{"id":905,"date":"2018-05-22T14:25:38","date_gmt":"2018-05-22T17:25:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/?p=905"},"modified":"2018-05-22T14:25:38","modified_gmt":"2018-05-22T17:25:38","slug":"glossopetras-controversia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/05\/22\/glossopetras-controversia\/","title":{"rendered":"As glossopetras d\u00e3o com a l\u00edngua nos dentes"},"content":{"rendered":"<p>Ol\u00e1! N\u00f3s somos as glossopetras!<\/p>\n<figure id=\"attachment_910\" aria-describedby=\"caption-attachment-910\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-910\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/800px-Megalodon_tooth_with_great_white_sharks_teeth-3-2-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/800px-Megalodon_tooth_with_great_white_sharks_teeth-3-2-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/800px-Megalodon_tooth_with_great_white_sharks_teeth-3-2-768x508.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/800px-Megalodon_tooth_with_great_white_sharks_teeth-3-2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-910\" class=\"wp-caption-text\">um selfie de glossopetras, mostrando como algumas de n\u00f3s s\u00e3o bem grandinhas&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n<p>Somos f\u00f3sseis pequenos, de mil\u00edmetros a dec\u00edmetros de tamanho. Somos encontrados em abund\u00e2ncia nas melhores camadas sedimentares pr\u00f3ximas de voc\u00ea. No entanto, somos mais comuns em alguns lugares espec\u00edficos do mar Mediterr\u00e2neo, de onde somos extra\u00eddas<\/p>\n<p>em grande quantidade. Um dos lugares mais famosos de ocorr\u00eancia de glossopetras \u00e9 a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Malta\">Ilha de Malta<\/a>.<\/p>\n<p>O nome <em>glossopetra<\/em> \u00e9 um nome greco-romano. Reparem: <em>gloss\u00f3s<\/em>, ou l\u00edngua, \u00e9 uma palavra grega. L\u00edngua em latim \u00e9 l\u00edngua mesmo. E <em>petra<\/em> \u00e9 pedra em latim, como at\u00e9 as pedras sabem. <em>Glossopetra,<\/em> portanto, \u00e9 um nome greco-romano, que significa L\u00edngua de Pedra. Porque parec\u00edamos com pequenas l\u00ednguas.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos conhecidas em praticamente todas as l\u00ednguas e culturas do Velho Mundo.<\/p>\n<h6>AMULETOS PARA &#8220;SOLTAR&#8221; A L\u00cdNGUA&#8230;<\/h6>\n<p>Para os romanos, n\u00f3s, as l\u00ednguas de pedra, \u00e9ramos amuletos importantes. Segundo se acreditava, n\u00f3s poder\u00edamos fazer \u201cdesatar\u201d a l\u00edngua das pessoas. Poder\u00edamos tamb\u00e9m fazer com que as pessoas confessassem os crimes os mais secretos. Da mesma forma, nos usavam tamb\u00e9m para tornar as pessoas mais suborn\u00e1veis e colaborativas. Por outro lado, era tamanho nosso poder que alguns romanos mais desabusados usavam n\u00f3s glossopetras para seduzir pessoas castas para os atos mais inconfess\u00e1veis!<\/p>\n<p>No entanto, s\u00e1bios com <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pliny_the_Elder\">Pl\u00ednio, o Velho<\/a>, eram mais c\u00e9ticos. Segundo Pl\u00ednio, os m\u00e1gicos diziam que as glossopetras caiam dos c\u00e9us durante os eclipses da Lua. J\u00e1 imaginaram, uma chuva noturna de pequenas linguinhas de pedra? No entanto, segundo Pl\u00ednio, isso parecia n\u00e3o ser verdade.\u00a0 Assim como ele tamb\u00e9m n\u00e3o compartilhava a cren\u00e7a antiga que as glossopetras acalmavam os ventos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_916\" aria-describedby=\"caption-attachment-916\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-916\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/dragon-300x215.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/dragon-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/dragon.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-916\" class=\"wp-caption-text\">Monddrache, o Drag\u00e3o da Lua. Gravura antiga atribu\u00eddas pelo astr\u00f3logo, nigromante e alquimista Agripa de Netesheim<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, algumas glossopetras maiores\u00a0 (ver figura acima) eram tamb\u00e9m chamadas de l\u00ednguas de drag\u00e3o. Tinham cerca de dez cent\u00edmetros de comprimento ou mais. Existia uma lenda, que vinha do cultura n\u00f3rdica, que atribu\u00eda a diminui\u00e7\u00e3o da Lua em alguns momentos de seu ciclo \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um drag\u00e3o, o Monddrache, o Drag\u00e3o da Lua. Essas glossopetras maiores, quase da palma de uma m\u00e3o humana,\u00a0 eram chamados de Dentes do Drag\u00e3o da Lua <em>(<\/em><em>Z\u00e4hne der Monddrache). <\/em><\/p>\n<h6>S\u00c3O PAULO E AS GLOSSOPETRAS<\/h6>\n<figure id=\"attachment_929\" aria-describedby=\"caption-attachment-929\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-929\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/1919_stamp_of_Malta-260x300.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/1919_stamp_of_Malta-260x300.jpg 260w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/1919_stamp_of_Malta.jpg 296w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-929\" class=\"wp-caption-text\">Selo comemorativo do naufr\u00e1gio de S\u00e3o Paulo na ilha de Malta. Depois desse naufr\u00e1gio, n\u00f3s glossopetras passamos a s\u00edmbolos do cristianismo&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na ilha de Malta, onde somos abundantes, h\u00e1 a lenda de que S\u00e3o Paulo, ao naufragar na ilha, teria sido <a href=\"https:\/\/www.visitmalta.com\/en\/st-paul-in-malta\">picado por uma v\u00edbora<\/a>. O Santo n\u00e3o se fez de rogado, e atirou a serpente ao fogo. Como resultado, todos os dentes e olhos das cobras de Malta foram petrificados. Por isso, em alguns lugares, somos tamb\u00e9m chamadas de<em> l\u00ednguas de serpente<\/em>. As serpentes que hoje existem na ilha de Malta n\u00e3o s\u00e3o venenosas, confirmando assim, empiricamente, a a\u00e7\u00e3o milagrosa do apostolo. Essa lenda tamb\u00e9m aparece na Irlanda, com <a href=\"https:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2014\/03\/140315-saint-patricks-day-2014-snakes-ireland-nation\/\">S\u00e3o Patr\u00edcio<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2017\/10\/17\/o-amonite-fossil-autor\/\">Aqui n\u00f3s j\u00e1 comentamos sobre Santa Hilda de Whithby e os amonites.<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 uma outra lenda, muito posterior, dizendo que S\u00e3o Paulo transformou a sua pr\u00f3pria l\u00edngua em pedra, com numerosas propriedades medicinais. Por outro lado, os cavaleiros Normandos, que conquistaram Malta em 1090 AD, logo se aproveitaram dessa lenda e logo vendiam para toda a Europa as famosas (e milagrosas!) l\u00ednguas de S\u00e3o Paulo. Com muito lucro, diga-se.<\/p>\n<h6>UM PODEROSO ANT\u00cdDOTO CONTRA QUASE TUDO<\/h6>\n<figure id=\"attachment_917\" aria-describedby=\"caption-attachment-917\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-917\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Natterbaum-1500-1-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Natterbaum-1500-1-214x300.jpg 214w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Natterbaum-1500-1.jpg 427w\" sizes=\"(max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-917\" class=\"wp-caption-text\">Natterbaum, ou &#8220;arvore das serpentes&#8221;, pe\u00e7a em prata sobredourada representando a genealogia de Cristo. Esta pe\u00e7a era usada como prote\u00e7\u00e3o para venenos. No centro em cima h\u00e1 uma enorme L\u00edngua de Drag\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Existiram, tamb\u00e9m, diversas as aplica\u00e7\u00f5es medicinais das glossopetras. Durante a Idade M\u00e9dia, acreditava-se que n\u00f3s, glossopetras, \u00e9ramos poderosos antivenenos. Poder\u00edamos detectar a presen\u00e7a de veneno mudando de cor ao sermos mergulhadas numa ta\u00e7a de vinho. Desta forma, \u00e9ramos usadas como contraveneno de cobra, para acelerar o parto e como poderoso talism\u00e3 na prote\u00e7\u00e3o contra bruxarias.<\/p>\n<p>Durante a Renascen\u00e7a, o geografo holand\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Joannes_de_Laet\">De Laet<\/a> (1581-1649) enviou algumas glossopetras para serem usadas para males bucais. Entre os usos registrados est\u00e3o a dor de dentes e para aliviar as dores da denti\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os usos das glossopetras como medicamento foi muito difundido. A \u201c<em>Terra de S\u00e3o Paulo<\/em>\u201d , como era conhecido o material contendo as glossopetras maltesas, era comercializada como rem\u00e9dio at\u00e9 fins do s\u00e9culo XIX. Um vasto mercado, como dir\u00edamos hoje. No entanto, a ocorr\u00eancia de falsifica\u00e7\u00f5es levou muitos governos desde o s\u00e9culo XVII a realizar verifica\u00e7\u00f5es e autua\u00e7\u00f5es em materiais tidos como <em>Terra de S\u00e3o Paulo<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00f3s, glossopetras, poder\u00edamos contar muitas mais hist\u00f3rias e lendas, meninxs.<\/p>\n<h6>DENTES DE TUBAR\u00c3O?<\/h6>\n<p>No entanto, temos que confessar uma coisa: somos, na realidade, dentes de tubar\u00e3o. Sim, dentes de tubar\u00e3o. Boa parte de n\u00f3s glossopetras somos simplesmente dentes de tubar\u00f5es lamniformes. Contudo, as maiores glossopetras s\u00e3o provenientes do gigantesco <em>Charcharodon megalodon<\/em>, uma esp\u00e9cie extinta de um tubar\u00e3o gigante que viveu entre o Mioceno at\u00e9 o fim do Plioceno (para voc\u00eas humanos que n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de tempo, significa um per\u00edodo entre 23,3 at\u00e9 3,3 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s).<\/p>\n<figure id=\"attachment_947\" aria-describedby=\"caption-attachment-947\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-947\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/2000px-Megalodon_scale.svg_-300x212.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/2000px-Megalodon_scale.svg_-300x212.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/2000px-Megalodon_scale.svg_-768x543.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/2000px-Megalodon_scale.svg_-1024x723.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/2000px-Megalodon_scale.svg_.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-947\" class=\"wp-caption-text\">Uma estimativa do tamanho prov\u00e1vel do Charcharodon megalodon (cinza e vermelho) com o tubar\u00e3o Baleia, o tubar\u00e3o Branco e um ser humano;<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como foi que mudou a ideia de que n\u00f3s \u00e9ramos pedras singulares com poderes m\u00e1gicos e medicinais e nos tornamos meramente dentes de grandes bestas pr\u00e9-hist\u00f3ricas? Esta discuss\u00e3o, por mais simples que pare\u00e7a, est\u00e1 na base da moderna Geologia.<\/p>\n<h6>BRINCADEIRAS DA NATUREZA<\/h6>\n<p>voc\u00eas podem n\u00e3o acreditar, mas nem sempre os f\u00f3sseis foram aceitos como hoje: restos de organismos preservados por algum processo. Durante o Renascimento, a utiliza\u00e7\u00e3o de alguns conceitos aristot\u00e9licos, como a petrifica\u00e7\u00e3o, levou alguns\u00a0 s\u00e1bios a aceitar que os fosseis poderiam ser objetos gerados espontaneamente nas rochas. Seriam as &#8220;virtudes plasticas&#8221; defendidas, entre outros, pelo sabio veneziano <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Girolamo_Fracastoro\">Girolamo Fracastoro<\/a> (1476-1553). Seriam meras &#8220;brincadeiras da natureza&#8221;.<\/p>\n<p>Outros s\u00e1bios, entretanto, achavam que os animais e plantas petrificados eram realmente restos de organismos. Entre estes estavam, por exemplo, o famoso medico modenesi <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gabriele_Falloppio\">Gabrielle Falllopio<\/a> (1523-1562).\u00a0 Mas quais organismos seriam esses? existiriam realmente ou eram seres j\u00e1 extintos? Isso levava a uma outra quest\u00e3o: se os seres eram extintos, era sinal que eram seres imperfeitos? Deus, por acaso, fazia coisas imperfeitas? Essa era a grande discuss\u00e3o das ci\u00eancias naturais nestes per\u00edodo.<\/p>\n<h6>FABIO COLLONA E AS GLOSSOPETRAS<\/h6>\n<figure id=\"attachment_948\" aria-describedby=\"caption-attachment-948\" style=\"width: 205px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-948\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/220px-Portrait_of_Colonna_1572-205x300.jpg\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/220px-Portrait_of_Colonna_1572-205x300.jpg 205w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/220px-Portrait_of_Colonna_1572.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-948\" class=\"wp-caption-text\">o sabio neapolitano Fabio Collona (1567-1640), autor de importante estudo sobre n\u00f3s, glossopetras!<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00f3s, as glossopetras, estivemos ativas neste debate. Um dos trabalhos mais imortantes sobre n\u00f3s foi realizado pelo naturalista napolitano <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fabio_Colonna\">Fabio Collona<\/a> (1567 &#8211; 1640), da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lincei.it\/\">Academia dei Lincei<\/a> (dos linces, animal que enxerga mais longe) e amigo de Galileu. Collona estabeleceu que eramos restos de organismos. Para isso, ele calcinou algumas de n\u00f3s (ui!) e viu que \u00e9ramos formadas por mat\u00e9ria org\u00e2nica. Por outro lado, a terra que nos envolvia n\u00e3o tinha a mesma origem. Logo, segundo Collona, as glossopetras eram restos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>a semelhan\u00e7a com os dentes de tubar\u00e3o tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o de Collona. Assm, ele sugeriu que pudessemos representar restos de antigos tubar\u00f5es, e n\u00e3o pedras magicas ou antivenenos. Mas era necess\u00e1rio mais algum debate para poder afirmar isso com seguran\u00e7a.<\/p>\n<h6>NICOLAU STENO E OS DENTES DE TUBAR\u00c3O<\/h6>\n<p>Foi <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/05\/04\/nicolau-steno-solido-contido-no-solido\/\">Nicolau Steno quem estabeleceu a rela\u00e7\u00e3o dos tubar\u00f5es com as gloss\u00f3petras<\/a>. Para<\/p>\n<figure id=\"attachment_892\" aria-describedby=\"caption-attachment-892\" style=\"width: 183px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-892\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_-183x300.jpg\" alt=\"tubar\u00e3o glossopetras\" width=\"183\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_-183x300.jpg 183w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-content\/uploads\/sites\/68\/2018\/05\/Steensen_-_Elementorum_myologiae_specimen_1669_-_4715289.tif_.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 183px) 100vw, 183px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-892\" class=\"wp-caption-text\">Cabe\u00e7a de tubar\u00e3o estudada por Steno e as glossopetras<\/figcaption><\/figure>\n<p>tanto, ele estudou a carca\u00e7a de um tubar\u00e3o capturado ao longo da costa de Livorno em 1666 e confirmou a semelhan\u00e7a entre as glossopetras e os dentes dos tubar\u00f5es. Para isso, Steno usou de suas habilidades como anatomista e fez uma compara\u00e7\u00e3o usando o m\u00e9todo da anatomia forense. Assim, tim-tim por tim-tim, ele explicou as semelhan\u00e7as entre as duas.\u00a0 Desta forma, ficou bem claro, para bons e maus entendedores, que as glossopetras eram dentes de tubar\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, a pol\u00eamica ainda durou mais alguns anos. Somente em meados do seculo XVIII \u00e9 que os f\u00f3sseis foram aceitos como restos de organismos e tomaram o sentido que tem hoje. Para tanto, n\u00f3s, glossopetras, tivemos um papel fundamental.<\/p>\n<h6>COM A L\u00cdNGUA NOS DENTES<\/h6>\n<p>Assim sendo, hoje n\u00f3s n\u00e3o somos mais f\u00f3sseis, e sim uma parte deles. Desta forma, n\u00e3o somos mais t\u00e3o importantes e procuradas como no passado, empobrecendo talvez alguns mineradores. Contudo,\u00a0 n\u00f3s somo muito orgulhosas de nossa participa\u00e7\u00e3o. De fato, nossa presen\u00e7a nestes debates serviu para que os f\u00f3sseis fossem reconhecidos como hoje s\u00e3o. Mais que isso, houve uma mudan\u00e7a na maneira como as pessoas enxergavam as camadas de rocha.<\/p>\n<p>Assim, o que era s\u00f3 brincadeira da natureza passou a significar tamb\u00e9m testemunhos da hist\u00f3ria terrestre. O grande livro da natureza podia afinal ser lido. A hist\u00f3ria da natureza, com o tempo, passou a ser maior que a hist\u00f3ria humana. Por um lado, a hist\u00f3ria natural pode ser lida em milh\u00f5es e mesmo bilh\u00f5es de anos. Por outro lado, outras preocupa\u00e7\u00f5es vinculadas com esta historia natural passaram a ocupar o centro da vida das pessoas.<\/p>\n<p>Entretanto, quest\u00f5es como evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, grandes extin\u00e7\u00f5es, etc s\u00f3 fazem sentido num tempo longo. E est\u00e3o nas agendas das pessoas e dos governos de hoje. Contudo, nada disso seria poss\u00edvel sem entender que pequenas linguinhas encontradas nas rochas possam ser dentes de tubar\u00f5es.<\/p>\n<p>Nada mal, n\u00e3o?<\/p>\n<h5>PARA SABER MAIS:<\/h5>\n<p>Hsu, K.T., 2009. <strong>The path to Steno\u2019s synthesis on the animal origin of glossopetrae<\/strong>.\u00a0<i>The Revolution in Geology from the Renaissance to the Enlightenment. Geological Society of America, Boulder, CO, Memoirs<\/i>,\u00a0<i>203<\/i>, pp.93-106.<\/p>\n<p>Rosenberg, G.D. ed., 2009.\u00a0<strong><i>The Revolution in Geology from the Renaissance to the Enlightenment<\/i><\/strong>\u00a0(Vol. 203). Geological Society of America.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1! N\u00f3s somos as glossopetras! Somos f\u00f3sseis pequenos, de mil\u00edmetros a dec\u00edmetros de tamanho. Somos encontrados em abund\u00e2ncia nas melhores camadas sedimentares pr\u00f3ximas de voc\u00ea. No entanto, somos mais comuns em alguns lugares espec\u00edficos do mar Mediterr\u00e2neo, de onde somos extra\u00eddas em grande quantidade. Um dos lugares mais famosos de ocorr\u00eancia de glossopetras \u00e9 a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/2018\/05\/22\/glossopetras-controversia\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">As glossopetras d\u00e3o com a l\u00edngua nos dentes<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":277,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[91,92,11,23],"tags":[44,153,93],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","category-jefferson-picanco","category-paleontologia","category-tempo-geologico","tag-fosseis","tag-glossopetras","tag-historia-da-ciencia"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/277"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":985,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions\/985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/paleoblog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}