{"id":497,"date":"2019-09-27T15:24:59","date_gmt":"2019-09-27T18:24:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=497"},"modified":"2019-11-06T08:24:56","modified_gmt":"2019-11-06T11:24:56","slug":"mulheres-na-ciencia-alguns-numeros-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/09\/27\/mulheres-na-ciencia-alguns-numeros-do-brasil\/","title":{"rendered":"Mulheres na ci\u00eancia: alguns n\u00fameros do Brasil."},"content":{"rendered":"<p>Recentemente fui convidada para dois eventos, cujo tema era o lugar das mulheres na ci\u00eancia. Foi um momento importante para eu agrupar alguns dados que tenho lido de forma dispersa e pensar com mais pesquisadoras sobre como a universidade e o meio acad\u00eamico possibilita espa\u00e7os de inser\u00e7\u00e3o para a mulher pesquisadora e\/ou que est\u00e1 tra\u00e7ando esta trajet\u00f3ria para se tornar uma pesquisadora.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">Sobre a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os na academia<\/span><\/h4>\n<p>Quando olhamos os n\u00fameros, aparentemente, o Brasil n\u00e3o est\u00e1 mal no panorama mundial. Por exemplo, o relat\u00f3rio da Unesco, publicado em 2018, sobre <a href=\"http:\/\/uis.unesco.org\/sites\/default\/files\/documents\/fs51-women-in-science-2018-en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulheres na Ci\u00eancia<\/a>, aponta que temos entre 45,1% e 55% de pesquisadoras mulheres (o n\u00famero se refere a profissionais contratados). Al\u00e9m disso, outro dado significativo \u00e9 que 49% das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas brasileiras tiveram, como primeira autoria, pesquisadoras entre 2011 e 2015. Isto representa um aumento incr\u00edvel, quando comparamos aos 38% de publica\u00e7\u00f5es de mulheres, entre os anos de 1996 e 2000.<\/p>\n<p>No entanto, uma das quest\u00f5es recorrentes \u00e9 se este n\u00famero maior de mulheres expressa igualdade de g\u00eaneros dentro da carreira acad\u00eamica. <a href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/4000\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um artigo recente<\/a> apresenta os dados relacionados n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 quantidade de mulheres produzindo ci\u00eancia e \u00e0 quantidade de artigos publicados, mas, tamb\u00e9m, \u00e0 quantidade de mulheres em cargos hier\u00e1rquicos dentro das institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no pa\u00eds e, tamb\u00e9m, a distribui\u00e7\u00e3o de bolsas produtividade por \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">Por outro \u00e2ngulo: ser\u00e1 que estamos mesmo ocupando espa\u00e7os?<\/span><\/h4>\n<p>Assim, um dos dados que apresenta-se interessante \u00e9 o de que Academia Brasileira de Ci\u00eancia apenas 14% das pessoas s\u00e3o mulheres. Sua distribui\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas espec\u00edficas \u00e9:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">8,9% Engenharias, Exatas e Ci\u00eancias da Terra;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">20,4% nas Ci\u00eancias da Vida;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">18,2% nas Humanidades e Ci\u00eancias Sociais Aplicadas;<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Outra quest\u00e3o espec\u00edfica deste artigo, que mostra como existe uma diferen\u00e7a significativa de g\u00eanero na ci\u00eancia brasileira, \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de bolsas produtividade entre pesquisadores. A partir disso, a autora menciona a diferen\u00e7a significativa nesta distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas exatas, engenharias e ci\u00eancias da terra, por exemplo, 20,1% das bolsas produtividade s\u00e3o de mulheres. J\u00e1 nas ci\u00eancias da vida, mulheres t\u00eam 41,3% das bolsas. Nas humanidades e ci\u00eancias sociais aplicadas, 49,7% das bolsas s\u00e3o de mulheres. Isto \u00e9, seguimos com menos mulheres &#8211; especialmente nas \u00e1reas chamadas &#8220;duras&#8221;.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">E nos projetos?<\/span><\/h4>\n<p>Em projetos, tamb\u00e9m temos baixa representatividade de mulheres nas aprova\u00e7\u00f5es acima de 120 mil reais (20% em exatas, engenharias e ci\u00eancias da Terra; 33,9% em ci\u00eancias da vida; 40,3% nas humanidades e sociais aplicadas). Esta quantidade aumenta na faixa de valores menores que 30 mil reais (25,9%; 45,9%; 52,2%, respectivamente).<\/p>\n<p>Estes n\u00fameros se vinculam a editais e an\u00e1lises em que o g\u00eanero \u00e9, sim, expl\u00edcito. Ou seja, para analisar um projeto de pesquisa e valid\u00e1-lo, ou para analisar a possibilidade de bolsa produtividade, se conhece o perfil dos pesquisadores, uma vez que \u00e9 preciso acessar seu curr\u00edculo lattes* para isso.<\/p>\n<p>Ao passo que estamos aumentando em quantidade dentro do meio acad\u00eamico e alcan\u00e7ando quase 50% das publica\u00e7\u00f5es nacionais (que s\u00e3o, via de regra, analisadas anonimamente), estes outros dados nos mostram que ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o a ser ocupado e, legitimamente, validado. Os n\u00fameros se apresentam d\u00edspares quando s\u00e3o acessados nossos g\u00eaneros como dado, o que indica que isto \u00e9 uma vari\u00e1vel importante a ser demarcada. Quero dizer, com isto, que o fato de sermos mulheres \u00e9, sim, um fato observado. Mesmo que de forma n\u00e3o declarada (e muitas vezes n\u00e3o completamente ciente).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">Finalizando<\/span><\/h4>\n<p>Sem muita inten\u00e7\u00e3o de aprofundar na quest\u00e3o, estas duas mesas redondas que participei recentemente &#8211; uma na Semana da Qu\u00edmica (Unicamp) e outra na Semana da Biologia (UFSCar) &#8211; apresentam algumas quest\u00f5es relevantes. Por um lado temos n\u00fameros que demonstram que, sim, mulheres ainda precisam ser avaliadas de forma mais igualit\u00e1ria dentro do meio acad\u00eamico. Por outro lado, temos movimentos desde a gradua\u00e7\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7am a demonstrar interesse pela quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O debate ocorrer dentro de semanas acad\u00eamicas &#8211; bem como em outros espa\u00e7os cient\u00edficos que temos observado &#8211; demonstra que isto n\u00e3o tem sido mais invisibilizado e se torna fundamental tensionar os n\u00fameros e question\u00e1-los sobre o que envolve estas disparidades. Tais estudos vem apontando que esta diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 ao acaso e que existe uma rela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero despontando como parte das an\u00e1lises.\u00a0\u00c9 fundamental que as mulheres e os homens percebam estas diferen\u00e7as e tenham espa\u00e7os para debater se este \u00e9 o modo como gostar\u00edamos de construir o conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>E \u00e9, de fato, se me permitem um apontamento pessoal, incr\u00edvel ver discentes de gradua\u00e7\u00e3o propondo este debate e participando ativamente destas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>*Curr\u00edculo Lattes \u00e9 o curr\u00edculo estruturado e padronizado que se utiliza no Brasil, academicamente, na <em>plataforma Lattes<\/em>, do CNPq, cuja disponibilidade \u00e9 acess\u00edvel e aberta a qualquer pessoa, via internet.<\/p>\n<h4><span style=\"color: #800000;\">Para saber mais<\/span><\/h4>\n<p>Valentova JV, Otta E, Silva ML, McElligott AG. Underrepresentation of women in the senior levels of Brazilian science. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.7717\/peerj.4000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.7717\/peerj.4000<\/a><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800000;\">Outras postagens sobre mulheres no blog<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"entry-title mh-loop-title\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/03\/08\/tornar-se-mulher\/\" rel=\"bookmark\">Tornar-se mulher: na vida e na ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p class=\"entry-title mh-loop-title\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/02\/11\/corpo-da-mulher-ciencia-producao-e-vida-pessoal-parte-6\/\" rel=\"bookmark\">Corpo da mulher: ci\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o e vida pessoal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Recentemente fui convidada para dois eventos, cujo tema era o lugar das mulheres na ci\u00eancia. Foi um momento importante para eu agrupar alguns dados que <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/09\/27\/mulheres-na-ciencia-alguns-numeros-do-brasil\/\" title=\"Mulheres na ci\u00eancia: alguns n\u00fameros do Brasil.\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":296,"featured_media":507,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[105,17],"tags":[6,216,215,219,214,218,217],"class_list":["post-497","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia-e-sociedade","category-genero-e-sexualidade","tag-ciencia","tag-cnpq","tag-genero-e-ciencia","tag-mulheres-cientistas","tag-mulheres-na-ciencia","tag-mulheres-pesquisadoras","tag-pequisa"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/09\/Blog1-32.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=497"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":506,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497\/revisions\/506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}