{"id":62,"date":"2017-12-15T23:48:11","date_gmt":"2017-12-16T01:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=62"},"modified":"2019-02-11T20:02:00","modified_gmt":"2019-02-11T22:02:00","slug":"genero-sexualidade-escola-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2017\/12\/15\/genero-sexualidade-escola-1\/","title":{"rendered":"Precisamos falar de sexualidade e g\u00eanero na escola? (parte 1)"},"content":{"rendered":"<p>T\u00e3o em pauta nos dias de hoje, a ideia de se trabalhar g\u00eanero e sexualidade nas escolas tem gerado pol\u00eamica e muita confus\u00e3o em diferentes espa\u00e7os sociais. Por um lado, h\u00e1 quem defenda que abordar g\u00eanero e sexualidade na escola \u00e9 incentivar pr\u00e1ticas &#8220;imorais&#8221;. Isto se contraporia ao que deveria ser obriga\u00e7\u00e3o somente das fam\u00edlias destas crian\u00e7as e adolescentes. Por outro lado, h\u00e1 um longo debate que aponta a necessidade de isto ser uma pol\u00edtica p\u00fablica escolar. Isto se daria em fun\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de sa\u00fade, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos diferentes modos de viver e existir em nossa sociedade.<br \/>\nSer\u00e1 que existe mesmo a necessidade de falarmos disso em nossa sociedade e, em especial, na escola?<\/p>\n<p>Bom&#8230; Vou abordar isto em postagens divididas em v\u00e1rias partes, para pensarmos algumas coisas juntos&#8230; Neste primeiro post, apontarei um pouco da quantidade de componentes que constituem isto que chamamos de g\u00eanero e sexualidade. Posteriormente, tratarei de algumas particularidades e, por fim, falarei disto dentro das quest\u00f5es escolares e de ensino, ok?<\/p>\n<p>Inicialmente, \u00e9 importante delimitar que estes conceitos n\u00e3o s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es recentes, com intuito de promover devassid\u00e3o e promiscuidade no mundo. Muito menos que, ao trabalhar com o conceito de g\u00eanero e sexualidade como constru\u00e7\u00e3o social, estamos negando caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas que nos constituem como seres humanos. O que se tem buscado apontar \u00e9 que existe uma constitui\u00e7\u00e3o que \u00e9 &#8220;biossocial&#8221;. Como assim? Existem sim caracter\u00edsticas biologicamente definidas, mas que s\u00e3o complexas e dependem de muitos fatores &#8211; gen\u00e9ticos, epigen\u00e9ticos, ambientais, hormonais, moleculares&#8230; Se formos observar apenas os fatores biol\u00f3gicos, j\u00e1 teremos uma gama de diversidade de comportamentos e caracter\u00edsticas relacionadas \u00e0 sexualidade e ao g\u00eanero de nossa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Levando-se em conta as quest\u00f5es sociais, temos debatido g\u00eanero e sexualidade como conceitos constru\u00eddos socialmente. O que isto significa? Que os modos como compreendemos e lidamos com as express\u00f5es dos desejos, viv\u00eancias, interesses se relaciona com diferentes inst\u00e2ncias sociais. Isto inclui: as concep\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia, dos ensinamentos religiosos, da escola, dos grupos de amigos, da m\u00eddia, da ci\u00eancia, etc. Em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, por exemplo, este conjunto de compreens\u00f5es e viv\u00eancias sociais e culturais, aliada \u00e0 diversidade biol\u00f3gica (que apontei anteriormente), n\u00e3o podem ser enquadradas em apenas dois modos de ser humano: homem e mulher (ignorando, ainda todas as quest\u00f5es relacionadas ao que se conhece &#8211; e desconhece &#8211; como intersexo). Muito menos restringir a estas duas categorias, um jeito estanque de nos compreendermos.<\/p>\n<p>Deste modo, hoje o debate gira em torno da exist\u00eancia da diversidade &#8211; biol\u00f3gica e social &#8211; de ser e viver. N\u00e3o existem categorias t\u00e3o fixas &#8211; nem sociais, nem biol\u00f3gicas &#8211; que podem delimitar &#8220;o que \u00e9 mesmo&#8221; ser homem e mulher. Isso inclui gostos por cores, of\u00edcios, \u00e1reas de conhecimento, esportes, ou aptid\u00e3o para trabalhos dom\u00e9sticos e\/ou t\u00e9cnicos, que demandam esfor\u00e7o f\u00edsico e\/ou intelectual, etc.).<\/p>\n<p>Apenas para finalizar, antes de discutir se \u00e9 &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221; a n\u00e3o-identifica\u00e7\u00e3o com determinados g\u00eaneros, ou viv\u00eancias sexuais e afetivas, moral ou imoral, talvez seja o caso (e \u00e9 o que tratarei nas pr\u00f3ximas postagens) de pensarmos se o que n\u00f3s achamos certo e errado deve ser obrigat\u00f3rio para outros sujeitos que convivem em nossa sociedade &#8211; e este tem sido o grande impasse atual. Assim, a abordagem deste tema, dentro de uma perspectiva das ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da sa\u00fade, bem como das ci\u00eancias humanas, para se pensar a escola e suas pr\u00e1ticas cotidianas ter\u00e1, nas postagens que seguir\u00e3o a esta, como pressuposto b\u00e1sico o fato de que somos seres em constante modifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o. E, mais do que isso, em qualquer situa\u00e7\u00e3o e debate\u00a0<strong>a toler\u00e2ncia e o respeito pelo ser humano s\u00e3o o ponto de partida.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800000\">Para saber mais<\/span><\/strong>:<\/p>\n<p>Jablonka, Eva; Lamb, Marion. 2010.\u00a0<strong>Evolu\u00e7\u00e3o em Quatro Dimens\u00f5es<\/strong>. Companhia das Letras.<\/p>\n<p>Louro, Guacira Lopes. 2008. G\u00eanero e Sexualidade: pedagogias contempor\u00e2neas.\u00a0<strong>Pro-Posi\u00e7\u00f5es<\/strong>, v. 19, n. 2 (56) &#8211; maio\/ago. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/pp\/v19n2\/a03v19n2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/pp\/v19n2\/a03v19n2.pdf<\/a>. Acesso em: 15\/12\/2017<\/p>\n<p>Menezes, Aline.B.; Brito, Regina C.Z.; Henriques, Alda L. 2010. Rela\u00e7\u00e3o entre G\u00eanero e Orienta\u00e7\u00e3o Sexual a partir da Perspectiva Evolucionista.\u00a0<strong>Psicologia: Teoria e Pesquisa<\/strong> Abr-Jun, Vol. 26 n. 2, pp. 245-252. Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ptp\/v26n2\/a06v26n2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ptp\/v26n2\/a06v26n2<\/a>. Acesso em 15\/12\/2017.<\/p>\n<p><strong>Quer ler o pr\u00f3ximo post do tema?<\/strong><\/p>\n<p>Precisamos falar de g\u00eanero e sexualidade na escola? (parte 2):<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/01\/09\/genero-sexualidade-escola-2\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/01\/09\/genero-sexualidade-escola-2\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>T\u00e3o em pauta nos dias de hoje, a ideia de se trabalhar g\u00eanero e sexualidade nas escolas tem gerado pol\u00eamica e muita confus\u00e3o em diferentes <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2017\/12\/15\/genero-sexualidade-escola-1\/\" title=\"Precisamos falar de sexualidade e g\u00eanero na escola? 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