{"id":420,"date":"2017-05-02T10:00:49","date_gmt":"2017-05-02T13:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=420"},"modified":"2017-05-08T12:31:12","modified_gmt":"2017-05-08T15:31:12","slug":"enfim-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/05\/02\/enfim-campo\/","title":{"rendered":"Cobras, sombra e \u00e1gua fresca. Enfim, campo!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Uma das maiores vantagens ou alegrias da carreira de paleont\u00f3logo \u00e9, em minha opini\u00e3o, poder realizar trabalhos de campo. Como bi\u00f3loga, eu poderia ter escolhido uma \u00e1rea de trabalho que se restringisse ao laborat\u00f3rio, ou somente \u00e0 sala de aula. Mas escolhi atuar em algo que tem tudo isso e um <em>plus<\/em>: o campo. Mas, o que vem a ser uma sa\u00edda a campo, TC (trabalho de campo), CC (campanha de campo), ou simplesmente \u201ccampo\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 sim poss\u00edvel que na sua mente, neste momento, a imagem de Indiana Jones se forme e que voc\u00ea, mesmo que por um instante, acredite que todos os campos em paleontologia sejam sempre realizados em locais remotos, com cobras e muitas armadilhas. Bem, as cobras sempre est\u00e3o l\u00e1. Junto com escorpi\u00f5es, vespas e aranhas, elas adoram os pared\u00f5es em que a gente trabalha. Mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ir a locais remotos para encontrar f\u00f3sseis. Eu mesma realizei as coletas da minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o num afloramento de rocha \u00e0 beira de uma estrada, muito pr\u00f3xima a uma cidade. Era s\u00f3 parar no acostamento e trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como j\u00e1 passamos da \u00e9poca de estabelecimento das diversas \u00e1reas cient\u00edficas, processo que ocorreu por volta da transi\u00e7\u00e3o entre os s\u00e9c. XVIII e XIX, em que pouco se sabia e as \u00e1reas cient\u00edficas (inclusive a geologia e paleontologia) estavam sendo delimitadas, atualmente os trabalhos de campo n\u00e3o s\u00e3o mais (em geral) t\u00e3o desbravadores assim. J\u00e1 temos todo um mapeamento geol\u00f3gico do territ\u00f3rio brasileiro, e com isso temos uma boa ideia da distribui\u00e7\u00e3o das rochas e de suas idades. Assim, antes de irmos a campo, olhamos o mapa e vemos onde est\u00e3o as rochas que queremos procurar e que devem conter os f\u00f3sseis da idade que estudamos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_424\" aria-describedby=\"caption-attachment-424\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-424\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/20160519_142250-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/20160519_142250-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/20160519_142250-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/20160519_142250-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-424\" class=\"wp-caption-text\">Afloramento aberto pela constru\u00e7\u00e3o de uma estrada, MT<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">O segundo passo nesta hist\u00f3ria \u00e9 encontrar locais onde estas rochas afloram, ou seja, lugares em que elas est\u00e3o dispon\u00edveis em superf\u00edcie. Caso elas estiverem somente em subsuperf\u00edcie, n\u00e3o teremos como acess\u00e1-las t\u00e3o facilmente. Uma forma de acessar estas rochas ainda \u201cescondidas\u201d \u00e9 com a obten\u00e7\u00e3o de testemunhos de sondagens, muito \u00fateis para os paleont\u00f3logos que trabalham com microf\u00f3sseis. Como os testemunhos tem um volume de rocha pequeno, a maior quantidade de f\u00f3sseis que eles podem carregar tem que ser de tamanhos muito pequenos, certo? No entanto, como eu trabalho com organismos macrosc\u00f3picos (de tamanhos que variam de mm a cm), eu trabalho com rochas que aflorem na superf\u00edcie terrestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E como fazemos para encontrar tais afloramentos rochosos? Com o mapa em m\u00e3os, sabendo onde as rochas escolhidas podem ocorrer, procuramos por locais onde naturalmente elas podem estar expostas, como pared\u00f5es de cachoeiras, margens de rios, c\u00e2nions, encostas. Existem outros processos que podem expor estas rochas, e s\u00e3o antr\u00f3picos: margens de estradas e ferrovias, minas, ou grandes obras que necessitem escava\u00e7\u00f5es, como as lavras, por exemplo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_422\" aria-describedby=\"caption-attachment-422\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-422\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/4-Fazenda-3-Barras-22-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/4-Fazenda-3-Barras-22-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/4-Fazenda-3-Barras-22-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/4-Fazenda-3-Barras-22-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-422\" class=\"wp-caption-text\">Afloramento de rochas do Ordoviciano, em Goi\u00e1s<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Encontradas as rochas, o nosso trabalho \u00e1rduo come\u00e7a. Todo o afloramento \u00e9 medido e descrito detalhadamente, estrato a estrato. Devemos delimitar o espa\u00e7o e tempo de trabalho, para fins comparativos. E, enfim, podemos come\u00e7ar a quebrar as rochas com nossos martelos, a fim de procurar os f\u00f3sseis. Cada f\u00f3ssil encontrado tem sua posi\u00e7\u00e3o registrada e recebe um n\u00famero ainda em campo. Depois da coleta, o material \u00e9 levado ao laborat\u00f3rio e uma nova etapa de an\u00e1lise se inicia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lembro-me da primeira vez que encontrei um f\u00f3ssil, ainda na gradua\u00e7\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o de encontrar um resto de um organismo que morreu h\u00e1 cerca de 400 milh\u00f5es de anos, quase que completamente ao acaso (no sentido de que se eu n\u00e3o tivesse escolhido aquele ponto, mas outro, eu n\u00e3o teria tido sucesso; ou ainda: que se tivesse batido com o martelo de outro jeito, poderia ter estragado ou sequer percebido que aquele f\u00f3ssil estava ali) foi perturbadora. Pense bem: n\u00e3o h\u00e1 como escolher o melhor lugar para se encontrar algo escondido entre as rochas. \u00c9 um lance de sorte. Uma daquelas coisas que nos faz sentir pequenos frente \u00e0 vastid\u00e3o da hist\u00f3ria geol\u00f3gica e biol\u00f3gica da Terra, mas que tamb\u00e9m nos faz sentir como parte de algo imenso e maravilhoso. Poder conhecer um pouco do que foi a vida num passado t\u00e3o distante \u00e9 sim uma grande aventura, e um privil\u00e9gio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das maiores vantagens ou alegrias da carreira de paleont\u00f3logo \u00e9, em minha opini\u00e3o, poder realizar trabalhos de campo. Como bi\u00f3loga, eu poderia ter escolhido uma \u00e1rea de trabalho que se restringisse ao laborat\u00f3rio, ou somente \u00e0 sala de aula. Mas escolhi atuar em algo que tem tudo isso e um plus: o campo. Mas, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/05\/02\/enfim-campo\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Cobras, sombra e \u00e1gua fresca. Enfim, campo!<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":422,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9,28,23],"tags":[78,77,75,76],"class_list":["post-420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carolina-zabini","category-paleodiversidade","category-tempo-geologico","tag-afloramentos","tag-aventura","tag-coleta","tag-saida"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/04\/4-Fazenda-3-Barras-22.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":430,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions\/430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}