Por que os oceanos estão perdendo as cores?

Imagem de um coral marinho. No canto superior esquerdo está escrito o título do texto: "Por que os oceanos estão perdendo as cores?"

Texto de Milena Sonnewend Diniz Ferreira

Quando se pensa nas cores vibrantes dos oceanos, é impossível não se lembrar dos recifes de corais. Apesar de o esqueleto dos corais ser naturalmente branco, esses ecossistemas ganham uma paleta incrível de tons que variam desde as cores mais vivas até os tons pastéis. 

Essas cores surgem graças à convivência entre os corais e pequenas algas que vivem em seus tecidos. Essa parceria é fundamental para a saúde dos recifes e ajuda a formar um dos ecossistemas mais ricos da vida marinha.

Cores que importam

As cores dos recifes variam de acordo com as espécies de corais, com as algas presentes e com as condições do ambiente. 

Pequenas algas vivem protegidas no interior dos corais. Em troca dessa proteção, produzem nutrientes essenciais para que eles cresçam e sobrevivam. Essa parceria também é responsável pelas cores vibrantes dos recifes. 

Os corais e suas cores

Enquanto essa parceria permanece saudável, os corais mantêm suas cores intensas. Quando sofrem estresse causado pelo calor ou por outras mudanças ambientais, eles expulsam grande parte dessas algas e passam a revelar a cor branca de seu esqueleto calcário.

A relação entre os corais e essas algas é extremamente sensível. Poluição, alterações na salinidade da água e, principalmente, o aumento da temperatura dos oceanos podem romper essa parceria, desencadeando o branqueamento dos corais. Sem essas algas, os corais perdem sua principal fonte de energia. Se as condições ambientais melhorarem rapidamente, eles ainda podem se recuperar. Caso contrário, o branqueamento pode levar à morte dos corais. 

A recuperação dos recifes depende da intensidade e da duração do evento de branqueamento. Nos casos mais graves, os corais não conseguem se recuperar, levando à morte de todo o ecossistema associado.

Quando o mar esquenta demais

A Terra possui um efeito estufa natural, responsável por manter a temperatura adequada para a vida. O problema é que as atividades humanas intensificaram esse processo, aumentando a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e acelerando o aquecimento global.

No ano de 2023, a temperatura média dos mares atingiu níveis recordes, colocando em risco inúmeros ecossistemas marinhos. 

A maior parte desse calor é absorvida pelas camadas mais superficiais do oceano, justamente onde vive grande parte da biodiversidade marinha, incluindo plânctons, peixes, baleias e os recifes de corais.

Os recifes de corais são particularmente sensíveis a essas mudanças e o aumento de apenas alguns graus na temperatura da água é suficiente para desencadear o branqueamento.

Além disso, as mudanças climáticas também podem alterar os padrões de circulação das correntes oceânicas, impactando ainda mais os recifes. 

A longo prazo, se nada for feito, corremos o risco de perder completamente os recifes de corais e com eles, as cores e a biodiversidade dos oceanos.

Quem liga para cores, afinal?

O impacto do branqueamento não é apenas estético.

Quando os corais morrem, muitas espécies de peixes e outros organismos que dependem desses recifes para abrigo e alimento também são afetadas. 

É uma reação em cadeia que ameaça a biodiversidade marinha e, consequentemente, a vida de comunidades humanas que dependem desses recursos.

Os corais e sua influência no ambiente

Os recifes sustentam milhares de espécies marinhas e também beneficiam diretamente as pessoas. Eles servem de abrigo, local de reprodução e fonte de alimento para peixes, crustáceos, moluscos e muitos outros organismos. No Brasil, muitas comunidades dependem da pesca para seu sustento, e os recifes ajudam a manter populações de peixes que são consumidos e comercializados, contribuindo diretamente para a economia local. 

Além da pesca, os recifes também atuam como barreiras naturais contra a força das ondas, reduzindo a erosão das praias e protegendo as áreas costeiras. 

Por fim, os recifes também são uma atração turística importante. Lugares como Porto de Galinhas (PE), Maragogi (AL) e Abrolhos (BA) atraem visitantes do mundo inteiro para explorar suas águas cristalinas e recifes vibrantes. Esse turismo gera renda e empregos para muitas pessoas, especialmente em regiões de baixa renda. No entanto, se os recifes desaparecerem, essas oportunidades econômicas também desaparecerão.

Os recifes de corais estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta, mas ainda há esperança. Reduzir a poluição, combater as mudanças climáticas e apoiar políticas públicas voltadas à conservação dos oceanos são medidas fundamentais para protegê-los. Preservar os recifes significa garantir alimento, biodiversidade, proteção para o litoral e um oceano saudável para as próximas gerações. 

Para Saber Mais…

Hissa, D. C., Campos, T. M., Oliveira, R. S. B., Viana, D. G., & Rabelo, E. F. (2009) Efeito da Temperatura no Branqueamento de Corais: Avaliação de Potenciais Bioindicadores do aquecimento global, Arquivo de Ciências do Mar.

Leão, Z. M. A. N., Kikuchi, R. K. P., & Oliveira, M. D. M. (2008) Branqueamento de corais nos recifes da Bahia e sua relação com eventos de anomalias térmicas nas águas superficiais do oceano, Biota Neotropica, 8, 69-82.

Rutz, S. F., & Souza, D. B. (2015) O Problema de Branqueamento de Corais, Proceeding Series of the Brazilian Society of Computational and Applied Mathematics, 3(1).

Soares, M. O., & Rabelo, E. F. (2014) Primeiro registro de branqueamento de corais no litoral do Ceará (NE, Brasil): indicador das mudanças climáticas?, Geosciences = Geociências, 33(1), 1-10.

Autoria

Milena Sonnewend Diniz Ferreira é estudante do curso de licenciatura em ciências biológicas no 3 ° ano de curso.

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1 Comment

  1. Vê Novelas

    Ótimo artigo! lendo me veio a mente também o quanto o uso e o crescimento sem freios da IA vai trazer um impacto negativo aos oceanos.

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