{"id":769,"date":"2017-12-12T12:18:31","date_gmt":"2017-12-12T14:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=769"},"modified":"2017-12-12T17:35:54","modified_gmt":"2017-12-12T19:35:54","slug":"alfred-wegener-e-a-deriva-continental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/12\/12\/alfred-wegener-e-a-deriva-continental\/","title":{"rendered":"A Morte no Gelo"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_779\" aria-describedby=\"caption-attachment-779\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-779\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-station-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-station-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-station-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-station-1024x730.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-779\" class=\"wp-caption-text\">Esta\u00e7\u00e3o polar moderna, similar \u00e0s esta\u00e7\u00f5es onde Alfred Wegener viveu e onde finalmente morreu<\/figcaption><\/figure>\n<p>A brancura do ambiente era total. Alguns pontos escuros na paisagem eram a exce\u00e7\u00e3o. Tren\u00f3s mecanizados e tamb\u00e9m os puxados com cachorros cortando o gelo eram pontos\u00a0atravessando a meseta central da Groenl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Dois riscos pretos bem pequenos apareceram ao fundo no horizonte. Ao chegar mais perto, os homens dos tren\u00f3s viram que eram dois esquis num mont\u00edculo de neve. Ao escavar o mont\u00edculo, surgiu o cad\u00e1ver que eles tanto procuravam e n\u00e3o queriam encontrar. As buscas acabaram. <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_Wegener\">Alfred Wegener<\/a>, o chefe daquela expedi\u00e7\u00e3o e um dos maiores cientistas do s\u00e9culo, estava oficialmente morto.<\/p>\n<p>Alfred Lothar Wegener nascera em 1\u00b0 de novembro de 1880, em Berlim. Era filho mais novo de Ana Schwarz e do pastor Richard Wegener, te\u00f3logo e professor de l\u00ednguas cl\u00e1ssicas. Pouco se sabe da inf\u00e2ncia e juventude de Wegener.\u00a0 O que se sabe \u00e9 que, longe da vida pacata e prestigiosa de espiritualidade e leitura de seu pai, o jovem Alfred optou pela aventura e pelas atividades ao ar livre.<\/p>\n<p>Estudou F\u00edsica, tendo se graduado em 1905. Ap\u00f3s sua gradua\u00e7\u00e3o, ele come\u00e7ou a trabalhar com Meteorologia, principalmente com a utiliza\u00e7\u00e3o de bal\u00f5es atmosf\u00e9ricos. Neste tempo interessou-se pela pesquisa no \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Alfred Wegener casou-se em 1913 com <a href=\"https:\/\/epic.awi.de\/28319\/1\/Polarforsch1991_2-3_9.pdf\">Else Koppen<\/a> (1892-1992), filha do grande climatologista russo-alem\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.encyclopedia.com\/people\/science-and-technology\/weather-and-climate-biographies\/wladimir-peter-koppen\">Wladimir Koppen<\/a> (1846 \u2013 1940). Ap\u00f3s seu casamento, Wegener tornou-se professor na Universidade de Marburg e dedicou-se \u00e0s aulas, \u00e0 pesquisa e \u00e0 aventura polar. N\u00e3o necessariamente nesta ordem.<\/p>\n<h5>NO MEIO DO GELO<\/h5>\n<p>Em 1\u00b0 de novembro de 1930, dia de seu anivers\u00e1rio de 50 anos, Alfred Wegener havia partido em um tren\u00f3 puxado por c\u00e3es, juntamente com seu companheiro Rasmus Villumsen. Seu destino era a base de Eismitte (Meio-do-gelo, em alem\u00e3o) para levar ajuda<\/p>\n<figure id=\"attachment_781\" aria-describedby=\"caption-attachment-781\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-781\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-wegener_willumsen-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-wegener_willumsen-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-institut-wegener_willumsen.jpg 339w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-781\" class=\"wp-caption-text\">Wegener e seu companheiro Villumsen, posando para a viagem da qual n\u00e3o retornariam<\/figcaption><\/figure>\n<p>para os dois homens que estavam l\u00e1 fazendo pesquisas. As condi\u00e7\u00f5es do tempo estavam muito ruins e n\u00e3o havia comunica\u00e7\u00e3o entre as bases por r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Somente na primavera do ano seguinte uma equipe conseguiu achar o corpo de Wegener no meio do gelo. Era 8 de maio de 1931. Provavelmente Wegener morreu no caminho e Villumsen enterrou o companheiro e prosseguiu a viagem. Villumsen, como era de h\u00e1bito nestas circunstancias, estava levando o<a href=\"http:\/\/www.environmentandsociety.org\/exhibitions\/wegener-diaries\/greenland-diaries\">s di\u00e1rios de viagem<\/a> de Alfred Wegener, para salv\u00e1-los. No entanto, Villumsen jamais chegou a Einsmitte, e seu corpo jamais foi encontrado.<\/p>\n<h5>O EMPINADOR DE PIPAS<\/h5>\n<p>Aquela era a <a href=\"http:\/\/www.environmentandsociety.org\/exhibitions\/wegener-diaries\/greenland-diaries\">quarta expedi\u00e7\u00e3o<\/a> de Wegener \u00e0 Groenl\u00e2ndia. A primeira havia sido em 1906-1908, sob a chefia do Dinamarqu\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ludvig_Mylius-Erichsen\">Ludvig Mylius-Erichsen<\/a> (1872\u20131907). Neste tempo Wegener fez diversas pesquisas meteorol\u00f3gicas. Boa parte delas era feita soltando bal\u00f5es atmosf\u00e9ricos e pipas. Com isso, varias informa\u00e7\u00f5es eram obtidas das partes mais altas da atmosfera.<\/p>\n<p>A segunda expedi\u00e7\u00e3o que Wegener participou foi a liderada por <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Johan_Peter_Koch\">Johann Peter Koch<\/a> (1870\u20131928). O objetivo desta expedi\u00e7\u00e3o eram pesquisas glaciol\u00f3gicas e meteorol\u00f3gicas. Koch e Wegener cruzaram a calota da Groenl\u00e2ndia de Leste a Oeste, num treno puxado por cavalos e p\u00f4neis islandeses. Extremamente fatigados, percorrendo um total de 1.200 quil\u00f4metros de gelo, eles chegaram finalmente ao destino.<\/p>\n<p>Com a guerra em 1914, Wegener foi convocado para o front, tendo sido ferido duas vezes. Durante sua convalescencia, aproveitou para publicar alguns de seus trabalhos mais importantes sobre Meteorologia.<\/p>\n<h5>A EXPEDI\u00c7\u00c3O WEGENER<\/h5>\n<p>Alfred Wegener s\u00f3 conseguiu retornar a Groenl\u00e2ndia em 1929, depois que Koch j\u00e1 tinha\u00a0morrido. Veio para uma expedi\u00e7\u00e3o de reconhecimento e organiza\u00e7\u00e3o da expedi\u00e7\u00e3o seguinte, que ele mesmo\u00a0lideraria. A expedi\u00e7\u00e3o de 1930-31 foi uma das maiores expedi\u00e7\u00f5es enviadas para o \u00c1rtico at\u00e9 ent\u00e3o. Contava com forte apoio do governo alem\u00e3o e, mesmo num<\/p>\n<figure id=\"attachment_778\" aria-describedby=\"caption-attachment-778\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-778\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/wegener-expedition2-walk_0-300x161.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"161\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-778\" class=\"wp-caption-text\">A expedi\u00e7\u00e3o no \u00c1rtico: os tren\u00f3s, os p\u00f4neis islandeses e os c\u00e3es. E, claro, tamb\u00e9m os homens.<\/figcaption><\/figure>\n<p>ambiente de forte crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica, teve um bom financiamento.<\/p>\n<p>Desta vez, al\u00e9m dos trens com cachorros e dos p\u00f4neis islandeses, Wegener contaria ainda com trenos mecanizados. Uma grande infraestrutura foi armada em diversos locais. Uma das grandes descobertas da expedi\u00e7\u00e3o de Wegener foi a espessura da calota de gelo da Groenl\u00e2ndia. Atrav\u00e9s de experimentos de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Reflection_seismology\">s\u00edsmica terrestre<\/a>, foi poss\u00edvel calcular uma espessura de at\u00e9 1800 m de gelo em alguns locais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.environmentandsociety.org\/exhibitions\/wegener-diaries\/educational-film-wegener-groenlandexpedition\">Existe um filme<\/a>, editado em 1936, que mostra momentos importantes da expedi\u00e7\u00e3o Wegener. Ali est\u00e3o representando a chegada, a montagem dos equipamentos, como os bal\u00f5es meteorol\u00f3gicos. Tamb\u00e9m est\u00e3o filmadas as explos\u00f5es de dinamite nas pesquisas de s\u00edsmica terrestre. Mas impressionante \u00e9 que o filme mostra at\u00e9 mesmo a partida de Wegener e Villumsen para a \u00faltima viagem de suas vidas.<\/p>\n<h5>ALFRED WEGENER E A DERIVA CONTINENTAL<\/h5>\n<p>Apesar de ser um bom meteorologista, o nome de Alfred Wegener \u00e9 mais conhecido, hoje em dia, pelas suas contribui\u00e7\u00f5es para a teoria da Deriva continental. Wegener come\u00e7ou a se interessar pelo assunto em 1908, quando come\u00e7ou a ler sobre os trabalhos que correlacionavam a geologia e a paleontologia de diversas partes do globo. Em meio as suas viagens a Groenl\u00e2ndia, ele ainda apresentou um breve resumo de sua teoria em 1912.<\/p>\n<p>A ideia de Wegener foi tamb\u00e9m sugerida praticamente na mesma \u00e9poca pelo ge\u00f3logo<\/p>\n<figure id=\"attachment_777\" aria-describedby=\"caption-attachment-777\" style=\"width: 187px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-777\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/853842-187x300.jpg\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/853842-187x300.jpg 187w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/853842.jpg 269w\" sizes=\"(max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-777\" class=\"wp-caption-text\">Capa da edi\u00e7\u00e3o inglesa de &#8220;origem dos continentes e Oceanos&#8221;, a partir da ultima edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de 1929<\/figcaption><\/figure>\n<p>norte-americano <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frank_Bursley_Taylor\">Frank Taylor<\/a> (1860 &#8211; 1938).\u00a0 Durante alguns anos, a teoria foi chamada de Teoria de Taylor-Wegener.\u00a0 No entanto, as duas eram bastante diferentes. E a de Wegener foi a que teve mais poder explicativo e permaneceu.<\/p>\n<p>O\u00a0 livro de Alfred Wegener,\u00a0 \u201c<em>Die Entstehung der Kontinente und Ozeane<\/em>\u201c, publicado em 1915 e reeditado em 1922,\u00a0 foi muito bem recebido. Publicado em ingl\u00eas em 1922, com o t\u00edtulo \u201c<em>The Origin of Continents and Oceans<\/em>\u201d,\u00a0 teve sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o em alem\u00e3o revista por Wegener em 1929.<\/p>\n<h5>PAPO RETO<\/h5>\n<p>A estrutura do livro de Alfred Wegener \u00e9 bastante simples, com uma linguagem tamb\u00e9m simples e direta. A discuss\u00e3o sucinta era o produto de muito trabalho de leitura e reflex\u00e3o.\u00a0Quando foi preciso, fez um bom uso de met\u00e1foras, como quando comparou os continentes a icebergs flutuando no gelo. Em sua pesquisa, Wegener conseguiu enfeixar no livro os mais importantes trabalhos de geof\u00edsica, geologia, paleontologia de seu tempo.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse aqui a professora Fr\u00e9sia <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/12\/02\/o-aniversario-de-alfred-wegener-e-flora-de-glossopteris-ideias-que-literalmente-mudam-o-planeta\/\">aqui no blog<\/a>, as correla\u00e7\u00f5es paleontol\u00f3gicas foram algumas evid\u00eancias decisivas para a aceita\u00e7\u00e3o da teoria. A flora de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Glossopteris\">glossopteris<\/a> existente no grande continente de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gondwana\">Gondwana<\/a>, j\u00e1 identificado pelo ge\u00f3logo austr\u00edaco <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eduard_Suess\">Eduard Suess<\/a> (1831 &#8211; 1914), foram argumentos importantes nesta correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma, Wegener empresta de Suess o conceito de <em>sal<\/em> (sil\u00edcio mais alum\u00ednio), que representaria a composi\u00e7\u00e3o da<a href=\"http:\/\/www.iag.usp.br\/siae97\/geofs\/crosta.htm\"> crosta continental<\/a> gran\u00edtica. Essa seria a por\u00e7\u00e3o que estaria a deriva num oceano de basalto, o <em>sima<\/em> (camada de sil\u00edcio mais magn\u00e9sio). Advertido pela confus\u00e3o que o termo sal provoca nas lingu\u00e1s latinas, Wegener modifica o conceito para <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sial\">sial<\/a>, como hoje o conhecemos.<\/p>\n<h5>AS PONTES CONTINENTAIS<\/h5>\n<p>Atrav\u00e9s de argumentos que aliavam conhecimentos de geof\u00edsica, paleontologia e geologia, assim como dos paleoclimas, a teoria de Alfred Wegener colocou em xeque a teoria das <a href=\"http:\/\/www.revistahcsm.coc.fiocruz.br\/pontes-continentais\/\">pontes continentais<\/a>. Essa teoria, <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/09\/19\/carlotta-joaquina-maury-paleontologa\/\">j\u00e1 discutida aqui<\/a>, postulava a exist\u00eancia de terrenos entre os continentes que poderiam ter existido no passado. Atrav\u00e9s das pontes continentais,segundo a teoria,\u00a0 \u00e9 que as faunas dos diversos continentes poderiam ter atravessado de um continente a outro.<\/p>\n<p>Entre os defensores da teoria das pontes continentais\u00a0 citado por Wegener estava <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-42391950000100002\">Herman Von Ihering<\/a> (1850 &#8211; 1930), bi\u00f3logo alem\u00e3o que veio para o Brasil, onde dirigiu o Museu Paulista de 1894 a 1916. Um estudo de sua vida e sua obra, pelas professoras Maria Margareth Lopes e Irina Podgony, pode ser <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0104-59702014000300809&amp;script=sci_arttext\">encontrada aqui<\/a>.<\/p>\n<h5>A AJUDA DO SOGRO<\/h5>\n<p>Vale a pena citar a import\u00e2ncia de seu sogro <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wladimir_K%C3%B6ppen\">Wladimir Koppen<\/a> para a teoria da Deriva\u00a0Continental. Koppen, nesta altura aposentado, deu uma importante contribui\u00e7\u00e3o para a teoria de seu genro.\u00a0 O livro que publicaram em 1924 \u201c<em>Die Klimate der Geologischen<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_775\" aria-describedby=\"caption-attachment-775\" style=\"width: 211px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-775\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/9783443010881-us-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/9783443010881-us-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/9783443010881-us.jpg 352w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-775\" class=\"wp-caption-text\">A capa de uma edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue moderna do cl\u00e1ssico &#8220;Climas do Passado Geologico, de Koppen &amp; Wegener; Veja-se a\u00ed o maduro climat\u00f3logo e o jovem meteorologista.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Vorzeit<\/em>\u00a0(<em>Os climas do passado geol\u00f3gico<\/em>)\u201d foi decisivo para a discuss\u00e3o dos paleoclimas. Um resumo do livro de Koppen e Wegener est\u00e1 resumido no capitulo 7\u00b0 da edi\u00e7\u00e3o inglesa do \u201cOrigins of Continents and Oceans\u201d.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m\u00a0Koppen quem incentivou o iugoslavo <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milutin_Milankovi%C4%87\">Milutin Milankovitch<\/a> (1879-1958) a publicar a sua hoje famosa teoria dos ciclos solares, conhecidos como <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milankovitch_cycles\">ciclos de Milankovitch<\/a>. Com isso, pela primeira vez havia uma teoria simples e unificada que poderia explicar as glacia\u00e7\u00f5es do passado. Provavelmente, sem o apoio de Koppen, um cientista de fama mundial, Alfred Wegener n\u00e3o tivesse tido a aten\u00e7\u00e3o que teve.<\/p>\n<p>Depois da morte de Wegener foi Koppen, j\u00e1 octogen\u00e1rio, quem cuidou da reedi\u00e7\u00e3o dos livros e da revis\u00e3o cientifica de sua obra. Ao morrer, aos 93 anos, Koppen havia recentemente conclu\u00eddo a que foi\u00a0 a ultima revis\u00e3o de &#8220;<em>Climas do Passado Geol\u00f3gico<\/em>&#8220;.<\/p>\n<h5><em>UMA TEORIA\u00a0 REVOLUCION\u00c1RIA?<\/em><\/h5>\n<p>Alfred Wegener foi um destes cientistas que n\u00e3o cabem num r\u00f3tulo. Sua contribui\u00e7\u00e3o para a teoria da Deriva Continental foi seminal. Sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 meteorologia e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do \u00c1rtico tamb\u00e9m foram importantes. Sua capacidade de articular a experi\u00eancia de campo e a pesquisa tamb\u00e9m foram not\u00e1veis.<\/p>\n<p>A Deriva continental, refutada por tantos e em tantas ocasi\u00f5es, retornou nos anos 1960 com a <a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/37706-what-is-plate-tectonics.html\">Tect\u00f4nica de Placas<\/a>. Apesar de ter muito pontos falhos, a teoria de Wegener teve<\/p>\n<figure id=\"attachment_784\" aria-describedby=\"caption-attachment-784\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/37706-what-is-plate-tectonics.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-784\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/tectonic-plates-usgs-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/tectonic-plates-usgs-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/tectonic-plates-usgs.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-784\" class=\"wp-caption-text\">As Placas Tect\u00f4nicas, como as conhecemos hoje<\/figcaption><\/figure>\n<p>uma grande aceita\u00e7\u00e3o. Sua simplicidade e originalidade contam muito. A explica\u00e7\u00e3o unificadora, que juntava tantas disciplinas numa explica\u00e7\u00e3o \u00fanica tamb\u00e9m foi muito importante. Mas o espirito anal\u00edtico de Wegener, seu amplo conhecimento de temas de geof\u00edsica e climatologia (da\u00ed a paleoclimatologia) foram decisivos.<\/p>\n<p>Alfred Wegener, com a tecnologia da sua \u00e9poca, jamais poderia ter provado a sua teoria. Os avan\u00e7os da sismologia, da magnetometria e o desenvolvimento da geocronologia depois de sua morte foram decisivos para a comprova\u00e7\u00e3o de sua teoria. No entanto, as grandes perguntas de Alfred Wegener pautaram a pesquisa cientifica nestas \u00e1reas durante boa parte do s\u00e9culo XX. As discuss\u00f5es contidas no &#8220;<em>Origem dos Continentes e Oceanos<\/em>&#8221; seriam as perguntas mais<\/p>\n<figure id=\"attachment_786\" aria-describedby=\"caption-attachment-786\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/br.pinterest.com\/adamwaarst\/alfred-wegener-november-1-1880-november-1930\/?lp=true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-786\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/e654b8440f999278cb4d17ae2cba5bfe-november-300x216.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/e654b8440f999278cb4d17ae2cba5bfe-november-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2017\/12\/e654b8440f999278cb4d17ae2cba5bfe-november.jpg 625w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-786\" class=\"wp-caption-text\">Alfred Wegener fazendo gra\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>importantes para a comunidade geocient\u00edfica no seculo XX.<\/p>\n<p>A morte de Wegener no gelo da Groenl\u00e2ndia foi o fim prov\u00e1vel de um grande explorador e aventureiro.<\/p>\n<p>Quase um s\u00e9culo depois, seu exemplo de cientista de campo e not\u00e1vel te\u00f3rico em campos t\u00e3o diversos como a meteorologia e a geologia nos fazem lembrar de quanto o conhecimento s\u00f3 avan\u00e7a pelas bordas.<\/p>\n<p>Pelas in(ter)disciplinas.<\/p>\n<h4>Para saber mais:<\/h4>\n<p><strong>Alfred Wegener institut<\/strong>\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.awi.de\/en.html\">https:\/\/www.awi.de\/en.html<\/a><\/p>\n<p>McCoy, Roger M.\u00a0<strong><i>Ending in ice: the revolutionary idea and tragic expedition of Alfred Wegener<\/i><\/strong>. Oxford University Press, 2006.<\/p>\n<p>Greene, Mott T.\u00a0<i>A<strong>lfred Wegener: Science, Exploration, and the Theory of Continental Drift<\/strong><\/i>. JHU Press, 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A brancura do ambiente era total. Alguns pontos escuros na paisagem eram a exce\u00e7\u00e3o. Tren\u00f3s mecanizados e tamb\u00e9m os puxados com cachorros cortando o gelo eram pontos\u00a0atravessando a meseta central da Groenl\u00e2ndia. Dois riscos pretos bem pequenos apareceram ao fundo no horizonte. Ao chegar mais perto, os homens dos tren\u00f3s viram que eram dois esquis &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/12\/12\/alfred-wegener-e-a-deriva-continental\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A Morte no Gelo<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":277,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12,13,91,92,11,18,23],"tags":[141,140,21],"class_list":["post-769","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencias","category-geociencias","category-historia","category-jefferson-picanco","category-paleontologia","category-sao-paulo","category-tempo-geologico","tag-alfred-wegener","tag-deriva-continental","tag-gondwana"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/277"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=769"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":796,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/769\/revisions\/796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}