{"id":768,"date":"2021-03-03T11:36:59","date_gmt":"2021-03-03T14:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/?p=768"},"modified":"2021-03-03T16:36:34","modified_gmt":"2021-03-03T19:36:34","slug":"como-pensamos-os-sistemas-de-pensamento-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2021\/03\/03\/como-pensamos-os-sistemas-de-pensamento-na-historia\/","title":{"rendered":"Como pensamos?                      Os sistemas de pensamento na hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esta pergunta do t\u00edtulo, voc\u00ea deve imediatamente imaginar que este texto ir\u00e1 buscar l\u00e1 nas teorias de neuroci\u00eancia como se processam as informa\u00e7\u00f5es, os dados e o nosso pensamento dentro da nossa cabe\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 bem isso que vamos propor. Aqui, vamos focar na ideia mais filos\u00f3fica do pensamento. J\u00e1 parou pra pensar na forma como pensamos? No sistema de pensamento que usamos? N\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[<em>Primeiro, espa\u00e7o para #publi&#8230; Antes de come\u00e7ar este texto, quero, de imediato, convidar voc\u00eas a ouvirem nossa primeira temporada do podcast Pensando com PemCie que est\u00e1 em todas plataformas de m\u00fasica e vai tratar de diferentes temas como este que coloco aqui.<\/em>]<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Voltando \u00e0s perguntas: vamos usar um exemplo<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea est\u00e1 pedalando na rua (espero que do lado certo de acordo com as normas de tr\u00e2nsito). Ent\u00e3o, v\u00ea ao longe que algu\u00e9m est\u00e1 saindo da cal\u00e7ada e come\u00e7ando a atravessar na sua frente. Ao observar aquela a\u00e7\u00e3o, voc\u00ea imediatamente parte para uma decis\u00e3o: vira o guid\u00e3o pro lado e desvia da pessoa; ou d\u00e1 uma buzinadinha para a pessoa te ver; ou d\u00e1 um grito \u201cei\u201d; talvez ainda, freia bruscamente bem perto da pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todas essas possibilidades, voc\u00ea usou o seu racioc\u00ednio r\u00e1pido para evitar atingir aquela pessoa e agiu rapidamente com a coordena\u00e7\u00e3o motora dos bra\u00e7os, da voz, ou das m\u00e3os (para buzinar ou frear). Usamos tamb\u00e9m este \u201cracioc\u00ednio\u201d em situa\u00e7\u00f5es de nosso cotidiano.&nbsp; Quando precisamos resolver quest\u00f5es, buscar solu\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"has-text-align-center has-white-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background wp-block-heading\"><strong>Vamos utilizar a bike num outro exemplo. Digamos que voc\u00ea estava andando e \u201cpuf\u201d, um dos pneus da sua bicicleta furou. Algo ocorreu, o que voc\u00ea faz?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez, depois de esbravejar um pouco, claro (ningu\u00e9m \u00e9 de ferro!)&#8230; Voc\u00ea analisa o estrago e tenta pedalar mais um pouco, mas logo percebe que n\u00e3o vai rolar porque o pneu logo murcha e voc\u00ea est\u00e1 a 5 km de casa. A roda tamb\u00e9m n\u00e3o aguentaria girar tanto sem ele. Voc\u00ea n\u00e3o tem instrumentos de troca de pneu e muito menos uma c\u00e2mera reserva. N\u00e3o avista nenhuma borracharia perto. Seus familiares n\u00e3o tem carro para ir busc\u00e1-lo. O neg\u00f3cio \u00e9 ligar pro parceiro que tem bike tamb\u00e9m e que poderia te acudir. Mas o cara n\u00e3o atendeu. A op\u00e7\u00e3o vai ser voc\u00ea caminhar empurrando a bike at\u00e9 em casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o seu (e nosso!) modo de pensar. Isto \u00e9 observamos, analisamos, pensamos possibilidades, tiramos conclus\u00f5es, decidimos metas e, por fim, agimos. \u00c9 a este \u201csistema de pensamento\u201d que eu me referia l\u00e1 no in\u00edcio do texto. Se voc\u00ea reparar, sempre pensamos assim. Ou quase sempre! \u00c0s vezes, o impulso parece n\u00e3o ser assim racional (sei l\u00e1&#8230;, o tal do sentimento de logo beijar a garota ou o garoto n\u00e3o passa por essa raz\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?).<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sistema de Pensamento<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Fazendo uma an\u00e1lise de todas estas situa\u00e7\u00f5es, podemos dizer que este \u00e9 um sistema de pensamento. \u00c9 o que o fil\u00f3sofo Michel Foucault tratou pelo conceito de <strong>episteme <\/strong>e est\u00e1 bem vinculado, no nosso tempo presente, ao modo como a ci\u00eancia se processa, a este modo anal\u00edtico trabalhado pela produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A episteme \u00e9 o solo positivo em que repousam os dom\u00ednios de saber, \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o dos modos elementares de uma cultura e como ela produz seus saberes e suas pr\u00e1ticas. Ou seja, segundo Foucault (2009, p. 126), \u00e9 a episteme de cada momento hist\u00f3rico \u201cque permite escolher, entre todos os enunciados poss\u00edveis, aqueles que poder\u00e3o ser aceit\u00e1veis no interior, n\u00e3o digo de uma teoria cient\u00edfica, mas de um campo de cientificidade, e a respeito de que se poder\u00e1 dizer: \u00e9 falso, \u00e9 verdadeiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Complicou? Para ajudar, voc\u00ea pode resgatar o texto do Pedro Leal (<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/08\/10\/epistemes-e-alienigenas\/\">Epistemes e alien\u00edgenas<\/a>) aqui no blog. Ele traz exemplos dessa discuss\u00e3o tamb\u00e9m. Ou pode ler o artigo cient\u00edfico de PRADO (2014), que tamb\u00e9m analisou, filosoficamente, o livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Bom, a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental contempor\u00e2nea se desenvolveu sob a episteme moderna que contempla este nosso modo de pensar a\u00ed. E voc\u00ea j\u00e1 se perguntou se a esp\u00e9cie humana \u201csempre pensou\u201d deste modo? Quero dizer, ser\u00e1 que sempre tivemos este sistema de pensamento da episteme moderna? Sempre existiu esse modo de racioc\u00ednio sobre o que nos acontece e sobre as coisas do mundo? Essa pergunta \u00e9 respondida em parte no livro As Palavras e as Coisas de Foucault.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para saber mais: podcast Pensando com PEmCie<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea quiser saber um pouco sobre as epistemes que tivemos, vou fazer uma sugest\u00e3o. O nosso grupo de pesquisa aceitou o desafio de ler o livro, discutir e filosofar sobre ele, gravando podcasts de cada cap\u00edtulo pra voc\u00eas. \u00c9 a primeira temporada do <strong>Pensando com PemCie<\/strong>, que tem 12 epis\u00f3dios. Est\u00e1 nas plataformas <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/6xjmy5pbbDYG31GDBS9MIK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Spotify<\/a>\u2122, <a href=\"https:\/\/www.deezer.com\/br\/show\/1586432\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deezer<\/a>\u2122 e <a href=\"https:\/\/podcasts.google.com\/feed\/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8yYmQ3MGIzOC9wb2RjYXN0L3Jzcw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GooglePodcasts<\/a>\u2122.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00eas preferirem, podem come\u00e7ar pelo epis\u00f3dio final em que organizamos um resumo de cada um dos cap\u00edtulos do livro e passamos pela episteme cl\u00e1ssica at\u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o da moderna e suas caracter\u00edsticas (acho que aqui j\u00e1 respondi a minha pergunta anterior, n\u00e3o \u00e9? Apareceu uma \u201cepisteme cl\u00e1ssica\u201d na jogada!). Percebemos, com essa leitura, que o modo como o ser humano entendia seu mundo e como produzia conhecimento era diferente do modo como fazemos hoje. A partir dele, voc\u00ea pode buscar por tema aquele epis\u00f3dio que mais te interessou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro traz muito mais que essa discuss\u00e3o da episteme. \u00c9 muito interessante e tem uma escrita bem densa! O autor fala desse conceito; dos discursos ao longo da hist\u00f3ria; como se fazer uma pesquisa arqueol\u00f3gica e em ci\u00eancias humanas; da forma\u00e7\u00e3o dos saberes da Gram\u00e1tica e Filologia, da Hist\u00f3ria Natural e Biologia e da An\u00e1lise das riquezas e Economia; da forma\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias Humanas \u2013 que \u00e9 o objetivo principal do livro \u2013; passando pela an\u00e1lise do livro de Dom Quixote, do autor espanhol Cervantes; e do quadro Las Meninas, do pintor espanhol Vel\u00e1squez.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A din\u00e2mica do podcast <\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00edamos um cap\u00edtulo por semana e discut\u00edamos, a partir da leitura, aquilo que nos interessava como um grupo de pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias: doc\u00eancia, pesquisa, ci\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o dos sujeitos, filosofia, linguagem, dia a dia, pol\u00edtica e muito mais! Assim, venha, ou\u00e7a e nos acompanhe ao longo dessa temporada! Qualquer sugest\u00e3o de leitura para as pr\u00f3ximas temporadas, cr\u00edticas, ou outra informa\u00e7\u00e3o, mande contato para <a href=\"mailto:pemciegrupodepesquisa@gmail.com\">pemciegrupodepesquisa@gmail.com<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vem pensar com a gente!!<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias que usei aqui&#8230;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FOUCAULT, Michel. <strong>As palavras e as coisas<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FOUCAULT, Michel. Sobre a Hist\u00f3ria da Sexualidade. In: _____. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PRADO, T. M. DA S. Foucault, a hist\u00f3ria e a linguagem em \u201cAs palavras e as coisas\u201d. <strong>Princ\u00edpios: Revista de Filosofia<\/strong> (UFRN), 2014, v. 21, n. 35, p. 37-62. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufrn.br\/principios\/article\/view\/6021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/periodicos.ufrn.br\/principios\/article\/view\/6021<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SOUZA, Pedro Leal. Epistemes e Alien\u00edgenas. Blog PEmCie, ago 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/08\/10\/epistemes-e-alienigenas\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2020\/08\/10\/epistemes-e-alienigenas\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Com esta pergunta do t\u00edtulo, voc\u00ea deve imediatamente imaginar que este texto ir\u00e1 buscar l\u00e1 nas teorias de neuroci\u00eancia como se processam as informa\u00e7\u00f5es, os <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/2021\/03\/03\/como-pensamos-os-sistemas-de-pensamento-na-historia\/\" title=\"Como pensamos?                      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