{"id":1697,"date":"2026-08-17T17:00:57","date_gmt":"2026-08-17T20:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=1697"},"modified":"2026-08-17T17:00:59","modified_gmt":"2026-08-17T20:00:59","slug":"faces-atuais-do-hiv-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2026\/08\/17\/faces-atuais-do-hiv-aids\/","title":{"rendered":"As duas faces atuais do HIV\/AIDS: a Confer\u00eancia \u201cAIDS 2026\u201d no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto escrito por: Willian Molina, Lav\u00ednia Schwantes, Jonathan Cardoso e Mariana Amaral<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Brasil sediou a maior confer\u00eancia mundial sobre HIV e AIDS<\/strong><br><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em julho deste ano (2026), o estado do Rio de Janeiro (RJ) entrou para a hist\u00f3ria ao sediar, pela primeira vez na Am\u00e9rica do Sul, a Confer\u00eancia Internacional sobre AIDS: a <em>AIDS 2026<\/em>. Ativistas, pesquisadores, cientistas, gestores p\u00fablicos e pessoas vivendo com HIV se encontraram para discutir sa\u00fade, ci\u00eancia, e direitos humanos relacionados ao HIV e a AIDS\u00b9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema do encontro foi: \u201cRepensar. Reconstruir. Ascender\u201d. Durante a semana do evento, em especial, o v\u00edrus virou pauta recorrente na m\u00eddia brasileira, algo que fazia tempo que n\u00e3o acontecia com tanta for\u00e7a. Not\u00edcias, informa\u00e7\u00f5es atuais, dados, cr\u00edticas, tudo entremeado por esperan\u00e7a, foram frequentes. Entre as pautas espec\u00edficas dos debates do evento estavam: preven\u00e7\u00e3o, novas tecnologias, diagn\u00f3sticos e tratamentos, envelhecimento com o v\u00edrus, sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+, financiamentos internacionais, dados estat\u00edsticos globais e a elimina\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o vertical do v\u00edrus em nosso pa\u00eds. Conquista esta que conferiu ao Brasil o status e a certifica\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) como o maior pa\u00eds das Am\u00e9ricas a alcan\u00e7ar esse feito hist\u00f3rico\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Brasil e a Am\u00e9rica Latina na contram\u00e3o das estat\u00edsticas mundiais de novas infec\u00e7\u00f5es pelo HIV<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com a elimina\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o vertical e sendo refer\u00eancia mundial positiva na resposta ao v\u00edrus, vivemos na contram\u00e3o das estat\u00edsticas internacionais.&nbsp; O novo relat\u00f3rio do Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/AIDS (UNAIDS), lan\u00e7ado na confer\u00eancia <em>AIDS 2026<\/em>, aponta que as infec\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus ca\u00edram em 43% no mundo de 2010 at\u00e9 2025. Mas, no cen\u00e1rio brasileiro, o pa\u00eds registrou aumento de 20% de novas infec\u00e7\u00f5es no mesmo per\u00edodo, sendo um dos 21 pa\u00edses que mais cresceram os casos no mundo\u00b3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas raz\u00f5es podem explicar o aumento no Brasil: registros mais precisos, amplia\u00e7\u00e3o no diagn\u00f3stico, persist\u00eancia do estigma, do preconceito e da desinforma\u00e7\u00e3o, esvaziamento de campanhas de sa\u00fade, disparidade de acesso \u00e0s terapias antirretrovirais e a ideia de que a \u201cAIDS\u201d est\u00e1 superada em nosso pa\u00eds. H\u00e1 muitos outros fatores a se considerar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"554\" height=\"554\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1701\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image.png 554w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-300x300.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-500x500.png 500w\" sizes=\"(max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Unaids Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m entrou no caminho contr\u00e1rio do cen\u00e1rio mundial de diminui\u00e7\u00e3o das novas infec\u00e7\u00f5es virais pelo mundo. Segundo o mesmo relat\u00f3rio da UNAIDS, o aumento de novas infec\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus foi de aproximadamente 25% de 2010 at\u00e9 2025\u00b3. A desigualdade social, em suas m\u00faltiplas faces (econ\u00f4mica, racial, de g\u00eanero, etc), pode ser um dos fatores que mais explicam esse aumento, seja no pa\u00eds, seja na Am\u00e9rica Latina como um todo.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As vulnerabilidades s\u00e3o apagadas pelo preconceito e pela desinforma\u00e7\u00e3o\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que, historicamente, a epidemia n\u00e3o atinge todas as pessoas da mesma forma. A infec\u00e7\u00e3o viral se intensifica em quem j\u00e1 nasce e vive em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade. S\u00e3o popula\u00e7\u00f5es que, estruturalmente, est\u00e3o mais distantes do acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, enfrentando desigualdades sociais, viol\u00eancias de g\u00eanero e sexuais e desamparo social. Essas popula\u00e7\u00f5es marginalizadas ainda s\u00e3o as mais afetadas pelas epidemias. Isso segue acontecendo no Brasil, na Am\u00e9rica Latina e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que estejamos a mais de quatro d\u00e9cadas discutindo e pesquisando sobre o v\u00edrus, ainda continuam existindo a desinforma\u00e7\u00e3o, o estigma, o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o as pessoas vivendo com HIV. Muita gente ainda acredita ser imune, de alguma forma, \u00e0 infec\u00e7\u00e3o viral, e que o v\u00edrus pertence a algumas camadas espec\u00edficas da sociedade, sem levar em considera\u00e7\u00e3o as vulnerabilidades que estas \u201ccamadas sociais\u201d possuem e as barreiras que enfrentam. E \u00e9 por isso que \u201cas vulnerabilidades s\u00e3o apagadas pelo preconceito e pela desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, como colocamos neste subt\u00edtulo..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O imagin\u00e1rio social ainda associa a \u201cAIDS\u201d ao \u201cviado\u201d, \u00e0 \u201cprostituta\u201d, ao\/\u00e0 \u201cprom\u00edscuo\/a\u201d e ao \u201cdrogado\u201d. Segundo a pesquisa de Daniela Riva Knauth e colaboradores (2020), n\u00e3o s\u00e3o poucos os homens h\u00e9teros que se surpreendem com o diagn\u00f3stico, afinal, como se infectar com o v\u00edrus se, segundo eles, eles \u201cn\u00e3o s\u00e3o bichas\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, enquanto n\u00e3o houver pol\u00edticas p\u00fablicas de aten\u00e7\u00e3o e cuidado efetivamente direcionadas aos grupos mais vulner\u00e1veis \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo HIV, mais distantes estes grupos permanecer\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade, como preven\u00e7\u00e3o, testagem e tratamento. Esse distanciamento n\u00e3o apenas amplia o n\u00famero de novos casos, como tamb\u00e9m realimenta, anualmente, as estat\u00edsticas nacionais e globais, mantendo vivo um ciclo que a ci\u00eancia j\u00e1 tem meios de romper (meios cada vez mais eficientes), mas que a desigualdade insiste em perpetuar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tratamentos de ponta e cura X surgimento de novas epidemias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas quest\u00f5es transitaram com mais intensidade no evento <em>AIDS 2026<\/em> e na m\u00eddia. Uma delas afeta, com certeza, de forma direta ou indireta, o Brasil, a Am\u00e9rica Latina e outros pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda: os cortes or\u00e7ament\u00e1rios internacionais. E isso atinge, sobretudo, pa\u00edses da \u00c1frica, nos colocando, enquanto popula\u00e7\u00e3o mundial, mais distante da elimina\u00e7\u00e3o do HIV como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o mencionado relat\u00f3rio da UNAIDS, a redu\u00e7\u00e3o do financiamento e a consequente fragiliza\u00e7\u00e3o dos programas de preven\u00e7\u00e3o colocam em risco o que constru\u00edmos nas \u00faltimas d\u00e9cadas no enfrentamento do HIV. Neste ritmo, estar\u00edamos nos encaminhando para os tempos sombrios vividos nos anos 1980 e 1990, em que n\u00e3o havia sequer a possibilidade de algu\u00e9m conviver com o v\u00edrus e a expectativa de vida era baix\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas palavras do relat\u00f3rio: \u201cA comunidade internacional entrou em um per\u00edodo de profunda turbul\u00eancia pol\u00edtica e financeira que amea\u00e7a d\u00e9cadas de conquistas duramente alcan\u00e7adas na luta contra o HIV\u201d. O financiamento internacional e os cortes em servi\u00e7os comunit\u00e1rios ligados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, principalmente pelo governo Trump dos EUA, registraram uma queda de 8,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2024 para 7,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no ano de 2025. Isso quer dizer: menos recursos para preservativos, tratamentos, fechamento de cl\u00ednicas de atendimento e programas de preven\u00e7\u00e3o, e, por consequ\u00eancia, menos pessoas fazendo uso das terapias antirretrovirais, menos pessoas indetect\u00e1veis, mais circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, infec\u00e7\u00f5es e mortes. Ou seja, um retrocesso de d\u00e9cadas de avan\u00e7o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1705\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-300x200.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-768x512.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-500x333.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-800x533.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-1280x853.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2-272x182.png 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-2.png 1845w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: https:\/\/agenciaaids.com.br\/<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda quest\u00e3o discutida no evento, mais positiva e promissora, \u00e9 a cura da infec\u00e7\u00e3o viral, de forma acess\u00edvel. A t\u00e3o esperada cura, que j\u00e1 registra 13 casos no mundo, e a exist\u00eancia de tratamentos cada vez mais promissores e menos invasivos, como: um \u00fanico comprimido mensal para a profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP), quatro comprimidos para a profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o (PEP), menos comprimidos mensais para o tratamento, medicamentos injet\u00e1veis, uso de c\u00e9lulas-tronco para a cura da infec\u00e7\u00e3o, ou seja, tecnologias inimagin\u00e1veis d\u00e9cadas atr\u00e1s, j\u00e1 s\u00e3o realidade ou est\u00e3o em um futuro bem pr\u00f3ximo. Mas ser\u00e1 que para todas as pessoas e para todas as partes do mundo?<br><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"693\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1706\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3-300x203.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3-768x520.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3-500x338.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-3-800x541.png 800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: https:\/\/agenciaaids.com.br\/<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se por um lado, estamos otimistas com o surgimento de novas tecnologias para barrar ou eliminar o v\u00edrus, por outro lado, nos deparamos com a indisponibilidade de verbas. Afinal, sabemos que tudo esbarra em recursos e financiamentos. E questionamos: Quando o or\u00e7amento falta, quem fica sem acompanhamento e sem tratamento? Assim, estamos diante de um impasse: ou seguimos avan\u00e7ando, com investimento e ci\u00eancia ou retrocedemos para tempos que pens\u00e1vamos ter j\u00e1 superado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00edmpeto do ser humano (ou a cren\u00e7a do ser humano) \u00e9 sempre progredir, avan\u00e7ar, mas, sabemos que nenhuma conquista \u00e9 certa por estar sempre atravessada por estes interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos. \u00c9 uma decis\u00e3o sobre que tipo de mundo ser\u00e1 constru\u00eddo: um com a prioridade de manter um v\u00edrus sob controle e acabar com ele ou um com a possibilidade deste v\u00edrus voltar a ser mortal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E a gente, fica onde nessa hist\u00f3ria?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O marco brasileiro de elimina\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o vertical do v\u00edrus e os debates apontados aqui neste texto contribu\u00edram para trazer a 26\u00b0 Confer\u00eancia da AIDS em nosso pa\u00eds. E a\u00ed, a partir do que discutimos, ficam alguns questionamentos: Quando algumas tecnologias de ponta chegar\u00e3o ao SUS? Que pol\u00edticas p\u00fablicas precisamos elaborar para que a preven\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico e os tratamentos sejam cada vez mais acess\u00edveis? Com os cortes, como ficar\u00e3o os pa\u00edses que mais precisam de ajuda externa? Como podemos compensar os cortes or\u00e7ament\u00e1rios?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o entre as tecnologias de ponta em resposta ao HIV e a realidade dos cortes or\u00e7ament\u00e1rios faz com que estejamos, mais uma vez, vivenciando um distanciamento entre \u201cci\u00eancia\u201d e \u201cpol\u00edtica\u201d. N\u00e3o adianta ter \u201cprogressos cient\u00edficos\u201d se os interesses pol\u00edticos n\u00e3o acompanharem. N\u00e3o adianta um pa\u00eds como o Brasil, de forma isolada, erradicar o v\u00edrus. Vivemos em um mundo globalizado e precisamos ser um coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, ser\u00e1 poss\u00edvel vislumbrar o que se apresenta na Confer\u00eancia <em>AIDS 2026<\/em>, enchendo os olhos de esperan\u00e7a, enquanto alguns acontecimentos em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds, que \u00e9 t\u00e3o desigual, pesam sobre nossas costas e escurecem nossa vista? Como aplaudir as inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas se os desacordos internacionais e as desigualdades que ainda ceifam vidas seguem agindo como amarras em nossas m\u00e3os?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A possibilidade da cura \u00e9, sem d\u00favida, motivo de celebra\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil celebr\u00e1-la quando algumas tecnologias de preven\u00e7\u00e3o, que existem h\u00e1 anos no Brasil, sequer chegam a todas as pessoas em nosso pr\u00f3prio pa\u00eds. Seria como comemorar a grama verde que est\u00e1 florescendo, enquanto ainda tentamos tornar f\u00e9rtil o nosso solo arenoso; est\u00e1 a\u00ed o exemplo da luta pela implementa\u00e7\u00e3o do Lenacapavir (PrEp de longa dura\u00e7\u00e3o) no SUS\u2074.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o que nos \u00e9 dito (e o que j\u00e1 sabemos) continua sendo a realidade que nos atravessa, em qualquer parte do mundo: o HIV ainda est\u00e1 presente. O preconceito, ainda impregnado nas sociedades, age como uma corrente contr\u00e1ria aos avan\u00e7os que a informa\u00e7\u00e3o insiste em promover. A desigualdade tampouco desapareceu; ela continua estampada diante de nossos olhos. Talvez seja esse o principal legado da confer\u00eancia em nosso pa\u00eds e das discuss\u00f5es que tecemos aqui neste blog: a certeza de que as perguntas precisam continuar sendo feitas, de que as vulnerabilidades precisam ser visibilizadas e de que nada, absolutamente nada, est\u00e1 garantido, sobretudo quando a ci\u00eancia e a pol\u00edtica caminham em dire\u00e7\u00f5es opostas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A fim de n\u00e3o perder a esperan\u00e7a\u2026<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O percurso, afinal, est\u00e1 longe de alcan\u00e7ar desfechos. Tampouco \u00e9 uma estrada de tijolos amarelos que conduz, de forma linear, a um \u00fanico destino. A resposta para a epidemia nunca esteve apenas na \u201cdescoberta cient\u00edfica\u201d, mas tamb\u00e9m na capacidade de fazer com que seus frutos alcan\u00e7assem todos os territ\u00f3rios, todos os corpos e todas as vidas. Enquanto houver jardins onde a grama insiste em n\u00e3o nascer por falta de solo f\u00e9rtil, a luta continuar\u00e1 sendo para que ningu\u00e9m precise admirar a esperan\u00e7a apenas do outro lado da cerca.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saiba mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mais informa\u00e7\u00f5es, acesse os links abaixo, referentes aos dados que mencionamos na escrita:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>https:\/\/unaids.org.br\/2026\/07\/unaids-na-26a-conferencia-internacional-de-aids-2026\/\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>https:\/\/www.paho.org\/pt\/noticias\/18-12-2025-oms-certifica-brasil-pela-eliminacao-da-transmissao-do-hiv-mae-para-filho<\/li>\n\n\n\n<li>https:\/\/unaids.org.br\/relatorios-e-publicacoes\/\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li>https:\/\/g1.globo.com\/saude\/noticia\/2026\/07\/27\/ministerio-da-saude-injetavel-que-previne-o-hiv.ghtml<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escute tamb\u00e9m o podcast do G1, intitulado \u201cA volta do fantasma da AIDS no mundo e o aumento de casos no Brasil\u201d, dispon\u00edvel no link: <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/7upscw5WpqV2vMpBYiticY?si=fuPdRNXKSiSEf3EWlzbuPg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/7upscw5WpqV2vMpBYiticY?si=fuPdRNXKSiSEf3EWlzbuPg<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para acessar o trabalho de Daniela Riva e colaboradores, que citamos no texto, utilize a refer\u00eancia: KNAUTH, Daniela Riva et al. O diagn\u00f3stico do HIV\/aids em homens heterossexuais: a surpresa permanece mesmo ap\u00f3s mais de 30 anos de epidemia. Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, v. 36, p. e00170118, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Em julho deste ano (2026), o estado do Rio de Janeiro (RJ) entrou para a hist\u00f3ria ao sediar, pela primeira vez na Am\u00e9rica do Sul, a Confer\u00eancia Internacional sobre AIDS: a AIDS 2026. Ativistas, pesquisadores, cientistas, gestores p\u00fablicos e pessoas vivendo com HIV se encontraram para discutir sa\u00fade, ci\u00eancia, e direitos humanos relacionados ao HIV e a AIDS.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":723,"featured_media":1702,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[105,454],"tags":[352,6,26,455],"class_list":["post-1697","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia-e-sociedade","category-hiv-aids","tag-brasil","tag-ciencia","tag-corpo","tag-hiv-aids"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2026\/08\/image-1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/723"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1697"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1708,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions\/1708"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}