{"id":641,"date":"2017-10-17T06:56:04","date_gmt":"2017-10-17T08:56:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=641"},"modified":"2017-10-17T06:56:05","modified_gmt":"2017-10-17T08:56:05","slug":"o-amonite-fossil-autor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/17\/o-amonite-fossil-autor\/","title":{"rendered":"Eu, Amonite"},"content":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.ammonites.fr\/Fiches\/9978.htm\">Hildoceras crassum<\/a>, e sou um amonite.<\/p>\n<figure id=\"attachment_669\" aria-describedby=\"caption-attachment-669\" style=\"width: 246px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-669\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/amonite-246x300.jpg\" alt=\"\" width=\"246\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/amonite-246x300.jpg 246w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/amonite.jpg 350w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-669\" class=\"wp-caption-text\">Este sou eu, Hildoceras crassum<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\">Na <a href=\"http:\/\/desciclopedia.org\/wiki\/Amonite\">Desciclop\u00e9dia<\/a> dizem que sou simplesmente um molusco, o que realmente sou. Mas sou mais que isso: na classifica\u00e7\u00e3o zool\u00f3gica perten\u00e7o \u00e0 classe dos amonitas, e a fam\u00edlia Hildoceratidae.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A esta altura da vida (ou da morte), n\u00e3o tenho mais problemas em ser um Hildoceras crassum. Segundo <a href=\"http:\/\/knoow.net\/ciencterravida\/biologia\/amonite\/\">v\u00e1rios cientistas<\/a>, n\u00f3s apresent\u00e1vamos dimorfismo sexual, ou seja, os machos eram diferentes das f\u00eameas. Mas isso foi h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s. Como eu n\u00e3o lembro mais se sou um ou uma amonite, segundo o moderno costume,\u00a0 podem me chamar de Hildx.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Nasci e morri no Andar\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Toarciano\">toarciano<\/a>, no Jur\u00e1ssico inferior. Isso em linguagem de gente significa que nasci e morri num per\u00edodo de tempo entre 184 a 175 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Alguns de voc\u00eas podem perguntar: &#8220;<em>Como era isso, Hildx?<\/em>&#8220;. Eu n\u00e3o me lembro muito bem, minhas crian\u00e7as. Faz tempo. S\u00f3 sei que nad\u00e1vamos livres por mares pouco profundos, ca\u00e7ando pequenos crust\u00e1ceos e outros animais. Um per\u00edodo feliz, sabe?<\/p>\n<figure id=\"attachment_696\" aria-describedby=\"caption-attachment-696\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/http:\/\/www.bgs.ac.uk\/discoveringGeology\/time\/Fossilfocus\/ammonite.html\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-696 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/Endemoceras-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/Endemoceras-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/Endemoceras-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/Endemoceras.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-696\" class=\"wp-caption-text\">Meu Primo Endemoceras, dando um rol\u00ea pelas \u00e1guas quentes do Jur\u00e1ssico<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00f3s consegu\u00edamos nadar muito bem e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/04\/meu-primeiro-fossil-o-pai-de-todos\/\">pod\u00edamos controlar a profundidade em que est\u00e1vamos<\/a>, simplesmente enchendo de g\u00e1s ou fluido a nossa cavidade externa. Mor\u00e1vamos na ultima parte da concha, que era a mais larga. Como os nossos\u00a0 modernos primos polvos e lulas, \u00e9ramos terr\u00edveis predadores. O terror dos mares do Jur\u00e1ssico inferior!<\/p>\n<h5>\u00a0No entanto, estamos extintos!<\/h5>\n<p>Mesmo o mais terr\u00edvel dos predadores morre. Quando morri, fui depositado em meio a uma vasa argilosa, no fundo do mar. Fui lentamente recoberto por essa fina argila. Meu corpo e meus tent\u00e1culos (t\u00e3o graciosos! ) desapareceram. Restou s\u00f3 a minha fina casca espiralada. E mesmo esta fina casca foi mudando: lentamente, mol\u00e9cula a mol\u00e9cula, ela foi sendo substitu\u00edda por outras subst\u00e2ncias, at\u00e9 eu virar isso que sou hoje. Acho que voc\u00eas chamam isso de <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/04\/25\/biomineralizacao-e-eu-com-isso\/\">biomineraliza\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Estas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que fazem de mim um f\u00f3ssil. Os cientistas dizem que todo f\u00f3ssil tem uma hist\u00f3ria para contar. No entanto, quem conta a hist\u00f3ria dos f\u00f3sseis s\u00e3o eles, os cientistas. Por isso, quero mudar um pouco e contar a minha hist\u00f3ria. Eu sou um amonite f\u00f3ssil e conto a hist\u00f3ria de depois de mim.\u00a0E n\u00e3o me confundam, por favor: n\u00e3o sou um autor f\u00f3ssil, desses que se <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/04\/25\/biomineralizacao-e-eu-com-isso\/\">biomineralizam<\/a> em vida. Eu n\u00e3o. Eu, o amonite Hildx, sou um f\u00f3ssil autor. Original, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">N\u00f3s amonitas, estamos h\u00e1 muito tempo por aqui. Vivemos e fomos muito abundantes\u00a0 na era que voc\u00eas chamam de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mesozoico\">Mesoz\u00f3ico<\/a>, quando finalmente fomos extintos. Por termos sido t\u00e3o abundantes e por sermos caracter\u00edsticos de um determinado per\u00edodo de tempo, somos muito usados para data\u00e7\u00e3o relativa do tempo geol\u00f3gico. Somos o que se chama\u00a0 <a href=\"http:\/\/webpages.fc.ul.pt\/~cmsilva\/Paleotemas\/Fossilindex\/Fossilindex.htm\">f\u00f3sseis \u00edndices ou f\u00f3sseis guia<\/a>.<\/p>\n<h5>Eu e voc\u00ea, voc\u00ea e eu&#8230;<\/h5>\n<p style=\"text-align: left\">Mas nosso per\u00edodo geol\u00f3gico mais interessante \u00e9 o per\u00edodo que voc\u00eas humanos chegaram por aqui. Interessante e engra\u00e7ado. Voc\u00eas n\u00e3o entenderam nada!! Quando voc\u00eas achavam um de n\u00f3s no ch\u00e3o ou os tiravam do meio das pedras, voc\u00eas ficavam feito bobos nos olhando seguidamente. N\u00e3o \u00e9 para menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Nosso formato elegantemente espiralado, que lembra uma <a href=\"https:\/\/mundoestranho.abril.com.br\/ciencia\/o-que-e-a-sequencia-de-fibonacci\/\">sequ\u00eancia de Fibonacci<\/a>, chama mesmo a aten\u00e7\u00e3o. Alguns, embalados em leituras r\u00e1pidas, v\u00e3o dizer que somos os primeiros <em>illuminati<\/em>! Ou que somos produtos de algum designer inteligente. H\u00e3, sei. S\u00f3 esp\u00e9cies antigas e extintas como n\u00f3s sabem o trabalho que d\u00e1 evoluir&#8230;<\/p>\n<h5><\/h5>\n<figure id=\"attachment_485\" aria-describedby=\"caption-attachment-485\" style=\"width: 229px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-485 size-full\" style=\"background-color: transparent\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/06\/post1d.jpg\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"220\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-485\" class=\"wp-caption-text\">O Chakra de Vishnu e o amonite como objeto religioso na India; Estes objetos s\u00e3o chamados de Saligramas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\">J\u00e1 fomos confundidos com v\u00e1rias coisas. Na \u00cdndia, n\u00f3s amonitas somos chamados de <a href=\"http:\/\/creative.sulekha.com\/saligrama-myth-and-facts_598402_blog\">Saligramas<\/a>. Somos representados como um dos chacras do deus Vishnu. Bacana, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No tempo dos gregos e dos romanos cl\u00e1ssicos, confundiam nosso formato com os chifres de uma cabra. N\u00e3o demorou para que nos associassem a deuses e formas caprinas. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/%C3%81mon\">Amon<\/a>, divindade eg\u00edpcia tamb\u00e9m conhecida como Amon-Ra, e que era portador de belos chifres caprinos, foi logo associado conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pl%C3%ADnio,_o_Velho\">Pl\u00ednio, o velho<\/a>, o grande naturalista romano, anotou na sua Hist\u00f3ria Natural que n\u00f3s \u00e9ramos conhecidos na antiguidade como \u201c<em>cornos de Amon<\/em>\u201d. \u00a0E assim efetivamente fomos conhecidos em quase todo o mundo romano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_672\" aria-describedby=\"caption-attachment-672\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-672\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/ammmonite-1-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/ammmonite-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/ammmonite-1-300x300-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-672\" class=\"wp-caption-text\">um tipico snakestone: um amonita com a cabe\u00e7a de uma serpente esculpida<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\">Todo o mundo romano, menos naquela ilhazinha, que os romanos chamavam de Bretanha. L\u00e1, fomos durante algum tempo associados \u2013 vejam voc\u00eas \u2013 a serpentes enroladas. As <em>snakestones<\/em> eram muito comuns nas camadas jur\u00e1ssicas da velha ilha. Nossa ocorr\u00eancia era t\u00e3o comum que em algumas vilas \u00e9ramos usados como enfeites e mesmo como pesos nos mercados. Imagine algu\u00e9m chegando na feira da vila: &#8220;<em>quero um corno de Amon de Batatas e dois de chuchu!<\/em>&#8220;.<\/p>\n<h5>\u00a0Santa Hilda e os amonites<\/h5>\n<figure id=\"attachment_673\" aria-describedby=\"caption-attachment-673\" style=\"width: 140px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-673 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/St_Hilda_memorial_ammonites-140x300.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/St_Hilda_memorial_ammonites-140x300.jpg 140w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/St_Hilda_memorial_ammonites-477x1024.jpg 477w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/St_Hilda_memorial_ammonites.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-673\" class=\"wp-caption-text\">Memorial de Santa Hilda em Whitby; notar os amonitas, como serpentes enroladas, aos p\u00e9s da Santa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Surgiram mesmo associa\u00e7\u00f5es estranhas. Mais do que voc\u00eas possam imaginar. Uma importante abadessa bret\u00e3, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hilda_of_Whitby\">Santa Hilda<\/a> (614-670 AD), foi associada, muito tempo ap\u00f3s sua morte, com lendas que lhe atribu\u00edam o poder de transformar serpentes em pedras. As serpentes petrificadas, claro, \u00e9ramos n\u00f3s, amonites.<\/p>\n<p>Existem inclusive est\u00e1tuas e mesmo bras\u00f5es mostrando santa Hilda transformando serpentes em pedra. <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Walter_Scott\">Sir Walter Scott<\/a>, autor de <em>Ivanho\u00e9<\/em> e grande medievalista ingl\u00eas, chegou a escrever um poema onde falava dos milagres de santa Hilda.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Eu n\u00e3o entendo de milagres, pois estou extinto. Mas entendo de ironias. <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alpheus_Hyatt\">Alpheus Hyatt <\/a>(1838-1902), paleont\u00f3logo americano, deu o nome de <em>Hildoceras<\/em> a uma ordem de amonitas do jur\u00e1ssico inferior. Este \u00e9, por assim dizer, o meu nome de fam\u00edlia. O mist\u00e9rio da transforma\u00e7\u00e3o das serpentes em pedra j\u00e1 estava resolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Mas, gra\u00e7as a Hyatt, Santa Hilda estava de novo e inadvertidamente ligada a n\u00f3s pelo nome. Santa Ironia. Quantas risadas Hyatt deve ter dado!<\/p>\n<h5>O estilo amonite<\/h5>\n<p>Houve inclusive uma \u00e9poca em que nossas graciosas<\/p>\n<figure id=\"attachment_699\" aria-describedby=\"caption-attachment-699\" style=\"width: 256px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/https:\/\/depositsmag.com\/2016\/09\/27\/fossil-folklore-ammonites\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-699\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/fig-11-ammonite-capital-256x300.jpg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/fig-11-ammonite-capital-256x300.jpg 256w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/fig-11-ammonite-capital-768x901.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/fig-11-ammonite-capital.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-699\" class=\"wp-caption-text\">Capitel com motivos inspirados em amonites. Esta casa tamb\u00e9m pertenceu ao paleont\u00f3logo Gideon Martell<\/figcaption><\/figure>\n<p>formas serviram de inspira\u00e7\u00e3o para os arquitetos. Em v\u00e1rios locais da Inglaterra, <a href=\"https:\/\/depositsmag.com\/2016\/09\/27\/fossil-folklore-ammonites\/\">foi de muito bom gosto<\/a> a incorpora\u00e7\u00e3o de elementos de decora\u00e7\u00e3o que lembravam as formas do amonites. Isso foi no inicio do seculo XIX.<\/p>\n<p>Um dos arquitetos respons\u00e1veis por estes edif\u00edcios n\u00e3o foi ningu\u00e9m mais que Amon Wilds. Inspirado provavelmente pelo seu pr\u00f3prio nome, ele construiu diversos edif\u00edcios com motivos amon\u00edticos. Um dos mais celebrados destes edif\u00edcios era localizado em Castel Place 166 High Streets, em Sussex.<\/p>\n<p>Por motivos que s\u00f3 pertencem \u00e0 Paleontologia, esta casa foi constru\u00edda para Gideon Mantell. Mantell foi o primeiro a descrever o Iguanodon, um dos primeiros\u00a0 dinossauros gigantes. De modo que tudo terminou literalmente em casa.<\/p>\n<p>O filho\u00a0de Amon Wilds, que tinha o nome do pai, continuou sua obra, construindo diversas casas no sul da Inglaterra com motivos amon\u00edticos na d\u00e9cada de 1820.<\/p>\n<h5>por que eu?<\/h5>\n<p>tenho muitas mais historias pra contar. Algu\u00e9m vai dizer: &#8220;<em>conta mais, Hildx<\/em>&#8220;. Eu conto, minhas crian\u00e7as. Hoje n\u00e3o, que estou cansadx e com sono. Ontem mudou o hor\u00e1rio de ver\u00e3o e, mesmo para n\u00f3s, seres j\u00e1 extintos, isso d\u00e1 um cansa\u00e7o medonho.<\/p>\n<p>Sou um amonite, com muito orgulho. N\u00e3o nadamos mais alegres pelos mares como outrora. Somo umas pedras estranhas<\/p>\n<figure id=\"attachment_700\" aria-describedby=\"caption-attachment-700\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-700\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/sta_hilda.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/sta_hilda.jpg 224w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/sta_hilda-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-700\" class=\"wp-caption-text\">A moderna congrega\u00e7\u00e3o de Santa Hilda apresenta a sua imagem segurando uma casa, simbolo de sua abadia. Na outra m\u00e3o, n\u00e3o uma serpente mas um amonite. Uma santa em paz com a modernidade.<\/figcaption><\/figure>\n<p>desencavadas das rochas. Dos nativos americanos aos hindus, dos ingleses aos alem\u00e3es, dos bret\u00f5es do <a href=\"https:\/\/www.discoveryorkshirecoast.com\/whitby\/\">condado de Witby<\/a> aos modernos museus de paleontologia, n\u00f3s continuamos brilhando.<\/p>\n<p>Ora somos objeto de adora\u00e7\u00e3o ou objetos de cultos estranhos. Ora somos rem\u00e9dios potentes contra picadas de cobra, amuletos para sonhos ruins ou meras decora\u00e7\u00f5es em casas de prov\u00edncia. O fato \u00e9 que n\u00f3s causamos.<\/p>\n<p>Nossa concha elegantemente espiralada e nossas suturas graciosas chamam a aten\u00e7\u00e3o por serem objetos geom\u00e9tricos de grande simplicidade e beleza. Nossa presen\u00e7a em rochas antigas nos faz testemunhos importantes da hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n<p>Semana passada a professora Fr\u00e9sia escreveu <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/04\/meu-primeiro-fossil-o-pai-de-todos\/\">aqui mesmo<\/a> neste blog que um exemplar de amonite que ela ganhou de seu pai alterou seu destino. Hoje, ela \u00e9 uma feliz paleont\u00f3loga. Que bacana! E que orgulho!\u00a0 Este \u00e9 nosso mist\u00e9rio.\u00a0 N\u00f3s, amonitas, podemos mudar suas vidas!<\/p>\n<p>E quem quiser que conte outra.<\/p>\n<h6>Para saber mais:<\/h6>\n<p>Kracher, Alfred. &#8220;AMMONITES, LEGENDS, AND POLITICS THE SNAKESTONES OF HILDA OF WHITBY.&#8221;\u00a0<strong><i>European Journal of Science and Theology<\/i><\/strong>\u00a08, no. 4 (2012): 51-66.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Hildoceras crassum, e sou um amonite. Na Desciclop\u00e9dia dizem que sou simplesmente um molusco, o que realmente sou. 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