{"id":877,"date":"2018-04-19T17:39:36","date_gmt":"2018-04-19T20:39:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=877"},"modified":"2018-04-19T17:39:37","modified_gmt":"2018-04-19T20:39:37","slug":"aranhas-escorpioes-baratas-proximos-do-infinito-e-tambem-de-uma-chinelada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/04\/19\/aranhas-escorpioes-baratas-proximos-do-infinito-e-tambem-de-uma-chinelada\/","title":{"rendered":"ARANHAS, ESCORPI\u00d5ES, BARATAS PR\u00d3XIMOS DO INFINITO E TAMB\u00c9M DE UMA CHINELADA!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-882 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/barata2-300x67.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"104\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/barata2-300x67.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/barata2-768x170.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/barata2-1024x227.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/barata2.jpg 1383w\" sizes=\"(max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/p>\n<p>Existem informa\u00e7\u00f5es que escutamos numa palestra e nunca mais esquecemos. Um tempo atr\u00e1s estava eu participando do Congresso de Paleontologia, assistindo as exposi\u00e7\u00f5es orais, e entre elas uma me chamou particularmente a aten\u00e7\u00e3o. Se tratava da apresenta\u00e7\u00e3o de um colega paleont\u00f3logo que estuda f\u00f3sseis de insetos e ele falou que se n\u00f3s v\u00edssemos uma barata do Carbon\u00edfero andando por a\u00ed agora &#8230;teria chinelada na hora&#8230;ou seja, elas eram muito <a href=\"http:\/\/semelhantes.as\/\">semelhantes a<\/a>s atuais e com certeza ainda existir\u00e3o por um longo tempo. Quando pensamos em f\u00f3sseis, n\u00e3o imaginamos nem de longe a diversidade deles, na verdade at\u00e9 se poderia falar que os dinossauros s\u00e3o a ponta do iceberg, e com certeza, existiam muitas baratas e outros insetos, al\u00e9m de aranhas e escorpi\u00f5es, durante o tempo dos dinossauros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_875\" aria-describedby=\"caption-attachment-875\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-875\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/TRIGONO-300x281.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/TRIGONO-300x281.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/TRIGONO-768x720.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/TRIGONO.jpg 888w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-875\" class=\"wp-caption-text\">Exemplares de Trigonotarbida do Devoniano silicificados, Rhynie Chert, Escossia, UK<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os primeiros animais a pisar fora d\u2019\u00e1gua, h\u00e1 uns 420 Ma, foram parentes pr\u00f3ximos dos escorpi\u00f5es e aranhas. Os mais antigos registros desses primeiros habitantes do continente foram os Trigonotarbida, similares com aracn\u00eddeos, mas de uma ordem hoje desaparecida. O que permitiu a esses ancestrais dos escorpi\u00f5es e aranhas sobrevir no meio seco foi o fato de terem ap\u00eandices motores (\u201cpernas\u201d) e de poderem respirar oxig\u00eanio diretamente da atmosfera, duas caracter\u00edsticas ou pr\u00e9-adapta\u00e7\u00f5es fundamentais para sobreviver fora da \u00e1gua&#8230; A partir desse momento come\u00e7ou a se diversificar o enorme grupo dos insetos, que hoje representa o grupo mais exitoso dos animais do planeta Terra, com uma diversidade \u201cpr\u00f3xima do infinito\u201d. J\u00e1 no Carbon\u00edfero, uns 50 milh\u00f5es de anos depois, os registros f\u00f3sseis mostram que os insetos foram maiores em tamanho do que os de hoje em dia (como as lib\u00e9lulas e baratas). S\u00e3o conhecidos, por exemplo, f\u00f3sseis de lib\u00e9lulas de 50 cm e baratas, bom&#8230; d\u00e1 para imaginar &#8230;. Mas por que ser\u00e1 que eram t\u00e3o grandes naquela \u00e9poca? Uma coisa que se sabe \u00e9 que durante o Carbon\u00edfero a atmosfera continha muito mais oxig\u00eanio do que hoje em dia. Para explicar como uma maior quantidade de O<sub>2<\/sub> influenciou o tamanho dos insetos, h\u00e1 duas hip\u00f3teses: uma diz que com mais oxig\u00eanio o metabolismo dos insetos poderia suprir corpos maiores; e a outra, que seria uma defesa da fase larval contra o poss\u00edvel envenenamento por excesso de oxig\u00eanio. Baratas com mais de 100 exemplares coletados, denominadas como <em>Anthracoblattina mendesi<\/em> Pinto &amp; Sedor, foram recentemente encontradas no munic\u00edpio de Mafra, Estado de Santa Catarina, em camadas de rochas do Grupo Itarar\u00e9 (Permiano). Baratas semelhantes a estas tamb\u00e9m foram comuns na Am\u00e9rica do Norte no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_874\" aria-describedby=\"caption-attachment-874\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-874\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/ARA1-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/ARA1-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/ARA1-768x500.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/04\/ARA1-1024x667.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-874\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o 3D de um Trigobotarbida devoniano coletado no Rhynie Chert, Escossia, UK . Barra de Escala = 1cm<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora no Carbon\u00edfero existam registros diferentes de insetos voadores, esses ainda n\u00e3o conseguiam dobrar as assas como as borboletas e pernilongos, que vieram a surgir posteriormente, durante a Era Mesozoica.<\/p>\n<p>Enfim, o registro f\u00f3ssil de insetos \u00e9 muito rico e variado. Inclusive sabemos do enorme n\u00famero deles n\u00e3o s\u00f3 por seus f\u00f3sseis corporais e ecdises (trocas do exoesqueleto, conhecido popularmente como \u201cmuda\u201d) se n\u00e3o tamb\u00e9m por seus icnof\u00f3sseis, como mordidas em folhas, galhas, minas, fezes etc. muitas vezes observadas em folhas, frutos e troncos. No Brasil, um dos locais com uma enorme quantidade de registros de insetos \u00e9 a Chapada do Araripe, que fica nos estados do Cear\u00e1, Pernambuco e Piau\u00ed, onde existem fosseis de abelhas, moscas etc. al\u00e9m dos muito conhecidos f\u00f3sseis de vertebrados e plantas que datam de mais ou menos 110 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, no per\u00edodo conhecido como Cret\u00e1ceo. Constru\u00e7\u00f5es associadas com insetos sociais j\u00e1 foram descritas para o estado de Minas Gerais, em solos f\u00f3sseis (ou paleossolos) da Forma\u00e7\u00e3o Mar\u00edlia, com idade entre 100 e 72 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Pertinho de Campinas, na Bacia de Taubat\u00e9 (datada de aproximadamente 50 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s) tamb\u00e9m podem ser encontrados f\u00f3sseis de insetos, mas desta vez, apenas dos vest\u00edgios (icnof\u00f3sseis) que eles deixaram em folhas de angiospermas, e como tem muitos icnof\u00f3sseis mesmo, essas folhas deviam ser muito gostosas! No Estado de Minas Gerais, na bacia de Fonseca, que tem idade semelhante \u00e0 da Bacia Taubat\u00e9, foram registrados mais de 48 esp\u00e9cimes de insetos das ordens Hem\u00edptera, Cole\u00f3ptera, D\u00edptera, Hymen\u00f3ptera, Is\u00f3ptera, entre outros, que demostram a riqueza de insetos que habitavam a regi\u00e3o naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Outra forma de preserva\u00e7\u00e3o de insetos dependendo, \u00e9 claro, do seu tamanho, \u00e9 no \u00e2mbar. Eu j\u00e1 vi abelhas, pernilongos, borboletas e outros insetos mumificados at\u00e9 com as asas abertas dentro de \u00e2mbar, dando a impress\u00e3o de que a qualquer momento bateriam as asas.<\/p>\n<p>Voltando aos escorpi\u00f5es, os mais antigos que se conhecem datam de 435 Milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, e j\u00e1 eram bastante assustadores com a sua cauda caracter\u00edstica terminada em ferr\u00e3o. Agora, chinelos f\u00f3sseis ainda n\u00e3o foram encontrados&#8230; logo podemos deduzir que os dinossauros n\u00e3o conseguiam se livrar facilmente das baratas e outros insetos que voavam ao seu redor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias para consulta<\/p>\n<p>Nascimento, D.L.;\u00a0Batezelli<strong>, <\/strong>A.; Ladeira, F.S.B. 2017. First record of lobed trace fossils in Brazil&#8217;s Upper Cretaceous paleosols: Rhizoliths or evidence of insects and their social behavior? JOURNAL OF SOUTH AMERICAN EARTH SCIENCES, v. 79, p. 364-376.<\/p>\n<p>Ricetti, J. H. Z.; Schneider,\u00a0 J.W.; Iannuzzi, .R.;\u00a0 Weinsch\u00fctz, L.C. 2016. <em>Anthracoblattina<\/em> <em>mendesi<\/em> Pinto <em>et<\/em> Sedor (blattodea, phyloblattidae): the most completely preserved South American Palaeozoic Cockroach I.\u00a0 Rev. bras. paleontol. 19(2):181-194. doi: 10.4072\/rbp.2016.2.03<\/p>\n<p>Raoni de Castro Barbosa. 2010. Tafonomia dos Insetos F\u00f3sseis da Bacia de Fonseca, Eoceno Pale\u00f3geno de Minas Gerais. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso. (Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias biol\u00f3gicas) &#8211; Universidade Estadual da Para\u00edba. Orientador: Prof. Dr. Marcio Mendes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem informa\u00e7\u00f5es que escutamos numa palestra e nunca mais esquecemos. Um tempo atr\u00e1s estava eu participando do Congresso de Paleontologia, assistindo as exposi\u00e7\u00f5es orais, e entre elas uma me chamou particularmente a aten\u00e7\u00e3o. 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