{"id":1289,"date":"2022-09-19T12:38:19","date_gmt":"2022-09-19T15:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=1289"},"modified":"2024-04-28T21:38:11","modified_gmt":"2024-04-29T00:38:11","slug":"cultura-do-estupro-rotina-e-nossa-existencia-cotidiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2022\/09\/19\/cultura-do-estupro-rotina-e-nossa-existencia-cotidiana\/","title":{"rendered":"Cultura do estupro, rotina e nossa exist\u00eancia cotidiana"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sempre ficamos chocadas quando sabemos de hist\u00f3rias que envolvem pessoas queridas e situa\u00e7\u00f5es ultrajantes que as envolveram. H\u00e1 diferentes modos de respondermos a estes momentos. E hoje vou falar um pouco sobre como nos portarmos em rela\u00e7\u00e3o a relatos de viol\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">Ah pronto. L\u00e1 vem ela falar de cultura de estupro novamente.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sim! O texto de hoje \u00e9 sobre cultura do estupro novamente. Em geral, pensamos sempre sobre isto frente a situa\u00e7\u00f5es de extrema viol\u00eancia e como a sociedade responde a isto. O que \u00e9 dif\u00edcil de compreendermos \u00e9 que cultura do estupro n\u00e3o \u00e9 <strong>sempre sobre o estupro<\/strong>, mas como temos como rotina a <strong>condena\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas<\/strong> por comportamentos <strong>violentos de culpados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como estamos falando de cultura do estupro, \u00e9 importante ressaltar aqui que de modo geral, culpados s\u00e3o <strong>homens heterossexuais cisg\u00eanero<\/strong>. E as v\u00edtimas, em geral, independente da idade, homens transg\u00eaneros e mulheres independente de g\u00eanero ou sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Como assim falar de cultura do estupro \u00e9 falar de rotina?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Cultura do estupro n\u00e3o \u00e9 <em>um epis\u00f3dio<\/em> de viol\u00eancia. Quando apontamos uma viol\u00eancia sexual como <em>cultura<\/em>, estamos afirmando que isto faz parte de uma pr\u00e1tica de nossa sociedade que possibilita que o ato mais violento &#8211; o estupro, neste caso &#8211; seja reafirmado cotidianamente como parte do que nos constitui como sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O termo \u201ccultura\u201d n\u00e3o se refere \u00e0 arte, ou a grandes obras realizadas por nomes renomados, ou \u201caquilo que foi de melhor produzido em nossa esp\u00e9cie\u201d. O termo se refere \u00e0s pr\u00e1ticas cotidianas que constituem uma sociedade. Ou seja, \u00e0s pr\u00e1ticas que nos identificam, enquanto rotina, significados, s\u00edmbolos, falas, atos, teorias, produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e cient\u00edficas, como pertencentes a um determinado grupo e regi\u00e3o &#8211; que pode ser pa\u00eds, estado, munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Obviamente, falar que algo \u00e9 uma <em>cultura<\/em>, n\u00e3o significa que <em>todos n\u00f3s<\/em> agimos desta ou daquela forma. Todavia, significa que isso faz parte da nossa vida, s\u00f3 por termos nascido e crescido em determinados espa\u00e7os sociais. E isso \u00e9 um peda\u00e7o de nossos aprendizados &#8211; que podemos refutar, questionar, conviver ou aceitar como fato, por exemplo. Mesmo refutando e questionando, segue sendo um aprendizado social. Uma vez que estamos imersos nisso que, novamente, chamamos de <em>cultura<\/em>. Est\u00e1 acima de n\u00f3s, faz parte de quem somos e do modo como vivemos no mundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E como a cultura do estupro se relaciona com isso?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nossa sociedade \u00e9 machista. Cotidianamente vemos cenas de viol\u00eancia, verbal ou f\u00edsica, contra pessoas que vivem fora do que chamamos de \u201cpadr\u00e3o\u201d ou \u201cnormatividade\u201d. Basicamente, pessoas que n\u00e3o comp\u00f5e o seleto grupo \u201chomem, branco, heterossexual, cisg\u00eanero\u201d, que situa-se dentro do que costumamos chamar \u201cprivilegiados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu nem vou responder a qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 frase \u201cnem todo o ___\u201d. J\u00e1 passamos dessa fase, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A quest\u00e3o \u00e9 como nossa sociedade tolera verborragias de homens sobre mulheres e, pior, a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra qualquer pessoa que destoe deste espa\u00e7o de privil\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Voltando ao in\u00edcio do texto, quando mencionei relatos de viol\u00eancia, \u00e9 importante compreender que normalmente, nos aterrorizamos com o relato de um estupro. No entanto, viol\u00eancias rotineiras s\u00e3o tomadas como parte da vida &#8211; e normalmente um problema menor. E \u00e9 exatamente a\u00ed que reside a no\u00e7\u00e3o de <em>cultura<\/em> do estupro. Pois n\u00e3o relacionamos essa rotina com os atos de viol\u00eancia extrema.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Quer um exemplo?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ser segurada com for\u00e7a, contra nossa vontade, para beijarmos algu\u00e9m. Ao relatar isto, escutar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">U\u00e9, mas se est\u00e1s solteira, qual o problema de beijar o cara?<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Devia ter beijado, assim te livravas mais r\u00e1pido.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Mas o que custa beijar o cara?<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Se tivesse beijado, ele n\u00e3o tinha te for\u00e7ado.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Outro exemplo:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Negar-se a sair com uma pessoa reiteradas vezes e, em uma festa entre colegas escutar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">mas se \u00e9s solteira e heterossexual, qual o motivo de n\u00e3o querer sair comigo?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Mais um exemplo:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ser abordada por algu\u00e9m na rua, de forma ofensiva (quem nunca escutou: \u201cte como todinha?\u201d enquanto caminhava em uma rua aleat\u00f3ria) e escutar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-color has-background eplus-wrapper\" style=\"color:#eee9e9;background-color:#c24347\">&#8211; tamb\u00e9m, com esta roupa na rua, queria o qu\u00ea?<br>&#8211; Mas como \u00e9 que tu respondeste? Ficaste quieta?<br>&#8211; Essa hora andando sozinha, s\u00f3 podia acontecer isso!<br>&#8211; Veja bem se pode ficar andando na rua sem ningu\u00e9m junto, d\u00e1 nisso!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">A cultura do estupro \u00e9 sobre ser culpada por existir<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em absolutamente TODOS os relatos que s\u00e3o meramente fict\u00edcios (por\u00e9m escutamos sempre), a culpa da viol\u00eancia \u00e9 retirada instantaneamente do homem que violentou. A culpa \u00e9 da pessoa que devia ter cedido aos caprichos (um beijo que n\u00e3o queria dar, uma volta &#8211; de cunho sexual &#8211; que n\u00e3o queria participar), ou que estava em um lugar inadequado, de forma inadequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A grande quest\u00e3o disso \u00e9 que, no fundo, a culpa acaba sendo da exist\u00eancia da v\u00edtima. N\u00e3o existe local adequado, n\u00e3o existe roupa adequada, n\u00e3o existe comportamento adequado, quando temos um agressor que, socialmente, <em>\u00e9 o ser humano correto para seguir existindo, n\u00e3o importa o que fa\u00e7a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Somos um corpo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Costumo dizer que n\u00f3s somos e temos um corpo. E isto torna-se mais e mais compreens\u00edvel, quanto mais nos afastamos disto que chamei de <em>padr\u00e3o <\/em>(homem, branco, heterossexual, cisg\u00eanero). Como assim?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em geral, quando querem desmerecer algu\u00e9m, \u00e9 o corpo o alvo. Dessa forma, ataca-se pessoas pelo corpo que possuem, ou pelo modo como supostamente usam o corpo. Assim, seguidamente nos narram como vadias e putas, dentro desta cultura do estupro. Ou seja, como um corpo que deveria estar a servi\u00e7o dos homens. E exatamente quando nos negamos a estar neste lugar, somos xingadas (e eu nem considero <em>puta<\/em> e <em>vadia<\/em> como xingamento &#8211; j\u00e1 falei sobre isso <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ntsnaleatorias\/status\/1430532690051219462\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ntsnaleatorias\/status\/1430555034392084481\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando somos aviltades, em geral, temos nossa conduta condenada, pois dev\u00edamos (para n\u00e3o sermos violentades) ceder. \u00c9 aqui que nos configuramos como <em>sendo<\/em> e <em>tendo <\/em>um corpo que \u00e9 um objeto de pertencimento desta categoria de privil\u00e9gio, o homem, branco, heterossexual, cisg\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">&#8211; Ana, voc\u00ea n\u00e3o cansa de falar sempre isso do homem, branco, heterossexual, cisg\u00eanero?<\/h5>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o sei. Voc\u00eas n\u00e3o cansam de nossa exist\u00eancia ser aviltada cotidianamente? Eu canso mais disso, e canso de ver reiteradamente pessoas sendo violentadas e a viol\u00eancia se repetir muitas vezes a cada men\u00e7\u00e3o que as culpabilizam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu canso de ver que a viol\u00eancia sexual n\u00e3o se restringe ao ato de viol\u00eancia. Pois soma-se \u00e0 viv\u00eancia social que precisa confirmar muitas vezes que fomos violentadas. E, mesmo assim, ainda nos sentimos culpadas e escutamos que fizemos algo errado. J\u00e1 diria Elis Regina, com a voz arrebentando nossas verdades do peito, que \u201cminha dor \u00e9 perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, n\u00f3s ainda somos os mesmos e vivemos como [ou pior que] nossos pais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A cultura do estupro nos promove, cotidianamente, viol\u00eancia. Viol\u00eancia contra nossos corpos, por eles existirem e se negarem a pertencer a <em>um tipo de ser humano<\/em>, que se pretende dono de tudo &#8211; inclusive de n\u00f3s mesmas. E n\u00e3o s\u00e3o. N\u00e3o podem ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E s\u00f3 deixar\u00e3o de ser (corpos violados e pertencentes de outro ser) quando, cotidianamente, como pr\u00e1tica reiterada, nossa exist\u00eancia n\u00e3o precisar resistir \u00e0 viol\u00eancia e sobreviver \u00e0 ela. Melhor dizendo: quando qualquer viol\u00eancia for um ato do sujeito violento e n\u00e3o da v\u00edtima aviltada; quando as v\u00edtimas n\u00e3o forem culpadas por sua exist\u00eancia, suas vestimentas, seu corpo presente. Melhor ainda, quando n\u00e3o houver sujeito violento, pelo fato simples e b\u00e1sico, cultural e rotineiro, de que pessoas compreendem que os corpos de outras pessoas n\u00e3o s\u00e3o objetos para se ter, mas <em>pessoas a se respeitar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para saber mais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">BUTLER, Judith (2018) <strong>Corpos em alian\u00e7a e a pol\u00edtica das ruas:<\/strong> notas para uma teoria performativa de assembl\u00e9ia, Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">COSTA, Marisa Vorraber, SILVEIRA, Rosa Hessel, SOMMER, Luis Henrique (2003) <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/rbedu\/n23\/n23a03.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudos culturais, educa\u00e7\u00e3o e pedagogia<\/a>,&nbsp;<strong>Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">FONSECA, PAA, ALVES, VL,&nbsp; LIMA, LM (2017) <a href=\"https:\/\/periodicos.ufpe.br\/revistas\/idealogando\/article\/view\/9584\/FONSECA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cultura do Estupro: uma an\u00e1lise de conte\u00fado sobre a percep\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios via Twitter<\/a>,&nbsp;<strong>Revista Idealogando,<\/strong>&nbsp;v1, n1, p75-84.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SOUZA, RF (2017) <a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1806-9584.2017v25n1p9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cultura do estupro: pr\u00e1tica e incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia sexual contra mulheres<\/a>,&nbsp;<strong>Revista Estudos Feministas<\/strong>,&nbsp;<em>25<\/em>(1), 9-29<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Outros textos do blogs com este tema<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/01\/19\/cultura-do-estupro-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sobre a Cultura do Estupro: senta aqui, vamos conversar\u2026<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/03\/15\/mulher-um-ato-politico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mulher: um ato pol\u00edtico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/05\/01\/corpo-da-mulher-objetificacao-e-posse-de-si\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpo da mulher: objetifica\u00e7\u00e3o e posse de si<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Sempre ficamos chocadas quando sabemos de hist\u00f3rias que envolvem pessoas queridas e situa\u00e7\u00f5es ultrajantes que as envolveram. H\u00e1 diferentes modos de respondermos a estes momentos. <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2022\/09\/19\/cultura-do-estupro-rotina-e-nossa-existencia-cotidiana\/\" title=\"Cultura do estupro, rotina e nossa exist\u00eancia cotidiana\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":296,"featured_media":1290,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[141,17],"tags":[26,28,29],"class_list":["post-1289","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corpo","category-genero-e-sexualidade","tag-corpo","tag-cultura-do-estupro","tag-feminismo"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2022\/09\/Copia-de-DC_qual-caminho.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1289"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1433,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions\/1433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}