{"id":1542,"date":"2025-07-31T01:52:12","date_gmt":"2025-07-31T04:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=1542"},"modified":"2025-07-31T01:57:46","modified_gmt":"2025-07-31T04:57:46","slug":"violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2025\/07\/31\/violencia-domestica\/","title":{"rendered":"61 motivos para entender por que a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o se limita a socos em nossos corpos, dentro de um elevador\u2026"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-verse has-text-align-right has-small-font-size eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/1Xn5aFNVSqC6xINWWXlNAQ?si=1368e47c49e94213\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Sugest\u00e3o para escutar enquanto l\u00ea<\/em><\/a><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sempre que eu vejo not\u00edcias como as desta semana, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o pensar em como eu &#8211; bem como v\u00e1rias amigas e conhecidas &#8211; sa\u00edram vivas de rela\u00e7\u00f5es violentas. Nesta quinta-feira, 30 de julho, vimos repetidamente as not\u00edcias do ex-jogador de basquete que agrediu sua companheira com 61 socos no rosto e que responder\u00e1 por tentativa de homic\u00eddio. No dia 28 de julho, uma mulher foi morta pelo ex-marido, em S\u00e3o Carlos, na presen\u00e7a de seus dois filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia contra a mulher, neste patamar, se configura exatamente dentro deste contexto de destrui\u00e7\u00e3o da nossa exist\u00eancia &#8211; ap\u00f3s tudo o mais j\u00e1 ter sido tirado &#8211; ou da tentativa de ter tirado &#8211; de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-vivid-red-color has-text-color has-link-color eplus-wrapper wp-elements-1\">Para quem agride, nada nunca \u00e9 o suficiente.<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta ceder, calar, obedecer, mudar comportamento. Nosso corpo, enquanto estiver existente, em rela\u00e7\u00f5es violentas, ser\u00e1 a fronteira a ser vencida e aniquilada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Mas, o que \u00e9 afinal Viol\u00eancia contra a mulher?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Segundo as <a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/genocideprevention\/documents\/atrocity-crimes\/Doc.21_declaration%20elimination%20vaw.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, o termo &#8220;Viol\u00eancia contra a mulher\u201d \u00e9 \u201cqualquer ato violento baseado no g\u00eanero, que resulte, ou possa de resultar, em danos f\u00edsicos, sexuais, psicol\u00f3gicos ou sofrimento para as mulheres, incluindo a amea\u00e7a de praticar tais atos, coer\u00e7\u00e3o ou priva\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria da liberdade, seja em ambiente p\u00fablico ou privado\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o livre, minha). Este conceito est\u00e1 na Declara\u00e7\u00e3o para a Elimina\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Contra a Mulher, proclamada em 1993.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sempre que \u00e9 noticiada uma viol\u00eancia extrema contra uma mulher, h\u00e1 uma estranha como\u00e7\u00e3o que leva parte da sociedade a se perguntar de que modo isso foi poss\u00edvel de acontecer e como esta mulher \u201cainda\u201d estava ao lado do sujeito que a espancou. Tamb\u00e9m surgem explica\u00e7\u00f5es estapaf\u00fardias sobre surtos, ataques e outros transtornos aleat\u00f3rios, que nos fazem pensar sobre o quanto supostos surtos encontram frequentemente corpos de mulheres para descarregar descontroles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia s\u00e3o extremamente complexas e n\u00e3o existem respostas simples para o absurdo vivenciado. Mas h\u00e1 julgamentos simplistas &#8211; sempre e toda a vez. Julgamentos que nos fazem pensar se efetivamente n\u00e3o \u00e9 nossa a culpa de termos nos submetido e vivenciado aquela viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">E, acredite, prezado leitor, voc\u00ea conhece muitas e muitas mulheres que j\u00e1 sofreram viol\u00eancia como essa &#8211; in\u00fameras vezes, a tal ponto de naturalizarmos esse sofrimento e realidade, tomarmos como parte de nossa rotina, dentro e fora de casa. Isso inclui, claro, eu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">&nbsp;A viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 apenas essa brutalidade cometida contra nosso corpo, a ponto de nos desfigurarmos dentro de um elevador de tanto apanhar. N\u00e3o \u00e9 uma conversa no celular, nem o pedido de separa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a roupa curta, tampouco o elogio do amigo. N\u00e3o \u00e9 o esquecimento do dever para o marido, nem o cansa\u00e7o do trabalhador no fim do dia, tampouco o estresse do empres\u00e1rio pelo excesso de preocupa\u00e7\u00f5es. A viol\u00eancia \u00e9 mais minuciosa, perversa e absolutamente cotidiana e aceita socialmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Essa viol\u00eancia \u00e9 antecedida de muitas outras viol\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o isoladas, nem se limitam a uma s\u00f3 pessoa. \u00c9 fato disperso e aprendido, como parte do cotidiano, que coloca alguns corpos, alguns sujeitos, algumas identidades, como aquelas que podem e devem ser corrigidas, objetificadas, desumanizadas: destitu\u00eddas do direito de existir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Ideias gen\u00e9ricas n\u00e3o aleat\u00f3rias &#8211; nem aned\u00f3ticas &#8211; de viol\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sabe a ideia repetida in\u00fameras vezes em almo\u00e7os de domingo, pelo seu tio\/pai\/av\u00f4\/primos &#8211; aquele que \u00e9 um \u201chomem do seu tempo\u201d, reconhece? Eu sei que tens um assim por a\u00ed &#8211; de que as mulheres da pr\u00f3pria fam\u00edlia s\u00e3o vagabundas, vadias, <strong>putas<\/strong>, pois n\u00e3o se deram o respeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O que \u00e9 se dar ao respeito? Ora, n\u00e3o desejar, n\u00e3o sentir prazer, n\u00e3o sentir, n\u00e3o falar. Mulher \u00e9 vagabunda por ousar sentir e desejar <em>como (ou mais que) homens desejam, sentem e vivem<\/em>. Parece at\u00e9 bobo dizer que a concep\u00e7\u00e3o de \u201cvagabunda\u201d \u00e9 viol\u00eancia. Todavia faz parte desta destitui\u00e7\u00e3o de que somos pessoas e corpos que desejam, tem fome e sede de vida, de prazer, de afeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">E a frase \u201cvai sair vestida assim?&#8221;; \u201cmas tamb\u00e9m vestida assim queria o qu\u00ea?\u201d. Desde que nascemos vamos aprendendo &#8211; em casa, na escola, na igreja, na fam\u00edlia, em grupos de amigos, etc. &#8211; que existe um lugar, uma vestimenta, uma conduta a ser seguida. E h\u00e1 algu\u00e9m para nos guiar, em quem devemos confiar, abrindo m\u00e3o dia ap\u00f3s dia, de quem somos e de onde viemos, para sobreviver em uma sombra. Isoladas e sem entender como chegamos at\u00e9 ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sabe aquela outra ideia que escutamos muitas vezes de modos diferentes \u201cmulher minha n\u00e3o sai sozinha\u201d (ou derivados dessa frase)? Sim. Tamb\u00e9m faz parte dessa composi\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia contra mulheres. Objetifica, destitui de vontades, direitos, autonomia. Viol\u00eancia, por coer\u00e7\u00e3o ou retirada de condi\u00e7\u00f5es de liberdade, nos isola e corta contatos. Reduz, inclusive, possibilidade de outras pessoas perceberem riscos e vulnerabilidades &#8211; se nunca estamos sem quem nos destitui de direitos, quem perceber\u00e1 quando nosso corpo se apagar?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Parece exagero, querer <strong>ser<\/strong> em uma cultura que nos nega <strong>existir<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Tanto em relat\u00f3rios p\u00fablicos, quanto na literatura cient\u00edfica, h\u00e1 dados contundentes n\u00e3o apenas da complexidade da quest\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica e de g\u00eanero. Se olharmos para a viol\u00eancia \u00faltima &#8211; f\u00edsica e com risco de morte &#8211; parece sempre inconceb\u00edvel chegarmos em tamanha atrocidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Mas sem olhar para esta diversidade de fatores, buscando intencionalmente modific\u00e1-los, n\u00e3o h\u00e1 como reverter estes dados brutais em nossa atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Segundo o Relat\u00f3rio Anual Socioecon\u00f4mico da Mulher (RASEAM), de 2025, no Brasil, 71,6% dos casos de viol\u00eancia contra mulheres de 20 a 59 anos aconteceram dentro de casa em 2023. De todos os registros, 60,4% das viol\u00eancias s\u00e3o contra mulheres negras ou pardas, 37,5% contra mulheres brancas. A viol\u00eancia contra mulheres encontra em corpos negros seu maior alvo &#8211; e descaso. Somente em 2023 foram 302.856 casos registrados de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual e\/ou outras formas de viol\u00eancia contra mulheres. Para se ter uma ideia, isso equivale a quase 830 registros por dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Esta viol\u00eancia \u00e9 perpetrada majoritariamente por pessoas conhecidas da v\u00edtima: companheiros e ex-companheiros somam a imensa maioria dos casos (67%). Em apenas 1,5% dos casos a viol\u00eancia \u00e9 cometida por desconhecidos. Falando em n\u00fameros, se tomarmos o exemplo de 830 registros em um dia &#8211; 830 mulheres agredidas e que notificaram o sistema p\u00fablico &#8211; teremos 12 agressores que n\u00e3o conheciam as v\u00edtimas e 556 agressores que conheciam intimamente (foram ou s\u00e3o companheiros).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o seguro dentro de nossas casas, quando quem \u00e9 coercitivo conosco s\u00e3o supostos companheiros cotidianos. Considerando que a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o acontece \u201cdo nada\u201d, tampouco \u201cdo dia para a noite\u201d, mas \u00e9 constru\u00edda cotidianamente, nunca deve ser vista como algo isolado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher pode ser analisada como uma forma de tortura, quando se considera sua sistematicidade e as condi\u00e7\u00f5es em que se realiza. A viol\u00eancia dom\u00e9stica vai al\u00e9m da agress\u00e3o f\u00edsica; ela inclui viol\u00eancia psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral, que causam danos profundos e duradouros. Al\u00e9m disso, a din\u00e2mica de poder no ambiente dom\u00e9stico muitas vezes perpetua uma rela\u00e7\u00e3o de controle e submiss\u00e3o, na qual a mulher \u00e9 mantida em um estado constante de medo e desumaniza\u00e7\u00e3o. (BRASIL, 2025)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia contra as mulheres se inicia com a busca sistem\u00e1tica de anula\u00e7\u00e3o do que podemos ser, para nos colocar em um espa\u00e7o privado e privativo, submissas, silenciosas e silenciadas, obedientes e dependentes de algu\u00e9m que toma por direito, nossa vida e condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">&nbsp;Corpo: superf\u00edcie de n\u00f3s, materialidade de prazer, luta e dispers\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00f3s somos e temos um corpo. Ao longo de toda a nossa vida, de aprendizados m\u00faltiplos, podemos ter o privil\u00e9gio, oportunidade e condi\u00e7\u00e3o de, em algum momento, olharmos para n\u00f3s mesmas e rompermos com as amarras que nos prendem. N\u00e3o \u00e9 simples, nem tranquilo. Certamente (ainda bem) n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1rio tamb\u00e9m. Aprender a refazer nossa forma e assumir nosso corpo, com suas dores, desejos, marcas, hematomas, tristezas e levezas, \u00e9 sempre um movimento que se faz em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background has-link-color eplus-wrapper wp-elements-2\">Lutamos muito para gostar, gozar, aceitar, fluir, nos vestir de quem somos. H\u00e1 quem nunca consiga efetivamente chegar neste lugar de vestir a si mesma de luta e gozo. Chora, cala, definha, morre: antes.<\/h5>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">N\u00e3o basta combater a viol\u00eancia contra a mulher<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Um dos pontos fundamentais para seguirmos aqui neste debate \u00e9 a compreens\u00e3o de que precisamos falar de <strong>viol\u00eancia de g\u00eanero<\/strong>. Colocando a quest\u00e3o mais ampla, entendendo que em uma sociedade centrada nos direitos do e para o homem, qualquer pessoa que destoe deste sujeito normativo foi, \u00e9 e ser\u00e1 violentado por n\u00e3o ter acesso \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es e oportunidades de vida, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, bens materiais, simb\u00f3licos e culturais. Desta maneira, a viol\u00eancia perpetrada contra mulheres, atinge tamb\u00e9m pessoas: da comunidade LGBTQIAPN+, crian\u00e7as, idosas, negras, com defici\u00eancia e quaisquer outras minorias que possam aqui ser inclu\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sim, eu sei que s\u00e3o viol\u00eancias in\u00fameras e diferentes. Todavia, a viol\u00eancia de g\u00eanero tamb\u00e9m nos possibilita centralizar e enfatizar um dos elos promotores e legitimadores da viol\u00eancia, enquanto categoria social. Isto \u00e9, nos ajuda a perceber privil\u00e9gios sociais &#8211; incluindo a posse e condi\u00e7\u00f5es de posse sobre o corpo e a vida de outras pessoas, que habitam e se encontram em outras categorias sociais, subjugadas a esta primeira, masculina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">\u00c9 dentro de uma sociedade que d\u00e1 a primazia do sucesso a homens &#8211; em geral brancos, heterossexuais e cisg\u00eanero &#8211; que a viol\u00eancia contra corpos dissidentes deste padr\u00e3o se faz poss\u00edvel como parte das regras sociais constru\u00eddas cotidianamente. Invisibilizando diferen\u00e7as sutis que, dia ap\u00f3s dia, tornam poss\u00edvel produzirmos desigualdades sociais de g\u00eanero, ra\u00e7a, acessibilidade, sexualidade. \u00c9 em uma sociedade em que corpos que ocupam uma &#8220;categoria social\u201d em que os direitos s\u00e3o maiores e os deveres mais flex\u00edveis, que a viol\u00eancia se faz presente, cria e aprofunda-se pela diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background has-link-color eplus-wrapper wp-elements-3\">O caminho at\u00e9 61 socos em um elevador n\u00e3o se estanca s\u00f3 com pol\u00edticas p\u00fablicas ap\u00f3s a viol\u00eancia cometida&nbsp;<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 apenas 61 motivos para compreendermos que a viol\u00eancia dom\u00e9stica, de g\u00eanero, sexual, n\u00e3o se limita a socos em nossos corpos, dentro de um elevador. N\u00e3o h\u00e1 lista que d\u00ea conta da atrocidade cotidiana. Mais de 800 registros por dia de viol\u00eancia \u00e0s mulheres, por serem mulheres. Outras milhares de pessoas sendo limitadas, enquadradas, cerceadas de existirem por serem como s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Entender a viol\u00eancia f\u00edsica e o feminic\u00eddio como parte de um acordo social, que \u00e9 ensinado desde a inf\u00e2ncia e perpetuado como tradi\u00e7\u00e3o e cultura \u00e9 urgente. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do Estado propor pol\u00edticas que diminuam desigualdades e privil\u00e9gios. Do nosso lado &#8211; feminista, social, cultural &#8211; o combate \u00e0s m\u00faltiplas viol\u00eancias \u00e9 parte da luta di\u00e1ria. Mas tamb\u00e9m deveria ser parte da luta da ci\u00eancia e da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Nossos corpos seguem, compondo luta, todos os dias, tentando existir, em liberdade e equidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background has-link-color eplus-wrapper wp-elements-4\">Lutamos muito para gostar, gozar, aceitar, fluir, existir quem somos. E n\u00e3o voltaremos atr\u00e1s.<\/h4>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para Saber Mais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">ALMEIDA, D (2025) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-03\/brasil-registra-1450-feminicidios-em-2024-12-mais-que-ano-anterior\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil registra 1.450 feminic\u00eddios em 2024, 12 a mais que no ano anterior<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Brasil, <\/strong>25 de Mar\u00e7o de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">BANDEIRA, LM (2014) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0102-69922014000200008\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Viol\u00eancia de g\u00eanero: a constru\u00e7\u00e3o de um campo te\u00f3rico e de investiga\u00e7\u00e3o<\/a>. <strong>Sociedade E Estado<\/strong>, 29(2), 449\u2013469.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">BLAY, EA (2003) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-40142003000300006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Viol\u00eancia contra a mulher e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/a>, <strong>Estudos Avan\u00e7ados<\/strong>, 17(49), 87\u201398.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">BRASIL (2025) <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/observatorio-brasil-da-igualdade-de-genero\/raseam#:~:text=Relat%C3%B3rio%20Anual%20Socioecon%C3%B4mico%20da%20Mulher%202025\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Relat\u00f3rio anual socioecon\u00f4mico da mulher: RASEAM<\/strong><\/a>, Bras\u00edlia: Observat\u00f3rio Brasil da Igualdade de G\u00eanero\/MMULHERES, Minist\u00e9rio das Mulheres, Observat\u00f3rio Brasil da Igualdade de G\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">ONU (1993)<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/genocideprevention\/documents\/atrocity-crimes\/Doc.21_declaration%20elimination%20vaw.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <strong>Declaration on the Elimination of Violence against Women: Proclaimed by General Assembly resolution 48\/104 of 20 December 1993<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">ROCHA, A; RODRIGUES, F (2025) <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-carlos-regiao\/noticia\/2025\/07\/30\/homem-que-matou-ex-esposa-era-viciado-em-drogas-e-teve-alta-de-clinica-2-dias-antes-do-crime.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homem que matou ex-esposa era viciado em dorgas e teve alta de cl\u00ednica em 2 dias antes do crime<\/a>, <strong>G1 S\u00e3o Carlos e Araraquara<\/strong>, 30 de Julho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">SEGATO, R (2017) <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/186-noticias-2017\/570524-a-base-politica-das-relacoes-de-violencia-de-genero-entrevista-com-a-antropologa-rita-segato\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A base pol\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia de g\u00eanero. Entrevista com a antrop\u00f3loga Rita Segato<\/a>, <strong>Instituto Humanitas Unisinos, <\/strong>11 de Agosto de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">SEGATO, R (2016) <a href=\"https:\/\/www.traficantes.net\/libros\/la-guerra-contra-las-mujeres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>La Guerra contra las mujeres<\/strong><\/a>, Madrid: Traficantes de sue\u00f1os, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">SILVA, LEL da &amp; OLIVEIRA, MLC da (2015) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1413-812320152011.11302014\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Viol\u00eancia contra a mulher: revis\u00e3o sistem\u00e1tica da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional no per\u00edodo de 2009 a 2013<\/a>. <strong>Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/strong>, 20(11), 3523\u20133532.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">SOUZA, B (2025) Ex-jogador de basquete espanca a namorada: o que falta saber sobre o crime, <strong>CNN Brasil<\/strong>, 29 de Julho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Outros Temas do Blogs PEmCie<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/category\/corpo\/\">Categoria Corpos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/11\/03\/nos-mulheres-como-a-cigarra-uma-nota-sobre-a-cultura-do-estupro\/\">N\u00f3s, mulheres, como a cigarra: uma nota sobre a Cultura do Estupro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/05\/01\/sobre-corpos-objetificacao-e-posse-de-si\/\">Sobre os corpos: objetifica\u00e7\u00e3o e posse de si<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/08\/09\/sobre-mortes-e-liberdades-de-ser\/\">Sobre mortes e liberdades de ser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Sugest\u00e3o para escutar enquanto l\u00ea Sempre que eu vejo not\u00edcias como as desta semana, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o pensar em como eu &#8211; bem como <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2025\/07\/31\/violencia-domestica\/\" title=\"61 motivos para entender por que a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o se limita a socos em nossos corpos, dentro de um elevador\u2026\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":296,"featured_media":1544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[141,17],"tags":[26,18,32],"class_list":["post-1542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corpo","category-genero-e-sexualidade","tag-corpo","tag-genero","tag-violencia-de-genero"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/07\/Nem-uma-a-menos.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1542"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1547,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542\/revisions\/1547"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}