{"id":658,"date":"2017-10-04T20:19:03","date_gmt":"2017-10-04T23:19:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=658"},"modified":"2017-10-04T20:19:04","modified_gmt":"2017-10-04T23:19:04","slug":"meu-primeiro-fossil-o-pai-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/04\/meu-primeiro-fossil-o-pai-de-todos\/","title":{"rendered":"Meu primeiro f\u00f3ssil, o pai de todos."},"content":{"rendered":"<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e ainda morava na Venezuela, nas f\u00e9rias fomos com a minha fam\u00edlia para a cidade de Cucuta na Col\u00f4mbia, que fica pr\u00f3xima \u00e0 fronteira. Nessas f\u00e9rias meu pai me presenteou com um f\u00f3ssil de uma concha. Algum tempo depois descobri que se tratava de uma concre\u00e7\u00e3o de um ammonite que viveu no Cret\u00e1ceo da Col\u00f4mbia, na famosa localidade de Villa de Leyva.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_660\" aria-describedby=\"caption-attachment-660\" style=\"width: 281px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-660\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/IMG_20171002_203147536-1024x786.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/IMG_20171002_203147536-1024x786.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/IMG_20171002_203147536-300x230.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/IMG_20171002_203147536-768x590.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-660\" class=\"wp-caption-text\">Ammonite, Villa de Leyva<br \/> Meu f\u00f3ssil mais antigo<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Na \u00e9poca estava quase terminando o colegial, teria que ir para universidade e tinha aquele grande dilema: o que ser\u00e1 eu vou ser? Enfim, achei muito legal o presente do f\u00f3ssil. Na realidade, era um dos primeiros que via na minha frente e n\u00e3o em imagens dos livros, cinema, tv&#8230; O primeiro que era tang\u00edvel e era meu. Penso que esse ammonite selou a minha escolha: <\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">&#8211; pai quem estuda os f\u00f3sseis? <\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">&#8211; Ah, s\u00e3o os paleont\u00f3logos. <\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">&#8211; Bom, ent\u00e3o j\u00e1 sei o que vou ser&#8230; (como fazer para me tornar um &#8230; isto levou mais tempo, como a Carolina j\u00e1 contou, num post).<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Lembrei de toda essa hist\u00f3ria esta semana, quando estava dando a aula pr\u00e1tica dos ammonites. Tenho um carinho especial por eles, pois gra\u00e7as a eles descobri muita coisa, embora nunca os tenha estudo de fato.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Mas n\u00e3o fui s\u00f3 eu que fiquei maravilhada com esses f\u00f3sseis, eles vem encantando a humanidade desde os tempos dos eg\u00edpcios. O motivo \u00e9 que o seu registro \u00e9 bem abundante ao redor do planeta, sempre associados a rochas sedimentares que se formaram em ambientes marinhos. Na verdade, foram um grupo de moluscos cefal\u00f3podes, hoje extinto mas muito exitoso na sua \u00e9poca, que habitou nos mares. Eles surgiram no Per\u00edodo Devoniano (<\/span><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%;font-family: 'Arial',sans-serif;color: #222222;background: white\">400 &#8211; 360<\/span> <span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) e desapareceram junto com os dinossauros, na grande extin\u00e7\u00e3o do final do Cret\u00e1ceo (h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos), aquela do meteorito que eu j\u00e1 comentei aqui.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Os ammonites formam um grupo de cefal\u00f3podes que possu\u00edram no in\u00edcio uma concha plano espiral, e que com o passar do tempo modificaram o formato da concha para formas espiraladas, retas, etc. Alcan\u00e7aram tamanhos de poucos cent\u00edmetros at\u00e9 quase dois metros de di\u00e2metro, nas formas planoespirais. Eles receberam esse nome, porque os f\u00f3sseis das suas conchas lembram chifres enrolados, que na \u00e9poca do imp\u00e9rio eg\u00edpcio foram atribu\u00eddos ao deus Ammon e que, ali\u00e1s, eram considerados provas irrefut\u00e1veis da passagem dessa divindade pela terra, segundo conta Her\u00f3doto nas suas cr\u00f4nicas acerca do Egipto que foram escritas 500 anos antes de Cristo.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Os Ammonoides podiam nadar livremente e controlavam com grande precis\u00e3o a profundidade na qual habitavam nos mares, pois as suas conchas foram divididas internamente em c\u00e2maras que se comunicavam umas com outras por meio de um canal interno, de modo que o animal conseguia encher com l\u00edquido ou gases as diferentes c\u00e2maras e, por conseguinte, subir ou descer na coluna de \u00e1gua, calcula-se que at\u00e9 uns 500 metros de profundidade ou mais. O corpo do animal ocupava a \u00faltima c\u00e2mara, que sempre era a de maior tamanho. Os ammonites foram predadores ativos e o seus corpo possivelmente foi semelhante ou lembrava ao dos polvos e lulas atuais.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-662\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/suturas-1024x378.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/suturas-1024x378.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/suturas-300x111.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/10\/suturas-768x283.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Por serem muito abundantes, eles s\u00e3o utilizados para data\u00e7\u00e3o relativa de camadas de rochas, pois apresentam diferen\u00e7as muito evidentes e f\u00e1ceis de observar a olho nu entre os primeiros do Devoniano e os \u00faltimos do Cret\u00e1ceo. A fei\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica que permite organiz\u00e1-los em categorias temporais \u00e9 a sutura interna que ser forma no local em que a parede (septos) que divide as c\u00e2meras se une \u00e0 parede interna da concha. Esta fei\u00e7\u00e3o recebe o nome de sutura, e vai evoluindo de uma sutura sinuosa a uma sutura sumamente complexa, formada por um padr\u00e3o de lobos dentados. Assim, com base nas suturas se conhecem tr\u00eas grupos principais de Ammonoides: (1) Goniatites (sutura simples com algumas ondula\u00e7\u00f5es), que viveram do Devoniano ao Permiano; Ceratites (sutura na qual come\u00e7am a se definir lobos) encontrada do Permiano ao Tri\u00e1ssico; e por fim, a mais complexa ou Ammonitica, que \u00e9 encontrada nos exemplares do Jur\u00e1ssico ao final do Cret\u00e1ceo. A sutura \u00e9 bem f\u00e1cil de ver em f\u00f3sseis onde se observe o molde interno da concha, ou seja, naqueles em que a concha foi preenchida e a parte externa foi dissolvida total ou parcialmente. <\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\" style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 12.0pt;line-height: 150%\">Embora no meu ammonite n\u00e3o seja poss\u00edvel ver as suturas, pelos f\u00f3sseis que tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados associados eu soube que ele data do Cret\u00e1ceo, mas isso eu descobri um longo tempo depois de ganhar meu primeiro f\u00f3ssil.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e ainda morava na Venezuela, nas f\u00e9rias fomos com a minha fam\u00edlia para a cidade de Cucuta na Col\u00f4mbia, que fica pr\u00f3xima \u00e0 fronteira. Nessas f\u00e9rias meu pai me presenteou com um f\u00f3ssil de uma concha. 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