os carv\u00f5es de queimada ou <em>charcoals<\/em>, podem ser observados a olho nu ou no microsc\u00f3pio e a sua presen\u00e7a em grande quantidade est\u00e1 relacionada com os per\u00edodos do tempo geol\u00f3gicos com maior porcentagem de O<sub>2 <\/sub>na atmosfera que hoje em dia. como ocorreu durante os per\u00edodos Permiano (~298 a 252 Ma.) e Cret\u00e1ceo (145 a 66 Ma.). Mas o que acontece para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de O<sub>2<\/sub> na atmosfera? Bom, se trata de momentos muito mais quentes que hoje e sem a presen\u00e7a de gelo nos polos. Assim, o n\u00edvel relativo dos mares \u00e9 mais alto, e como consequ\u00eancia os continentes possuem extensos mares interiores e rasos onde h\u00e1 uma enorme prolifera\u00e7\u00e3o de recifes muito ricos em vida. Aqui no Brasil, durante o Cret\u00e1ceo, o Nordeste era um enorme mar raso, ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o entre a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul. Nesses mares interiores, por serem tamb\u00e9m quentes e com pouca circula\u00e7\u00e3o, ocorre a deposi\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de carbonato de c\u00e1lcio (CaCO<sub>2<\/sub>) e de mat\u00e9ria org\u00e2nica e, por conseguinte, o sequestro do C na crosta terrestre, elevando a concentra\u00e7\u00e3o de O<sub>2<\/sub> na atmosfera.<\/p>\n<figure id=\"attachment_376\" aria-describedby=\"caption-attachment-376\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-376\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/chacoal-mogi1-1024x330.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/chacoal-mogi1-1024x330.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/chacoal-mogi1-300x97.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/chacoal-mogi1-768x247.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/chacoal-mogi1.jpg 1112w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-376\" class=\"wp-caption-text\">Fragmento de <strong>charcoal<\/strong>, visto em microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico de varredura. 1. Escala = 1mm; 2. Escala F= 500 \u00b5m.; 3. Escala = 50 \u00b5m; 4. 200 \u00b5m.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltando aos inc\u00eandios, com taxas de O<sub>2<\/sub> elevadas, \u00e9 muito mais f\u00e1cil que a vegeta\u00e7\u00e3o pegue fogo por a\u00e7\u00e3o de raios, vulc\u00f5es, meteoros, etc. ou mesmo por combust\u00e3o espont\u00e2nea com mais oxig\u00eanio para oxidar a mat\u00e9ria org\u00e2nica pela queima. Os registros de inc\u00eandios, ou neste caso de paleoinc\u00eandios, s\u00e3o encontrados em rochas sedimentares ou, mais raramente, em rochas \u00edgneas associadas a erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas. Os fragmentos de carv\u00e3o de queimada s\u00e3o depositados tanto no continente como tamb\u00e9m nos mares, neste caso envolvendo o transporte dos fragmentos de <em>charcoals<\/em> pelo vento ou pela \u00e1gua, pois os carv\u00f5es podem flutuar facilmente durante alguns dias at\u00e9 ficarem encharcados de \u00e1gua e afundar, possivelmente longe do local do inc\u00eandio e at\u00e9 mesmo no fundo do mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estudos realizados em dep\u00f3sitos quatern\u00e1rios (2 Ma. at\u00e9 hoje) utilizam os registros dos paleoinc\u00eandios como evid\u00eancias de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e para caracterizar a presen\u00e7a de biomas com o Cerrado, que est\u00e1 intimamente associado com a presen\u00e7a do fogo. Nos estudos do Quatern\u00e1rio, a presen\u00e7a de <em>charcoals<\/em> \u00e9 muitas vezes associada com climas mais secos que o atual ou at\u00e9 mesmo com a a\u00e7\u00e3o humana a partir dos \u00faltimos 10.000 anos. Outra grande vantagem nos estudos quatern\u00e1rios na utiliza\u00e7\u00e3o dos <em>charcoals<\/em> \u00e9 a possibilidade de realizar, por meio deles, data\u00e7\u00f5es absolutas muito precisas utilizando o is\u00f3topo radiativo do carbono o C<sup> 14<\/sup> o qual possui uma meia vida de 60.000 anos, bem como de estabelecer por meio do estudo de is\u00f3topos est\u00e1veis de C o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o que deu origem aos <em>charcoals<\/em>, indicando se tratava de uma vegeta\u00e7\u00e3o mais aberta ou de uma floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-373 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio1-1024x741.jpg\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio1-1024x741.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio1-300x217.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/incendio1-768x556.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, da pr\u00f3xima vez que passar perto de um inc\u00eandio ou encontrar uns carv\u00f5es no campo, imagine as possibilidades que eles oferecem para um dia poder reconhecer ou reconstruir a paisagem atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inc\u00eandio florestal, imagine a quantidade de <em><strong>charcoals<\/strong><\/em> sendo produzidos.\u00a0http:\/\/www.meilogunotizie.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No inverno aqui em Campinas, em geral seco, com bastante frequ\u00eancia ocorrem inc\u00eandios. 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