{"id":825,"date":"2018-03-22T15:09:00","date_gmt":"2018-03-22T18:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=825"},"modified":"2018-03-22T15:16:25","modified_gmt":"2018-03-22T18:16:25","slug":"as-renas-e-os-cervos-surgiram-em-qual-estacao-do-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/03\/22\/as-renas-e-os-cervos-surgiram-em-qual-estacao-do-ano\/","title":{"rendered":"As renas e os cervos surgiram em qual esta\u00e7\u00e3o do ano?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na \u00e9poca de mudan\u00e7a de uma esta\u00e7\u00e3o do ano para outra temos uma ideia de como seria uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A que neste blog nos interessa aconteceu h\u00e1 uns 20 milh\u00f5es de anos no passado e foi devastadora para muitas esp\u00e9cies. Contudo, gra\u00e7as a ela surgiu um importante grupo de mam\u00edferos, que se diversificou e espalhou por todo o nosso planeta: s\u00e3o os ruminantes, que pertencem ao grupo dos artiod\u00e1ctilos. Entre eles temos as vacas, porcos, hipop\u00f3tamos, cabritos, girafas, ovelhas, camelos, al\u00e9m de, \u00e9 claro, as renas e os cervos, que como outros cervos formam parte da fam\u00edlia Cervidae. Mas n\u00e3o os cavalos, os rinocerontes e as zebras, que s\u00e3o perissod\u00e1ctilos (dedos \u00edmpares). Os artiod\u00e1ctilos s\u00e3o caracterizados por apresentar, entre outras coisas, patas com n\u00famero par de dedos e uma inova\u00e7\u00e3o no sistema digestivo que permitiu que muitos deles pudessem comer capim, ou seja poder extrair carboidratos a partir da celulose que forma parte do corpo das plantas, por possuir associa\u00e7\u00e3o com bact\u00e9rias e protozo\u00e1rios especializados que auxiliam na digest\u00e3o. Dessa forma, se voc\u00ea observar uma vaca ou uma lhama ela est\u00e1 o tempo todo mastigando ou ruminando o capim para poder moer as folhas em pequenos peda\u00e7os e ajudar as bact\u00e9rias no processamento da mat\u00e9ria vegetal. Inclusive, pelas evid\u00eancias f\u00f3sseis, as baleias e os artiod\u00e1ctilos compartiriam um mesmo ancestral.<\/p>\n<figure id=\"attachment_826\" aria-describedby=\"caption-attachment-826\" style=\"width: 419px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-826\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/cervo-2-1024x658.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/cervo-2-1024x658.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/cervo-2-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/cervo-2-768x493.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-826\" class=\"wp-caption-text\">Cervo do Pantanal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltando \u00e0 influ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para o surgimento das renas, ent\u00e3o h\u00e1 uns 45 milh\u00f5es de anos, o nosso planeta experimentou climas muito \u00famidos e quentes que permitiram que grandes e densas florestas tropicais se desenvolvessem at\u00e9 na Ant\u00e1rtica, e no Norte do Canad\u00e1, como j\u00e1 expliquei em outro post. Esse apogeu no mundo vegetal provocou a deposi\u00e7\u00e3o de um grande volume de biomassa vegetal que foi soterrada e convertida em camadas de carv\u00e3o, nas quais uma enorme quantidade de carbono ficou sequestrada, n\u00e3o retornando \u00e0 atmosfera e, por conseguinte, reduzindo a quantidade do nosso principal g\u00e1s estufa, o CO<sub>2<\/sub>. Al\u00e9m disso, ocorreram mudan\u00e7as importantes na distribui\u00e7\u00e3o dos continentes, com as quais a geografia ficou mais parecida com a atual, com o surgimento de grandes cadeias de montanhas como os Andes, o Plat\u00f4 do Tibet (ap\u00f3s a \u00cdndia bater com a China), etc. Todos esses fatos juntos provocaram um desequil\u00edbrio que levou ao surgimento de uma tend\u00eancia \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das temperaturas e, por conseguinte, de climas mais secos. Com isso, as densas florestas tropicais se reduziram em tamanho, e um novo tipo de vegeta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a surgir, uma vegeta\u00e7\u00e3o mas aberta e composta por variados tipos de capins, onde os artiod\u00e1ctilos passaram a pastar e ruminar calmamente, al\u00e9m de crescerem em tamanho e correr quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltando \u00e0s renas e cervos e por tanto a fam\u00edlia Cervidae, essa \u00faltima possui um extenso, rico e cont\u00ednuo registro f\u00f3ssil a partir do Mioceno (~ 20 milh\u00f5es de anos) at\u00e9 o presente. Os f\u00f3sseis mais antigos foram encontrados na Eur\u00e1sia (massa continental que engloba a Europa e a \u00c1sia), na qual possivelmente tenham sido originados, e com o tempo migrado para o resto do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 para o Pleistoceno (2 milh\u00f5es de anos &#8211; 10.000 anos atr\u00e1s) s\u00e3o reportados f\u00f3sseis de renas gigantes na Europa e na Am\u00e9rica do Norte. Essas evid\u00eancias s\u00e3o especialmente baseadas em dentes e chifres, quem sabe os ancestrais das renas do tren\u00f3 do Papai Noel, pois \u00e9 no Pleistoceno que aconteceram os intervalos glaciais do Quatern\u00e1rio e o hemisf\u00e9rio norte foi muito afetado por esses per\u00edodos frios, chegando a ficar com grandes extens\u00f5es do seu territ\u00f3rio cobertas por glaciares continentais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_827\" aria-describedby=\"caption-attachment-827\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-827\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/diane-de-versailles-leochares-2-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"262\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-827\" class=\"wp-caption-text\">Deusa Diana www.fanpage.it<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui na Am\u00e9rica do Sul, os cervos chegaram ap\u00f3s o surgimento do Istmo de Panam\u00e1. H\u00e1 alguns milh\u00f5es de anos eles vieram em v\u00e1rias ondas junto com outros migrantes do norte (como j\u00e1 comentamos em alguns texto anteriores). E se deram muito bem, atualmente temos no nosso continente pelo menos 17 esp\u00e9cies que habitam desde os ambientes costeiros at\u00e9 as alturas da cordilheira dos Andes. Nas f\u00e9rias de janeiro fomos para o Pantanal do Mato Grosso do Sul, um passeio que recomendo. Por l\u00e1 vimos lindos e numerosos exemplares dos cervos pantaneiros (<em>Blastocerus dichotomus<\/em>), que alcan\u00e7am grande porte, chegando a pesar at\u00e9 120 quilos e ter uma altura que varia entre 1,10 a 1,20 m, pelo que s\u00e3o considerados os maiores cervos da Am\u00e9rica do Sul, e s\u00e3o adaptados para viver em \u00e1reas alagadas e at\u00e9 cruzarem rios a nado.\u00a0Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel apreciar junto aos cervos outros descentes da fauna que veio do hemisf\u00e9rio norte como as on\u00e7as, al\u00e9m de outras esp\u00e9cies remanescentes da megafauna pleistoc\u00eanica da Am\u00e9rica do Sul, como pregui\u00e7as e capivaras. Bom, quem sabe no pr\u00f3ximo natal ou na pr\u00f3xima primavera, ao inv\u00e9s de colocar renas na decora\u00e7\u00e3o de natal ou a Deusa Diana estar acompanhada de um cervo da Europa, poder\u00e3o trocar por um cervo pantaneiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-828 aligncenter\" style=\"background-color: transparent;font-weight: bold\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/renas-papai-noel-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/renas-papai-noel.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/renas-papai-noel-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/03\/renas-papai-noel-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><span style=\"color: #220e10;font-size: 18px;font-style: italic\">Rena na Suecia (Ragifer farandus). http:\/\/www.essaseoutras.com.br<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00e9poca de mudan\u00e7a de uma esta\u00e7\u00e3o do ano para outra temos uma ideia de como seria uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica. 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