{"id":811,"date":"2021-10-29T11:48:13","date_gmt":"2021-10-29T14:48:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/?p=811"},"modified":"2021-10-29T11:51:21","modified_gmt":"2021-10-29T14:51:21","slug":"ato-ou-efeito-de-limpar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/ato-ou-efeito-de-limpar\/","title":{"rendered":"Ato ou efeito de limpar"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p><em><strong>Simples h\u00e1bitos de higiene pessoal como lavar as m\u00e3os e tomar banho s\u00e3o cr\u00edticos para frear o cont\u00e1gio de doen\u00e7as. Sab\u00e3o e banheiro surgiram em momentos diferentes da hist\u00f3ria e juntos institucionalizaram a cultura da limpeza. Hoje, a ordem \u00e9 limpar, limpar e limpar.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Epidemias e pandemias causadas por v\u00edrus s\u00e3o hoje o grande desafio da sa\u00fade mundial. Nos \u00faltimos 20 anos, vimos o terror gerado por SARS-CoV (2003), H1N1 (2009), MERS (2012), Ebola (2014) e, mais recente, SARS-CoV-2 (2019). Apesar da maior abrang\u00eancia e acesso a coleta de lixo, \u00e1gua tratada, sistemas de esgotamento sanit\u00e1rio e sa\u00fade p\u00fablica, a vida contempor\u00e2nea, principalmente nas grandes cidades, imp\u00f5e desafios para a conten\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as altamente infecciosas, transmitidas por contato entre pessoas ou com objetos contaminados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O controle e a preven\u00e7\u00e3o est\u00e3o na vacina\u00e7\u00e3o, nos tratamentos antivirais (f\u00e1rmacos que inibem a replica\u00e7\u00e3o viral) e na higiene pessoal. Entre as alternativas, a higiene pessoal se destaca por ser a mais econ\u00f4mica, al\u00e9m de reduzir a dissemina\u00e7\u00e3o de uma gama de outros agentes microbianos causadores de doen\u00e7as, muito al\u00e9m dos v\u00edrus. Por higiene pessoal entende-se principalmente o h\u00e1bito de lavar as m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o (ou \u00e1lcool gel com teor de 70% em casos muito espec\u00edficos, como na aus\u00eancia de pia ou sab\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Palli Thordarson, professor de qu\u00edmica da Universidade de New South Wales na Austr\u00e1lia, viralizou ao postar no seu Twitter que o ordin\u00e1rio sab\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto, sen\u00e3o melhor, que o \u00e1lcool em gel. As mensagens de Thordarson chegaram antes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade declarar a pandemia de COVID-19 em 11 de mar\u00e7o de 2020. Mesmo assim, n\u00e3o foram suficientes para evitar que farm\u00e1cias e supermercados tivessem seus estoques de \u00e1lcool em gel esgotados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na \u00faltima thread postada, Thordarson comenta sobre os dois produtos. O cientista acredita que comprar \u00e1lcool em gel faz parte do imagin\u00e1rio coletivo que lavar as m\u00e3os \u00e9 algo simples demais para combater uma pandemia. Apesar do sab\u00e3o ser associado \u00e0 suavidade e beleza, ignorar seu poder destrutivo \u00e9 ignorar seu maior trunfo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"580\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-580x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-812\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-580x1024.png 580w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-170x300.png 170w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-768x1356.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-870x1536.png 870w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p-1160x2048.png 1160w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig1-v4-50p.png 1376w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sab\u00e3o: o aliado qu\u00edmico<\/h4>\n\n\n\n<p>Padr\u00f5es de higiene pessoal e ambiental, bem como a introdu\u00e7\u00e3o do banheiro como um c\u00f4modo essencial a qualquer constru\u00e7\u00e3o, s\u00e3o muito recentes. Em meados de 1800, Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna, estat\u00edstica e divulgadora de ci\u00eancia, j\u00e1 promovia a lavagem das m\u00e3os. No entanto, o primeiro guia endossando esse h\u00e1bito para profissionais da sa\u00fade apareceu bem mais tarde, publicado pelo Centro de Controle de Doen\u00e7as e Preven\u00e7\u00e3o (CDC), principal instituto de sa\u00fade p\u00fablica dos Estados Unidos, em 1975.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, o uso do sab\u00e3o passa a ser o ato individual mais importante da vida em sociedade. Al\u00e9m de remover sujeira, o sab\u00e3o previne infec\u00e7\u00f5es de pele, limpa ferimentos e interrompe o ciclo de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as quando feito por todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o desse ingrediente cr\u00edtico \u00e9 bem simples e depende de uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica chamada saponifica\u00e7\u00e3o, em que a mistura de gordura (o termo t\u00e9cnico \u00e9 \u00e1cido graxo, geralmente de origem vegetal, como \u00f3leo de coco, palma e de oliva, ou animal, como sebo bovino e gordura de porco) e uma base (hidr\u00f3xido de s\u00f3dio ou pot\u00e1ssio) resulta em sab\u00e3o, ou melhor um sal de \u00e1cido graxo.<\/p>\n\n\n\n<p>O sal de \u00e1cido graxo \u00e9 uma estrutura h\u00edbrida com propriedades interessantes. A mol\u00e9cula lembra um alfinete-de-cabe\u00e7a: de um lado, a cabe\u00e7a hidrof\u00edlica (ama \u00e1gua) e de outro, a haste hidrof\u00f3bica (odeia \u00e1gua). A intera\u00e7\u00e3o entre mol\u00e9culas de \u00e1gua \u00e9 maior na interface ar-\u00e1gua. Nessa regi\u00e3o a \u00e1gua parece formar uma pel\u00edcula el\u00e1stica (propriedade conhecida como tens\u00e3o superficial da \u00e1gua). Quanto dissolvido em \u00e1gua, as &#8220;hastes&#8221; do sab\u00e3o fogem da \u00e1gua e se organizam para fora do meio l\u00edquido, separando e enfraquecendo as intera\u00e7\u00f5es entre as mol\u00e9culas de \u00e1gua nesta regi\u00e3o. Quebrar a tens\u00e3o superficial da \u00e1gua, ajuda o sab\u00e3o a formar micelas (estruturas arredondadas); quando as cabe\u00e7as dos alfinetes se alinham, voltadas para o exterior aquoso, e as hastes se protegem da \u00e1gua, no interior das micelas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-1024x559.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-813\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-1024x559.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-300x164.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-768x419.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-1536x838.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig2-v4-2048x1117.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><figcaption>tens\u00e3o superficial da \u00e1gua<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O sab\u00e3o \u00e9 capaz de permeabilizar algumas c\u00e9lulas e desestabilizar membranas lip\u00eddicas. As &#8220;hastes&#8221;, com afinidade por \u00f3leos e gorduras, aprisionam sujeiras e peda\u00e7os de alguns agentes patog\u00eanicos dentro das micelas, ao mesmo tempo que permanecem dissolvidos na \u00e1gua, facilitando a remo\u00e7\u00e3o quando feito o enx\u00e1gue. Apesar do \u00e1lcool em gel 70% tamb\u00e9m afetar as membranas de microrganismos, sozinho \u00e9 incapaz de remover os detritos da pele.<\/p>\n\n\n\n<p>A origem do sab\u00e3o \u00e9 desconhecida. Diferente de artefatos arqueol\u00f3gicos que recontam a hist\u00f3ria de civiliza\u00e7\u00f5es antigas, seus costumes e modos de vida, o sab\u00e3o de f\u00e1cil decomposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou vest\u00edgios. Segundo a lenda romana, o Monte Sapo, um prov\u00e1vel local de sacrif\u00edcios animais, \u00e9 o ponto de origem. Chuvas fortes ap\u00f3s os cerimoniais levavam gordura animal e cinzas para dentro do Rio Tibre. A mistura das duas subst\u00e2ncias gerava espuma e logo as mulheres perceberam que as roupas ficavam mais limpas quando lavadas nessas \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eg\u00edpcios tamb\u00e9m produziam sab\u00e3o, provavelmente usando \u00f3leo de gergelim, linha\u00e7a ou mamona, ao inv\u00e9s de gordura animal, em combina\u00e7\u00e3o com uma subst\u00e2ncia alcalina, como carbonato de s\u00f3dio ou pot\u00e1ssio (a soda), obtida das cinzas de plantas hal\u00f3fitas. Essas plantas suculentas vivem em regi\u00f5es mar\u00edtimas ou costeiras; por isso, acumulam grande quantidade de sal em seus tecidos. At\u00e9 a Idade Moderna, plantas hal\u00f3fitas seriam usadas como fonte de soda e o sab\u00e3o considerado um item de luxo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"479\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4-1024x479.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-814\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4-1024x479.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4-300x140.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4-768x359.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4-1536x718.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/Ensaio-Fig3-v4.png 1669w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><figcaption>plantas hal\u00f3fitas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Banheiro: o aliado f\u00edsico<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Imagine um dia que j\u00e1 amanhece quente. No trajeto para o trabalho, gotas de suor brotam do seu rosto. Depois de uma manh\u00e3 cheia, voc\u00ea segue a p\u00e9 com o sol \u00e0 pino e o c\u00e9u azul livre de nuvens at\u00e9 um restaurante pr\u00f3ximo para almo\u00e7ar e volta para o ref\u00fagio do escrit\u00f3rio com ar condicionado. O dia passa concentrado em v\u00e1rias tarefas, reuni\u00f5es&#8230; Na volta para casa, o calor emana do concreto e do escapamento dos carros parados no tr\u00e2nsito. O suor pinga. Voc\u00ea chega em casa e qual o maior desejo? Imagino, um banho!<\/p>\n\n\n\n<p>A espuma branca do sab\u00e3o descendo pelo ralo, o cheiro frutado do shampoo e o ar de discoteca retr\u00f4, com o vapor d&#8217;\u00e1gua condensando nos azulejos, espelho e box, faz do banheiro um lugar festivo. O banho di\u00e1rio \u00e9 um h\u00e1bito que purifica e renova. Por\u00e9m, na hist\u00f3ria da humanidade nem sempre foi assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Roma e Gr\u00e9cia Antigas, os banhos p\u00fablicos eram espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o e embelezamento. A prefer\u00eancia era por esfolia\u00e7\u00e3o do corpo, usando argila, cinzas ou areia, seguida de aplica\u00e7\u00e3o de \u00f3leo vegetal. J\u00e1 na Idade M\u00e9dia, os crist\u00e3os viam os banhos como h\u00e1bitos decadentes e obscenos. Segundo Santo Jer\u00f4nimo, o banho, principalmente em \u00e1gua quente, era pecado. Santo Benedito, fundador da ordem Beneditina, permitia banhos corporais completos apenas em datas festivas do calend\u00e1rio crist\u00e3o. A sujeira e o mau odor eram celebrados e tolerados \u00e0 base de incensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do Oriente M\u00e9dia ao Jap\u00e3o, os padr\u00f5es de limpeza eram outros. Para os mu\u00e7ulmanos, por exemplo, o banho di\u00e1rio era um ritual endossado pelo profeta Maom\u00e9. Os banhos turcos, extens\u00f5es das tradi\u00e7\u00f5es greco-romanas, eram comuns, assim como o uso do sab\u00e3o, que foi provavelmente re-introduzido na Europa como item de higiene pessoal por mouros praticantes do Isl\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;<em>A limpeza \u00e9 metade da f\u00e9<\/em>&#8220;<\/p><cite><em>Profeta Maom\u00e9<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, as \u00e1guas ganharam status terap\u00eautico no Ocidente e o turismo m\u00e9dico para regi\u00f5es de \u00e1guas termais explode. A alegria dos banhos \u00e9 redescoberta. No entanto, somente com a populariza\u00e7\u00e3o dos banheiros \u00e9 que os h\u00e1bitos de higiene pessoal tiveram ampla e irrestrita ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A uni\u00e3o da pia, do vaso sanit\u00e1rio e do chuveiro em um mesmo c\u00f4modo \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX e ocorreu independentemente do aparecimento de \u00e1gua encanada e do esgoto. As pe\u00e7as foram colocadas juntas para simplificar e baratear a constru\u00e7\u00e3o do encanamento. No in\u00edcio, a inova\u00e7\u00e3o era restrita \u00e0s camadas sociais mais abastadas e somente quando atingiu as massas modificou h\u00e1bitos e a cultura, incluindo a percep\u00e7\u00e3o de status social, as ideias sobre conveni\u00eancia, a forma de fazer o trabalho dom\u00e9stico e os padr\u00f5es de limpeza e higiene pessoal, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, sanitaristas, acreditando erroneamente que miasmas (cheiro ruim de putrefa\u00e7\u00e3o) causavam doen\u00e7as, criaram movimentos para drenar p\u00e2ntanos, implementar a coleta de lixo e instalar sistemas de esgoto. As medidas reduziram os miasmas e mais do que isso, evitavam a dissemina\u00e7\u00e3o de insetos e roedores, vetores de doen\u00e7as. Quando aliada \u00e0 higiene pessoal, a reforma sanit\u00e1ria aumentou significativamente a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, reduzindo a mortalidade infantil e aumentando a expectativa de vida. O controle da sujeira passou a ser visto como um valor da sociedade e tamb\u00e9m um direito c\u00edvico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos s\u00e9culos anteriores, tomar banhos uma vez por semana quando muito era mais que suficiente. Transportar, aquecer e descartar a \u00e1gua era trabalhoso. No entanto, a partir do s\u00e9culo XIX, tomar banho com mais frequ\u00eancia era sinal de status social. Limpeza virou marca de superioridade. Os banhos se tornaram mais populares com a aceita\u00e7\u00e3o religiosa e a recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Com o passar do tempo, a classe m\u00e9dia tamb\u00e9m adotou os banhos como rotina e a constru\u00e7\u00e3o dos banheiros se tornou imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Os h\u00e1bitos de higiene pessoal mudaram significativamente no ocidente a partir de 1910. A ditadura da limpeza foi finalmente instaurada! Hoje sab\u00e3o e banheiro s\u00e3o os aliados mais eficazes que a humanidade tem para conter a pandemia atual do COVID-19 e o avan\u00e7o de agentes patog\u00eanicos que ainda est\u00e3o por vir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><b><i>Bibliografia<\/i><\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">AIELLO, A. E.; LARSON, E. L.; SEDLAK, R. Hidden heroes of the health revolution. Sanitation and personal hygiene. <\/span><\/i><b><i>Am. J. Infect. Control.<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 36, p. S128-S151, 2008.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">CURTIS, V. A. A natural history of hygiene. <\/span><\/i><b><i>Can. J. Infect. Dis. Med. Microbiol.<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 18, n. 1, p. 11-14, 2007.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">LARSON, E. Hygiene of the skin: when is clean too clean? <\/span><\/i><b><i>Emerg. Infect. Dis.<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 7, n. 2, p. 225-230, 2001.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">KONKOL, K. L.; RASMUSSEN, S. C. An ancient cleanser: soap production and use in antiquity. In: <\/span><\/i><b><i>Chemical Technology in Antiquity<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">. North Dakota: ACS Symposium Series, 2015, cap. 9, p. 245-266.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. <\/span><\/i><b><i>Guideline for hand hygiene in health-care settings<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">: Recommendations of the healthcare infection control practices advisory committee and the HICPAC\/SHEA\/APIC\/IDSA Hand Hygiene Task Force. MMWR, v. 51, n. RR- 16, 2002. Dispon\u00edvel em:<\/span><\/i><a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/PDF\/rr\/rr5116.pdf\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">rr5116.pdf<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 26 de mar\u00e7o de 2020.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Agradecimento \u00e0 Graciele Almeida de Oliveira do Blogs de Ci\u00eancia da Unicamp pela revis\u00e3o do texto e sugest\u00f5es.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Cr\u00e9dito imagem de capa: <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Burst por Pexels.<\/span><\/p>\n<p><br \/>Texto publicado originalmente em 26 de mar\u00e7o de 2020<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<ol class=\"has-avatars has-dates has-excerpts wp-block-latest-comments\"><li class=\"wp-block-latest-comments__comment\"><article><footer class=\"wp-block-latest-comments__comment-meta\"><span class=\"wp-block-latest-comments__comment-author\">Helena<\/span> em <a class=\"wp-block-latest-comments__comment-link\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-1\/#comment-51\">Di\u00e1rio de Israel #1 Eu sou daqui, eu n\u00e3o sou de Marte<\/a><time datetime=\"2022-03-06T09:37:42-03:00\" class=\"wp-block-latest-comments__comment-date\">6 de mar\u00e7o de 2022<\/time><\/footer><div class=\"wp-block-latest-comments__comment-excerpt\"><p>Camila, adorei o texto! Vou te acompanhar por aqui!!! Que vc tenha uma experi\u00eancia incr\u00edvel, bjos.<\/p>\n<\/div><\/article><\/li><li class=\"wp-block-latest-comments__comment\"><article><footer class=\"wp-block-latest-comments__comment-meta\"><span class=\"wp-block-latest-comments__comment-author\">Germana Barata<\/span> em <a class=\"wp-block-latest-comments__comment-link\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-1\/#comment-50\">Di\u00e1rio de Israel #1 Eu sou daqui, eu n\u00e3o sou de Marte<\/a><time datetime=\"2022-03-06T09:35:58-03:00\" class=\"wp-block-latest-comments__comment-date\">6 de mar\u00e7o de 2022<\/time><\/footer><div class=\"wp-block-latest-comments__comment-excerpt\"><p>Camila que esta jornada seja cheia de sabores, cores, sotaques e experi\u00eancias enriquecedoras da alma e do corpo.<\/p>\n<\/div><\/article><\/li><li class=\"wp-block-latest-comments__comment\"><article><footer class=\"wp-block-latest-comments__comment-meta\"><span class=\"wp-block-latest-comments__comment-author\">Susy<\/span> em <a class=\"wp-block-latest-comments__comment-link\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-1\/#comment-49\">Di\u00e1rio de Israel #1 Eu sou daqui, eu n\u00e3o sou de Marte<\/a><time datetime=\"2022-03-06T09:34:20-03:00\" class=\"wp-block-latest-comments__comment-date\">6 de mar\u00e7o de 2022<\/time><\/footer><div class=\"wp-block-latest-comments__comment-excerpt\"><p>Camilinha, t\u00f4 at\u00e9 gostando de ler tudo de uma vez, e agora. Tem mais sabor! E fico lembrando de cada&hellip;<\/p>\n<\/div><\/article><\/li><li class=\"wp-block-latest-comments__comment\"><article><footer class=\"wp-block-latest-comments__comment-meta\"><span class=\"wp-block-latest-comments__comment-author\">Susy<\/span> em <a class=\"wp-block-latest-comments__comment-link\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-2\/#comment-48\">Di\u00e1rio de Israel #2 Diga pra Nazar\u00e9 que eu n\u00e3o tardo em chegar<\/a><time datetime=\"2022-03-06T09:30:51-03:00\" class=\"wp-block-latest-comments__comment-date\">6 de mar\u00e7o de 2022<\/time><\/footer><div class=\"wp-block-latest-comments__comment-excerpt\"><p>D\u00e1 pra imaginar Heathrow\ud83d\ude33\u2026 e a emo\u00e7\u00e3o da chegada, depois de tantas perip\u00e9cias\ud83d\ude0a\ud83d\ude0a\ud83d\ude0a\ud83d\ude0a<\/p>\n<\/div><\/article><\/li><li class=\"wp-block-latest-comments__comment\"><article><footer class=\"wp-block-latest-comments__comment-meta\"><span class=\"wp-block-latest-comments__comment-author\">Sofia<\/span> em <a class=\"wp-block-latest-comments__comment-link\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-3\/#comment-47\">Di\u00e1rio de Israel #3 A baleia \u00e9 mais segura que um grande navio<\/a><time datetime=\"2022-03-06T09:28:03-03:00\" class=\"wp-block-latest-comments__comment-date\">6 de mar\u00e7o de 2022<\/time><\/footer><div class=\"wp-block-latest-comments__comment-excerpt\"><p>Del\u00edcia, estou caminhando com vc, mas eu sou seu contr\u00e1rio. Super ansiosa\u2026 Louquinha para sair desse cub\u00edculo\u2026 Rumo a liberdade!&hellip;<\/p>\n<\/div><\/article><\/li><\/ol>\n\n\n\n<div class=\"monsterinsights-widget-popular-posts monsterinsights-widget-popular-posts-alpha monsterinsights-popular-posts-styled monsterinsights-widget-popular-posts-columns-1\"><ul class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-list\"><li ><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/diarioisrael-3\/\"><div class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-text\"><span class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-title\" >Di\u00e1rio de Israel #3 A baleia \u00e9 mais segura que um grande navio<\/span><\/div><\/a><\/li><li ><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/corrida-espacial\/\"><div class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-text\"><span class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-title\" >A corrida espacial tur\u00edstica \u00e9 p\u00fablico-privada<\/span><\/div><\/a><\/li><li ><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/laranja-madura-na-beira-da-estrada\/\"><div class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-text\"><span class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-title\" >Di\u00e1rio de Israel #5 Laranja madura na beira da estrada<\/span><\/div><\/a><\/li><li ><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/4-o-piao-entrou-na-roda\/\"><div class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-text\"><span class=\"monsterinsights-widget-popular-posts-title\" >Di\u00e1rio de Israel #4 O pi\u00e3o entrou na roda<\/span><\/div><\/a><\/li><\/ul><\/div><p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai para onde: Lua ou Marte? Na reportagem, o astr\u00f4nomo Ricardo Ogando, do Observat\u00f3rio Nacional, fala sobre o recente avan\u00e7o das viagens com tripula\u00e7\u00e3o feito pela SpaceX, com apoio e financiamento da NASA. O marco hist\u00f3rico atingido na miss\u00e3o SpaceX Demo-2 \u00e9 o primeiro passo para o turismo espacial comercial. <\/p>\n","protected":false},"author":354,"featured_media":815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[15,12],"tags":[40,41,42,44,43],"class_list":["post-811","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensaio-opiniao","category-reportagem","tag-covid-19","tag-higiene-pessoal","tag-limpeza","tag-microorganismos","tag-pandemia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/soap2-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/354"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=811"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":818,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/811\/revisions\/818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}