{"id":1026,"date":"2023-11-28T17:39:29","date_gmt":"2023-11-28T20:39:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/?p=1026"},"modified":"2023-11-28T17:52:15","modified_gmt":"2023-11-28T20:52:15","slug":"erika-medeiros-veste-o-jaleco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/erika-medeiros-veste-o-jaleco\/","title":{"rendered":"Erika Medeiros: veste o jaleco"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #ab1e58\"><b><i>No Planteia, cientistas de ci\u00eancias biol\u00f3gicas e agr\u00e1rias compartilham suas experi\u00eancias. Republicamos hoje nossa entrevista com Erika Valente de Medeiros, professora da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE). Do sonho de vestir jaleco \u00e0 carreira acad\u00eamica, Erika destaca que fazer ci\u00eancia exige dedica\u00e7\u00e3o e coragem.<\/i><\/b><\/span><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1031 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-300x300.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-768x768.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-500x500.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-800x800.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3-100x100.png 100w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika3.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>Intelig\u00eancia emocional \u00e9 o mais importante nessa profiss\u00e3o, determina at\u00e9 onde voc\u00ea ir\u00e1 e com quem voc\u00ea vai<\/em><\/p><cite><em>Erika Valente de Medeir<\/em>os<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O que a influenciou a seguir carreira cient\u00edfica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sonho. Quando crian\u00e7a, eu vivia em uma realidade em que as oportunidades eram \u00ednfimas e a viol\u00eancia imperava. Sonhava em sair ou minimizar essa realidade e a \u00fanica forma que encontrei foi estudando. Sonhava em ser astronauta ou cientista. Logo percebi que a primeira op\u00e7\u00e3o seria muito dif\u00edcil. Na minha adolesc\u00eancia, meu pai fazia hemodi\u00e1lise. A realidade que j\u00e1 era ruim, ficou pior. Diante da doen\u00e7a dele, descobri um s\u00edmbolo que me acalmava: pessoas de jaleco. A vontade de vestir um jaleco aumentou e ser cientista se tornou a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabia que no Brasil as chances de voc\u00ea ser uma cientista aumentariam muito como professora universit\u00e1ria. Minha vontade de seguir a carreira acad\u00eamica se fortaleceu. J\u00e1 no primeiro ano de gradua\u00e7\u00e3o, procurando est\u00e1gio, soube que uma professora de qu\u00edmica do Departamento de Antibi\u00f3ticos buscava alunos. Ela n\u00e3o aceitava bi\u00f3logos, mas me deu uma chance. Com o tempo, ela passou a preferir bi\u00f3logos por ver um diferencial para a pesquisa que ela fazia. Fui aceita para o mestrado em Recife e no Rio Grande do Norte. Antes de decidir, fui assaltada e quase estuprada e optei por sair de Recife.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz mestrado e doutorado no Rio Grande do Norte. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Fui a primeira bi\u00f3loga aceita no curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em agronomia e sofri um bocado. O descr\u00e9dito por ser bi\u00f3loga me impulsionou a provar minha compet\u00eancia. Fiz mestrado em um ano e oito meses e o doutorado em apenas dois anos. As pessoas comentavam que bi\u00f3logo com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em agronomia teria dificuldade em conseguir emprego. A maioria dos concursos na \u00e1rea de fitopatologia exigia forma\u00e7\u00e3o em agronomia e eu n\u00e3o podia me candidatar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Optei por concursos na \u00e1rea de microbiologia, coerentes com minha tese em microbiologia agr\u00edcola. Comecei a vida acad\u00eamica com 27 anos, uma das professoras mais jovens da minha institui\u00e7\u00e3o, a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco, em Garanhuns, interior de Pernambuco. Hoje dou aulas, oriento alunos de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-doutorado e sou bolsista de produtividade em pesquisa, um sonho que realizei h\u00e1 cinco anos atr\u00e1s. E n\u00e3o parei por a\u00ed&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a motiva\u00e7\u00e3o que direciona o seu trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minha maior motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar a mudar a realidade da minha Regi\u00e3o. <strong>Acredito que a pesquisa deve mitigar ou solucionar problemas da sociedade. <\/strong>A universidade tem papel social. Essa busca por mudan\u00e7as tem dois grandes aspectos. O primeiro \u00e9 mudar a realidade de alguns discentes brilhantes, com potencial de se tornarem atores de mudan\u00e7a na sociedade. Se n\u00e3o fosse a universidade, eles n\u00e3o seriam descobertos. O segundo \u00e9 dar respostas diretas aos problemas do campo atrav\u00e9s de pesquisas aplicadas. Por exemplo, eu moro em uma regi\u00e3o considerada o bols\u00e3o de pobreza de Pernambuco. A maioria dos produtores plantam para subsist\u00eancia, com pouca ou nenhuma tecnologia, o que gera perdas na produ\u00e7\u00e3o. Desde que iniciei na carreira acad\u00eamica em 2009, minha motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 diminuir essas perdas com ferramentas sustent\u00e1veis e torn\u00e1-las acess\u00edveis a esses produtores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais as contribui\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fez para a ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sintetizei mol\u00e9culas e avaliei suas fun\u00e7\u00f5es, principalmente como antibi\u00f3ticos. Vi camundongos com convuls\u00e3o ter uma melhora no quadro cl\u00ednico ao receber essas mol\u00e9culas. Tamb\u00e9m, participei de pesquisas em que mol\u00e9culas extra\u00eddas de plantas eram testadas para fun\u00e7\u00f5es biotecnol\u00f3gicas diversas.<\/p>\n\n\n\n<p>No mestrado e no doutorado trabalhei com um fungo (Monosporascus cannonballus) que dizimou a produ\u00e7\u00e3o de mel\u00e3o do Rio Grande do Norte e no Cear\u00e1. Na \u00e9poca ambos os Estados eram respons\u00e1veis por cerca de 95% da exporta\u00e7\u00e3o de mel\u00e3o do Brasil. No mundo, poucas pessoas estudam esse fungo e no Brasil, somente meu orientador e eu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1027\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-800x532.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-1280x851.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-1920x1276.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/5378717248_eed5389280_o-Otavio-Nogueira-pelo-Flickr.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Descobrimos que esse fungo era um habitante natural do solo. Dependendo do manejo do meloeiro, o fungo vira um potente pat\u00f3geno. Desenvolvi duas mol\u00e9culas capazes de combat\u00ea-lo, sem mat\u00e1-lo, ajudando as plantas a se desenvolverem melhor. As mol\u00e9culas eram promissoras tamb\u00e9m para o manejo de outros pat\u00f3genos habitantes do solo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 como pesquisadora em in\u00edcio de carreira tive tr\u00eas projetos aprovados por ag\u00eancias de fomento para descobrir qual o principal pat\u00f3geno do solo que estava dizimando a produ\u00e7\u00e3o de mandioca em Pernambuco e buscar formas alternativas de manejo para a cultura. A pesquisa foi demanda de um grupo de agricultura familiar que eu participava com outros atores da sociedade, entre eles, secretarias de agricultura, \u00f3rg\u00e3os de extens\u00e3o, cooperativas e produtores. Desde ent\u00e3o, desenvolvemos diversas ferramentas para mitigar o problema da podrid\u00e3o radicular da mandioca, incluindo publica\u00e7\u00e3o de artigos em revistas internacionais de impacto e registro de patentes.<\/p>\n\n\n\n<p>No p\u00f3s-doutorado na Fran\u00e7a, os pesquisadores do centro de pesquisa queriam entender a forma de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas por agricultura na Caatinga, maior floresta tropical seca do mundo. O estudo foi realizado atrav\u00e9s de tr\u00eas redes de pesquisadores: SISBIOTA-Matas Secas, NEXUS-Caatinga e INCT:ONDACBC. Os estudos permitiram caracterizar a identidade da microbiologia de solo degradados, com diferentes manejos ou em recupera\u00e7\u00e3o, usando a enzimologia ambiental como ferramenta. Os primeiros trabalhos de enzimologia na \u00e1rea de Caatinga \u00e9 do nosso grupo!<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com a Fran\u00e7a estimulou o meu grupo a trabalhar com biochar (carv\u00e3o vegetal, conhecido tamb\u00e9m como biocarbono, empregado na corre\u00e7\u00e3o do solo) e ampliar minha rede de colaboradores no Brasil e no exterior. O estudo envolve diversas abordagens multidisciplinares, por exemplo, uso do biochar como componente alternativo no manejo de doen\u00e7as de plantas e na fertiliza\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os maiores desafios das cientistas no Brasil?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos s\u00e3o os desafios dos cientistas no Brasil e um pouco mais para as mulheres cientistas. O primeiro desafio \u00e9 tornar-se uma cientista. Para isso, voc\u00ea ter\u00e1 que passar pelo mestrado e pelo doutorado. \u00c9 necess\u00e1rio estudar por mais anos, ganhando uma bolsa com dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, longe do mercado de trabalho. <strong>Diante dos cortes de investimento na ci\u00eancia brasileira, ter uma bolsa aprovada \u00e9 ganhar um pr\u00eamio. <\/strong>Contudo, o fato de consegui-la n\u00e3o garantir\u00e1 estabilidade, tampouco voc\u00ea ter\u00e1 qualquer direito trabalhista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois voc\u00ea ter\u00e1 que passar em um concurso p\u00fablico, perto ou longe de onde voc\u00ea mora. Ter\u00e1 que trabalhar muito para publicar os trabalhos, \u00e0s vezes colocando dinheiro do pr\u00f3prio bolso, e concorrer aos editais com pesquisadores do Brasil inteiro para conseguir financiamento de \u00f3rg\u00e3os de fomento para montar um laborat\u00f3rio ou uma estrutura m\u00ednima de trabalho. Esses desafios s\u00e3o mais leves quando se tem parcerias.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea for uma cientista que trabalha em universidade, ter\u00e1 que ministrar aulas, fazer extens\u00e3o, orientar alunos, formular projetos, comprar materiais de custeio e permanentes, administrar verbas, prestar contas e lidar com burocracias antipesquisa. Hoje, por exemplo, uma das maiores dificuldades que tenho \u00e9 comprar reagentes que dependem de autoriza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal. O pedido deve ser solicitado pela universidade e a autoriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega. Estamos aguardando h\u00e1 meses e, por isso, interrompemos as an\u00e1lises.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que mais a entusiasma na atividade de cientista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entregar respostas para uma agricultura sustent\u00e1vel em um pa\u00eds cuja economia \u00e9 baseada no setor agr\u00edcola. Ver minha pesquisa divulgada em grandes revistas da \u00e1rea e ter o reconhecimento de pesquisadores do exterior. Tudo isso mostra que voc\u00ea est\u00e1 no caminho certo. Fiquei muito feliz ao ver na plataforma Researchgate, que o pesquisador que inventou um dos m\u00e9todos de an\u00e1lise de atividade enzim\u00e1tica baixou e leu meu artigo!<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos me anima. Pensar que os alunos poder\u00e3o se tornar parceiros, cientistas, v\u00ea-los crescendo profissionalmente e pessoalmente, ganhando o mundo e trazendo novidades. \u00c9 muito orgulho!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m fico muito feliz em ter meu nome entre os contemplados em um edital, dada a grande concorr\u00eancia no pa\u00eds. Ser aprovada para a minha primeira bolsa de produtividade foi um desses momentos. \u00c9 um grande pr\u00eamio de reconhecimento para quem trabalha com pesquisa. Sonho ainda em progredir na carreira e chegar \u00e0 pesquisadora 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Outra honra foi ser convidada para reuni\u00f5es da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES) para contribuir com a avalia\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa importantes para o pa\u00eds. Aprendi muito nessas reuni\u00f5es, fiz novos contatos e me sinto realizada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"620\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/20200426-Foto03-Erika-Medeiros.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1032\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/20200426-Foto03-Erika-Medeiros.jpg 640w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/20200426-Foto03-Erika-Medeiros-300x291.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/20200426-Foto03-Erika-Medeiros-500x484.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Algum conselho para as jovens aspirantes a cientista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estude muito e tenha gosto pelo estudo. Se dedique ao ingl\u00eas, pois \u00e9 a l\u00edngua oficial da ci\u00eancia. Procure fazer diferente do que todo mundo faz. Seja determinada, teimosa, n\u00e3o desanime, mesmo que os outros digam que voc\u00ea n\u00e3o consegue. Quando disserem isso, ressignifique e use como combust\u00edvel para seguir. Se imponha, pois a sociedade ainda favorece os homens. Chore quando o seu experimento der errado, respire fundo e retorne. Algumas das grandes descobertas foram feitas com erros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Respeite seus limites. Tenha metas e diga n\u00e3o a tudo que te desvie delas. Forme parcerias com quem te coloque para cima, pois ningu\u00e9m consegue nada sozinho, especialmente neste meio onde a concorr\u00eancia \u00e9 desenfreada. Tenha humildade, ou\u00e7a mesmo aquele que voc\u00ea acha que n\u00e3o pode contribuir com voc\u00ea, pois um insight pode te tirar da &#8220;caixinha&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Saia da sua zona de conforto. V\u00e1 longe, abrace todas as oportunidades que tiver para passar um tempo fora do pa\u00eds, aprenda outras culturas e forme parcerias com outros pesquisadores, mostre o seu diferencial e n\u00e3o repita o que eles est\u00e3o fazendo. <strong>Intelig\u00eancia emocional \u00e9 o mais importante nessa profiss\u00e3o, pois determinar at\u00e9 onde voc\u00ea ir\u00e1 e com quem voc\u00ea vai. <\/strong>Como costumo dizer aos meus alunos, parafraseando o astronauta Buzz Lightyear nos filmes da franquia Toy Story&#8230; V\u00e1 ao infinito e al\u00e9m!!!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como est\u00e1 o andamento das pesquisas em meio a pandemia de COVID-19? Quais os desafios e as estrat\u00e9gias adotadas para super\u00e1-los?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio a adapta\u00e7\u00e3o a pandemia da COVID-19 foi dif\u00edcil, pois nunca t\u00ednhamos passado por isso. Como l\u00edder do grupo de pesquisa, tive que tomar algumas decis\u00f5es doloridas para quem estava no meio das an\u00e1lises, com experimentos em andamento. Me senti respons\u00e1vel por vidas, mais importantes do que qualquer outra coisa, e proibi o acesso dos alunos ao laborat\u00f3rio. Afinal, tudo poder\u00e1 ser refeito. Paramos tudo e aceitamos as determina\u00e7\u00f5es para enfrentar o desconhecido. O que d\u00f3i mais \u00e9 n\u00e3o saber quando termina a crise e como voltaremos a normalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olho esse per\u00edodo como uma oportunidade para repensar a vida em todos os seus aspectos, inclusive na pesquisa. Uma boa oportunidade para desengavetar artigos e aprender coisas novas. Existe a pesquisa de dados, j\u00e1 publicados ou dispon\u00edvel em bancos de dados, que podem ser usados para formular e testar hip\u00f3teses in\u00e9ditas sem sair de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7o reuni\u00f5es virtuais com o meu grupo para falar de trabalho ou outros assuntos. A estrat\u00e9gia que bolei foi dividir os participantes em equipes com linhas de trabalho similares. Passei algumas diretrizes para repensarmos todos os trabalhos, acolhendo os alunos em suas dificuldades, ouvindo ideias, para acharmos sa\u00eddas para cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>O importante \u00e9 perceber que tem dias mais dif\u00edceis. Neles precisamos dar espa\u00e7o aos sentimentos, &#8220;respirar&#8221; um pouco para, ent\u00e3o, voltar com toda disposi\u00e7\u00e3o. Permita-se passar por isso, pois voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina. Mantenha a mente ativa, reinvente-se, respire fundo, cuide da vida pessoal e profissional, siga, pois sairemos pessoas melhores dessa. E quem sabe pesquisadores melhores! Vai passar!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"color:#ab1e58\" class=\"has-inline-color\">Sobre a cientista convidada&nbsp;&nbsp;<\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Erika Medeiros \u00e9 bi\u00f3loga pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e fez mestrado e doutorado em Fitotecnia pela Universidade Federal Rural do Semi-\u00c1rido (UFERSA). O p\u00f3s-doutorado em ecologia microbiana de solos foi realizado na Fran\u00e7a. Hoje \u00e9 professora na Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e faz pesquisas multidisciplinares com foco em microbiologia e bioqu\u00edmica de solos. Atua como consultora da CAPES na avalia\u00e7\u00e3o quadrienal dos programas da \u00e1rea de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias I.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Entrevista publicada originalmente em 10 de junho de 2020.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Planteia, cientistas de ci\u00eancias biol\u00f3gicas e agr\u00e1rias compartilham suas experi\u00eancias. Republicamos hoje nossa entrevista com Erika Valente de Medeiros, professora da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE). Do sonho de vestir jaleco \u00e0 carreira acad\u00eamica, Erika destaca que fazer ci\u00eancia exige dedica\u00e7\u00e3o e coragem. Intelig\u00eancia emocional \u00e9 o mais importante nessa profiss\u00e3o, determina &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/erika-medeiros-veste-o-jaleco\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Erika Medeiros: veste o jaleco&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":354,"featured_media":1029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":{"x":0.69,"y":0.52},"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[75,77,78,83,84,79,80,81],"class_list":["post-1026","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-agronomia","tag-biochar","tag-cientista-protagonista","tag-erika-valente","tag-erika-valente-de-medeiros","tag-mandioca","tag-melao","tag-microbiologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2023\/11\/erika.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/354"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1026"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1039,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions\/1039"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}