{"id":567,"date":"2017-08-10T20:12:36","date_gmt":"2017-08-10T23:12:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=567"},"modified":"2017-08-10T20:12:37","modified_gmt":"2017-08-10T23:12:37","slug":"agua-de-coco-desde-o-cretaceo-acalmando-sede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/08\/10\/agua-de-coco-desde-o-cretaceo-acalmando-sede\/","title":{"rendered":"\u00c1gua de coco desde o Cret\u00e1ceo acalmando a sede?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_569\" aria-describedby=\"caption-attachment-569\" style=\"width: 374px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-569\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/coco1-1024x552.jpg\" alt=\"\" width=\"374\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/coco1-1024x552.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/coco1-300x162.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/coco1-768x414.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-569\" class=\"wp-caption-text\">http:\/\/www.vix.com\/pt\/bdm<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Na semana passada estive estudando f\u00f3sseis no Cear\u00e1 e estava quente, mas nada que uma refrescante \u00e1gua de coco gelada n\u00e3o ajudasse a acalmar, como no ver\u00e3o de Campinas quando, em janeiro, a temperatura chega pr\u00f3ximo aos 40<sup>o<\/sup>C. Assim, enquanto bebia minha \u00e1gua de coco em Fortaleza, fiquei pensando na origem das palmeiras: quando foi mesmo que elas surgiram? Ser\u00e1 que tem f\u00f3sseis de coco da Bahia? Onde?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s pesquisar descobri, que os registros mais antigos de palmeiras datam do per\u00edodo Cret\u00e1ceo. S\u00e3o gr\u00e3os de p\u00f3len sulcados, com uma ou mais aberturas longitudinais (por exemplo <em>Mauritiidites<\/em>), como os hoje encontrados na Fam\u00edlia Arecaceae, \u00e0 qual pertencem todas as palmeiras. Atualmente esta fam\u00edlia possui uma distribui\u00e7\u00e3o cosmopolita, com aproximadamente 2.000 esp\u00e9cies agrupadas em 90 g\u00eaneros, dentro dos quais se destacam \u00e1rvores, ervas com rizomas e alguns cip\u00f3s. A maioria das Arecaceae hoje habita em regi\u00f5es quentes e \u00famidas do planeta. No final do Cret\u00e1ceo (70 milh\u00f5es de anos no passado) eram plantas muito comuns nos hemisf\u00e9rios norte e sul, tanto que seus p\u00f3lens s\u00e3o os elementos caracter\u00edsticos da \u201cProv\u00edncia Flor\u00edstica Palmae\u201d, constituindo um 50% dos p\u00f3lens encontrados nas assembleias. Assim, as palmeiras est\u00e3o entre as monocotiled\u00f4neas mais antigas conhecidas. Os dom\u00ednios da Prov\u00edncia Palmae se estendiam desde o Sul da Argentina (d\u00e1 para imaginar a Patag\u00f4nia com um clima quente?) at\u00e9 o norte da Am\u00e9rica do Sul (hoje a Venezuela) e por grande parte da \u00c1frica, \u00cdndia (que no Cret\u00e1ceo estava pr\u00f3xima do leste da \u00c1frica), e as costas do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_572\" aria-describedby=\"caption-attachment-572\" style=\"width: 187px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-572\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/polens-atual.jpg\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/polens-atual.jpg 309w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/08\/polens-atual-171x300.jpg 171w\" sizes=\"(max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-572\" class=\"wp-caption-text\">P\u00f3len atual de uma palmeira.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta Prov\u00edncia era caracterizada por uma vegeta\u00e7\u00e3o diversificada e tropical. Al\u00e9m de p\u00f3lens de palmeiras tamb\u00e9m foram encontrados folhas, frutos, folhas, lenhos e at\u00e9 flores. Como exemplo de fruto, foi descrito um exemplar de coco no estado de Pernambuco, encontrado associado com rochas da Forma\u00e7\u00e3o Maria Farinha do Paleoceno. Outros cocos f\u00f3sseis foram descritos nessa mesma idade na \u00cdndia, Argentina e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 no in\u00edcio do Paleoceno (65 a 55 milh\u00f5es de anos no passado) os f\u00f3sseis de palmeiras s\u00e3o encontrados por todo o planeta. Eles s\u00e3o uma das evid\u00eancias de que durante esse per\u00edodo do tempo geol\u00f3gico a Terra experimentou um regime clim\u00e1tico quente e \u00famido, conhecido como \u00d3timo Termal, pois as palmeiras s\u00f3 podem habitar em climas onde a temperatura do m\u00eas mais frio n\u00e3o cai abaixo dos 5 a 7<sup>o<\/sup>C. Por exemplo, para Alberta, no oeste do Canad\u00e1, foram descritas grandes folhas de palmeiras que poderiam ter habitado em um clima mais ameno que o hoje encontrado nessa regi\u00e3o do planeta. Dessa forma, acredita-se que durante o Paleoceno a temperatura ca\u00eda pouco at\u00e9 os 50\u00ba de latitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sim, como voc\u00eas est\u00e3o pensando, as palmeiras foram contempor\u00e2neas dos dinossauros, inclusive tem sido encontrados locais nos quais foram preservados pequenos coquinhos associados a ossos desarticulados de dinossauros ceratops\u00eddeos. Assim, vemos que as palmeiras sobreviveram a uma das maiores extin\u00e7\u00f5es do planeta Terra (aquela do limite Cret\u00e1ceo \u2013 Pale\u00f3geno) e chegaram at\u00e9 os dias de hoje, ajudando a acalmar a sede&#8230; ser\u00e1 que o mesmo aconteceu com os dinossauros ou com os mam\u00edferos que surgiram no Pale\u00f3geno?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada estive estudando f\u00f3sseis no Cear\u00e1 e estava quente, mas nada que uma refrescante \u00e1gua de coco gelada n\u00e3o ajudasse a acalmar, como no ver\u00e3o de Campinas quando, em janeiro, a temperatura chega pr\u00f3ximo aos 40oC. Assim, enquanto bebia minha \u00e1gua de coco em Fortaleza, fiquei pensando na origem das palmeiras: quando foi &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/08\/10\/agua-de-coco-desde-o-cretaceo-acalmando-sede\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">\u00c1gua de coco desde o Cret\u00e1ceo acalmando a sede?<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":145,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[17,11,23],"tags":[103,83,102],"class_list":["post-567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fresia-s-ricardi-branco","category-paleontologia","category-tempo-geologico","tag-arecaceae","tag-cretaceo","tag-mauritiidites"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/145"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=567"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":575,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/567\/revisions\/575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}