{"id":408,"date":"2017-04-25T18:36:43","date_gmt":"2017-04-25T21:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=408"},"modified":"2017-04-25T18:38:09","modified_gmt":"2017-04-25T21:38:09","slug":"biomineralizacao-e-eu-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/04\/25\/biomineralizacao-e-eu-com-isso\/","title":{"rendered":"Biomineraliza\u00e7\u00e3o: e eu com isso???"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-414\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/IMG_20170119_085301611.jpg\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/IMG_20170119_085301611.jpg 869w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/IMG_20170119_085301611-300x289.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/IMG_20170119_085301611-768x739.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/>Quando pensamos em minerais, cristais, etc. raramente relacionamos esse tipo de processo com a vida e com o nosso pr\u00f3prio corpo. Mas basta um r\u00e1pido sorriso no espelho para ver nos nossos dentes as evid\u00eancias do processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o que realizamos. Ali\u00e1s sem biomineraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguir\u00edamos viver no planeta que habitamos, e precisamente essa capacidade dos organismos de biomineralizar pode ser exclusiva do nosso planeta, fazendo com que ele seja diferente de todos os outros conhecidos no sistema solar e fora dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas a final, o que \u00e9 a biomineraliza\u00e7\u00e3o? Pode ser definida como um processo mediante o qual os organismos formam minerais a partir da retirada seletiva de elementos do meio que os rodeia e incorpora\u00e7\u00e3o na sua estrutura funcional. Esse processo, por exemplo, incorpora cristais de hidroxiapatita [(Ca10(PO4)6(OH)2)] para construir e reparar nossos ossos e dentes. A hidroxiapatita \u00e9 um mineral do grupo dos fosfatos, pois utiliza o fosforo como c\u00e1tion para formar os cristais que v\u00e3o sendo alocados entre as fibras de col\u00e1geno e dando forma e resist\u00eancia aos nossos ossos. Os cristais de hidroxiapatita possuem forma de placas e s\u00e3o muito pequenos. Quando esse processo para ou \u00e9 realizado de forma incompleta ter\u00e1 como consequ\u00eancia a osteoporose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os organismos utilizam v\u00e1rios \u00edons no processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o, entre os quais o mais comum \u00e9 o c\u00e1lcio (Ca), podendo ser encontrado em aproximadamente 50% dos biominerais. Outros \u00edons bastante comuns s\u00e3o o Sil\u00edcio (Si), o Fosforo (P), o Ferro (Fe) e o Enxofre (S) embora a lista seja bem mais extensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusividade dos eucariontes, pois entre os registros mais antigos de biominerais se encontram os associados a bact\u00e9rias que biomineralizavam Fe, por exemplo, em magnetita formando cristais denominados de magnetosomos h\u00e1 3.000 milh\u00f5es de anos. Essas bact\u00e9rias que geram magnetita recebem o nome de magnetot\u00e1ticas. Os vegetais tamb\u00e9m biomineralizam utilizando como \u00edon principal o Si, pelo menos nos \u00faltimos 400 milh\u00f5es de anos, ou seja, desde que temos registros de plantas sobre os continentes. Quem j\u00e1 n\u00e3o se cortou com a folha de capim? Essas folhas possuem diminutos corpos de s\u00edlica hidratada, ou opala, denominados como fit\u00f3litos que cumprem fun\u00e7\u00f5es de defesa e sustenta\u00e7\u00e3o da planta. Por sinal, cada planta biomineraliza fit\u00f3litos com formas diferentes que podem ser estudados e utilizados em estudos de reconstru\u00e7\u00e3o de antigas florestas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_410\" aria-describedby=\"caption-attachment-410\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-410\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/fitolitos-1024x456.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/fitolitos-1024x456.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/fitolitos-300x134.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/fitolitos-768x342.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/fitolitos-604x270.jpg 604w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-410\" class=\"wp-caption-text\">Alguns exemplos fitolitos e de folhas capim (Poaceae) rico em fitolitos.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 uma enorme diversidade de organismos que biomineralizam cristais utilizando o Ca na forma de calcita ou aragonita nos mares e oceanos. Um grupo que utiliza c\u00e1lcio e que produz bel\u00edssimas carapa\u00e7as formadas por cristais de calcita s\u00e3o os cocolitofor\u00eddeos. Sob essa denomina\u00e7\u00e3o sofisticada de cocolitofor\u00eddeos s\u00e3o reunidos os organismos autotr\u00f3ficos marinhos mais abundantes do fitopl\u00e2ncton, ou seja, que vivem flutuando nas camadas mas superficiais dos mares at\u00e9 uns 20m de profundidade. Os cocolitofor\u00eddeos s\u00e3o t\u00e3o abundantes que, junto aos foramin\u00edferos, s\u00e3o respons\u00e1veis por criar e manter o gradiente vertical da alcalinidade na \u00e1gua do mar, e tudo por devido \u00e0 biomineraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-412 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/cocolitos-1-797x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"411\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/cocolitos-1-797x1024.jpg 797w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/cocolitos-1-234x300.jpg 234w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/cocolitos-1-768x986.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/cocolitos-1.jpg 1555w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Cocolitofor\u00eddeo com suas pelas placas que representam um cristal de calcita. As placas ao morrer o organismo caem isoladas no fundo dos mares e formam espessos dep\u00f3sitos de carbonatos, os chalk. Dep\u00f3sitos formados dessa forma s\u00e3o os white cliff da costa da Inglaterra. (sopasdepedra,ebah.com.br, wonderfulseaworld)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os biominerais s\u00e3o caracterizados por apresentar uma f\u00f3rmula qu\u00edmica definida, embora a sua morfologia externa possa ser incomum se comparada com os minerais produzidos inorganicamente, mas nessa caracter\u00edstica reside parte da sua complexidade e diversidade. Muitos s\u00e3o, na realidade, compostos ou aglomera\u00e7\u00f5es de cristais separados por mat\u00e9ria org\u00e2nica como no caso dos nossos ossos. Os biominerais podem existir como pequenos corpos dentro de uma rede de col\u00e1geno ou quitina (como no caso da carapa\u00e7a dos caranguejos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como acontece a biomineraliza\u00e7\u00e3o? Para que ocorra a nuclea\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o dos primeiros n\u00facleos cristalinos) e o posterior crescimento, a biomineraliza\u00e7\u00e3o precisa de uma zona de deposi\u00e7\u00e3o saturada, geralmente isolada do ambiente em volta e delimitada por uma geometria f\u00edsica, como ves\u00edculas intracelulares, onde o meio ao redor \u00e9 precisamente controlado. H\u00e1 dois processos b\u00e1sicos respons\u00e1veis: um biologicamente induzido e outro biologicamente controlado. No primeiro caso, os organismos n\u00e3o t\u00eam controle do tipo e da forma dos minerais depositados, embora controlem o pH, pCO<sub>2<\/sub> e a composi\u00e7\u00e3o das secre\u00e7\u00f5es, como acontece nos microbialitos comentados no post \u201cMicrobialitos \u2013 f\u00f3sseis mais persistentes\u201d da Flavia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No processo biologicamente controlado, os organismos utilizam as atividades celulares para controlar diretamente a nuclea\u00e7\u00e3o, o crescimento, a morfologia e a localiza\u00e7\u00e3o final do mineral que est\u00e1 sendo depositado. Assim, a maior parte do processo ocorre num ambiente isolado. O resultado \u00e9 muito sofisticado e com uma fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica especializada dada pelo organismo, como no caso dos nossos ossos e dentes. Pense nisso na pr\u00f3xima vez que escovar os dentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pensamos em minerais, cristais, etc. raramente relacionamos esse tipo de processo com a vida e com o nosso pr\u00f3prio corpo. Mas basta um r\u00e1pido sorriso no espelho para ver nos nossos dentes as evid\u00eancias do processo de biomineraliza\u00e7\u00e3o que realizamos. 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