{"id":682,"date":"2020-11-03T22:16:56","date_gmt":"2020-11-04T01:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=682"},"modified":"2022-07-04T17:48:12","modified_gmt":"2022-07-04T20:48:12","slug":"nos-mulheres-como-a-cigarra-uma-nota-sobre-a-cultura-do-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/11\/03\/nos-mulheres-como-a-cigarra-uma-nota-sobre-a-cultura-do-estupro\/","title":{"rendered":"N\u00f3s, mulheres, como a cigarra: uma nota sobre a Cultura do Estupro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify eplus-wrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Mulher menina\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/playlist\/1Xn5aFNVSqC6xINWWXlNAQ?si=xkXtdMC-QU6JYrvaDfXkOA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Tu podes ler escutando esta playlist que eu montei pr\u00e1 ti<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando falamos sobre um aspecto de nossas vidas cotidianas e a nomeamos de \u201ccultura de [alguma coisa]\u201d estamos tratando de um conjunto de pr\u00e1ticas humanas que comp\u00f5em nossa sociedade e fazem parte de sua rotina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o pequenas e constituem nosso modo de ver e pensar o mundo desde que nascemos. Por isso mesmo, s\u00e3o dif\u00edceis muitas vezes de serem percebidas. Constituem de maneira t\u00e3o corriqueira nossa sociedade, que naturalizamos como \u201cs\u00f3 piada\u201d, \u201cs\u00f3 jeito de dizer\u201d, \u201csem querer\u201d, \u201cs\u00f3 discurso, mas na pr\u00e1tica \u00e9 outra coisa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Os discursos&#8230; N\u00e3o, eles n\u00e3o s\u00e3o falas \u00e0 toa<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O problema com discursos, no entanto, \u00e9<strong> que eles s\u00e3o pr\u00e1ticas<\/strong> &#8211; eles fazem quem somos e como vivemos na fala e no ato. Essa divis\u00e3o entre pensamento e a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem t\u00e3o simples, nem t\u00e3o demarcada quanto pensamos. Isto \u00e9, ao constitu\u00edrem o modo como indiv\u00edduos de uma sociedade tomam decis\u00f5es &#8211; a partir do que pensam, escutam e reproduzem &#8211; pensamentos tornam-se, sim, pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Cultura, neste sentido, \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas &#8211; pensadas, faladas e vividas &#8211; em realidades concretas, vidas presentes, carne e corpo de gente, que vive e experiencia tentando ser um pouco como a cigarra &#8211; cantada por Mercedes Sosa &#8211; mas sem agradecer aos seus algozes (ainda que siga cantando pela esperan\u00e7a de se fazer t\u00e3o forte quanto viva)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Sabe a f\u00e1bula da Cigarra?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aquela \u00e9 julgada por cantar? Ou, talvez, por n\u00e3o trabalhar (dentro do que se julga trabalho), por estar fora do que se almeja de padr\u00e3o de um conjunto algoz, t\u00e3o submetido quanto opressor? Julgada e, por isso, deixada \u00e0 morte &#8211; n\u00e3o sem antes escutar que morrer\u00e1 por ter cantado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Na voz de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yzUAUv16x6k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mercedes Sosa, a poesia de Maria Elena Walsh a hist\u00f3ria da Cigarra <\/a>\u00e9 eternizada, dando a perspectiva da mulher &#8211; que tantas vezes mataram, tantas vezes morreu mas segue ressucitando (e cantando).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cCantando al sol,<br>Como la cigarra,<br>Despu\u00e9s de un a\u00f1o<br>Bajo la tierra,<br>Igual que sobreviviente<br>Que vuelve de la guerra\u201d<\/p><p><sup>(Cantando para o sol \/ Como a cigarra \/ Depois de um ano \/ Subterr\u00e2neo \/ Como sobrevivente \/ Quem retorna da guerra)<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">A Cultura do Estupro \u00e9 o que faz necess\u00e1rio o ciclo da cigarra<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sim, \u00e9 isso mesmo que tu leste&#8230; A Cultura do Estupro \u00e9 o que faz necess\u00e1rio o ciclo da cigarra: que morre, sofre, esconde-se e volta da guerra (ou do inverno da vida), cantando &#8211; mais e mais forte. Mas embora sua voz ressoe com uma for\u00e7a pr\u00f3pria e resgate mais e mais mulheres para cantarmos juntas, seguem nos matando, seguimos morrendo, precisando nos resguardar, um tempo, sermos resgatadas para voltarmos, cantando:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cY a la hora del naufragio<br>Y a la de la oscuridad<br>Alguien te rescatar\u00e1,<br>Para ir cantando\u201d<\/p><p><sup>(E na hora do naufr\u00e1gio \/ E para o que est\u00e1 a obscuridade \/ Algu\u00e9m vai te resgatar \/ Para ir cantar)<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">A Cultura do Estupro \u00e9 legitimar a morte<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A Cultura do Estupro \u00e9 o que legitima que se mate. Todavia, mesmo quando se mata t\u00e3o mal &#8211; \u00e9 o que legitima que nos sintamos agradecidas por termos sido mal apunhaladas, por conseguirmos seguir cantando (como canta Sosa, no in\u00edcio desta can\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTantas veces me mataron<br>Tantas veces me mor\u00ed<br>Sin embargo estoy aqu\u00ed resucitando<br>Gracias doy a la desgracia y a la mano con pu\u00f1al<br>Porque me mat\u00f3 tan mal<br>Y segu\u00ed cantando\u201d<\/p><p><sup>(Tantas vezes eles me mataram \/ Tantas vezes eu morri \/ Ainda estou aqui ressuscitando \/ Agrade\u00e7o o infort\u00fanio e a m\u00e3o com uma adaga \/ Porque isso me matou t\u00e3o mal \/ E eu segui cantando)<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando falamos em cultura do estupro, estamos falando destas pr\u00e1ticas cotidianas de agradecimento minimizando viol\u00eancias e subjetifica\u00e7\u00f5es que nos tornam menores perante \u00e0 sociedade. <strong>Como assim, agradecimento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background has-small-font-size eplus-wrapper\"><strong><s>Sim, essa coisa de estupra, mas n\u00e3o mata. <\/s><\/strong><s><strong>Bate, entretanto<\/strong>, <\/s><strong><s>deixe viva (por favor). Ufa, ao menos o &#8220;pior n\u00e3o aconteceu&#8221; (fomos &#8220;s\u00f3 violadas&#8221;. Que al\u00edvio!), \u00e9 s\u00f3 nosso corpo sendo dilacerado. Menos mal.<\/s><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o estamos falando (e talvez isso seja dif\u00edcil de ser compreendido as vezes) <strong>do estupro em si. <\/strong>Mas de tudo o que permite que ele aconte\u00e7a, todas as pequenas a\u00e7\u00f5es cotidianas que nos apunhalam &#8211; mesmo que nos apunhalem t\u00e3o mal que sigamos vivendo. Estamos falando de viver no subterr\u00e2neo sendo desmerecidas como seres humanos &#8211; como se f\u00f4ssemos inferiores.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Corpo &#8211; objeto<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 uma objetifica\u00e7\u00e3o, que torna nosso corpo <strong>coisa\/objeto<\/strong> que, portanto, pode ser possu\u00edda (por ser objeto). Pode, tamb\u00e9m, ser descartado &#8211; como algo que n\u00e3o nos serve mais, uma roupa que ficou fora de moda, sei l\u00e1. Dessa forma, objetificar mulheres e seus corpos \u00e9 tirar sua humanidade. Podemos, assim, ser julgadas \u00fateis e descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Este \u00e9 um aspecto da Cultura de Estupro. Mas, outro, tamb\u00e9m, \u00e9 negar nossos desejos a n\u00f3s mesmas &#8211; como objetos que somos, nosso prop\u00f3sito \u00e9 atender aos desejos e vontades dos outros (os homens). Tal como a Formosa, de Vin\u00edcius de Moraes &#8211; a quem se diz&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cFormosa, n\u00e3o faz assim,<br>carinho n\u00e3o \u00e9 ruim,<br>mulher que nega,<br>n\u00e3o sabe n\u00e3o,<br>t\u00eam uma coisa de menos<br>no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o s\u00f3 objetos, mas objetos estragados que, por n\u00e3o aceitar um carinho imposto, nos falta algo. Este exemplo t\u00e3o emblem\u00e1tico \u00e9 para que sempre nos lembremos que reside nos \u00edcones a misoginia e que nem s\u00f3 de funk vive  a Cultura do Estupro deste pa\u00eds, nem s\u00f3 de <em>surubinha de leve<\/em> se criam dizeres que nos violentam.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\"><strong>E, porque, este tema novamente?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em caso \u201crecente\u201d do julgamento do estupro de Mariana Ferrer, vimos o advogado de defesa de Andr\u00e9 Aranha narrar Mariana Ferrer como esta mulher que tira fotos sensuais (em poses ginecol\u00f3gicas disse o advogado), est\u00e1 sem emprego, deve dinheiro. \u201c<a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2020\/11\/03\/influencer-mariana-ferrer-estupro-culposo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vive disso<\/a>\u201d (de desgra\u00e7ar o nome dos homens).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A mulher em um processo em que \u00e9 a v\u00edtima, passa a r\u00e9 por sua vida pregressa ao crime que sofreu. Ao chorar e apontar que estava se defendendo sem ter cometido crime, <strong>NENHUM DOS HOMENS PRESENTES (promotor e juiz) <\/strong>se posicionam (a n\u00e3o ser para afirmar que ela poderia se recompor do choro). A Cultura do Estupro \u00e9 o que faz um Minist\u00e9rio P\u00fablico falar em um ato \u201csem inte\u00e7\u00e3o de ter sido cometido\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando bradamos por justi\u00e7a por Mariana Ferrer, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por Mariana Ferrer &#8211; \u00e9 por todas as mulheres que s\u00e3o cotidianamente violentadas. \u00c9 por n\u00e3o tomarmos este caso como isolado. \u00c9 por sabermos que isto \u00e9 cultura. E sabemos na pele, dilacerada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Quando cantamos?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Quando temos que cantar que nosso corpo \u00e9 aviltado pelo Estado, pela sociedade, pelos indiv\u00edduos<\/strong> \u00e9 por vermos Mariana Ferrer ser acusada de ter sido estuprada. \u00c9 pelo seu corpo n\u00e3o poder pertencer a ela. Um estupro \u00e9 o roubo do nosso corpo, viola\u00e7\u00e3o do que nunca poderia ser nosso. \u00c9 uma viol\u00eancia de poder, de hierarquia, que sempre p\u00f5e em d\u00favida nossa \u00edndole, nossas rela\u00e7\u00f5es anteriores, nossos atos sociais, nossa disponibilidade, nosso trabalho ou sua falta. Tem filhos? J\u00e1 deu, todo mundo sabe que gosta da fruta. Nossa, n\u00e3o tem filhos e n\u00e3o \u00e9 virgem? Mais uma megera ego\u00edsta, assim \u00e9 bom que aprende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mulheres que querem seguir cantando, saindo do naufr\u00e1gio ou da obscuridade, mas precisam sempre e toda a vez, explicarem seu canto e porqu\u00ea, afinal de contas, n\u00e3o morremos e insistimos em seguir n\u00e3o morrendo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando falamos que queremos ocupar o espa\u00e7o p\u00fablico, queremos nosso corpo respeitado, \u00e0 mostra, nosso e para n\u00f3s \u00e9 mais do que um exibicionismo barato ou empoderamento particular e individual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Quando queremos aparecer<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Com o perd\u00e3o da longa cita\u00e7\u00e3o (Butler, 2018):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00e3o somos simplesmente fen\u00f4menos visuais uns para os outros &#8211; nossas vozes precisam ser registradas e, ent\u00e3o, precisamos ser ouvidos; ou melhor, quem somos, corporalmente, j\u00e1 \u00e9 uma maneira de ser \u201cpara\u201d o outro, aparecendo de formas diversas, que n\u00e3o podemos ver nem ouvir; isto \u00e9, nos tornamos dispon\u00edveis, corporalmente, para um outro cujas perspectivas n\u00e3o podemos antecipar me controlar antecipadamente. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background has-small-font-size eplus-wrapper\"><strong>[Calma, pausa para respirar&#8230; Como assim n\u00e3o podemos controlar antecipadamente? Respira e continua]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Dessa maneira, eu sou, como um corpo, e n\u00e3o apenas para mim mesma, e nem mesmo primariamente para mim mesma, mas eu me encontro, se me encontrar de todo, constitu\u00edda e desalojada pela perspectiva dos outros. Ent\u00e3o, para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, devo aparecer diante dos outros de modos que n\u00e3o posso conhecer, e, desse modo, meu corpo \u00e9 estabelecido por mim. Esse \u00e9 um ponto importante porque n\u00e3o trata do caso de o corpo estabelecer apenas minha pr\u00f3pria perspectiva, ele \u00e9 tamb\u00e9m o que desloca essa perspectiva e transforma esse deslocamento em necessidade. Isso acontece mais claramente quando pensamos sobre corpos que agem juntos. <strong>Nenhum corpo estabelece o espa\u00e7o de aparecimento, mas essa a\u00e7\u00e3o, esse exerc\u00edcio performativo, acontece apenas \u201centre\u201d corpos, em um espa\u00e7o que constitui o hiato entre o meu pr\u00f3prio corpo e o do outro<\/strong>.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Sobre o corpo no espa\u00e7o pol\u00edtico<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao falar do aparecimento do corpo no espa\u00e7o pol\u00edtico, Butler aponta para estes significados de uns e outros, como forma de resist\u00eancia ao que est\u00e1 posto como leg\u00edtimo. O <strong>\u201cestar dispon\u00edvel\u201d <\/strong>n\u00e3o como objeto, mas como conjunto para luta e resist\u00eancia ao espa\u00e7o que queremos ocupar socialmente. \u201cCorpos que agem juntos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Lutar contra a cultura do estupro &#8211; e resistir e levantar voz a isto &#8211; \u00e9 cantarmos juntas, n\u00e3o como uma cigarra, mas v\u00e1rias. Que n\u00e3o sucumbem, que se resgatam, que mostram a si mesmas ano ap\u00f3s ano, inverno ap\u00f3s inverno, aparecendo em um espa\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 julgado como nosso e para n\u00f3s &#8211; mas que n\u00f3s ocuparemos mesmo assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background eplus-wrapper\"><strong>JUNTAS ESTAMOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Para saber mais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Alves, Shirley, <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2020\/11\/03\/influencer-mariana-ferrer-estupro-culposo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Julgamento de influencer Mariana Ferrer termina com senten\u00e7a in\u00e9dita de \u2018estupro culposo\u2019 e advogado humilhando jovem<\/a>, <strong>The Intercept Brasil, <\/strong>3 de Novembro de 2020<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Butler, Judith (2018) <strong>Corpos em alian\u00e7a e a pol\u00edtica das ruas:<\/strong> notas para uma teoria performativa de assembl\u00e9ia, Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Walsh, Maria Elena <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yzUAUv16x6k\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Como la cigarra <\/strong><\/a>(Can\u00e7\u00e3o cantada por Mercedes Sosa)<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Moraes, Vinicius <strong>Formosa <\/strong>(Can\u00e7\u00e3o cantada por muitos artistas brasileiros).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\">Outros textos do blogs com este tema<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/01\/19\/cultura-do-estupro-1\/\">Sobre a Cultura do Estupro: senta aqui, vamos conversar\u2026<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2018\/03\/15\/mulher-um-ato-politico\/\">Mulher: um ato pol\u00edtico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2019\/05\/01\/corpo-da-mulher-objetificacao-e-posse-de-si\/\">Corpo da mulher: objetifica\u00e7\u00e3o e posse de si<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Quando falamos sobre um aspecto de nossas vidas cotidianas e a nomeamos de \u201ccultura de [alguma coisa]\u201d estamos tratando de um conjunto de pr\u00e1ticas humanas <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/11\/03\/nos-mulheres-como-a-cigarra-uma-nota-sobre-a-cultura-do-estupro\/\" title=\"N\u00f3s, mulheres, como a cigarra: uma nota sobre a Cultura do Estupro\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":296,"featured_media":690,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[141,4,17],"tags":[280,26,5,28,30,100,29,278],"class_list":["post-682","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corpo","category-cultura","category-genero-e-sexualidade","tag-justicapormarianaferrer","tag-corpo","tag-cultura","tag-cultura-do-estupro","tag-estudos-feministas","tag-estupro","tag-feminismo","tag-mariana-ferrer"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-03-at-23.40.48.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/users\/296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=682"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/682\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1272,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/682\/revisions\/1272"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media\/690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}