{"id":800,"date":"2018-03-07T11:04:40","date_gmt":"2018-03-07T14:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=800"},"modified":"2018-03-07T11:04:41","modified_gmt":"2018-03-07T14:04:41","slug":"mulher-paleontologa-entrevista-com-a-profa-fresia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/03\/07\/mulher-paleontologa-entrevista-com-a-profa-fresia\/","title":{"rendered":"Mulher, Paleont\u00f3loga. Entrevista com a Profa. Fr\u00e9sia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Primeiro post do ano e uma homenagem dupla!!\u00a0 Dia 7 de mar\u00e7o \u00e9 o dia do paleont\u00f3logo e dia 8 \u00e9 o dia da mulher. Nada melhor que conhecer melhor a carreira da Paleont\u00f3loga Dra. Fr\u00e9sia Soledad Ricardi Torres Branco, professora Livre-docente do Instituto de Geoci\u00eancias Unicamp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A professora Fresia atua na UNICAMP desde 1998 e j\u00e1 formou cerca de 22 estudantes entre mestrado e doutorado. \u00c9 chilena e fez mestrado e doutorado com paleobot\u00e2nica, na USP. Mora no Brasil desde ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente a professora est\u00e1 pesquisando na Universidade de Cardiff, Pa\u00eds de Gales; ent\u00e3o fizemos nossa entrevista via <em>chat<\/em>. Abaixo voc\u00ea confere nossa conversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Qual a sua pergunta \u201cn\u00famero um\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Como foi que voc\u00ea decidiu ser paleont\u00f3loga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Eu escrevi um <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/04\/meu-primeiro-fossil-o-pai-de-todos\/\"><em>post<\/em> <\/a>acerca disso. Ele se chama \u201cMeu primeiro f\u00f3ssil, o pai de todos\u201d; mas, resumidamente, foi meu pai que me deu de presente um n\u00f3dulo do Cret\u00e1ceo da Col\u00f4mbia com um amonita dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: ah sim, aquele sobre o amonita&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Isso com o amonita, \u00e9 um molde externo. A\u00ed eu gostei e decidi ser paleont\u00f3loga. Isso foi quando eu tinha uns 16 anos. Tenho ele em casa at\u00e9 hoje. Trouxe da Venezuela para o Brasil. Ali\u00e1s ele foi da Col\u00f4mbia para Venezuela e depois para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: \u00c9 um f\u00f3ssil viajado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Isso mesmo, viajou pelos Cret\u00e1ceos da Am\u00e9rica do Sul!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: depois que ganhou ele, j\u00e1 sabia como se tornar paleont\u00f3loga? seus pais sabiam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: N\u00e3o tinha a menor ideia. A\u00ed meu pai me falou que devia ser estudando geologia. Mas n\u00e3o tinha geologia n\u00e3o universidade de Merida, onde mor\u00e1vamos. Minha m\u00e3e ficou brava pois teria que ir embora para outra cidade para estudar; como ela n\u00e3o queria isso, me aconselhou a estudar geografia. A\u00ed eu prestei para geografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: ent\u00e3o voc\u00ea morou com eles na gradua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Claro. Nunca que eu iria morar longe de casa com 17 anos na Venezuela, e menos ainda em Caracas. Caracas eles tenham um pouco de medo, pois n\u00e3o era como o Chile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Entendi. E no seu curso de geografia, tinha sedimentologia e paleonto?<\/p>\n<figure id=\"attachment_801\" aria-describedby=\"caption-attachment-801\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-801 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/pelusa1964-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/pelusa1964-203x300.jpg 203w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/pelusa1964-768x1136.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/pelusa1964-692x1024.jpg 692w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/pelusa1964.jpg 910w\" sizes=\"(max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-801\" class=\"wp-caption-text\">Fr\u00e9sia em sua inf\u00e2ncia<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Fr\u00e9sia: N\u00e3o tinha. Mas ent\u00e3o quando eu estava no quarto ano abriu a geologia como gradua\u00e7\u00e3o. Eu cursei paleo, sedimento, estrati, tect\u00f4nica, geo hist\u00f3rica, campo 1 , e geo geral na geologia. Mas a\u00ed queria me formar &#8230; Pois j\u00e1 estava h\u00e1 6 anos na gradua\u00e7\u00e3o&#8230; E peguei umas greves grandes de professores tamb\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Ah certo. Tinha muitas mulheres cursando geografia ou geologia com voc\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Geografia tinha, mas geologia tenha umas 5 s\u00f3. Quase todos eram homens. Foi a\u00ed que conheci o professor de paleo que me convidou a trabalhar com ele. O Dr Oscar Odrenan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Voc\u00ea sentiu algum tipo de preconceito por ser mulher ali?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: N\u00e3o era legal. Fui muito paparicada. Enfim, n\u00e3o senti na gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o.\u00a0O Dr. Odrenan era especialista em mam\u00edferos da Argentina.\u00a0Mas trabalha como ge\u00f3logo de campo na Venezuela e dava aula de Paleo.\u00a0A\u00ed ele me deu a escolher o que eu preferia invertebrados, plantas etc&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Ele que te incentivou para ficar na carreira acad\u00eamica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Ele sim. E os meus pais, que eram professores universit\u00e1rios. Bom, a\u00ed eu escolhi as plantas porque podia ter ajuda dos meus amigos da Bot\u00e2nica. O Dr. Odrenan me passou um tema com uma flora do Mioceno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Seus pais eram bot\u00e2nicos, \u00e9 isso mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Isso eles eram bot\u00e2nicos e eu tinha muitos amigos l\u00e1 da minha idade, entre os alunos dele. Ent\u00e3o eu foi estudar bot\u00e2nica por uns 2 anos fiz v\u00e1rios cursos por l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: E depois, foi logo que decidiu vir pro Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: N\u00e3o. Eu conheci um palin\u00f3logo holand\u00eas. Ele me convidou a ir para Amsterdam e fazer doutorado com ele com a minhas folhas f\u00f3sseis do Mioceno. Mas n\u00e3o dava para eu ir fazer porque n\u00e3o tinha mestrado nem publica\u00e7\u00f5es. Ele me falou para eu fazer um mestrado e depois ir para Amsterdam com ele e sa\u00ed procurando um mestrado para mim. Mas n\u00e3o deu certo, em curto prazo. Em seguida eu fui para um congresso de bot\u00e2nica Sul Americano em Havana. L\u00e1 eu vi uma palestra do Dr. Oscar Rosler, da USP. Gostei dele e da palestra e perguntei se ele poderia me orientar no mestrado. Ele topou. Ai o Dr. Odrenan me passou uns f\u00f3sseis de plantas do Permiano. Ent\u00e3o fui para o Brasil com 100 kg de f\u00f3sseis do Permiano da Venezuela para fazer mestrado na USP.<\/p>\n<figure id=\"attachment_802\" aria-describedby=\"caption-attachment-802\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-802\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/fresia_jaibaras-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/fresia_jaibaras-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/fresia_jaibaras-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/fresia_jaibaras-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/fresia_jaibaras.jpg 1181w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-802\" class=\"wp-caption-text\">Campo no Cear\u00e1, 2017.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Nossa, como voc\u00ea trouxe isso para c\u00e1? de avi\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Ah sim, eram 2 malas, e 6 caixas de amostras. Mas quase n\u00e3o paguei excesso de bagagem porque era para fazer um estudo. Tudo foi registrado na alfandega, levou umas 2 horas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: ah, ent\u00e3o foi mais tranquilo do que eu pensei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Bom, a\u00ed tinha pensado ir para Holanda quando acabasse o meu mestrado. Mas no segundo ano do mestrado conheci o F\u00e1bio (atual esposo) e acabei ficando no Brasil. Enfim a gente casou, e o F\u00e1bio n\u00e3o quis ir a morar na Venezuela. Ent\u00e7ao fiquei pra fazer o doutorado na USP. Estudei a mina de Carv\u00e3o de Figueira-PR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Foi um desafio vir pra c\u00e1? estudar no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Foi, quando eu vim para SP nunca antes tinha visto nenhuma fotografia da USP, e nem falava portugu\u00eas. Foi uma aventura total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Mas chegou a pensar em voltar pra casa em algum momento? Desisitir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Meus pais tinham me enviado uma passagem de ida e volta de um m\u00eas, para o caso de eu n\u00e3o gostar. Eu n\u00e3o tinha que dar conta do recado. Mas se voltasse, iria voltar para casa e ficar na mesma, vendo a vida passar pela janela. Enfim, n\u00e3o foi muito f\u00e1cil. Mas sobrevivi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Mas a paleo sempre foi sua paix\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Ah sim. Cada vez que olho um f\u00f3ssil na lupa, sinto que estou fazendo o que mais gosto, e que n\u00e3o trocaria por nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: O que mais te fascina na sua carreira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Poder descobrir como era essa evid\u00eancia, onde morava, como morava&#8230; deixar voa a imagina\u00e7\u00e3o com base nas evid\u00eancias que voc\u00ea tem. Ir no campo e coletar as amostras. As possibilidades de conhecer coisas novas e pessoas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Tudo isso supera as dificuldades n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Claro. J\u00e1 imaginou trabalhar a vida toda no mesmo lugar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Voc\u00ea diria que foram o amonita,\u00a0seus pais e seu primeiro orientador que te inspiraram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Penso que sim, mas voc\u00ea tem que ter sua pr\u00f3pria curiosidade, a sua inquietude interna por ir al\u00e9m. Se n\u00e3o todos os nossos alunos da paleo seriam paleont\u00f3logos. Seu olho tem que brilhar quando v\u00ea um f\u00f3ssil novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Certo! Quais s\u00e3o, em sua opini\u00e3o, as maiores dificuldades de se trabalhar com paleontologia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Na verdade para mim a parte mais dif\u00edcil come\u00e7ou depois que me tornei professora. Eu dava umas palestras como aula e depois em 2000 abriu o concurso que passei, para trabalhar por 12 h. A\u00ed passou para 20 h. Mas eu era a que mais dava aula no IG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Era dif\u00edcil porque eram muitas aulas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: N\u00e3o a parte mais complicada \u00e9 que quando voc\u00ea \u00e9 doutoranda voc\u00ea tem muitos amigos e os professores s\u00e3o amigos. Mas depois que voc\u00ea \u00e9 doutor e tem emprego, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais aluno; ent\u00e3o se torna colega ou concorrente. A\u00ed a coisa fica muito tensa. Pois as pessoas n\u00e3o sabem ter colegas. E a\u00ed come\u00e7am a ficar estranhos. E mesmo pessoas que voc\u00ea gostava antes, passam a brigar com voc\u00ea. E voc\u00ea vai ficando sozinho se quiser ser livre e pensar como quiser e pesquisar como quiser e quando quiser. E n\u00e3o tem nada a ver com ser homem ou mulher. Mas a gente sobrevive e vai para frente. Depois tem seus colegas. Que fazem a coisa certa, no tema certo, no mundo certo. E voc\u00ea n\u00e3o. Porque n\u00e3o \u00e9 tudo mundo que \u00e9 igual, nem tem a mesma hist\u00f3ria, nem a mesma cabe\u00e7a. Ent\u00e3o a parte mais dif\u00edcil \u00e9 quando voc\u00ea se torna um profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: e tem que mostrar que tamb\u00e9m \u00e9 uma cabe\u00e7a pensante, n\u00e9? se impor, de alguma forma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Mas com o tempo e depois que chora por um pouco&#8230; cansa de tudo isso e vai em frente. E continua a fazer o que voc\u00ea mais gosta, olhar os f\u00f3sseis n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: e voc\u00ea j\u00e1 formou muitos alunos, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 isso n\u00e3o \u00e9 gratificante?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: \u00c9 muito legal mas demora um pouquinho. Depois flui mais f\u00e1cil&#8230;e voc\u00ea vai aprendendo com eles tamb\u00e9m a respeitar os seus futuros colegas, pois um dia eles terminam e s\u00e3o doutores. Voc\u00ea n\u00e3o vai querer fazer igual que as pessoas que voc\u00ea acha que est\u00e3o erradas. Penso que tem que somar e multiplicar. Nem sempre voc\u00ea vai ser a dona da verdade ou n\u00e3o vai ter d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Sim, acho que isso faz parte do nosso desenvolvimento como professoras tamb\u00e9m n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Como dizia meu pai, tem que dar um jeito e encontrar seu nicho ecol\u00f3gico. Ah claro, e o tempo passa e um dia fazem 15 anos que voc\u00ea \u00e9 professor, 20 anos que defendeu o doutorado, e quase 30 que saiu da gradua\u00e7\u00e3o &#8230;.tic tac para tudo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: E pra finalizar&#8230; qual sua opini\u00e3o sobre o presente e o futuro das pesquisas cientificas no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Bom \u00e9 s\u00f3 que todos temos que fazer o nosso melhor para sair adiante. Tentar fazer o melhor com o que voc\u00ea tem e construir para um futuro. Mas sempre h\u00e1 uma sa\u00edda ..temos que aprender com o registro fossil\u00edfero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: aprender com os f\u00f3sseis?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: Sim, veja o registro desde o Arqueano que tem extin\u00e7\u00e3o, varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, meteoros, etc etc e a vida sempre acha um caminho para seguir. \u00c0s vezes um grupinho de bichos &#8230;se salva e vai para frente. Claro se voc\u00ea tem o potencial para descobrir um. Ele n\u00e3o vem de gra\u00e7a no seu colo. Ali\u00e1s nada vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Entendi. &#8220;sempre h\u00e1 um caminho&#8221; mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fr\u00e9sia<\/strong>: N\u00e3o precisa ser super valente, \u00e9 s\u00f3 dar um passinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Carolina<\/em>: Agrade\u00e7o muito voc\u00ea ter compartilhado conosco uma parte de sua hist\u00f3ria! Parab\u00e9ns por todo o sucesso e feliz dia da paleont\u00f3loga!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro post do ano e uma homenagem dupla!!\u00a0 Dia 7 de mar\u00e7o \u00e9 o dia do paleont\u00f3logo e dia 8 \u00e9 o dia da mulher. Nada melhor que conhecer melhor a carreira da Paleont\u00f3loga Dra. Fr\u00e9sia Soledad Ricardi Torres Branco, professora Livre-docente do Instituto de Geoci\u00eancias Unicamp. 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