{"id":765,"date":"2017-12-02T22:57:46","date_gmt":"2017-12-03T00:57:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=765"},"modified":"2017-12-02T23:01:14","modified_gmt":"2017-12-03T01:01:14","slug":"o-aniversario-de-alfred-wegener-e-flora-de-glossopteris-ideias-que-literalmente-mudam-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/12\/02\/o-aniversario-de-alfred-wegener-e-flora-de-glossopteris-ideias-que-literalmente-mudam-o-planeta\/","title":{"rendered":"O ANIVERS\u00c1RIO DE ALFRED WEGENER E A FLORA DE GLOSSOPTERIS: IDEIAS QUE LITERALMENTE MUDAM O PLANETA."},"content":{"rendered":"<p>Sob a denomina\u00e7\u00e3o de Flora de <em>Glossopteris,<\/em> ou Prov\u00edncia Flor\u00edstica do Gondwana, s\u00e3o reunidos todos os registros de plantas, sejam eles folhas, caules, sementes, lenhos, p\u00f3lens, charcoals, etc. que apresentam similitudes morfol\u00f3gicas e aparecem no meio das rochas sedimentares de idade permiana (298 &#8211; 252 Ma) que s\u00e3o encontradas na por\u00e7\u00e3o sul da \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul, bem como na Austr\u00e1lia, Antartica, Nova Zel\u00e2ndia e a \u00cdndia. Todos esses continentes hoje se encontram separados por oceanos, mas durante muitos milh\u00f5es de anos, aproximadamente de 500 at\u00e9 160 Ma ficaram unidos formando um grande paleocontinente denominado como Gondwana. O nome foi inspirado no local da India onde os primeiros ind\u00edcios do paleocontinente foram encontrados, entre eles a Flora de <em>Glossopteris<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_761\" aria-describedby=\"caption-attachment-761\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-761\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/fig-1-1024x740.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/fig-1-1024x740.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/fig-1-300x217.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/fig-1-768x555.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-761\" class=\"wp-caption-text\"><em>Figura 1. Compara\u00e7\u00e3o entre as geografias de hoje e do Permiano, com Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, Austr\u00e1lia, \u00cdndia, Ant\u00e1rtica reunidas no Gondwana<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Figura 1 podemos observar os locais onde hoje est\u00e3o localizados os registros das floresta permianas da Flora de <em>Glossopteris<\/em>. Logicamente parece meio dif\u00edcil acreditar que a presen\u00e7a de f\u00f3sseis vegetais com morfologias semelhantes em regi\u00f5es t\u00e3o distantes se deva somente uma coincid\u00eancia. Mas sensato \u00e9 pensar que possivelmente todos esses locais hoje distantes poderiam ter formado parte do mesmo continente, onde as migra\u00e7\u00f5es de plantas e animais foram poss\u00edveis, favorecidas por se tratar de uma mesma massa continental.<\/p>\n<figure id=\"attachment_760\" aria-describedby=\"caption-attachment-760\" style=\"width: 149px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-760\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/brasil2-368x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"149\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/brasil2-368x1024.jpg 368w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/brasil2-108x300.jpg 108w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/brasil2-768x2136.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/brasil2.jpg 1442w\" sizes=\"(max-width: 149px) 100vw, 149px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-760\" class=\"wp-caption-text\">Fragmento de folha de Glossopteris, coletada na Bacia do Paran\u00e1, Brasil. Barra de escala: 5 cm.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dentro da denomina\u00e7\u00e3o de Flora de <em>Glossopteris<\/em> s\u00e3o reunidos v\u00e1rios grupos vegetais, entre eles samambaias e plantas com sementes, como as glossopter\u00eddeas (que s\u00f3 ocorrem no Gondwana e apenas durante o Permiano) e outras gimnospermas (vegetais com sementes, mas sem flores) como con\u00edferas, ginkgoales, entre outras. A Flora de <em>Glossopteris<\/em> re\u00fane os v\u00e1rios tipos de floresta que se sucederam durante o per\u00edodo Permiano e que experimentaram varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas severas. Essas florestas surgiram em climas temperados frios e sobreviveram em climas cada vez mais quentes at\u00e9 semi-\u00e1ridos pr\u00f3ximos ao final do Permiano, quando desapareceram devido a uma grande extin\u00e7\u00e3o em massa. Assim, no in\u00edcio do Tri\u00e1ssico, apesar de ainda o paleocontinente Gondwana continuar existindo, a vegeta\u00e7\u00e3o muda bastante na sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Umas das primeiras <em>Glosspteris<\/em> conhecidas para o Brasil foi descrita por David White no ano de 1908, em fragmentos de rochas provenientes das minas de carv\u00e3o de Crici\u00fama, em Santa Catarina. Hoje sabemos que as jazidas de carv\u00e3o do sul do Brasil, foram formadas gra\u00e7as ao ac\u00famulo de plantas em locais pr\u00f3ximos \u00e0 costa, onde essa biomassa (o corpo das plantas) foi sendo soterrada e amadurecida at\u00e9 se transformar em carv\u00e3o. Sabe-se tamb\u00e9m que os bosques da \u00e9poca formavam parte da vegeta\u00e7\u00e3o que cobria pelo menos a por\u00e7\u00e3o Sul do Gondwana durante o Permiano.<\/p>\n<figure id=\"attachment_759\" aria-describedby=\"caption-attachment-759\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-759\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/australia22-603x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/australia22-603x1024.jpg 603w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/australia22-177x300.jpg 177w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/australia22-768x1305.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-759\" class=\"wp-caption-text\">Folhas de Glossopteris, coletadas na Bacia de Sidney na Austr\u00e1lia. Barra de escala: 5 cm<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em particular, o g\u00eanero <em>Glossopteris<\/em> re\u00fane folhas de formato ovalado (em forma de l\u00edngua), de margens retas e caracterizadas por uma venac\u00e3o distinta, em formato de malha, sulcada por uma s\u00e9rie de feixes longitudinais ou nervura central, como pode ser observado nas figuras dessas folhas.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de novembro deste ano, Alfred Wegener celebraria o seu 137\u00ba anivers\u00e1rio. Wegener, juntamente com Eduard Suess e Alexander Du Toit, formaram parte do grupo de cientistas que desde o final do s\u00e9culo 19 vinham considerando seriamente a possibilidade dos continentes antes mencionados terem estado juntos, formando um grande paleocontinente no hemisf\u00e9rio Sul, e uma das evid\u00eancias mais importantes dessa uni\u00e3o s\u00e3o precisamente os registros das folhas de <em>Glossopteris<\/em>. A teoria de uma geografia diferente a atual, na qual os continentes estaria reunidos de forma diferente, foi publicada por Wegener em 1915, mas n\u00e3o teve \u00eaxito. Uma enorme quantidade de evid\u00eancias vem sendo acumulada desde ent\u00e3o a favor da exist\u00eancia do Gondwana, sendo hoje um fato amplamente aceito sobre a evolu\u00e7\u00e3o do nosso planeta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_762\" aria-describedby=\"caption-attachment-762\" style=\"width: 161px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-762\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/Glosso-feist-karoo-263x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"161\" height=\"627\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/Glosso-feist-karoo-263x1024.jpg 263w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/Glosso-feist-karoo-77x300.jpg 77w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/Glosso-feist-karoo.jpg 441w\" sizes=\"(max-width: 161px) 100vw, 161px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-762\" class=\"wp-caption-text\">Folha de Glossopteris, ilustrada por Feistmantel na sua publica\u00e7\u00e3o de 1889, acerca dos f\u00f3sseis da Bacia do Karoo na \u00c1frica do Sul.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma vez que no Brasil tamb\u00e9m tem aumentado o conhecimento do registro f\u00f3ssil do Permiano, hoje em dia existem descritas muitas esp\u00e9cies de <em>Glossopteris<\/em>, n\u00e3o s\u00f3 para Santa Catarina, mas tamb\u00e9m no Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e estado de S\u00e3o Paulo. Quem sabe se voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o viu uma linda folha de <em>Glossopteris<\/em> no seu quintal&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Feistmantel, O.1889. \u00dcbersichtliche Darstellung der geologisch-palaeontologischen Verh\u00e4ltnisse S\u00fcd-Afrikas. Th 1: die Karroo-Formation und die dieselbe unterlagernden Schichten Abh. K. B\u00f6hmischen. Ges. Wiss., 7, 1-89<\/p>\n<p>Veevers, J.J. 2004. Gondwanaland from 650\u2013500 Ma through 320 Ma merger in Pangea to 185\u2013100 Ma breakup: supercontinental tectonics via stratigraphy and radiometric dating. Earth-Science Review, 68, 1\u2013132.<\/p>\n<p>White, D. 1908. Relat\u00f3rio sobre as \u201cCoal Measures\u201d e rochas associadas do sul do Brazil. Rio de Janeiro, p.2-300. (Relat\u00f3rio Final da Comiss\u00e3o de Estudos das Minas de Carv\u00e3o de Pedra do Brazil parte I).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob a denomina\u00e7\u00e3o de Flora de Glossopteris, ou Prov\u00edncia Flor\u00edstica do Gondwana, s\u00e3o reunidos todos os registros de plantas, sejam eles folhas, caules, sementes, lenhos, p\u00f3lens, charcoals, etc. que apresentam similitudes morfol\u00f3gicas e aparecem no meio das rochas sedimentares de idade permiana (298 &#8211; 252 Ma) que s\u00e3o encontradas na por\u00e7\u00e3o sul da \u00c1frica e &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/12\/02\/o-aniversario-de-alfred-wegener-e-flora-de-glossopteris-ideias-que-literalmente-mudam-o-planeta\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O ANIVERS\u00c1RIO DE ALFRED WEGENER E A FLORA DE GLOSSOPTERIS: IDEIAS QUE LITERALMENTE MUDAM O PLANETA.<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":145,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[17,13,91,28],"tags":[139,21,82],"class_list":["post-765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fresia-s-ricardi-branco","category-geociencias","category-historia","category-paleodiversidade","tag-flora-de-glossopteris","tag-gondwana","tag-permiano"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/145"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=765"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":768,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/765\/revisions\/768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}