{"id":885,"date":"2018-05-04T18:34:42","date_gmt":"2018-05-04T21:34:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=885"},"modified":"2018-05-17T09:24:10","modified_gmt":"2018-05-17T12:24:10","slug":"nicolau-steno-solido-contido-no-solido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/05\/04\/nicolau-steno-solido-contido-no-solido\/","title":{"rendered":"O s\u00f3lido dentro do s\u00f3lido: Nicolau Steno, o cientista que virou santo"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_891\" aria-describedby=\"caption-attachment-891\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-891\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/NicolausSteno.jpg\" alt=\"Nicolau Steno\" width=\"220\" height=\"282\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-891\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Nicolau Steno, pintado em Floren\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nicolau Steno foi um dos homenageados no Congresso Internacional de Geologia de <a href=\"http:\/\/iugs.org\/32igc\/\">2004,<\/a> realizado em Firenze. L\u00e1, os cientistas inauguraram uma placa, onde faziam men\u00e7\u00e3o \u00e0s suas imorredouras contribui\u00e7\u00f5es para a Mineralogia, a Paleontologia e a Estratigrafia. Boa parte delas havia sido realizada no tempo que que Nicolau Steno morou ali, na Toscana.<\/p>\n<p>No entanto, alguns anos antes, em 1988, o Papa Jo\u00e3o Paulo II o proclamou como \u201c<em>bem-aventurado Nicolau Steno<\/em>\u201d. Sabemos que, quando morreu, Nicolau Steno era um bispo cat\u00f3lico, que trabalhava no norte da Alemanha. Seus \u00faltimos anos lhe deram aura de Santo. E quase santo ele \u00e9. Hoje ele \u00e9 um Beato e a festa lit\u00fargica em seu nome ocorre no dia de sua morte, em 5 de dezembro.<\/p>\n<p>Quem era, afinal, Nicolau Steno? O cientista ou o beato?<\/p>\n<h5>NIELS STENSEN, O SOBREVIVENTE<\/h5>\n<p>Nicolau Steno \u00e9 uma latiniza\u00e7\u00e3o de seu nome dinamarqu\u00eas, Niels Stensen. O pequeno Niels nasceu e foi batizado em Copenhagen em 1638. Era o filho do ourives que prestava servi\u00e7os para o rei Cristiano IV da Dinamarca. O pequeno Niels, que era muito doente a ponto de n\u00e3o poder brincar com as outras crian\u00e7as, cresceu numa fam\u00edlia fervorosamente luterana. Na falta dos brinquedos, brincava com os objetos de ourives de seu pai.<\/p>\n<p>O pequeno Niels, no entanto, era mais forte do que se supunha. Na escola que frequentou, mais de duzentas crian\u00e7as morreram entre 1654-1655 por causa de uma peste. Contudo, Niels Stensen sobreviveu. E tomou interesse por estudar os corpos humanos. Seu interesse era a Anatomia.<\/p>\n<p>A Anatomia era uma febre (!) na \u00e9poca. Aulas de Anatomia eram disputadas ferozmente pelos acad\u00eamicos. Tudo fervilhava de curiosidade de conhecer melhor o corpo humano. \u00a0Aos 19 anos, Niels Stensen entrou para a universidade de Copenhagen, para estudar medicina. Em seus estudos acad\u00eamicos, revelou-se um promissor anatomista. E Copenhagen come\u00e7ou a ficar pequena para seu talento.<\/p>\n<h5>NICOLAU STENO, ANATOMISTA<\/h5>\n<p>A partir da\u00ed, Niels Stensen passou a viajar. E nunca mais parou. Inicialmente, esteve em v\u00e1rias cidades da Europa, estudando anatomia. Em Amsterdam estudou com Gerard <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gerard_Blasius\">Blasius,<\/a> que estava estudando o sistema linf\u00e1tico. Da mesma forma, em Amsterdam, Stensen tamb\u00e9m conheceu o filosofo e polidor de lentes <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Baruch_Espinoza\">Baruch de Spinoza<\/a>. O que ser\u00e1 que eles devem ter conversado?<\/p>\n<p>O jovem estudante Niels Stensen era apaixonado pela filosofia de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ren%C3%A9_Descartes\">Ren\u00e9 Descartes<\/a>. No entanto, mais tarde, ele renegou a teoria cartesiana. Muito cedo, Steno percebeu algumas contradi\u00e7\u00f5es na obra do mestre. Descartes, por exemplo, afirmou que a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gl%C3%A2ndula_pineal\">gl\u00e2ndula pineal<\/a> era a sede da alma humana. Steno, com base em suas observa\u00e7\u00f5es, mostrou que Descartes estava errado.<\/p>\n<p>Steno descobriu, entre outras coisas, que existe um duto que leva saliva at\u00e9 a boca, os dutos parot\u00eddeos ou\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ducto_parot%C3%ADdeo\">&#8220;<em>dutos de steno<\/em>&#8220;<\/a>. Por outro lado, Steno descobriu tamb\u00e9m que o cora\u00e7\u00e3o era um m\u00fasculo. E que os c\u00e1lculos eram pedras que se formam por ac\u00famulo nos \u00f3rg\u00e3os. Descobertas not\u00e1veis, por certo.<\/p>\n<h5>O CARTESIANO ANTI-DESCARTES<\/h5>\n<p>Um a um, Steno acabou por desmentir diversos postulados anat\u00f4micos de Descartes. Com o tempo, tornou-se violentamente anti-cartesiano, negando qualquer rela\u00e7\u00e3o de suas descobertas com o pensamento do filosofo franc\u00eas. N\u00e3o obstante, com o perd\u00e3o do trocadilho, pode-se dizer que Steno n\u00e3o descartou Descartes.<\/p>\n<p>Efetivamente, ao apreciar a obra de Steno, percebe-se o qu\u00e3o cartesiano ele era.\u00a0 Quando se v\u00ea o mundo de id\u00e9ias constru\u00eddo por Steno, o que se v\u00ea \u00e9 um universo mecanicista, tipicamente cartesiano. Por outro lado, neste universo stenoniano,\u00a0 a mat\u00e9ria s\u00f3lida e particulada se movimentava segundo leis f\u00edsicas determinadas, como um grande mecanismo.\u00a0 Logo, tudo se movia no universo de Steno de acordo com a filosofia de Descartes.<\/p>\n<h5>A &#8220;REP\u00daBLICA DAS LETRAS&#8221;<\/h5>\n<p>Em suas viagens Steno acabou por conhecer o seu conterr\u00e2neo <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ole_Borch\">Ole Borch<\/a>, importante anatomista da \u00e9poca e um s\u00e1bio relacionado com as Academias de Ci\u00eancia que ent\u00e3o surgiam. Esse movimento de acad\u00eamicos de v\u00e1rios pa\u00edses em constante comunica\u00e7\u00e3o formaram o que se chamou de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40142011000200021\"><em>Rep\u00fablica das Letras<\/em><\/a>&#8220;.\u00a0 Era o embri\u00e3o do moderno sistema de academias e peri\u00f3dicos cient\u00edficos que se formava. N\u00e3o por acaso, muitos peri\u00f3dicos modernos ainda ostentam em seu nome a palavra &#8220;<em>Letter<\/em>&#8220;. Pois n\u00e3o eram mais que isso: cartas enviadas para as diferentes associa\u00e7\u00f5es cientificas, que eram lidas nas sess\u00f5es ordin\u00e1rias destas academias e discutidas por seus membros.<\/p>\n<p>Todavia, uma vez que Ole Borch, como membro destacado da Republica das Letras,\u00a0 tinha muitas liga\u00e7\u00f5es com a Royal Society de Londres. Foi atrav\u00e9s de Borch que Steno teve contato com a teoria atom\u00edstica de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Robert_Boyle\">Robert Boyle<\/a>. Esta foi outra das grandes inspira\u00e7\u00f5es de Steno. Por meio da leitura de Boyle e sua obra, Steno come\u00e7a a se interessar por uma Ci\u00eancia que ainda n\u00e3o existia, a Geologia. Foi neste ponto de sua carreira que ele foi convidado por Ferdinando II, Gr\u00e3o-Duque da Toscana, a ser o anatomista da corte. Em Firenze, sua vida iria mudar. De novo.<\/p>\n<p>L\u00e1, Nicolau Steno vai desfrutar do ambiente da Corte e, principalmente, dos s\u00e1bios reunidos na &#8220;<a href=\"https:\/\/it.wikipedia.org\/wiki\/Accademia_del_cimento\">Academia Del Cimento<\/a>&#8220;. Essa academia, fundada pelos M\u00e9dici, reunia alguns dos mais importantes pensadores italianos da \u00e9poca. Steno torna-se amigo de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Marcello_Malpighi\">Marcello Malpigui,<\/a> <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vincenzo_Viviani\">Vicenzo Viviani<\/a>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Francesco_Redi\">Francesco Redi,<\/a> entre outros.<\/p>\n<h5>\u00a0PEDRAS EM FORMA DE L\u00cdNGUA<\/h5>\n<p>Em 1666, um tubar\u00e3o foi pescado na costa de Livorno. A cabe\u00e7a deste tubar\u00e3o foi enviada \u00e0 Firenze para que Steno pudesse disseca-lo. Steno notou que os dentes do tubar\u00e3o eram muito parecidos com as <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/9333999\"><em>glossopetras<\/em><\/a>. Estas <em>glossopetras<\/em>, as &#8220;L\u00ednguas de pedra&#8221;, eram f\u00f3sseis muito comuns no mediterr\u00e2neo. Eram conhecidas desde os tempos romanos. Havia muito tempo que Outros s\u00e1bios haviam reivindicado que as <em>glossopetras<\/em> eram dentes de tubar\u00e3o. Entre eles, destaca-se <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fabio_Colonna\">F\u00e1bio Colonna<\/a>. no entanto, a pericia anat\u00f4mica de steno foi muito importante para que estes objetos fossem reconhecidos como restos de animais, ou no sentido moderno, f\u00f3sseis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_892\" aria-describedby=\"caption-attachment-892\" style=\"width: 183px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-892\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_-183x300.jpg\" alt=\"tubar\u00e3o glossopetras\" width=\"183\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_-183x300.jpg 183w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 183px) 100vw, 183px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-892\" class=\"wp-caption-text\">Cabe\u00e7a de tubar\u00e3o estudada por Steno e as glossopetras<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em seguida, Nicolau Steno, de anatomista, passou a naturalista. Fez diversas viagens pela Toscana, onde juntou material para escrever sua grande obra. Aparentemente,\u00a0 essa obra seria muito grande. T\u00e3o grande que Steno come\u00e7ou a escrever o principio, ou o &#8220;pr\u00f3dromo&#8221;. E assim surgiu <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/ita-bnc-mag-00001426-001\">uma das grandes obras da Ci\u00eancia moderna.<\/a><\/p>\n<h5>PR\u00d3DROMO DE UM SOLIDO CONTIDO EM OUTRO SOLIDO<\/h5>\n<p>No Pr\u00f3dromo, Steno procura explicar que haviam varias formas distintas de s\u00f3lidos contidos nas rochas. Alguns destes s\u00f3lidos eram fragmentos que eram depositados junto com as rochas, como os f\u00f3sseis. Um s\u00f3lido dentro de um solido. Assim ele justificava a exist\u00eancia de diversos materiais parecidos com organismos vivos encontrados nas rochas. como , por exemplo, as <em>gloss\u00f3petras<\/em>.<\/p>\n<p>Por outro lado , haviam substancias que cresciam no interior das rochas, os cristais. Steno prop\u00f4s que os cristais de uma mesma especie teriam o mesmo \u00e2ngulo entre as faces. E que os cristais poderiam crescer dentro das rochas. Um s\u00f3lido, um outro s\u00f3lido, dentro de outro solido. Com esta proposi\u00e7\u00e3o, a moderna mineralogia come\u00e7a a existir.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Steno tamb\u00e9m prop\u00f4s uma evolu\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica para as rochas da regi\u00e3o da Toscana. Segundo se pode ler no pr\u00f3dromo, as rochas sofriam eros\u00f5es internas, com intensos abatimentos de blocos. estes blocos abatidos eram ocupados por outras rochas, mais novas e assim por diante. Com isso, ele explicou diversas sucess\u00f5es estratigr\u00e1ficas, alem de enunciar o principio de superposi\u00e7\u00e3o de camadas que hoje leva o seu nome.<\/p>\n<figure id=\"attachment_896\" aria-describedby=\"caption-attachment-896\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-896\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/camadas-300x208.jpg\" alt=\"Steno\" width=\"300\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/camadas-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/camadas-768x532.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/camadas-1024x709.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/camadas.jpg 1090w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-896\" class=\"wp-caption-text\">Assim Steno explicou os ciclos sedimentares que ele observou nos arredores de Firenze<\/figcaption><\/figure>\n<h5>PADRE STENO ? BISPO STENO?<\/h5>\n<p>No entanto, uma outra mudan\u00e7a se operava com Nicolau Steno. Influenciado por seus amigos da academia Del Cimento, Steno acabou por se converter ao catolicismo em 1671. Mais do que isso: praticamente abandonou seus estudos de Anatomia e Geologia e passou a dedicar-se aos estudos teol\u00f3gicos. Assim, em 1675 ordenou-se padre cat\u00f3lico e em 1677, bispo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_893\" aria-describedby=\"caption-attachment-893\" style=\"width: 259px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-893\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/steno1.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-893\" class=\"wp-caption-text\">Nicolau Steno, vestido como Bispo Cat\u00f3lico<\/figcaption><\/figure>\n<p>Movido pela religiosidade, no entanto, Steno devotou cada vez mais tempo para sua f\u00e9. Sua energia e seu entusiasmo o levaram a ser evangelizador cat\u00f3lico no norte da Alemanha, uma terra ferrenhamente protestante. E foi isso que Steno foi em seus \u00faltimos anos de vida. Desta forma, andando de cidade em cidade, tentando converter as pessoas ao catolicismo romano, Steno empregou todas as suas for\u00e7as. Adquiriu fama de santo.<\/p>\n<h5>UM M\u00c1RTIR CAT\u00d3LICO<\/h5>\n<p>Steno trabalhou inicialmente em Hanover, onde conheceu <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gottfried_Wilhelm_Leibniz\">Leibniz<\/a>, de quem se tornou amigo. Depois, foi para a cidade de Schwerin. L\u00e1, em meio hostil, Steno trabalhou incansavelmente. Contudo, sua sa\u00fade come\u00e7ou a fraquejar. Muito doente, acamado, Steno morreu em 5 de dezembro de 1686 cercado por seus paroquianos.<\/p>\n<p>Sua fama de evangelizador foi intensa. Desta forma, o car\u00e1ter de sua convers\u00e3o do luteranismo para o catolicismo de um s\u00e1bio destes porte o transformou num her\u00f3i cat\u00f3lico. por conta de um processo de beatifica\u00e7\u00e3o que durou mais de 50 anos recolhendo provas, Steno foi beatificado pelo para Jo\u00e3o Paulo II em 1988.<\/p>\n<h5>BEATO\u00a0 OU CIENTISTA?<\/h5>\n<p>A vida de Nicolau Steno, entretanto, nos deu mostras do intenso ambiente intelectual do<\/p>\n<p>seculo XVII. Como filosofo natural (<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/category\/jefferson-picanco\/\">a palavra cientista ainda n\u00e3o existia<\/a>), Steno fez algumas afirma\u00e7\u00f5es interessantes e duradouras. Contudo, haviam ainda um grande caminho pela frente. Nada do que disse ou escreveu mudou instantaneamente a historia da Ci\u00eancia ou da humanidade. Por um lado, muitos fil\u00f3sofos naturais continuaram a obra de Steno, e foram elaborando as bases da nova Ci\u00eancia que s\u00f3 foi surgir, afinal, no seculo XIX, a Geologia.<\/p>\n<p>Por outro lado, Steno e sua convers\u00e3o, sua vida de Beato, foram exemplos para muitas pessoas que tinham preocupa\u00e7\u00f5es religiosas. N\u00e3o foi \u00e0 toa que seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o foi levado a efeito no s\u00e9culo XX, um s\u00e9culo t\u00e3o esmagadoramente dominado pela Ci\u00eancia. Como que para provar para n\u00f3s todos que mesmo um grande cientista pode ter preocupa\u00e7\u00f5es de natureza religiosa.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o m\u00e9todo cartesiano do experimento e da d\u00favida foi o grande marco na vida de Steno. A d\u00favida fez com que ele fosse cada vez mais rigoroso em suas observa\u00e7\u00f5es e seus experimentos, do lado cientifico. Entretanto, do lado religioso, a d\u00favida fez com ele ele perdesse sua f\u00e9 e se iniciasse numa outra, numa f\u00e9 nova. E isso n\u00e3o \u00e9 trivial.<\/p>\n<p>Santo ou cientista, contradit\u00f3rio e paradoxal, Nicolau Steno foi um baita ser humano.<\/p>\n<h5>para saber mais:<\/h5>\n<p>Yamada, T., 2009. Hooke\u2013Steno relations reconsidered: Reassessing the roles of\u00a0 Ole Borch and Robert Boyle.\u00a0<i>The revolution in geology from the renaissance to the enlightenment<\/i>,\u00a0<i>203<\/i>, p.107.<\/p>\n<p>Vai, G.B., 2009. The Scienti\ufb01c Revolution and Nicholas Steno\u2019s twofold conversion.\u00a0<i>The Revolution in Geology from the Renaissance to the Enlightenment<\/i>,\u00a0<i>203<\/i>, p.187.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nicolau Steno foi um dos homenageados no Congresso Internacional de Geologia de 2004, realizado em Firenze. L\u00e1, os cientistas inauguraram uma placa, onde faziam men\u00e7\u00e3o \u00e0s suas imorredouras contribui\u00e7\u00f5es para a Mineralogia, a Paleontologia e a Estratigrafia. Boa parte delas havia sido realizada no tempo que que Nicolau Steno morou ali, na Toscana. No entanto, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/05\/04\/nicolau-steno-solido-contido-no-solido\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O s\u00f3lido dentro do s\u00f3lido: Nicolau Steno, o cientista que virou santo<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":277,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[13,91,92,11,1],"tags":[39,44,52,93,22],"class_list":["post-885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geociencias","category-historia","category-jefferson-picanco","category-paleontologia","category-sem-categoria","tag-formacao-de-fosseis","tag-fosseis","tag-historia","tag-historia-da-ciencia","tag-rochas-sedimentares"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/277"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=885"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":921,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions\/921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}