{"id":438,"date":"2017-05-31T15:59:36","date_gmt":"2017-05-31T18:59:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=438"},"modified":"2017-05-31T16:03:13","modified_gmt":"2017-05-31T19:03:13","slug":"coincidencias-milagres-paleontologicos-as-preservacoes-excepcionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/05\/31\/coincidencias-milagres-paleontologicos-as-preservacoes-excepcionais\/","title":{"rendered":"Coincid\u00eancias (milagres??) paleontol\u00f3gicos: as preserva\u00e7\u00f5es excepcionais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Qual a probabilidade de voc\u00ea conversar com algu\u00e9m sobre algo que voc\u00ea n\u00e3o sabe muito bem e, no dia seguinte, abrir um livro e encontrar exatamente aquele assunto?\u00a0Ou ent\u00e3o, de voc\u00ea ir a um sebo e encontrar \u00e0 venda um livro que um parente distante seu havia adquirido h\u00e1 anos atr\u00e1s?\u00a0Talvez estes pequenos exemplos n\u00e3o sejam reconhecidos como milagres. Na verdade, eu prefiro pensar em coincid\u00eancia mesmo. Mas de uma probabilidade infinitesimalmente pequena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu j\u00e1 falei em <em>posts<\/em> anteriores que o processo de preserva\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o da descoberta de um f\u00f3ssil \u00e9 um evento raro. Mas tem alguns casos que s\u00e3o surpreendentes, e \u00e9 sobre um deles que vou escrever hoje; envolve a descoberta de um nodossauro de 110 M.a. na regi\u00e3o de Alberta, Canad\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_439\" aria-describedby=\"caption-attachment-439\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-439\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/McMurray-300x141.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"141\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/McMurray-300x141.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/McMurray-768x361.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/McMurray-1024x481.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-439\" class=\"wp-caption-text\">Localiza\u00e7\u00e3o da cidade onde uma descoberta incr\u00edvel ocorreu.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">A hist\u00f3ria, que foi divulgada em v\u00e1rios <em>sites,<\/em> conta que um operador de m\u00e1quinas de uma mina em Fort McMurray, trabalhava na retirada das rochas arenosas impregnadas com \u00f3leo (trabalho este que exercia h\u00e1 12 anos pelo menos), quando se deparou com algo distinto, muito mais duro que as rochas do entorno. Em seu cotidiano de trabalho era comum encontrar troncos petrificados, mas nunca havia se deparado com um&#8230; resto de dinossauro. Resto de dinossauro! E a hist\u00f3ria n\u00e3o termina por a\u00ed. N\u00e3o era apenas um conjunto de ossos de dinossauro, como a maioria dos registros de vertebrados que ouvimos falar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O animal completo (isto \u00e9, todas as suas partes) deveria estar contido naquela rocha, e isso, por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 raro no registro. Mas o mais incr\u00edvel desta hist\u00f3ria \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o somente os ossos que ficaram preservados. As impress\u00f5es da pele, escamas, osteodermas, ossos, e, possivelmente, at\u00e9 sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o, est\u00e3o ali! E ainda: sua forma original est\u00e1 mantida, ele n\u00e3o est\u00e1 intensamente deformado e achatado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar de ter sido encontrado em 2011, at\u00e9 hoje os estudos com o esp\u00e9cime continuam. Durante a retirada do f\u00f3ssil do local em que foi encontrado, somente se conseguiu resgatar a sua por\u00e7\u00e3o mais frontal, do focinho at\u00e9 o quadril, e um outro bloco, com a cauda. Foram necess\u00e1rias cerca de 7.000 horas de trabalho em laborat\u00f3rio para preparar o cr\u00e2nio e a cauda para estudo. Esta prepara\u00e7\u00e3o consiste basicamente na\u00a0retirada de rocha do entorno do f\u00f3ssil. O torso do animal ainda est\u00e1 em prepara\u00e7\u00e3o. O bloco que o cont\u00e9m pesa cerca de 15 toneladas. Hoje ele est\u00e1 depositado na cole\u00e7\u00e3o do Museu Real de Ont\u00e1rio (ROM). Seu nome cient\u00edfico \u00e9 <em>Zuul crurivastator.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_441\" aria-describedby=\"caption-attachment-441\" style=\"width: 330px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-441\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"330\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-1024x684.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-441\" class=\"wp-caption-text\">Este \u00e9 o f\u00f3ssil mais bem preservado de nodossauro \u00a0j\u00e1 descoberto. Este \u00e9 <strong>Zuul crurivastator.<\/strong> Foto da National Geographic<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo o contexto geol\u00f3gico em que ele foi encontrado \u00e9 tamb\u00e9m muito interessante. O animal que, em vida, era terrestre e herb\u00edvoro, foi encontrado em sedimentos que registram o fundo de um antigo mar. Acredita-se que seu corpo tenha sido carregado, inflado, boiando e em decomposi\u00e7\u00e3o parcial, por um rio, e quando a carca\u00e7a liberou seus gases internos (produtos da decomposi\u00e7\u00e3o), ela j\u00e1 estava em mar aberto, onde mergulhou para as profundezas, foi soterrada, e ali permaneceu para ser encontrada em 2011.<\/p>\n<figure id=\"attachment_442\" aria-describedby=\"caption-attachment-442\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-442\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/zuul-300x215.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/zuul-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/zuul-768x550.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/zuul-1024x733.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-442\" class=\"wp-caption-text\">Zuul, um monstro do filme Ca\u00e7a-fantasmas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com o Museu Real de Ont\u00e1rio os nodosauros s\u00e3o dinos pertencentes \u00e0 infraordem Ankylosauria e eram vertebrados terrestres com 4 patas, corpos achatados, longos e recobertos por uma armadura \u00f3ssea. Sua cauda apresentava espinhos, e, por vezes, uma clava em sua extremidade. Quando em vida devia chegar aos 6 metros de comprimento e pesar cerca de 2,5 toneladas. Foi o fato de apresentar narinas largas e 4 chifres no cr\u00e2nio (atr\u00e1s e embaixo dos olhos), que levou \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o em um novo g\u00eanero, o <em>Zuul<\/em>. Este nome, ali\u00e1s, remete a um monstro do filme dos Ca\u00e7a-fantasmas! H\u00e1! N\u00e3o posso deixar de fazer refer\u00eancia a um <em>post<\/em> anterior do blog (<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/01\/24\/sobre-dragoes-e-fosseis\/\">este aqui<\/a>). J\u00e1 falamos que \u00e9 poss\u00edvel que restos de f\u00f3sseis de grandes tamanhos tenham dado origem \u00e0s lendas dos drag\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Vejam, no caso de <em>Zuul<\/em>, o monstro do filme, isto \u00e9, a cria\u00e7\u00e3o humana para uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u00e9 anterior \u00e0 pr\u00f3pria descoberta do f\u00f3ssil. Como pessoas influenciadas pelo seu contexto hist\u00f3rico e social, os cientistas envolvidos na taxonomia do f\u00f3ssil de Alberta homenagearam a fic\u00e7\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 legal?<\/p>\n<figure id=\"attachment_440\" aria-describedby=\"caption-attachment-440\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-440\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-ghost-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-ghost-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-ghost-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-ghost-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/05\/Zuul-fossil-ghost.jpg 1649w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-440\" class=\"wp-caption-text\">Voc\u00eas acham eles parecidos? \u00e0 esquerda a reconstru\u00e7\u00e3o art\u00edstica do f\u00f3ssil Zuul, \u00e0 direita, Zuul, do filme Ca\u00e7a-fantasmas. Fonte: The guardian.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Veja a publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica desta descoberta <a href=\"http:\/\/rsos.royalsocietypublishing.org\/content\/4\/5\/161086\">aqui<\/a>.<\/pre>\n<p>Voc\u00ea pode ver as imagens e a mat\u00e9ria que inspirou este <em>post<\/em> abaixo:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/06\/dinosaur-nodosaur-fossil-discovery\/\">http:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/06\/dinosaur-nodosaur-fossil-discovery\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/new-dinosaur-resembles-ghostbusters-monster-zuul\/\">https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/new-dinosaur-resembles-ghostbusters-monster-zuul\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte das imagens:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2017\/may\/10\/meet-zuul-destroyer-of-shins-the-75m-year-old-ghostbuster-dinosaur\">https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2017\/may\/10\/meet-zuul-destroyer-of-shins-the-75m-year-old-ghostbuster-dinosaur<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/06\/dinosaur-nodosaur-fossil-discovery\/\">http:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/06\/dinosaur-nodosaur-fossil-discovery\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual a probabilidade de voc\u00ea conversar com algu\u00e9m sobre algo que voc\u00ea n\u00e3o sabe muito bem e, no dia seguinte, abrir um livro e encontrar exatamente aquele assunto?\u00a0Ou ent\u00e3o, de voc\u00ea ir a um sebo e encontrar \u00e0 venda um livro que um parente distante seu havia adquirido h\u00e1 anos atr\u00e1s?\u00a0Talvez estes pequenos exemplos n\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/05\/31\/coincidencias-milagres-paleontologicos-as-preservacoes-excepcionais\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Coincid\u00eancias (milagres??) paleontol\u00f3gicos: as preserva\u00e7\u00f5es excepcionais<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[9,13,28],"tags":[86,85,84],"class_list":["post-438","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carolina-zabini","category-geociencias","category-paleodiversidade","tag-curiosidade","tag-dinos","tag-preservacao-rara"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":451,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438\/revisions\/451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}