{"id":744,"date":"2021-10-28T06:30:10","date_gmt":"2021-10-28T09:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/?p=744"},"modified":"2021-10-28T06:30:13","modified_gmt":"2021-10-28T09:30:13","slug":"corrida-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/corrida-espacial\/","title":{"rendered":"A corrida espacial tur\u00edstica \u00e9 p\u00fablico-privada"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p><em><strong>Vai para onde: Lua ou Marte? Na reportagem, o astr\u00f4nomo Ricardo Ogando, do Observat\u00f3rio Nacional, fala sobre o recente avan\u00e7o das viagens com tripula\u00e7\u00e3o feito pela SpaceX, com apoio e financiamento da NASA. O marco hist\u00f3rico atingido na miss\u00e3o SpaceX Demo-2 \u00e9 o primeiro passo para o turismo espacial comercial.\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No s\u00e1bado, 30 de mar\u00e7o de 2020, \u00e0s 16:22 (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia), em meio a pandemia da COVID-19, os astronautas Robert Behnken e Douglas Hurley a bordo da c\u00e1psula Dragon acoplada ao foguete Falcon 9 partem de Cabo Canaveral na Fl\u00f3rida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS, na sigla em ingl\u00eas). O objetivo da miss\u00e3o, denominada SpaceX Demo-2, foi testar a atraca\u00e7\u00e3o da Dragon \u00e0 ISS, fazer testes simulados para demonstrar o sistema completo de transporte de tripula\u00e7\u00e3o e retornar \u00e0 Terra sem danos ou preju\u00edzos f\u00edsicos e materiais. A miss\u00e3o deve terminar em agosto deste ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Nos \u00faltimos anos, os voos espaciais foram conduzidos por ag\u00eancias estatais, como a NASA e a Roscosmos da R\u00fassia, a partir do Cosm\u00f3dromo de Baikonur, no Cazaquist\u00e3o. A SpaceX desenvolveu uma nova c\u00e1psula e um novo foguete reutiliz\u00e1vel com o intuito de substituir os \u00f4nibus espaciais. A nova tecnologia devolveu a capacidade de lan\u00e7amento aos Estados Unidos. Esse foi o primeiro voo tripulado no pa\u00eds desde julho de 2011&#8221;, disse Ricardo Ogando, astr\u00f4nomo do Observat\u00f3rio Nacional, localizado no Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Elon Musk \u00e9 o nome s\u00edmbolo da atual conquista espacial, que canaliza ci\u00eancia, tecnologia e investimentos pesados dos setores p\u00fablico e privado. O bilion\u00e1rio de m\u00faltiplas facetas e credenciais \u2013 engenheiro, designer, empreendedor e filantropo \u2013 fundou a SpaceX em 2002, empresa respons\u00e1vel pela miss\u00e3o. O sonho de Musk \u00e9 fazer da Lua e de Marte destinos tur\u00edsticos poss\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Ogando, a miss\u00e3o \u00e9 um grande feito mesmo que indissoci\u00e1vel do momento cr\u00edtico atual. &#8220;O feito est\u00e1 conectado \u00e0 crise pol\u00edtica. Imagina-se que viagens espaciais inspirem ideais mais elevados, como na s\u00e9rie de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Jornadas nas Estrelas. Infelizmente, o que se v\u00ea, em geral, \u00e9 que os f\u00e3s do Elon Musk s\u00e3o bastante t\u00f3xicos e que a nova corrida espacial \u00e9 uma cortina de fuma\u00e7a dos males feitos do governo Donald Trump.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar da controversa figura de Musk, transvertido por f\u00e3s em guru do futuro, o voo com astronautas americanos, tecnologia americana e partindo de solo americano marca a independ\u00eancia dos Estados Unidos na conquista espacial cient\u00edfica e comercial. O acesso ao espa\u00e7o passa pela revolu\u00e7\u00e3o no transporte demonstrada na miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A SpaceX criou a s\u00e9rie Falcon de foguetes de lan\u00e7amento e tamb\u00e9m a c\u00e1psula Dragon, reutiliz\u00e1vel e vers\u00e1til no transporte de carga ou passageiros, dependendo de poucas adapta\u00e7\u00f5es. Para aumentar a seguran\u00e7a, baratear custos e agilizar inova\u00e7\u00f5es, a estrat\u00e9gia da empresa foi concentrar processos e desenvolver tecnologias internamente, minimizando parcerias com terceiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Empresas focadas em um projeto podem otimizar e baratear desenvolvimentos. Agora, ao visar lucro, empresas privadas podem negligenciar certos requerimentos para diminuir custos ou mesmo desconsiderar a presta\u00e7\u00e3o de contas \u00e0 sociedade. O resultado pode ser negativo. O caso dos sat\u00e9lites Starlink ilustram a quest\u00e3o: os milhares de sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita t\u00eam brilho excessivo, atrapalhando as observa\u00e7\u00f5es do c\u00e9u por amadores e profissionais. O brilho \u00e9 um problema conhecido e poderia ser evitado se considerado desde o in\u00edcio do projeto. Agora fazem gambiarras para resolver&#8221;, explica Ogando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na lista de tecnologias da SpaceX est\u00e1 o Falcon 1, um foguete de dois est\u00e1gios, que usa como combust\u00edvel propulsor RP-1 (um tipo de querosene para foguetes) e oxig\u00eanio l\u00edquido. J\u00e1 o Falcon 9 \u00e9 similar a primeira vers\u00e3o, com capacidade de colocar em \u00f3rbita uma carga superior (at\u00e9 12,500 kg). H\u00e1 tamb\u00e9m a c\u00e1psula Dragon, desenhada inicialmente para atender \u00e0s demandas da NASA de transporte de carga \u00e0 ISS (ida e volta) e cujo desenvolvimento e miss\u00f5es, como a SpaceX Demo-2, s\u00e3o patrocinadas pelo Programa Comercial de Servi\u00e7os de Transporte Orbital (COTS) desde 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;O grande barato do Falcon 9 s\u00e3o os est\u00e1gios que voltam e pousam na Terra em p\u00e9 e de forma controlada. Nos antigos \u00f4nibus espaciais, os est\u00e1gios ca\u00edam, em geral, no oceano e a recupera\u00e7\u00e3o por navios era muito cara e complicada. A c\u00e1psula Crew Dragon ainda cai no oceano, j\u00e1 que n\u00e3o tem combust\u00edvel suficiente para a volta, mas as novidades incluem, al\u00e9m do design moderno, as telas touch, a op\u00e7\u00e3o manual ou de auto-acoplagem \u00e0 ISS e um mecanismo de seguran\u00e7a para problemas durante o lan\u00e7amento, por exemplo, uma explos\u00e3o&#8221;, explica Ogando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As roupas dos astronautas tamb\u00e9m estampam as aspira\u00e7\u00f5es do feito, como comenta Ogando. &#8220;O visual \u00e9 bem mais moderno e vistoso do que as roupas ab\u00f3boras dos \u00f4nibus espaciais e foram desenhadas pelo figurinista Jose Fernandez dos filmes de Hollywood, como Mulher Maravilha. Al\u00e9m disso, resistem a despressuriza\u00e7\u00e3o em caso de emerg\u00eancia, mas n\u00e3o s\u00e3o preparadas para caminhadas espaciais.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 o momento, a miss\u00e3o foi bem-sucedida e representa o primeiro passo para a SpaceX obter a certifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o Programa de Tripula\u00e7\u00e3o Comercial da NASA. &#8220;A facilidade de acesso ao espa\u00e7o pode permitir mais experimentos na ISS e mais sat\u00e9lites e sondas no c\u00e9u para melhorar nossa comunica\u00e7\u00e3o e conhecimento do nosso planeta e do universo. Para a ci\u00eancia brasileira, o feito pode inspirar gera\u00e7\u00f5es de novos cientistas. O lan\u00e7amento foi coberto por diversos canais e acompanhado por milh\u00f5es de pessoas no Brasil e no mundo&#8221;, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Juntas, NASA, SpaceX e tamb\u00e9m a Boeing v\u00e3o projetar, construir, testar e operar o transporte humano para a \u00f3rbita baixa da Terra (2.000 Km). O sucesso vai al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica espacial e demonstra que parcerias p\u00fablico-privadas podem alavancar empreendimentos comerciais lucrativos. As pr\u00f3ximas metas da SpaceX incluem aumentar a quantidade de carga e o n\u00famero de tripulantes por voo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 necessidade de voos tripulados para a Lua ou Marte para aprendermos sobre eles. Esses voos tripulados s\u00e3o caros e perigosos. Sondas rob\u00f3ticas podem muito bem fazer esse trabalho. Al\u00e9m disso, corridas espaciais n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis, por isso chegamos na Lua h\u00e1 50 anos e nunca mais voltamos. Nosso planeta \u00e9 o \u00fanico que temos, aqui encontramos o modo f\u00e1cil de sobreviver no universo. Cuidar dele \u00e9 muito melhor e mais f\u00e1cil do que tentar terraformar Marte&#8221;, finaliza Ogando.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lua e Marte podem vir a ser destinos tur\u00edsticos poss\u00edveis para os c\u00edrculos sociais de Musk. Para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, na imin\u00eancia de uma crise clim\u00e1tica sem retorno, com extin\u00e7\u00e3o de grande parte da diversidade de flora e fauna, a sobreviv\u00eancia e manuten\u00e7\u00e3o dos meios de vida ainda est\u00e1 na Terra. A esperan\u00e7a \u00e9 que as novas tecnologias, desenvolvidas na conquista espacial comercial, possam resolver problemas mais urgentes \u2013 em solo firme.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><b><i>Bibliografia<\/i><\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">DREYER, L. Latest developments on SpaceX&#8217;s Falcon 1 and Falcon 9 launch vehicles and dragon spacegraft. <\/span><\/i><b><i>IEEE Aerospace conference<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, 2009. doi:<\/span><\/i><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1109\/AERO.2009.4839555\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">10.1109\/AERO.2009.4839555<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Fonte entrevistado:<\/span><\/i><a href=\"http:\/\/www.abori.com.br\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">Ag\u00eancia Bori<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p><em data-rich-text-format-boundary=\"true\">Cr\u00e9dito imagens: SpaceX no <a href=\"https:\/\/www.pexels.com\/photo\/silhouette-photo-of-man-throw-paper-plane-1262304\/?utm_content=attributionCopyText&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=pexels\">Pexels<\/a><\/em><\/p>\n<p><em data-rich-text-format-boundary=\"true\">Revis\u00e3o de texto: <\/em>Nat\u00e1lia Flores<\/p>\n<p><br \/>Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai para onde: Lua ou Marte? Na reportagem, o astr\u00f4nomo Ricardo Ogando, do Observat\u00f3rio Nacional, fala sobre o recente avan\u00e7o das viagens com tripula\u00e7\u00e3o feito pela SpaceX, com apoio e financiamento da NASA. 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