{"id":384,"date":"2017-04-04T17:51:06","date_gmt":"2017-04-04T20:51:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=384"},"modified":"2017-04-04T17:52:31","modified_gmt":"2017-04-04T20:52:31","slug":"reflexoes-de-um-dia-dia-sob-optica-paleontologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/04\/04\/reflexoes-de-um-dia-dia-sob-optica-paleontologica\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es de um dia-a-dia sob a \u00f3ptica paleontol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Cada \u00e1rea do conhecimento possui seus jarg\u00f5es e influencia no modo em que as pessoas enxergam o mundo. Eu tenho contato com profissionais cientistas de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento; desde aqueles engenheiros que se divertem indo em um congresso \u201cs\u00f3\u201d sobre t\u00faneis, at\u00e9 aqueles que, apesar de trabalharem o tempo todo, acham que atividades como ministrar aulas \u201cn\u00e3o \u00e9 trabalho\u201d. Longe de mim questionar qualquer um desses pontos de vista (que tenho como exc\u00eantricos) a verdade \u00e9 que me divirto muito observando e convivendo com pessoas de pontos de vista t\u00e3o diferentes do meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pensando sobre isso imaginei que algumas (ou todas?) das observa\u00e7\u00f5es que fa\u00e7o ao longo de um dia podem\/devem ter muita influ\u00eancia da minha forma\u00e7\u00e3o paleobiol\u00f3gica. Vamos aos exemplos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nas f\u00e9rias, ao caminhar na praia, percebo que a zona intermar\u00e9s carrega e deposita sedimentos e corpos de organismos que viviam por ali, e tamb\u00e9m daqueles que viviam<\/p>\n<figure id=\"attachment_388\" aria-describedby=\"caption-attachment-388\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-388 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/IMG-20170213-WA0037-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/IMG-20170213-WA0037-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/IMG-20170213-WA0037-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/03\/IMG-20170213-WA0037.jpg 585w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-388\" class=\"wp-caption-text\">Diferentes organismos (ou restos de organismos) num mesmo ambiente deposicional. Viviam ali ou foram trazidos?<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">mais longe (no mar mais profundo), mas que foram trazidos pelas correntes, neste caso, ap\u00f3s a sua morte, e ali depositados. Esse conjunto de restos de organismos de diferentes ambientes misturados num mesmo local \u00e9 bastante comum no registro fossil\u00edfero. \u00c9 o que chamamos de \u201cgrau de autoctonia\u201d do registro (o quanto ele representa organismos que viviam naquele ambiente, ou, ao contr\u00e1rio, o qu\u00e3o longe eles foram transportados de seu ambiente de vida original). No registro temos que observar os restos dos organismos para saber se s\u00e3o ou n\u00e3o aut\u00f3ctones. O que observamos? Se o organismo est\u00e1 inteiro ou fragmentado (o que pode indicar transporte), arredondado, se ele tem adapta\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas para viver em determinado ambiente (forma da concha, por exemplo), entre outras fei\u00e7\u00f5es. A mistura de organismos de diferentes ambientes numa praia atual pode parecer \u00f3bvia (como na foto, em que h\u00e1 mistura de conchas, galhos e medusas, cada uma de um ambiente espec\u00edfico), mas no registro isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil de se perceber. Pelo menos n\u00e3o t\u00e3o imediato. Isso porque n\u00e3o temos mais o ambiente original, s\u00f3 evid\u00eancias de qual era esse ambiente. Tamb\u00e9m n\u00e3o temos os organismos, mas sim f\u00f3sseis deles. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, portanto, que uma das ferramentas mais usadas na paleontologia \u00e9 o atualismo: observar o que ocorre hoje para compreender o passado, que \u00e9 representado pelo registro fossil\u00edfero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E no meio urbano? \u00c9 poss\u00edvel ter um olhar paleontol\u00f3gico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A icnologia (o estudo dos tra\u00e7os f\u00f3sseis, ou seja, o estudo das marcas deixadas pela atividade de algum organismo) \u00e9 relativamente constante nas minhas observa\u00e7\u00f5es. Ao passear com cachorros numa pra\u00e7a que tenha areia, deixamos nossas pegadas, que s\u00e3o rapidamente apagadas ou deformadas pelo caminhar de outros (possibilitando a forma\u00e7\u00e3o de um registro palimpsesto, caso aquilo ali fosse rapidamente recoberto); ou, ao observar patinhas de diversos animais que foram pintadas em frente a um restaurante vegano, adentrando o local, percebo que elas deveriam tamb\u00e9m estar saindo ali, se a ideia \u00e9 de que os animais s\u00e3o bem-vindos e podem circular livremente&#8230;pra mim, vest\u00edgios de animais somente entrando um lugar podem significar que eles n\u00e3o sa\u00edram, pelo menos n\u00e3o pelo mesmo local de entrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ou ainda, como explicado no <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/03\/01\/317\/\">\u00faltimo <em>post<\/em><\/a> da profa. Fr\u00e9sia, as queimadas geram fragmentos de plantas carbonizados que podem virar registro tamb\u00e9m&#8230; quem nunca olhou para aquela \u201csujeirinha\u201d preta e pensou sobre sua import\u00e2ncia para os paleont\u00f3logos do futuro? \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, claro, o exemplo cl\u00e1ssico. Seja aonde for, praia, cidade, interior, ao olhar para o c\u00e9u noturno estrelado n\u00e3o podemos deixar de pensar que observar as estrelas \u00e9 olhar para o passado. E como Carl Sagan costumava dizer: \u00a0&#8220;N\u00f3s somos, cada um de n\u00f3s, um pequeno universo&#8221;. Mas a\u00ed j\u00e1 entramos em outra \u00e1rea do conhecimento, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A perspectiva paleontol\u00f3gica est\u00e1 por toda a parte!<\/p>\n<pre>Conhe\u00e7a mais sobre o trabalho de Sagan lendo <a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Espaco\/noticia\/2015\/03\/12-reflexoes-que-vao-te-introduzir-ao-pensamento-de-carl-sagan.html\">este post<\/a>.<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada \u00e1rea do conhecimento possui seus jarg\u00f5es e influencia no modo em que as pessoas enxergam o mundo. Eu tenho contato com profissionais cientistas de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento; desde aqueles engenheiros que se divertem indo em um congresso \u201cs\u00f3\u201d sobre t\u00faneis, at\u00e9 aqueles que, apesar de trabalharem o tempo todo, acham que atividades como &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/04\/04\/reflexoes-de-um-dia-dia-sob-optica-paleontologica\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Reflex\u00f5es de um dia-a-dia sob a \u00f3ptica paleontol\u00f3gica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9,12,11,10],"tags":[66,67,44,65],"class_list":["post-384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carolina-zabini","category-ciencias","category-paleontologia","category-para-refletir-carolina-zabini","tag-cotidiano","tag-filosofia-ciencias","tag-fosseis","tag-mistura-temporal"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":391,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384\/revisions\/391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}