{"id":466,"date":"2017-06-21T19:16:27","date_gmt":"2017-06-21T22:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=466"},"modified":"2017-06-21T19:16:28","modified_gmt":"2017-06-21T22:16:28","slug":"as-arvores-mitologicas-filogeneticas-tentadoras-quando-surgiram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/06\/21\/as-arvores-mitologicas-filogeneticas-tentadoras-quando-surgiram\/","title":{"rendered":"As \u00e1rvores mitol\u00f3gicas, filogen\u00e9ticas, tentadoras: quando surgiram?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Ainda valem como obras que d\u00e3o sentido a uma vida plantar uma \u00e1rvore, escrever um livro e ter um filho? A figura de uma \u00e1rvore \u00e9 realmente muito poderosa. Eu, particularmente, sempre gostei das \u00e1rvores gorduchas do Rembrandt que me proporcionam uma incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de aconchego. Mas quando apareceram as \u00e1rvores dominando a paisagem do nosso planeta? Qual a sua influ\u00eancia, a partir de ent\u00e3o, nos ecossistemas terrestres? Pelo menos at\u00e9 agora n\u00e3o temos evid\u00eancias, ainda, de \u00e1rvores extraterrestres.<\/p>\n<figure id=\"attachment_468\" aria-describedby=\"caption-attachment-468\" style=\"width: 629px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-468\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/aponte.jpg\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/aponte.jpg 629w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/aponte-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-468\" class=\"wp-caption-text\">A ponte de pedra. \u00d3leo sobre tela 29,5 x 42,3\u00a0 cm. Rembrandt<br \/>Rijksmuseum, Amsterdam. (http:\/\/www.rembrandtpainting.net\/complete_catalogue\/landscape\/bridge.htm)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Bom, os mais antigos vegetais f\u00f3sseis que conseguiram sobreviver no continente foram, ao que parece pelas evidencias, musgos e a partir desse momento surgiram outros vegetais mais adaptados a viverem no meio seco e nos quais a parte vegetativa tinha uma vida mais longa (espor\u00f3fito) al\u00e9m de ser de maior em tamanho, enquanto que a parte reprodutora passou a ser menor e com uma vida mais curta (gamet\u00f3fito). Todas essas adapta\u00e7\u00f5es aconteceram no transcurso da Era Paleozoica. Mas o que caracteriza uma \u00e1rvore? Seu tamanho? Ou possuir um lenho com crescimento secund\u00e1rio, ou seja, no qual se formam an\u00e9is de crescimento com o passar do tempo? Se for pelo tamanho, as primeiras \u00e1rvores apresentavam um formato que lembra as palmeiras de hoje, sendo inclu\u00eddas dentro dos g\u00eaneros <em>Gilboaphyton<\/em> e <em>Eospermatopteris, <\/em>cujos f\u00f3sseis s\u00e3o encontrados perto de Nova Iorque, nos Estados Unidos e no norte da Venezuela, na cordilheira de Perij\u00e1. O surgimento da possibilidade de ramifica\u00e7\u00e3o abriu novas possibilidades, assim como o desenvolvimento de sistemas radicular e vascular mais eficientes. Tudo isso aconteceu, pelo registro que se tem, durante o transcurso da segunda metade do per\u00edodo Devoniano, entre 398 e 385 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. O desenvolvimento desse novo tipo de vegetais, as \u00e1rvores, trouxe profundas mudan\u00e7as aos ecossistemas continentais, tanto pelo surgimento das florestas e com elas novas possibilidades a vida, quanto para o ciclo do carbono, intemperismo das rochas, estabiliza\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o, balan\u00e7o do CO<sub>2<\/sub> e consequentemente do clima. As primeiras florestas possivelmente viviam pr\u00f3ximo aos cursos de \u00e1gua, de forma semelhante \u00e0s florestas ciliares que hoje em dia acompanham o curso dos rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, e apesar dessa restri\u00e7\u00e3o na sua distribui\u00e7\u00e3o, uma das mais importantes mudan\u00e7as dentre as acima comentadas foi introduzida pelos sistemas radiculares (ra\u00edzes) que se tornaram mais efetivos, complexos e profundos. Esses avan\u00e7os trouxeram como consequ\u00eancia o desenvolvimento de solos com conte\u00fado org\u00e2nico, bem como a intensifica\u00e7\u00e3o do intemperismo qu\u00edmico do entorno abi\u00f3tico que rodeava as ra\u00edzes. Por sua vez, as ra\u00edzes desde o inicio j\u00e1 apresentavam uma associa\u00e7\u00e3o com uma classe especial de fungos denominada como micorrizas, hoje presentes em 90% dos vegetais, e que auxiliam na obten\u00e7\u00e3o de nutrientes do solo e, portanto, na altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das rochas. Outra ventagem do advento de sistemas radiculares maiores foi a diminui\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o e como consequ\u00eancia, da quantidade de sedimentos que era incorporada aos sistemas fluviais e costeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sistemas radiculares maiores e mais complexos, juntamente com o surgimento de um sistema vascular formado por tubos ou traque\u00eddes com paredes agora lignificadas e provistas de perfura\u00e7\u00f5es para auxiliar na melhorar a circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e nutrientes por todo o corpo do vegetal, permitiram tamb\u00e9m a sustenta\u00e7\u00e3o de uma por\u00e7\u00e3o a\u00e9rea maior em altura e com maior \u00e1rea de copa. Essas melhorias permitiram que os vegetais alcan\u00e7assem v\u00e1rios metros de altura e aumentassem consideravelmente o seu tempo de vida, abrindo um novo cap\u00edtulo nos ecossistemas terrestres e oferecendo prote\u00e7\u00e3o dos raios solares e mais umidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Registros de paleosolos devonianos que se desenvolveram em ambientes costeiros e fluviais s\u00e3o uma das evid\u00eancias acerca do desenvolvimento e sofistica\u00e7\u00e3o dos sistemas radiculares, pois neles foram preservados moldes das ra\u00edzes ou ra\u00edzes permineralizadas junto com as micorrizas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas calma: essas primeiras \u00e1rvores ainda n\u00e3o possuam uma reprodu\u00e7\u00e3o por meio de sementes e, portanto, grandes \u00e1reas no interior dos continentes ainda continuavam a desabitadas. As primeiras sementes surgiram no per\u00edodo seguinte, conhecido como Carbon\u00edfero, e com elas a possibilidade das florestas cobrirem as terras emersas at\u00e9 hoje.<\/p>\n<figure id=\"attachment_469\" aria-describedby=\"caption-attachment-469\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-469\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/paisaje-com-arvores.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/paisaje-com-arvores.jpg 640w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/paisaje-com-arvores-300x116.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-469\" class=\"wp-caption-text\">Paisagem com \u00e1rvores, constru\u00e7\u00f5es da fazenda e uma torre. Rembrandt Harmensz. van Rijn (1606\u20131669) Gravura, 123 x 319 mm St\u00e4del Museum, Frankfurt am Main Photo: St\u00e4del Museum, Frankfurt am Main (http:\/\/www.themorgan.org\/rembrandt\/print\/179857)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda valem como obras que d\u00e3o sentido a uma vida plantar uma \u00e1rvore, escrever um livro e ter um filho? A figura de uma \u00e1rvore \u00e9 realmente muito poderosa. Eu, particularmente, sempre gostei das \u00e1rvores gorduchas do Rembrandt que me proporcionam uma incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de aconchego. 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