{"id":482,"date":"2019-07-26T12:55:30","date_gmt":"2019-07-26T15:55:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=482"},"modified":"2020-03-19T05:18:06","modified_gmt":"2020-03-19T08:18:06","slug":"metanarrativas-e-pos-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/07\/26\/metanarrativas-e-pos-modernidade\/","title":{"rendered":"Metanarrativas e P\u00f3s-modernidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Explica\u00e7\u00f5es globais, totalizantes ou narrativas mestras s\u00e3o termos comumente utilizados para se referirem a metanarrativas. As discuss\u00f5es concernentes a modernidade e a p\u00f3s-modernidade <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(leia <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/03\/23\/somos-pos-modernos\/\">aqui<\/a> o post anterior!)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> perpassam pelas metanarrativas. Mas, afinal, do que se trata?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Metanarrativas podem ser compreendidas como explica\u00e7\u00f5es gerais, amplas e universalizantes sobre o mundo e a sociedade na qual vivemos. Os ideais e princ\u00edpios da modernidade alicer\u00e7am-se em narrativas mestras. Por exemplo: a constru\u00e7\u00e3o de um sujeito racional; o uso da ci\u00eancia e da tecnologia como fonte de \u201cprogresso\u201d; a \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cautonomia\u201d dos sujeitos; a pol\u00edtica baseada em certezas e, entre outras coisas, o desejo de explica\u00e7\u00f5es com car\u00e1ter totalizante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fim de tornar mais entend\u00edvel, posso tomar a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o como exemplo. No momento em que se busca aplicar uma pedagogia ou um curr\u00edculo escolar que, ambiciosamente, vai dar respostas a todos os anseios e problemas escolares do pa\u00eds podemos dizer que temos, ent\u00e3o, uma metanarrativa educacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outra via, o pensamento p\u00f3s-moderno questiona estes fundamentos, ou princ\u00edpios modernos. Em meio a isso, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, estes pontos fixos ou as bases j\u00e1 estabelecidas da modernidade t\u00eam sido postas em xeque. Esse \u201cadeus \u00e0s metanarrativas\u201d nos possibilita olhar para as micronarrativas, para as quest\u00f5es em menor escala, os pequenos movimentos, reentr\u00e2ncias e acontecimentos que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram suprimidos pelas metanarrativas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se trata aqui de desconsiderar (ou invalidar) todas as pol\u00edticas que possuem car\u00e1ter generalista ou as que se destinam ao n\u00famero elevado de indiv\u00edduos. Entendo, que ao construir estas a\u00e7\u00f5es \u201cmaiores\u201d, tenhamos de atentar para o que dizem as diferentes vozes, inserir os saberes populares, bem como as cren\u00e7as, costumes e tradi\u00e7\u00f5es do grupo social a que se destina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pensar para al\u00e9m das metanarrativas nos abre espa\u00e7o para dialogar tamb\u00e9m com quem, por muito tempo, figurou \u00e0s margens dos livros de hist\u00f3ria, no almoxarifado do processo educativo. Ou seja, n\u00e3o era visibilizado em pesquisas cient\u00edficas e at\u00e9 mesmo no cinema e na televis\u00e3o. Refiro-me aqui aos movimentos e estudos feministas, LGBTQI+, negro, entre outros. As vozes, as ideias, as express\u00f5es e as narrativas destes grupos at\u00e9 ent\u00e3o marginalizados, ganham relevo e passam a figurar nas mais diferentes inst\u00e2ncias por meio dos questionamentos postos pelo p\u00f3s-modernismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, a associa\u00e7\u00e3o entre metanarrativas e p\u00f3s-modernidade, expressa no t\u00edtulo, pode nos fazer pensar no contraste que estabelecem, ou na ant\u00edtese implicitamente sugerida. A p\u00f3s-modernidade (ou o sujeito que pretende se movimentar pelo pensamento p\u00f3s-moderno) implica em n\u00e3o mais prescrever receitas para tudo, mas, sim, assumir um papel em que se coloca como restrita, parcial, vulner\u00e1vel e sujeita a erros; ou seja, um abandono aos grandes moldes, aos grandes relatos, um abandono das metanarrativas.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Para saber mais:<\/span><\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PARA\u00cdSO, M. A. Pesquisas p\u00f3s-cr\u00edticas em educa\u00e7\u00e3o no Brasil: esbo\u00e7o de um mapa. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/%0D\/cp\/v34n122\/22506.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/%0D\/cp\/v34n122\/22506.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SILVA, T. T. O Adeus \u00e0s metanarrativas educacionais. In: ______. (org.) O sujeito da educa\u00e7\u00e3o: estudos foucaultianos. Petr\u00f3polis: Vozes, 1994. p. 247-258.<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"color: #800000;\">Post anterior da s\u00e9rie:<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/03\/23\/somos-pos-modernos\/\">Somos P\u00f3s-modernos<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Explica\u00e7\u00f5es globais, totalizantes ou narrativas mestras s\u00e3o termos comumente utilizados para se referirem a metanarrativas. As discuss\u00f5es concernentes a modernidade e a p\u00f3s-modernidade (leia aqui <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/07\/26\/metanarrativas-e-pos-modernidade\/\" title=\"Metanarrativas e P\u00f3s-modernidade\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":395,"featured_media":483,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[4,64,201],"tags":[202,167,166],"class_list":["post-482","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao","category-pos-modernidade","tag-metanarrativa","tag-pos-modernidade","tag-pos-moderno"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/07\/Blog1-18.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/395"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=482"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":484,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/482\/revisions\/484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}