{"id":1667,"date":"2025-10-31T15:37:11","date_gmt":"2025-10-31T18:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=1667"},"modified":"2025-11-01T10:29:54","modified_gmt":"2025-11-01T13:29:54","slug":"cultura-epistemicidios-necropolitica-e-massacres-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2025\/10\/31\/cultura-epistemicidios-necropolitica-e-massacres-sociais\/","title":{"rendered":"Cultura, epistemic\u00eddios, necropol\u00edtica e massacres sociais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Na ter\u00e7a-feira, dia 28 de outubro, ainda durante a madrugada, foi iniciada uma <a href=\"https:\/\/www.rj.gov.br\/noticias\/governo-do-estado-comanda-maior-operacao-de-seguranca-em-15-anos-e-reforca-combate-ao-narcoterrorismo7327\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">opera\u00e7\u00e3o policial<\/a> que acarretou, oficialmente, em 64 mortes no complexo do Alem\u00e3o e da Penha, na cidade do Rio de Janeiro. Enquanto <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/castro-operacao-foi-sucesso-e-policiais-mortos-foram-unicas-vitimas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Governador do Rio de Janeiro Cl\u00e1udio Castro aponta a opera\u00e7\u00e3o como um sucesso<\/a>, atividades presenciais &#8211; incluindo escola &#8211; s\u00e3o canceladas, moradores das comunidades recolhem corpos, o mundo vira os olhos para a nomeada <em>cidade maravilhosa<\/em>, em choque. Hoje, dia 31 de outubro, sabemos que esta opera\u00e7\u00e3o foi <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/acao-no-rio-e-maior-em-15-anos-e-mais-letal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a maior em 15 anos e a mais letal j\u00e1 realizada no estado<\/a>. Um massacre, sem demagogias ou delongas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 um dif\u00edcil cen\u00e1rio para ser falado. Com narrativas atenuantes, polariza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que vibram pelo sangue derramado e tentativas de contornar a situa\u00e7\u00e3o, a contagem de mais de 120 pessoas mortas ultrapassa nos aterroriza. As imagens dos corpos dispostos no asfalto, de carros dos moradores trazendo mais e mais corpos, nada disso deveria ser exist\u00eancia em nosso mundo e pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu n\u00e3o sou jornalista e n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es &#8211; nem pretens\u00f5es &#8211; de realizar qualquer tipo de cobertura deste horr\u00edvel epis\u00f3dio brasileiro. Por\u00e9m sei que n\u00e3o h\u00e1 como passar inc\u00f3lume por tudo o que vimos e ouvimos esta semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu vinha escrevendo, desde a semana passada, um texto sobre a <a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/noticia\/?19\/02\/2025\/-audiencia-na-alesp-debate--lei-anti-oruam--e-criminalizacao-do-funk-\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei Anti-Oruam<\/a> e as leis contra as ideologias de g\u00eanero. E durante esta semana, fiquei tentando digerir a viol\u00eancia que vivemos. Hoje resolvi tra\u00e7ar algumas rela\u00e7\u00f5es, ainda que me arriscando pela emo\u00e7\u00e3o do momento, em parecer ora muito trivial, ora muito amarga. Mas o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Epistemic\u00eddios, culturas e aceita\u00e7\u00e3o de massacres<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sueli Carneiro nos apresenta, no cen\u00e1rio brasileiro, a exist\u00eancia de um <em><strong>dispositivo de racialidade<\/strong><\/em>, que constr\u00f3i, legitima e p\u00f5e em pr\u00e1tica uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es sociais, vinculadas \u00e0 ra\u00e7a. Dentro deste dispositivo, consta um elemento central e constitutivo do dispositivo de racialidade, que \u00e9 o <em><strong>epistemic\u00eddio<\/strong><\/em>. Este termo, segundo Carneiro, pode ser definido como<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">um instrumento eficaz e duradouro de domina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e racial pela nega\u00e7\u00e3o da legitimidade do conhecimento produzido pelos grupos dominados e, consequentemente, de seus membros, que passam a ser ignorados como sujeitos de conhecimento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aliado a isto, tamb\u00e9m penso ser pertinente retomar as no\u00e7\u00f5es de <strong><em>necropol\u00edtica<\/em><\/strong> de Achile Mbembe, quando ele aponta que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">a fun\u00e7\u00e3o do racismo \u00e9 regular a distribui\u00e7\u00e3o da morte e tornar poss\u00edveis as fun\u00e7\u00f5es assassinas do Estado. Segundo Foucault, essa \u00e9 a &#8220;condi\u00e7\u00e3o para a aceitabilidade do fazer morrer&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mbembe trabalha a ideia da necropol\u00edtica, desenvolvendo o conceito a partir da <strong><em>biopol\u00edtica<\/em><\/strong>, de Michel Foucault. A biopol\u00edtica seria o conjunto de estrat\u00e9gias, pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas, de gest\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, buscando aumentar e melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica de melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o se vincula a uma pol\u00edtica de morte? <\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Este \u00e9 o desenvolvimento te\u00f3rico do termo, que Foucault j\u00e1 aponta em seu trabalho, mas Mbembe aprofunda e atualiza de maneira absolutamente relevante para os tempos contempor\u00e2neos. O que Mbembe aponta \u00e9 este lado em que a popula\u00e7\u00e3o, para ser gerida com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e uma vida &#8220;melhor&#8221;, tamb\u00e9m tem como pressuposto o descarte de pessoas <em>que n\u00e3o t\u00eam jeito<\/em>, n\u00e3o fazem parte de um cen\u00e1rio social desej\u00e1vel. S\u00e3o, portanto, parte de uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica de morte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Necropol\u00edtica e o combate \u00e0 viol\u00eancia via massacres<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Retomando o acontecimento desta semana, fica demasiadamente expl\u00edcito o desejo de morte de uma popula\u00e7\u00e3o, a partir da caracteriza\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o social que ocupam. A idealiza\u00e7\u00e3o de que <em>na favela s\u00f3 mora bandido<\/em> e, portanto, as pessoas da favela como pass\u00edveis de serem legitimamente mortas pela m\u00e3o do Estado<em>. <\/em>Uma vez que estamos combatendo tr\u00e1fico, roubo, viol\u00eancia urbana, promovendo seguran\u00e7a p\u00fablica, legitima-se discursivamente a morte de centenas de pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E, percebam, n\u00e3o \u00e9 uma ret\u00f3rica aleat\u00f3ria que estou usando. H\u00e1 pessoas efetivamente <a href=\"https:\/\/portal.al.go.leg.br\/noticias\/159896\/amauri-ribeiro-enaltece-acao-policial-e-atuacao-do-governador-do-rio-de-janeiro-no-combate-ao-crime-organizado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">defendendo que estas mortes s\u00e3o de bandidos, que o massacre ocorrido \u00e9 para o bem social<\/a>, que este \u00e9 o primeiro passo de muitos que deveriam ocorrer pelo Brasil. Repetindo o que j\u00e1 mencionei anteriormente, a opera\u00e7\u00e3o foi um sucesso policial, segundo o Governador do Rio de Janeiro. Em reuni\u00e3o posterior, no dia 30 de Outubro, Castro foi <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2025\/10\/30\/governadores-se-reunem-no-rio-para-discutir-seguranca-publica-apos-operacao-com-mais-de-100-mortos.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">parabenizado pela opera\u00e7\u00e3o<\/a>, por outros governadores brasileiros. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"is-style-default wp-block-image size-full is-resized eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/castro-operacao-foi-sucesso-e-policiais-mortos-foram-unicas-vitimas\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"691\" height=\"830\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-11.23.18.png\" alt=\"Captura de tela da reportagem da Ag\u00eancia Brasil de 29 de outubro de 2025, com a frase: &quot;Castro: opera\u00e7\u00e3o foi &quot;sucesso&quot; e policiais mortos foram \u00fanicas v\u00edtima: para governador, Rio \u00e9 o epicentro do problema de seguran\u00e7a p\u00fablica:. Abaixo h\u00e1 uma foto do rosto do Governador Cl\u00e1udio Castro, s\u00e9rio, falando.\" class=\"wp-image-1670\" style=\"width:801px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-11.23.18.png 691w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-11.23.18-250x300.png 250w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-11.23.18-500x601.png 500w\" sizes=\"(max-width: 691px) 100vw, 691px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reportagem da Ag\u00eancia Brasil de 29 de Outubro de 2025<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A legitima\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia se faz a partir exatamente da reafirma\u00e7\u00e3o contundente de que n\u00e3o h\u00e1, entre os mortos, inocentes. O sucesso se firmando e sendo usado como manchetes \u00e9 parte dessa constru\u00e7\u00e3o que reitera continuamente que a viol\u00eancia foi combatida, em um cen\u00e1rio de guerra em que os sujeitos que l\u00e1 habitam carregam e contam os corpos, como parte desse processo que desumaniza, descaracteriza toda e qualquer exist\u00eancia em nossa sociedade que n\u00e3o seja a da viol\u00eancia e risco social. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O cen\u00e1rio de sucesso se implementa atrav\u00e9s de m\u00faltiplas estrat\u00e9gias, que se vinculam ao conjunto de a\u00e7\u00f5es de morte. A morte efetiva de pessoas, mortes simb\u00f3licas dos pap\u00e9is sociais que pessoas da favela exercem, morte da ideia de que s\u00e3o pessoas que habitam ali &#8211; que passam a ser criminosos. A paz social s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada, assim, por m\u00faltiplas mortes implementadas em a\u00e7\u00f5es de <em>&#8220;sucesso<\/em>&#8220;. A necropol\u00edtica executada a partir do descarte idealizado e efetivo de sujeitos, com <em>opera\u00e7\u00f5es planejadas<\/em> e sucessos alcan\u00e7ados. <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2025\/10\/28\/maior-chacina-da-historia-mostra-falencia-do-rj-diz-especialista.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A fal\u00eancia social com justificativa e aval do estado<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E em que isso se aproxima da lei Anti-Oruam?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Parece que estas coisas est\u00e3o passando em larga dist\u00e2ncia. Mas desde uma perspectiva de epistemic\u00eddio e necropol\u00edtica, n\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o&#8230; Vamos falar um pouco sobre a Lei Anti-Oruam e, depois retomar as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Est\u00e1 acontecendo, desde o in\u00edcio do ano de maneira mais espec\u00edfica, um debate sobre o funk, rap e hip hop e seus supostos riscos e apologias ao crime. Tem sido implementado, no pa\u00eds, uma s\u00e9rie de leis que vem sendo chamadas de<a href=\"https:\/\/www.al.sp.gov.br\/noticia\/?19\/02\/2025\/-audiencia-na-alesp-debate--lei-anti-oruam--e-criminalizacao-do-funk-\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <em>Lei Anti-Oruam<\/em><\/a>. Estas leis t\u00eam como princ\u00edpio impedir prefeituras (ou poder p\u00fablico) de <em>contratar artistas que fa\u00e7am apologia ao crime ou ao uso de drogas. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Embora a Lei Anti-Oruam tenha sido pauta no in\u00edcio de 2025, recentemente ela voltou a ser pauta e vem avan\u00e7ando em projetos legislativos municipais brasileiros. No dia 16 de Outubro, a Ag\u00eancia P\u00fablica abordou o tema na reportagem &#8220;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/nota\/lei-anti-oruam-avanca-em-cidades-paulistas-aponta-relatorio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei &#8216;Anti-Oruam&#8217; j\u00e1 foi aprovada em pelo menos tr\u00eas cidades paulistas, aponta relat\u00f3rio<\/a>&#8220;. Estas leis, mais do que impedir que crimes aconte\u00e7am ou sejam exaltados, criminalizam uma pr\u00e1tica cultural tipicamente perif\u00e9rica e negra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full is-resized eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/apublica.org\/nota\/lei-anti-oruam-avanca-em-cidades-paulistas-aponta-relatorio\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"734\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-12.15.09.png\" alt=\"Captura de tela do jornal Ag\u00eancia P\u00fablica, com a reportagem &quot;Lei 'Anti-Oruam' j\u00e1 foi aprovada em pelo menos tr\u00eas cidades paulistas, aponta relat\u00f3rio&quot;, publicada em 16 de outubro de 2025.\" class=\"wp-image-1671\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-12.15.09.png 740w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-12.15.09-300x298.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-12.15.09-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Captura-de-Tela-2025-10-31-as-12.15.09-500x496.png 500w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E j\u00e1 falamos de cultura aqui neste blog algumas vezes. Quando debates sociais classificam e segmentam pr\u00e1ticas culturais &#8211; como a Lei Anti-Oruam se prop\u00f5e &#8211; temos tamb\u00e9m o estabelecimento de uma no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 v\u00e1lido e importante como <em>cultura<\/em> em um pa\u00eds e sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu queria falar com voc\u00eas como movimentos conservadores, que temos visto bem nos dias atuais, t\u00eam como parte de suas estrat\u00e9gias exatamente a criminaliza\u00e7\u00e3o de campos educacionais e culturais, comparando algumas quest\u00f5es da <em>Lei Anti-Oruam<\/em> com as leis contra <em>Ideologia de G\u00eanero<\/em> que vimos pipocar anos atr\u00e1s. Mas antes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Vamos falar um pouco sobre o que \u00e9 cultura?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando vemos essa rela\u00e7\u00e3o de segmenta\u00e7\u00e3o cultural, valores sociais e criminaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais, como falei antes. A no\u00e7\u00e3o de cultura defendida, neste ponto de vista, \u00e9 que existem pr\u00e1ticas que s\u00e3o v\u00e1lidas e outras n\u00e3o deveriam ser aceitas para nosso pa\u00eds e sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Essas leis que tem aparecido por todo o pa\u00eds tamb\u00e9m tem como princ\u00edpio coibir uma idealiza\u00e7\u00e3o de \u201cquem comete um ato il\u00edcito\u201d somente pelo tipo de pr\u00e1tica social que est\u00e1 acontecendo. Aqui temos um v\u00ednculo expl\u00edcito da supress\u00e3o de um tipo de express\u00e3o cultural que, novamente, relaciona-se fortemente \u00e0 cultura perif\u00e9rica e negra. Esta narrativa refor\u00e7a a ideia de que estas pr\u00e1ticas s\u00e3o perigosas e trazem um risco social, pela normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra valores sociais. Dentre elas, uma pauta recorrente, \u00e9 de que este segmento cultural estimula a viol\u00eancia contra a fam\u00edlia e a inf\u00e2ncia, promovendo o crime contra a sociedade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A cultura, longe de ser &#8220;o melhor j\u00e1 produzido&#8221; em uma sociedade, \u00e9 pr\u00e1tica constru\u00edda dentro da sociedade, faz parte de sua identidade m\u00faltipla e, tamb\u00e9m, se relaciona \u00e0 hist\u00f3ria das comunidades de um pa\u00eds. De m\u00fasicas ao cinema, do futebol ao carnaval, de escolas \u00e0 universidade, da ci\u00eancia aos saberes perif\u00e9ricos, quilombolas e ind\u00edgenas, a cultura se faz como cotidiano pr\u00e1tico. E, junto a isto, como disputa de espa\u00e7os e narrativas, na busca de nos constru\u00edrmos como quem somos atualmente. <\/p>\n\n\n\n<h5 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Nossa hist\u00f3ria n\u00e3o se desvincula da produ\u00e7\u00e3o cultural, nossos tra\u00e7os de colonialismo, escravid\u00e3o, mis\u00e9ria e desigualdade social n\u00e3o est\u00e1 apartada de quem somos e de como vivemos, pensamos e constru\u00edmos nosso pa\u00eds.<\/h5>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">O epistemic\u00eddio se inclui dentro deste panorama.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 a partir de uma hierarquiza\u00e7\u00e3o do que pode ou n\u00e3o ser dito e da maneira como expressamos nossa vida, validando ou invalidando quem pode dizer, que o epistemic\u00eddio se coloca. Incluir g\u00eaneros musicais como criminosos \u00e9 apontar que todo um conjunto de viv\u00eancias sociais e produ\u00e7\u00f5es que dizem respeito a popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas &#8211; como as comunidades perif\u00e9ricas e negras brasileiras &#8211; n\u00e3o devem existir e atuar ativamente para suprimi-las de nossa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sueli Carneiro, mais uma vez, aponta a complexidade disto que \u00e9 nomeado epistemic\u00eddio:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para al\u00e9m da anula\u00e7\u00e3o e desqualifica\u00e7\u00e3o do conhecimento dos povos subjugados, o epistemic\u00eddio implica um processo persistente de produ\u00e7\u00e3o da indig\u00eancia cultural: pela nega\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sobretudo a de qualidade; pela produ\u00e7\u00e3o da inferioriza\u00e7\u00e3o intelectual; pelos diferentes mecanismos de deslegitima\u00e7\u00e3o do negro como portador e produtor de conhecimento e pelo rebaixamento da sua capacidade cognitiva; pela car\u00eancia material e\/ou pelo comprometimento da sua autoestima pelos processos de discrimina\u00e7\u00e3o correntes no processo educativo. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O epistemic\u00eddio \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o social que possibilita que as pr\u00e1ticas sociais comuns a uma popula\u00e7\u00e3o, que produzem conhecimento, arte, esporte, trabalho, vida, se extingam. E isto n\u00e3o se delimita apenas \u00e0s pr\u00e1ticas sociais, mas aos pr\u00f3prios sujeitos que vivenciam estas pr\u00e1ticas, haja vista que isto constitui suas identidades, linguagens, hist\u00f3ria, exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Isto \u00e9, o epistemic\u00eddio \u00e9 uma reiterada a\u00e7\u00e3o de apagamento de tudo o que faz uma popula\u00e7\u00e3o &#8211; ou comunidades dentro de uma popula\u00e7\u00e3o &#8211; existir. Nossas identidades s\u00e3o formadas dentro de pr\u00e1ticas culturais. Ao apagar isto, por meio da viol\u00eancia, de leis e normativas, de educa\u00e7\u00e3o, da escrita da hist\u00f3ria e da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento leg\u00edtimo, apagamos n\u00e3o apenas cultura, mas efetivamente <em>pessoas<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Isto porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desqualificar as formas de conhecimento dos povos dominados sem desqualific\u00e1-los tamb\u00e9m, individual e coletivamente, como sujeitos cognoscentes. E, ao faz\u00ea-lo, destitui-lhe a raz\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar o conhecimento considerado leg\u00edtimo ou legitimado. Por isso o epistemic\u00eddio fere de morte a racionalidade do subjugado, sequestrando a pr\u00f3pria capacidade de aprender. \u00c9 uma forma de sequestro da raz\u00e3o em duplo sentido: pela nega\u00e7\u00e3o da racionalidade do Outro ou pela assimila\u00e7\u00e3o cultural que, em outros casos, lhe \u00e9 imposta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Sobre epistemic\u00eddios e massacres<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Pode parecer distante estes dois eventos que estamos abordando neste texto. Vou retomar outro evento, tentando fundamentar mais esta rela\u00e7\u00e3o. A <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-12\/nove-pessoas-morreram-pisoteadas-em-baile-funk-em-sp-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">trag\u00e9dia de Parais\u00f3polis<\/a>, ocorrida em 1\u00ba de dezembro de 2019, que ocasionou a morte de 9 jovens da comunidade, em fun\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o policial no Baile da 17.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Segundo consta, os policiais estavam em persegui\u00e7\u00e3o de suspeitos por roubo de motocicleta e os criminosos teriam usado as pessoas do baile como escudo humano. Por outro lado, esta trag\u00e9dia que teve como decorr\u00eancia o surgimento do projeto Os <a href=\"https:\/\/os9queperdemos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">9 que perdemos<\/a>, tamb\u00e9m foi teve um debate social sobre a exist\u00eancia do baile em si e sua validade como cultura da comunidade. O relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/os9queperdemos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/RelatA%C2%B3rio-parcial-2_Funk-jornais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pancad\u00e3o: uma hist\u00f3ria de repress\u00e3o aos bailes funk de rua na capital paulistana<\/a> aponta, tamb\u00e9m, que a repress\u00e3o aos bailes funks n\u00e3o \u00e9 trivial ou casual. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No relat\u00f3rio consta, por exemplo, que a cobertura midi\u00e1tica sobre os pancad\u00f5es n\u00e3o se vinculam \u00e0s express\u00f5es culturais que ali acontecem. Pelo contr\u00e1rio, sobressaem as not\u00edcias dos &#8220;bailes como problemas p\u00fablicos e produ\u00e7\u00e3o de respostas estatais para o enfrentamento dos problemas&#8221;. Assim, as not\u00edcias aparecem em colunas de opini\u00e3o e abordam regulamenta\u00e7\u00e3o, cultura, ilegalismo e viol\u00eancia policial<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ainda sobre o relat\u00f3rio, consta a <a href=\"https:\/\/dci.unifesp.br\/assessoria-de-imprensa-e-jornalismo\/releases\/relatorio-da-unifesp-analisa-repressao-aos-bailes-funk-e-seus-impactos-na-juventude-negra-e-periferica#:~:text=O%20relat%C3%B3rio%20aponta%20que%20as,alvos%20constantes%20da%20repress%C3%A3o%20estatal.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">falta de dados sobre a viol\u00eancia nestes bailes<\/a> &#8211; o que nos indica que a no\u00e7\u00e3o de que a viol\u00eancia existe e \u00e9 parte deste cen\u00e1rio existe mais no imagin\u00e1rio social do que no levantamento robusto de dados em si. Tal como consta no Relat\u00f3rio:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Funk \u00e9 m\u00fasica e \u00e9 muito mais. E esse \u201cmuito mais\u201d tem muita rela\u00e7\u00e3o com tudo aquilo que<br>se cria e com toda a vida que se dinamiza nos bailes.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, a discuss\u00e3o acerca do funk enquanto espa\u00e7o de viol\u00eancia confronta diretamente a viv\u00eancia plural da juventude perif\u00e9rica que a constr\u00f3i, narra, produz. Se funk \u00e9 mais do que m\u00fasica (e \u00e9), o que se suprime com a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica em si, \u00e9 &#8220;tudo aquilo que se cria e com toda a vida que se dinamiza nos bailes&#8221; tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Finalizando<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Me parece dif\u00edcil finalizar um texto em que foi permeado pela dor e sangue das a\u00e7\u00f5es estatais de nosso pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Busquei tra\u00e7ar alguns paralelos acerca desta cultura de viol\u00eancia, que busca suprimir vidas, m\u00fasica, arte que pulsam nos espa\u00e7os sociais das comunidades. A constru\u00e7\u00e3o de sujeitos como criminosos <em>por ess\u00eancia<\/em>, ou seja, por nascerem, existirem e ocuparem espa\u00e7os de comunidades, \u00e9 discurso corrente. Mas mais do que apenas falas que vemos serem exaltadas, elas efetivamente se transformam em a\u00e7\u00f5es necropol\u00edticas. Produzem mortes reais e legitimadas pelo gatilho que est\u00e1 na m\u00e3o do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Pessoas n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros, n\u00e3o s\u00e3o contribuintes, n\u00e3o s\u00e3o criminosos. S\u00e3o, antes de mais nada, sujeitos nascidos e criados em uma sociedade. Sociedade esta que estipula pap\u00e9is sociais e, depois, atua em cima disto que estipulou, categorizando, promovendo vida, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o; concomitante a isto, promove tamb\u00e9m morte, doen\u00e7a, viol\u00eancia, apagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 fundamental, que dentro de um cen\u00e1rio de horror, compreendamos que o modo como falamos de massacres legitima ou atenua estas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 banal, n\u00e3o deveria ser pass\u00edvel de aceita\u00e7\u00e3o social a morte de mais de 120 pessoas que s\u00e3o, s\u00f3 por existirem onde existem, tomados como descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Um estado que mata pela cor e lugar, \u00e9 um estado que busca a necropol\u00edtica e o epistemic\u00eddio como racionalidade de governo. E este deveria ser um debate central em nossas vidas e lutas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para Saber Mais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ag\u00eancia Assembleia de Not\u00edcias (2025) <a href=\"https:\/\/portal.al.go.leg.br\/noticias\/159896\/amauri-ribeiro-enaltece-acao-policial-e-atuacao-do-governador-do-rio-de-janeiro-no-combate-ao-crime-organizado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amauri Ribeiro enaltece a\u00e7\u00e3o policial e atua\u00e7\u00e3o do governador do Rio de Janeiro no combate ao crime organizado<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Assembleia de Not\u00edcias da Assembleia Legislativa de Goi\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Azevedo, Desir\u00e9e de Lemos et al (2024) Pancad\u00e3o: <a href=\"https:\/\/os9queperdemos.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/RelatA%C2%B3rio-parcial-2_Funk-jornais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma hist\u00f3ria da repress\u00e3o aos bailes funk de rua na capital paulista<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Bond, Letycia (2025) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2025-03\/chacina-de-paraisopolis-pm-diz-nao-ter-visto-moto-em-imagens-gravadas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chacina de Parais\u00f3polis: PM diz n\u00e3o ter visto moto em imagens gravadas<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Campos, Ana Cristina (2025a) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/operacao-no-rio-deixa-18-suspeitos-mortos-e-56-presos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Opera\u00e7\u00e3o no Rio deixa dezenas de mortos e 56 presos<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">___ (2025b) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/castro-operacao-foi-sucesso-e-policiais-mortos-foram-unicas-vitimas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Castro: opera\u00e7\u00e3o foi &#8220;sucesso&#8221; e policiais mortos foram \u00fanicas v\u00edtimas<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Carneiro, Sueli (2023) <strong>Dispositivo de racialidade: a constru\u00e7\u00e3o do outro como n\u00e3o ser como fundamento do ser<\/strong>, Rio de Janeiro: Zahar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Cust\u00f3dio, Rafael (2025) <a href=\"https:\/\/apublica.org\/nota\/lei-anti-oruam-avanca-em-cidades-paulistas-aponta-relatorio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei &#8220;Anti-Oruam&#8221; j\u00e1 foi aprovada em pelo menos tr\u00eas cidades paulistas aponta o relat\u00f3rio<\/a>, <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Gabrielli, Ligia (2024) <a href=\"https:\/\/dci.unifesp.br\/assessoria-de-imprensa-e-jornalismo\/releases\/relatorio-da-unifesp-analisa-repressao-aos-bailes-funk-e-seus-impactos-na-juventude-negra-e-periferica#:~:text=O%20relat%C3%B3rio%20aponta%20que%20as,alvos%20constantes%20da%20repress%C3%A3o%20estatal.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat\u00f3rio da Unifesp analisa repress\u00e3o aos bailes funk e seus impactos na juventude negra e perif\u00e9rica<\/a>, <strong>Departamento de comunica\u00e7\u00e3o institucional<\/strong>, Unifesp<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Machado, Leandro (2019) <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50624480\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 o &#8216;Baile da 17&#8217;, pancad\u00e3o em Parais\u00f3polis onde 9 jovens morreram pisoteados<\/a>, <strong>BBC Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mbembe, Achille (2018) <strong>Necropol\u00edtica<\/strong>, S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Novaes, Dennis (2019) <a href=\"https:\/\/cee.fiocruz.br\/?q=node\/1094\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Parais\u00f3polis: barb\u00e1rie de Estado contra a juventude funkeira<\/a>, <strong>CEE Fiocruz<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Peixoto, Guilherme e Alves, Raoni (2025) <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2025\/10\/30\/governadores-se-reunem-no-rio-para-discutir-seguranca-publica-apos-operacao-com-mais-de-100-mortos.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castro e governadores aliados anunciam &#8216;cons\u00f3rcio da paz&#8217; em reuni\u00e3o no RJ ap\u00f3s megaopera\u00e7\u00e3o<\/a>, <strong>G1 Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Perez, Fab\u00edola (2025) <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2025\/10\/28\/maior-chacina-da-historia-mostra-falencia-do-rj-diz-especialista.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8216;Maior chacina da hist\u00f3ria mostra fal\u00eancia do RJ&#8217;, diz especialista<\/a> <strong>Not\u00edcias UOL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os 9 que perdemos (2019) <strong><a href=\"https:\/\/os9queperdemos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Massacre de Parais\u00f3polis<\/a><\/strong>: Baile da Dz7, Parais\u00f3polis, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Rio de Janeiro (2025) \u200b<a href=\"https:\/\/www.rj.gov.br\/noticias\/governo-do-estado-comanda-maior-operacao-de-seguranca-em-15-anos-e-reforca-combate-ao-narcoterrorismo7327\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Governo do Estado comanda maior opera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a em 15 anos e refor\u00e7a combate ao narcoterrorismo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Soares, Maria Julia Petronilho Peixoto Soares (2025) <a href=\"https:\/\/blogoavesso.wordpress.com\/2025\/02\/18\/projeto-de-lei-anti-oruam-e-o-cerceamento-da-cultura-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto de Lei \u201cAnti-Oruam\u201d e o cerceamento da cultura&nbsp;brasileira<\/a>, <strong>Blog O Avesso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Souza, Pamela Nascimento de (2022) <a href=\"http:\/\/repositorio.ufsm.br\/handle\/1\/23791\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Criminaliza\u00e7\u00e3o do funk e racismo estrutural: a narratividade discursiva nos portais R7 e G1 sobre a trag\u00e9dia de Parais\u00f3polis<\/strong><\/a>, TCC Jornalismo, UFSM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tokarnia, Mariana (2025) <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/acao-no-rio-e-maior-em-15-anos-e-mais-letal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Opera\u00e7\u00e3o no Rio \u00e9 a maior em 15 anos e a mais letal do estado<\/a>, <strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Zibordi, Marcos (2024) <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/visao-do-corre\/pega-a-visao\/documento-historico-relatorio-mostra-criminalizacao-dos-pancadoes-em-sp,e7297795a4b5f73be940a30cc43bc92efb8z5mqn.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Documento hist\u00f3rico, relat\u00f3rio mostra criminaliza\u00e7\u00e3o dos pancad\u00f5es em SP<\/a>, <strong>Terra<\/strong>, 2 de Dezembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Outros textos do PEmCie<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2021\/12\/21\/sobre-tolerancia-violencia-e-humanidades\/\">Sobre toler\u00e2ncia, viol\u00eancia e humanidades<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/05\/22\/ser-humano-determinacoes-biologicas-e-culturais\/\">Ser humano: determina\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e culturais (parte 1)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/08\/16\/quem-e-ser-humano-eugenia-e-racismo\/\">Quem \u00e9 ser humano? Racismo e viol\u00eancia cotidiana<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Na ter\u00e7a-feira, dia 28 de outubro, ainda durante a madrugada, foi iniciada uma opera\u00e7\u00e3o policial que acarretou, oficialmente, em 64 mortes no complexo do Alem\u00e3o <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2025\/10\/31\/cultura-epistemicidios-necropolitica-e-massacres-sociais\/\" title=\"Cultura, epistemic\u00eddios, necropol\u00edtica e massacres sociais\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":296,"featured_media":1673,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[4,375],"tags":[442,441,439,440,443,444,446,438,437],"class_list":["post-1667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-politicas-publicas","tag-cultura-negra","tag-cultura-periferica","tag-funk","tag-hip-hop","tag-letalidade","tag-massacre","tag-necropolitica","tag-operacao-policial","tag-rio-de-janeiro"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2025\/10\/Copia-de-O-sarampo-volta-a-assombrar-o-Brasil.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1667"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1685,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1667\/revisions\/1685"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}