{"id":599,"date":"2017-09-04T20:10:42","date_gmt":"2017-09-04T23:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=599"},"modified":"2017-09-04T20:10:43","modified_gmt":"2017-09-04T23:10:43","slug":"o-que-tem-ver-o-meu-cafe-da-manha-o-pao-da-pompeia-e-os-fungos-primordiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/09\/04\/o-que-tem-ver-o-meu-cafe-da-manha-o-pao-da-pompeia-e-os-fungos-primordiais\/","title":{"rendered":"O QUE TEM A VER: O MEU CAF\u00c9 DA MANH\u00c3, O P\u00c3O DA POMP\u00c9IA E OS FUNGOS PRIMORDIAIS?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">De manh\u00e3 uma coisa muito boa \u00e9 tomar um caf\u00e9 com um p\u00e3o quentinho rec\u00e9m-sa\u00eddo do formo. Esse pequeno prazer vem desde h\u00e1 muito tempo. Existem registros de que os romanos que habitavam a cidade de Pompeia (localizada ao Sul de It\u00e1lia, pr\u00f3xima da N\u00e1poles) j\u00e1 disfrutavam dele. Pomp\u00e9ia \u00e9 umas das cidades do mundo antigo mais famosas por ter sido soterrada durante a erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Ves\u00favio no m\u00eas de agosto do ano de 79 antes de Cristo. Como sei que os habitantes de Pomp\u00e9ia gostavam de p\u00e3o quente? Porque toda a cidade ficou soterrada por uma camada rocha (o nome dessa rocha \u00e9 lapilli) de 7 a 8 metros de espessura. Dessa forma, dentro de um forno de umas das padarias da cidade ficou preservado um p\u00e3o que chegou at\u00e9 os dias de hoje, podemos dizer que, \u201cfossilizado\u201d. Esse p\u00e3o foi estudado por pesquisadores ingleses, que descobriram a receita e hoje em dia \u00e9 poss\u00edvel fazer p\u00e3o em casa \u00e0 moda de Pomp\u00e9ia e desfrutar do prazer do p\u00e3o quente. N\u00f3s, em casa, j\u00e1 fizemos v\u00e1rias vezes seguindo as instru\u00e7\u00f5es do mestre Johannes que pode ser vista no seu blog http:\/\/massamadreblog.com.br\/postagem\/pao-de-pompeia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_606\" aria-describedby=\"caption-attachment-606\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-606\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/PAES-1024x270.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/PAES-1024x270.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/PAES-300x79.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/PAES-768x202.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/PAES.jpg 1984w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-606\" class=\"wp-caption-text\">P\u00c3O DE POMP\u00c9IA.<br \/>A. P\u00e3o encontrado nas escava\u00e7\u00f5es de Pomp\u00e9ia; B. Forno de uma padaria de Pomp\u00e9ia e C. P\u00e3o na moda de Pomp\u00e9ia feito em casa<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Fora os p\u00e3es \u201cf\u00f3sseis\u201d de Pomp\u00e9ia s\u00e3o conhecidos os moldes dos moderadores, cachorros, gatos etc, que ficaram preservados e tiveram uma morte r\u00e1pida embora terr\u00edvel, pois o vulc\u00e3o Ves\u00favio, fica a 7 km da cidade. Essa trag\u00e9dia aconteceu primeiro com uma enorme coluna de fuma\u00e7a e cinzas sendo expelida pelo vulc\u00e3o e espalhada. A seguir os piroclastos (ou \u201cbombas\u201d, que s\u00e3o fragmentos de rocha expelidos durante a erup\u00e7\u00e3o) causaram o maior dano. Em Pompeia, a queda maci\u00e7a de cinzas causou a queda de muitos telhados e durante a segunda fase, pessoas e animais foram mortos por ficarem expostos \u00e0s altas temperaturas da lava, mesmo que distante, ou por serem sufocados pelas cinzas, enfim um final tr\u00e1gico para uma cidade e para muitos dos seus 12.000 habitantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_601\" aria-describedby=\"caption-attachment-601\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-601\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/VESUVIO-1024x618.jpg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/VESUVIO-1024x618.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/VESUVIO-300x181.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/VESUVIO-768x463.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/VESUVIO.jpg 1169w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-601\" class=\"wp-caption-text\">Vulc\u00e3o Ves\u00favio visto do porto de N\u00e1poles (A) , vulc\u00e3o visto das ru\u00ednas de Pomp\u00e9ia (B) \u00a0e um molde de uma vitima (C). A seta vermelha em (A) e (B) indica o vulc\u00e3o Ves\u00favio.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Os corpos dos habitantes, na verdade, n\u00e3o podem ser considerados f\u00f3sseis, pois o que voc\u00ea v\u00ea s\u00e3o os moldes feitos pelos arque\u00f3logos nos espa\u00e7os que os tecidos moles dos corpos deixaram ao se decompor. Essas camadas, por serem constitu\u00eddas de um material fino (como argila), permitiram que os ossos permaneceram no local, e na verdade at\u00e9 a express\u00f5es dos seus rostos ficaram registradas em negativo. Assim, ao se moldar esses corpos preenchendo o molde original de cinza com resina produz-se um molde em positivo, que permite visualizar os corpos claramente, e que \u00e9 facilmente retirado uma vez endurecida a resina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_602\" aria-describedby=\"caption-attachment-602\" style=\"width: 245px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-602\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/homem-morto-576x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"435\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/homem-morto-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/homem-morto-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/homem-morto-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/09\/homem-morto.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-602\" class=\"wp-caption-text\">Molde de um morador morto durante a erup\u00e7\u00e3o do Ves\u00favio em 79 antes de Cristo.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Enfim, voltando ao p\u00e3o de Pompeia, foi poss\u00edvel descobrir que era utilizada uma forma de levedo que se conhece como o nome de massa madre. Essa massa se produz expondo uma mistura de \u00e1gua e farinha integral, em partes iguais, ao meio ambiente por algumas horas ou dias, para que os esporos de fungos (neste caso leveduras) que est\u00e3o flutuando no ar caiam na mistura e auxiliem no crescimento da massa. Hoje em dia, o que se utiliza como fermento s\u00e3o tipos de leveduras mais selecionadas e mais efetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cabe comentar que a origem dos fungos se remonta \u00e0 Era Paleoproterozoica, ou seja, os vest\u00edgios mais antigos de estruturas que podem ser atribu\u00eddas a fungos datam de 2.000 a 1.800 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s e foram encontrados em camadas de rocha da Sib\u00e9ria, pr\u00f3ximas ao lago Baikal. Contudo, h\u00e1 suspeitas de que fei\u00e7\u00f5es descritas recentemente para o Cr\u00e1ton da \u00c1frica do Sul possam ser filamentos de fungos, o que remontaria a presen\u00e7a de fungos a 2.400 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Evid\u00eancias mais seguras de fungos s\u00e3o conhecidas para o Per\u00edodo Cambriano (540 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s). A partir do Devoniano, fungos associados a ra\u00edzes, denominados micorrizas, s\u00e3o encontrados junto \u00e0s primeiras evid\u00eancias de plantas, que por sinal est\u00e3o belamente perseveradas silicificadas em camadas de s\u00edlex na Esc\u00f3cia. Na bacia do Paran\u00e1 no estado de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m detectamos fungos f\u00f3sseis em troncos permineralizados por s\u00edlica ou silicificados, neste caso, mais jovens. Outra pesquisa desenvolvida no nosso laborat\u00f3rio descreveu fungos epif\u00edlicos associados a folhas de angiospermas coletado em folhelhos da Forma\u00e7\u00e3o Fonseca (a Bacia de Fonseca, estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil) com idade ao redor de 30 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Assim, vemos que os fungos t\u00eam um longo passado f\u00f3ssil, e utiliz\u00e1-los para fazer crescer a massa do p\u00e3o deve ter sido uma pr\u00e1tica comum desde que o home come\u00e7ou a fazer p\u00e3o, ou seja o prazer de comer p\u00e3o quentinho na primeira refei\u00e7\u00e3o do dia deve ser bem antigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De manh\u00e3 uma coisa muito boa \u00e9 tomar um caf\u00e9 com um p\u00e3o quentinho rec\u00e9m-sa\u00eddo do formo. Esse pequeno prazer vem desde h\u00e1 muito tempo. Existem registros de que os romanos que habitavam a cidade de Pompeia (localizada ao Sul de It\u00e1lia, pr\u00f3xima da N\u00e1poles) j\u00e1 disfrutavam dele. 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