{"id":192,"date":"2026-07-13T12:14:49","date_gmt":"2026-07-13T15:14:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/?p=192"},"modified":"2026-07-13T12:14:51","modified_gmt":"2026-07-13T15:14:51","slug":"evolucao-planeta-dos-macacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/2026\/07\/13\/evolucao-planeta-dos-macacos\/","title":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o acontece como em Planeta dos Macacos?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Na franquia de filmes <\/span><b>Planeta dos Macacos<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, um v\u00edrus desenvolvido em laborat\u00f3rio para o tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 testado em chimpanz\u00e9s e desencadeia uma s\u00e9rie de muta\u00e7\u00f5es que ampliam suas capacidades cognitivas (Figura 1). Em contrapartida, esse mesmo v\u00edrus \u00e9 letal para parte da popula\u00e7\u00e3o humana.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">Ao adquirirem habilidades como o uso da linguagem verbal e formas mais complexas de organiza\u00e7\u00e3o social, os macacos iniciam uma revolu\u00e7\u00e3o em busca de liberdade e igualdade. Ao longo da hist\u00f3ria, eles entram em guerras, matam uns aos outros e utilizam armas, granadas e outras estrat\u00e9gias t\u00edpicas dos conflitos retratados entre humanos.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-1024x576.png\" alt=\"P\u00f4ster do filme Planeta dos Macacos: A Guerra mostrando C\u00e9sar montado em um cavalo \u00e0 frente de outros macacos, enquanto soldados armados aparecem em primeiro plano, representando o conflito entre humanos e primatas.\" class=\"wp-image-197\" style=\"width:390px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-300x169.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-768x432.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-500x281.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-800x450.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 1. \u201cPlaneta dos Macacos: A guerra\u201d, 2017. Fonte: Disney.<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Embora esse seja o enredo de uma obra de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ele desperta algumas quest\u00f5es interessantes: seria poss\u00edvel que uma mudan\u00e7a evolutiva t\u00e3o expressiva ocorresse em apenas uma gera\u00e7\u00e3o? Os v\u00edrus s\u00e3o capazes de alterar o DNA de humanos e de outras esp\u00e9cies? E, por fim, faz sentido considerarmos os macacos inferiores apenas por n\u00e3o apresentarem a nossa forma de \u201cintelig\u00eancia\u201d?<\/span><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><b><mark class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">Primeiras respostas<\/mark><\/b><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Come\u00e7ando pelos v\u00edrus: sim, eles podem alterar o DNA de humanos e de outros seres vivos. Por\u00e9m, isso n\u00e3o acontece da forma retratada no filme. A infec\u00e7\u00e3o por um v\u00edrus n\u00e3o produz, de maneira imediata, mudan\u00e7as complexas no comportamento ou na intelig\u00eancia de um organismo. Al\u00e9m disso, nosso DNA possui mecanismos de reparo capazes de corrigir parte das altera\u00e7\u00f5es que ocorrem naturalmente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, podemos dizer que mudan\u00e7as evolutivas podem acontecer tanto ao longo de muitas gera\u00e7\u00f5es quanto em per\u00edodos relativamente curtos. No entanto, quando falamos em &#8220;r\u00e1pido&#8221; na Biologia, geralmente estamos nos referindo a dezenas ou centenas de gera\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o a uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o, como ocorre em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Outro ponto importante \u00e9 questionarmos a ideia de que o comportamento e a intelig\u00eancia humana representam o est\u00e1gio final da evolu\u00e7\u00e3o. As coisas n\u00e3o funcionam dessa maneira. Frequentemente analisamos outros animais comparando-os com os seres humanos e, por isso, tendemos a classific\u00e1-los como inferiores por n\u00e3o seguirem o nosso padr\u00e3o. No entanto, cada grupo apresenta caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e compartilhadas, resultado de uma hist\u00f3ria evolutiva moldada por diferentes processos. A evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui uma dire\u00e7\u00e3o predeterminada nem um objetivo final; ela produz diferentes formas de viver e de interagir ambientes diversos.<\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"537\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image.jpeg\" alt=\"Meme comparando um homem e um macaco. No primeiro quadro, o homem diz &quot;kkkkkk sou inteligente&quot; enquanto o macaco permanece em sil\u00eancio. No segundo, o macaco responde: &quot;mano, voc\u00eas humanos s\u00e3o literalmente a \u00fanica esp\u00e9cie que paga pra viver no planeta&quot;. O meme ironiza a ideia de superioridade humana.\" class=\"wp-image-196\" style=\"aspect-ratio:0.8492016558249557;width:285px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image.jpeg 456w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/wp-content\/uploads\/sites\/294\/2026\/07\/image-255x300.jpeg 255w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Vamos l\u00e1, ent\u00e3o!<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-purple-color has-text-color has-link-color wp-elements-1\"><b>As for\u00e7as evolutivas<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Para entender a evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 interessante dividir esse grande processo em alguns mecanismos que atuam continuamente nas popula\u00e7\u00f5es. Entre eles est\u00e3o <\/span><b>a sele\u00e7\u00e3o natural, a deriva gen\u00e9tica e a teoria neutralista<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">A sele\u00e7\u00e3o natural ocorre quando indiv\u00edduos que possuem determinadas caracter\u00edsticas apresentam maior chance de sobreviver e se reproduzir em um determinado ambiente. Ao deixarem mais descendentes, essas caracter\u00edsticas tendem a se tornar mais frequentes ao longo das gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 importante destacar que as varia\u00e7\u00f5es surgem <\/span><b>ao acaso<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, a sele\u00e7\u00e3o dessas varia\u00e7\u00f5es depende das condi\u00e7\u00f5es do ambiente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">A deriva gen\u00e9tica, por sua vez, \u00e9 um processo que pode ocorrer quando uma popula\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida por uma montanha, um rio ou outro tipo de barreira geogr\u00e1fica. De forma que esses grupos passam a evoluir de forma independente. Com o passar de muitas gera\u00e7\u00f5es, a a\u00e7\u00e3o da deriva gen\u00e9tica, da sele\u00e7\u00e3o natural e de outros processos pode torn\u00e1-los cada vez mais diferentes, podendo at\u00e9 originar novas esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, a teoria neutralista prop\u00f5e que muitas das mudan\u00e7as observadas no DNA n\u00e3o conferem vantagem nem desvantagem aos organismos. Elas simplesmente persistem ao longo do tempo porque n\u00e3o interferem na sobreviv\u00eancia ou na reprodu\u00e7\u00e3o. Essa ideia tamb\u00e9m nos lembra que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui um objetivo final. Os seres vivos n\u00e3o evoluem para se tornarem &#8220;melhores&#8221;, mas apenas continuam mudando ao longo das gera\u00e7\u00f5es em resposta a diferentes processos evolutivos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-purple-color has-text-color has-link-color wp-elements-2\"><b>De onde viemos?<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">A origem da nossa esp\u00e9cie \u00e9 semelhante a todas as outras. O organismo ancestral de todos os seres vivos, nosso tata\u2026tatarav\u00f4 (LUCA, \u00daltimo Ancestral Comum Universal), era parecido com as bact\u00e9rias: apenas uma c\u00e9lula, muito pequena, invis\u00edvel a olho nu e que vivia no mar.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, impulsionada por diferentes processos, como os comentados acima, formaram-se os mais variados grupos de seres vivos, com diferentes modos de vida: alguns solit\u00e1rios, outros vivendo em grupos; alguns herb\u00edvoros, outros carn\u00edvoros.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre tantos grupos, vamos olhar para os mam\u00edferos, animais que possuem pelos e gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias. Muitos deles tamb\u00e9m apresentam placenta, estrutura respons\u00e1vel por nutrir o filhote durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Dando mais um zoom, chegamos aos primatas, grupo conhecido pelo comportamento social, pelas m\u00e3os capazes de segurar objetos e pela vis\u00e3o bastante desenvolvida.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 milh\u00f5es de anos, na \u00c1frica, um ancestral comum deu origem a diferentes linhagens, entre elas a dos chimpanz\u00e9s e a dos seres humanos.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo do tempo, essas linhagens seguiram caminhos distintos e adquiriram diferentes h\u00e1bitos de vida. Em nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria evolutiva, tamb\u00e9m houve cruzamentos com outras linhagens aparentadas, como os neandertais e os denisovanos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Foi assim que chegamos aos dias de hoje.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o porque somos melhores ou mais evolu\u00eddos que os outros animais, mas porque essa foi a hist\u00f3ria da nossa linhagem.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">\u00a0<mark class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\"><b>Ningu\u00e9m vive sozinho<\/b><\/mark><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Por estarmos aqui h\u00e1 relativamente pouco tempo, quase nada quando comparado \u00e0 hist\u00f3ria da vida na Terra, e por nos comunicarmos principalmente entre n\u00f3s, muitas vezes acabamos pensando que somos os donos do ambiente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Costumamos justificar essa ideia de v\u00e1rias formas: &#8220;somos animais racionais&#8221;, &#8220;criamos a civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;desenvolvemos a tecnologia&#8221; e por a\u00ed vai.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Na realidade, encontramos formas de comunica\u00e7\u00e3o em diversos grupos de animais e at\u00e9 mesmo entre plantas e fungos.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Muitos animais modificam o ambiente em que vivem, organizam-se em sociedades e apresentam divis\u00e3o de tarefas, entre muitas outras caracter\u00edsticas que costumamos associar \u00e0quilo que chamamos de \u201cintelig\u00eancia\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">O ponto mais importante \u00e9 que nenhuma forma de vida existe de maneira isolada. Todas interagem entre si.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Isso acontece quando comemos os frutos produzidos pelas \u00e1rvores, quando piolhos vivem em nossos cabelos ou quando dependemos do oxig\u00eanio produzido pelas algas dos oceanos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Em muitos casos, inclusive, a sobreviv\u00eancia diante de grandes mudan\u00e7as ambientais depende dessas rela\u00e7\u00f5es entre diferentes esp\u00e9cies. Na natureza n\u00e3o existe um ju\u00edzo de valor sobre quem \u00e9 superior ou inferior.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Existem apenas diferentes formas de vida interagindo continuamente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa ideia aparece em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos: O Reinado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que retrata uma rela\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o entre chimpanz\u00e9s e aves. No entanto, essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada a partir de um olhar antropoc\u00eantrico, baseado na domestica\u00e7\u00e3o e no controle. Na natureza, as rela\u00e7\u00f5es entre as esp\u00e9cies s\u00e3o muito mais diversas e complexas. Elas n\u00e3o dependem de um &#8220;comando&#8221; e nem se resumem \u00e0 domin\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">\u00a0<b><mark class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">A extin\u00e7\u00e3o \u00e9 para sempre?<\/mark><\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo dos bilh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria da Terra, muitos grupos de seres vivos foram extintos, ou seja, deixaram de existir porque n\u00e3o restou nenhum indiv\u00edduo vivo. Isso pode acontecer por diferentes motivos, que muitas vezes atuam em conjunto.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre eles est\u00e3o as mudan\u00e7as no ambiente, como altera\u00e7\u00f5es na disponibilidade de alimento, na temperatura ou no espa\u00e7o onde vivem. Essas mudan\u00e7as podem ser desencadeadas por fatores externos, como a queda de um asteroide, ou internos, como grandes erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas isso n\u00e3o significa que os grupos que sobreviveram eram mais fortes ou &#8220;mereciam&#8221; sobreviver. A natureza n\u00e3o faz julgamentos. Ela simplesmente \u00e9.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Quando uma esp\u00e9cie \u00e9 extinta, ela n\u00e3o pode simplesmente surgir novamente. N\u00e3o existe <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">respawn<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, termo utilizado nos jogos para descrever o retorno de um personagem ap\u00f3s a morte. Cada esp\u00e9cie possui uma hist\u00f3ria evolutiva \u00fanica. Com sua extin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se perdem todas as rela\u00e7\u00f5es que ela estabelecia com outras formas de vida. Novas intera\u00e7\u00f5es podem surgir ao longo do tempo, mas o sistema nunca volta a ser exatamente como era antes.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 isso que acontece, por exemplo, ap\u00f3s grandes queimadas. O ambiente pode at\u00e9 se regenerar parcialmente, mas dificilmente retornar\u00e1 ao mesmo estado anterior. Algumas esp\u00e9cies desaparecem, outras ocupam seu lugar e novas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas passam a ser constru\u00eddas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><b><mark class=\"has-inline-color has-vivid-purple-color\">Qual \u00e9 o nosso papel no mundo?<\/mark><\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo sabendo que as extin\u00e7\u00f5es fazem parte da hist\u00f3ria natural da Terra, o nosso modo de vida, baseado na ideia de que somos donos do planeta e de que a natureza existe para nos servir, tem acelerado o desaparecimento de in\u00fameras formas de vida. Plantas, anf\u00edbios, insetos, mam\u00edferos e tantos outros grupos v\u00eam sofrendo os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o de habitats, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da explora\u00e7\u00e3o excessiva dos recursos naturais. Ao mesmo tempo, comprometemos as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es que sustentam a nossa exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><b>Sabendo agora que cada forma de vida \u00e9 resultado de uma hist\u00f3ria evolutiva \u00fanica, fica claro que n\u00e3o faz sentido imaginar que uma esp\u00e9cie evoluiria para se tornar semelhante a outra, como acontece em <\/b><b><i>Planeta dos Macacos<\/i><\/b><b>. A evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui um objetivo final, nem caminha em dire\u00e7\u00e3o a um modelo ideal.&nbsp;<\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><b><mark style=\"background-color:#9b51e08f\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Cada esp\u00e9cie responde, \u00e0 sua maneira, aos desafios do ambiente em que vive.<\/mark><\/b><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Se a extin\u00e7\u00e3o \u00e9 definitiva e cada esp\u00e9cie desempenha um papel \u00fanico na rede da vida, talvez seja hora de nos reconhecermos como parte da natureza, e n\u00e3o como seus propriet\u00e1rios. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Dependemos das outras formas de vida muito mais do que costumamos admitir e, por isso, precisamos repensar aquilo que consideramos valioso.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Talvez possamos aprender um pouco com dois personagens da franquia&#8230; C\u00e9sar, l\u00edder dos macacos, acredita que \u00e9 poss\u00edvel construir um futuro baseado na conviv\u00eancia e na prote\u00e7\u00e3o do grupo. J\u00e1 Koba, marcado pela viol\u00eancia que sofreu nas m\u00e3os dos humanos, passa a acreditar que o conflito e a domina\u00e7\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos caminhos poss\u00edveis. No mundo real, proteger a biodiversidade exige muito mais do esp\u00edrito de C\u00e9sar do que da l\u00f3gica de Koba.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><b>Para saber mais\u2026<\/b><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Almeida, AMRD; EL-HANI, CN (2010) Um exame hist\u00f3rico-filos\u00f3fico da biologia evolutiva do desenvolvimento. <\/span><b>Scientiae Studia<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 8, n. 1, p. 9\u201310, 2010.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Friedberg, E (2003) <\/span><span style=\"font-weight: 400\">DNA damage and repair<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><b>Nature<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 421, p. 436-440, 2003. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/nature01408\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/nature01408<\/span><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Greenberg, DA; Mooers,\u00a0 A\u00d8 (2017) Linking speciation to extinction: Diversification raises contemporary extinction risk in amphibians. <\/span><b>Evolution Letters<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 1, p. 40\u201348, 2017. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/evl3.4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/evl3.4<\/span><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Losos, JB (2008) <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Phylogenetic niche conservatism, phylogenetic signal and the relationship between phylogenetic relatedness and ecological similarity among species<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><b>Ecology Letters<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 11, p. 995-1003, 2008. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1461-0248.2008.01229.x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1461-0248.2008.01229.x<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Roldan-Arjona, T; Ariza, RR; Cordoba-Canero, D (2019) DNA base excision repair in plants: an unfolding story with familiar and novel characters. <\/span><b>Frontiers in Plant Science<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 10, article 1055, 2019. https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fpls.2019.01055\/full<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Santos, F (2014)<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Evolu\u00e7\u00e3o humana: uma hist\u00f3ria de ossos e DNA. <\/span><b>Ci\u00eancia &amp; Ambiente<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 48, p. 43-65, 2014.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><b>Filmes da franquia <em>Planeta dos Macacos<\/em> que foram referenciados:<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">BALL, Wes. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos: O Reinado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Estados Unidos: Walt Disney Pictures, 2024<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">REEVES, Matt. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos: O Confronto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Estados Unidos: 20th Century Fox, 2014.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">REEVES, Matt. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos: A Guerra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Estados Unidos: 20th Century Fox, 2017.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">WYATT, Rupert. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Planeta dos Macacos: A Origem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Estados Unidos: 20th Century Fox, 2011.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><b>Autoria:<\/b><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400\">Thalita Marques Pereira Marcon \u00e9 graduanda na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas.Desenvolve pesquisas na \u00e1rea de zoologia, mais especificamente na taxonomia de ofiur\u00f3ides (parentes das estrelas-do-mar) e na \u00e1rea de museus. Tem interesse em conserva\u00e7\u00e3o e biologia marinha e ama filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><b>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/b><\/h1>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-produ-o-cient-fica-em-rede wp-block-embed-produ-o-cient-fica-em-rede\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uzEdr4TIuH\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/2026\/06\/15\/uso-de-insetos-na-agricultura\/\">Os insetos podem contribuir para uma agricultura mais sustent\u00e1vel?<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Os insetos podem contribuir para uma agricultura mais sustent\u00e1vel?&#8221; &#8212; Produ\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica em Rede\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/2026\/06\/15\/uso-de-insetos-na-agricultura\/embed\/#?secret=JYNtxfwoY2#?secret=uzEdr4TIuH\" data-secret=\"uzEdr4TIuH\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-produ-o-cient-fica-em-rede wp-block-embed-produ-o-cient-fica-em-rede\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"iTGAsXyand\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/2026\/05\/27\/floresta-invertida-cerrado\/\">A floresta invertida do Cerrado<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;A floresta invertida do Cerrado&#8221; &#8212; Produ\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica em Rede\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pcr\/2026\/05\/27\/floresta-invertida-cerrado\/embed\/#?secret=GCxuCfdbIm#?secret=iTGAsXyand\" data-secret=\"iTGAsXyand\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na franquia de filmes Planeta dos Macacos, um v\u00edrus desenvolvido em laborat\u00f3rio para o tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 testado em chimpanz\u00e9s e desencadeia uma s\u00e9rie de muta\u00e7\u00f5es que ampliam suas capacidades cognitivas (Figura 1). 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