{"id":693,"date":"2021-10-27T12:58:26","date_gmt":"2021-10-27T15:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/?p=693"},"modified":"2023-09-27T11:58:18","modified_gmt":"2023-09-27T14:58:18","slug":"diarioisrael-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-1\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de Israel #1 Eu sou daqui, eu n\u00e3o sou de Marte"},"content":{"rendered":"\n<h6><em><strong data-rich-text-format-boundary=\"true\">Para dar o tom:<\/strong> \u201cInfinito particular\u201d, de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown<\/em><\/h6>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\" wp-block-spacer eplus-wrapper\"><\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Israel n\u00e3o era um plano ou uma meta definidos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">a priori<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Simplesmente aconteceu, com a grata surpresa de resgatar ideias iniciais de um projeto que rabisquei logo ap\u00f3s terminar o doutorado, ainda com a cabe\u00e7a cheia de dados coletados e teorias baseadas nas in\u00fameras refer\u00eancias que digeri ao escrever a tese (muito al\u00e9m das citadas!). \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pra tudo tem hora certa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d \u00e9 a frase favorita da minha m\u00e3e. A oportunidade de pesquisa no<\/span><a href=\"https:\/\/www.weizmann.ac.il\/\"> <span style=\"font-weight: 400\">Instituto Weizmann de Ci\u00eancias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> veio assim, na hora certa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em meio \u00e0 pandemia da Covid-19, a viagem para Israel parecia turva, turbulenta e distante. T\u00e3o distante que, quando a data chegou, me senti no meio de um tsunami. Incr\u00e9dula. Informativos lotavam a minha caixa de entrada. Os passo a passos eram vistos e revistos com base nos gr\u00e1ficos de progress\u00e3o do cont\u00e1gio da doen\u00e7a. Tudo podia mudar de um dia para o outro. Definir a data da viagem, comprar a passagem a\u00e9rea, fazer o seguro sa\u00fade, assegurar o local da quarentena e da moradia permanente estavam entre os itens priorit\u00e1rios e incertos.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inicialmente a viagem poderia ser realizada sem visto; depois, a orienta\u00e7\u00e3o mudou e precisei correr para obt\u00ea-lo no consulado em S\u00e3o Paulo. No dia do agendamento da entrevista, a not\u00edcia: Israel entraria em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">lockdown<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> durante as festividades: Rosh Hashan\u00e1, Yom Kippur e Sukkot. O consulado ficaria fechado por tempo indeterminado. Com sorte, a entrevista foi agendada seis dias antes da data da viagem.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a restri\u00e7\u00e3o do turismo, o pr\u00e9dio e seu entorno estavam domingueiros. Foi f\u00e1cil conseguir uma vaga no estacionamento, e o caf\u00e9 da esquina parecia n\u00e3o oferecer riscos com as v\u00e1rias mesas de espa\u00e7amento entre um cliente e outro e os enormes frascos de \u00e1lcool em gel sentados no centro das mesas. Nas ruas, poucas pessoas a p\u00e9. De vez em quando um carro perdido entrava na viela. Tudo parecia correr em ritmo lento na superf\u00edcie da capital financeira do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A experi\u00eancia no consulado de Israel foi interessante e \u00fanica, prova da hospitalidade dos israelitas. O agente de seguran\u00e7a, em tom profissional, demandou respostas r\u00e1pidas e olho no olho para cada pergunta de um question\u00e1rio ainda no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hall<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de entrada do pr\u00e9dio. H\u00e1 um ano no Brasil, ele falava bem o portugu\u00eas. Antes de subir para o andar onde seria realizada a entrevista, sorridente, ele previu que eu voltaria de Israel com o hebraico melhor que o portugu\u00eas dele. Depois, fora do protocolo, conheci o c\u00f4nsul pessoalmente. Entusiasta da ci\u00eancia e ciente de sua import\u00e2ncia, prontamente acolheu mais uma cientista no pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a papelada em m\u00e3os e burocracia em ordem, as malas se tornaram o grande obst\u00e1culo. O que levar? Ou melhor, o que n\u00e3o levar? Uma mala grande para ser despachada, uma mala pequena de bordo e uma mochila compacta para o laptop foram capazes de acolher todos os itens que julguei necess\u00e1rios, \u00fateis ou in\u00fateis. Abri e fechei as malas tr\u00eas vezes antes de conseguir organizar e distribuir de forma inteligente os poucos mais de 23 quilos permitidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Confinada no meu infinito particular e alienada dos contatos por quase seis meses, acabei esquecendo de avisar os mais distantes sobre a futura jornada. Os que souberam a tempo receberam a not\u00edcia com surpresa e alegria. Alguns descreveram a jornada como de uma astronauta com destino \u00e0 Marte!&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esquecemos que Israel \u00e9 logo ali. O mundo \u00e9 port\u00e1til, como descreve a m\u00fasica \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Infinito particular<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, qualquer que seja a defini\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">mundo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Os votos e desejos por uma boa viagem e experi\u00eancia enriquecedora foram b\u00e1lsamos. Agora, sem uma transmiss\u00e3o ao vivo da miss\u00e3o \u00e0 altura das transmiss\u00f5es da NASA, resta estabelecer contato por aqui.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong><em>Camila Pinto da Cunha, engenheira agr\u00f4noma, jornalista cient\u00edfica e pesquisadora de p\u00f3s-doutorado no Instituto Weizmann de Ci\u00eancias, escreve sobre viv\u00eancias pessoais e experi\u00eancias cient\u00edficas em Israel.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\" wp-block-spacer eplus-wrapper\"><\/div>\n\n\n\n<p><em data-rich-text-format-boundary=\"true\">Cr\u00e9dito imagem: <\/em>DALL*E<br \/><em data-rich-text-format-boundary=\"true\">Revis\u00e3o de texto: <\/em>Nat\u00e1lia Flores<\/p>\n<p><br \/>Texto publicado originalmente em 04 de novembro de 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Israel n\u00e3o era um plano ou uma meta definidos a priori. 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