{"id":823,"date":"2021-10-29T12:17:00","date_gmt":"2021-10-29T15:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/?p=823"},"modified":"2021-10-29T12:22:04","modified_gmt":"2021-10-29T15:22:04","slug":"madelaine-venzon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/madelaine-venzon\/","title":{"rendered":"Madelaine Venzon: inseto praga, inseto solu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h3><i>Madelaine Venzon, pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (EPAMIG) e coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia, estuda insetos ben\u00e9ficos para eliminar agrot\u00f3xicos dos cultivos e reduzir a contamina\u00e7\u00e3o ambiental.<\/i><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;<span style=\"background-color:#ffffff\" class=\"tadv-background-color\">Entusiasmo-me pela pesquisa que busca solu\u00e7\u00f5es para a agricultura baseada na natureza<\/span>&#8220;<\/p><cite><em>Madelaine Venzon<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>O que a influenciou a seguir carreira cient\u00edfica?<\/strong><\/p>\n<p>No final do curso de agronomia na Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, me interessei pelo estudo dos insetos, principalmente, o controle de pragas por m\u00e9todos alternativos, sem uso de agrot\u00f3xicos. As not\u00edcias de contamina\u00e7\u00e3o ambiental por agrot\u00f3xicos e outros agentes qu\u00edmicos me incomodavam na \u00e9poca e continuam me incomodando hoje.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s formada, trabalhei com agr\u00f4noma por alguns meses em Caxias do Sul, minha terra natal. O excesso e a exclusividade do controle qu\u00edmico como m\u00e9todo de controle de pragas e doen\u00e7as na regi\u00e3o chamava a aten\u00e7\u00e3o e me preocupava. Um ano ap\u00f3s formada, iniciei o mestrado na Universidade Federal de Lavras (UFLA), Minas Gerais, sob supervis\u00e3o do Prof. Cesar Freire Carvalho, quem me introduziu ao mundo dos insetos predadores. Desde ent\u00e3o, meu interesse pelo controle biol\u00f3gico s\u00f3 aumenta.<\/p>\n<p><strong>Qual a motiva\u00e7\u00e3o que direciona o seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Ser \u00fatil e realizar pesquisas necess\u00e1rias para a sociedade. Sinto uma enorme realiza\u00e7\u00e3o pessoal com o meu trabalho! Minha motiva\u00e7\u00e3o continua a mesma do in\u00edcio da carreira: a busca por alternativas ao uso de agrot\u00f3xicos. A forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos na minha \u00e1rea de estudo e as atividades de populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia me motivam muito tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Por exemplo, quando em uma atividade de interc\u00e2mbio com agricultores, voc\u00ea v\u00ea que uma simples explica\u00e7\u00e3o com demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de como os insetos s\u00e3o ben\u00e9ficos para a agricultura, transforma o olhar dessas pessoas sobre um determinado organismo. \u00c9 motivador! Por isso, falo sempre aos meus colegas: \u2013 Saiam do conforto dos seus laborat\u00f3rios e das salas de aula de vez em quando e interajam com as pessoas, com os agricultores, os estudantes, etc. Isso d\u00e1 uma vis\u00e3o diferenciada \u00e0 pesquisa, especialmente quando queremos realmente ser \u00fateis!<\/p>\n<p><strong>Quais as contribui\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fez para a ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Comecei a carreira de pesquisadora na Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (EPAMIG), na cidade de Uberaba, Minas Gerais, em 1992, logo ap\u00f3s finalizar o mestrado. Ali fui pioneira na implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de controle biol\u00f3gico de percevejos da soja.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Depois do doutorado em controle biol\u00f3gico realizado na Universidade de Amsterd\u00e3 na Holanda, continuei minha pesquisa na EPAMIG de Vi\u00e7osa, Minas Gerais. O desafio era aplicar os conhecimentos adquiridos na agricultura familiar. Foi nessa \u00e9poca que iniciei meus estudos em controle biol\u00f3gico conservativo, com foco em estrat\u00e9gias para aumentar as popula\u00e7\u00f5es de inimigos naturais nos cultivos de caf\u00e9 e de hortali\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considero importante o trabalho que fa\u00e7o que une pesquisa cient\u00edfica b\u00e1sica e aplicada na \u00e1rea de manejo agroecol\u00f3gico de pragas em benef\u00edcio, principalmente, dos pequenos agricultores. Meu trabalho \u00e9 feito em diferentes escalas \u2013 laborat\u00f3rio, casa de vegeta\u00e7\u00e3o e campo \u2013 e os resultados s\u00e3o publicados em peri\u00f3dicos indexados para a comunidade cient\u00edfica. No entanto, na minha opini\u00e3o, meu diferencial est\u00e1 nas a\u00e7\u00f5es de populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia que fa\u00e7o. Tenho sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de comunicar meus resultados de pesquisa em linguagem f\u00e1cil e acess\u00edvel em circulares t\u00e9cnicos ou informes agropecu\u00e1rios publicados pela EPAMIG.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o do livro<\/span><a href=\"https:\/\/www.editoraufv.com.br\/produto\/101-culturas-manual-de-tecnologias-agricolas-2-edicao-revista-e-atualizada\/1109943\"> <i><span style=\"font-weight: 400\">101 Culturas: Manual de Tecnologias Agr\u00edcolas<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, editora UFV (ed. 2, 2019), considerado o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Manual do Agr\u00f4nomo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; por ser uma fonte relevante sobre temas do dia a dia de agr\u00f4nomos, como exig\u00eancias clim\u00e1ticas, \u00e9pocas de plantio, cultivares dispon\u00edveis, tratos culturais, colheita e comercializa\u00e7\u00e3o para 101 culturas de import\u00e2ncia econ\u00f4mica. O livro re\u00fane 250 especialistas e \u00e9 fruto das pesquisas realizadas na EPAMIG e tamb\u00e9m em outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e ensino do pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os maiores desafios das cientistas no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Fazer ci\u00eancia \u00e9 um desafio no Brasil. O tempo para nos dedicarmos exclusivamente \u00e0 pesquisa \u00e9 um dos entraves. Grande parte do tempo \u00e9 gasto em atividades burocr\u00e1ticas e na busca por recursos para trabalhar, financeiros e log\u00edsticos. Sobra pouco tempo efetivo para mergulhar fundo nas pesquisas. A falta de financiamento e de infraestrutura para pesquisa, para citar alguns exemplos, s\u00e3o outros gargalos, que representam s\u00e9rias dificuldades.<\/p>\n<p><strong>O que mais a entusiasma na atividade de cientista?<\/strong><\/p>\n<p>Entusiasmo-me pela pesquisa que busca solu\u00e7\u00f5es para a agricultura baseada na natureza. \u00c9 um trabalho sem fim, cheio de descobertas e desafios!<\/p>\n<p><strong>Algum conselho para as jovens aspirantes a cientista?<\/strong><\/p>\n<p>Usem bem o tempo, especialmente durante a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Leiam muito. H\u00e1 uma infinidade de fontes a serem exploradas. Visitem o campo e observem a natureza e o comportamento dos organismos. Observem como as plantas reagem ao ataque dos insetos e como os insetos se relacionam. Cumpram sempre seus compromissos de trabalho e, se poss\u00edvel, fa\u00e7am um treinamento no exterior, pois a experi\u00eancia de vida pessoal e profissional \u00e9 imensa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"color: #000000\"><b>Sobre a cientista convidada<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Madelaine \u00e9 engenheira agr\u00f4noma formada pela Universidade Federal de Pelotas, fez mestrado em Fitossanidade (Entomologia) na Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutorado pela Universidade de Amsterd\u00e3, Holanda. Come\u00e7ou a carreira de pesquisadora na Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (EPAMIG) em 1992. Em 2017 recebeu o pr\u00eamio de Destaque M\u00e9rito Cient\u00edfico da EPAMIG pelos trabalhos desenvolvidos em prol do controle biol\u00f3gico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 escreveu mais de 100 artigos em jornais cient\u00edficos arbitrados, al\u00e9m de 15 livros e 45 cap\u00edtulos de livros de editoras nacionais e internacionais. Orientou mais de 120 alunos, entre inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, treinamento t\u00e9cnico, trabalho de conclus\u00e3o de curso, especializa\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-graduandos (mestrandos e doutorandos) e p\u00f3s-doutorandos. Atualmente \u00e9 professora nos cursos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Entomologia e em Defesa Sanit\u00e1ria Vegetal, ambos pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), e coordena o Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia.<\/span><\/p>\n<h5><b>Inseto praga, inseto solu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Madelaine busca solu\u00e7\u00f5es na natureza para uma agricultura menos dependente de qu\u00edmicos e mol\u00e9culas sint\u00e9ticas e mais saud\u00e1vel e segura para os seres humanos e demais organismos do planeta Terra. A tarefa requer o estudo dos ecossistemas e da teia de rela\u00e7\u00f5es entre diferentes organismos que os comp\u00f5e. Observar e contemplar a natureza faz parte do seu \u201cfazer ci\u00eancia\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das solu\u00e7\u00f5es para evitar ou reduzir o uso de agrot\u00f3xicos para controlar pragas e doen\u00e7as que causam preju\u00edzos \u00e0s lavouras est\u00e1 no controle biol\u00f3gico conservativo, tema de estudo da cientista. O controle biol\u00f3gico conservativo re\u00fane pr\u00e1ticas de manejo que promovem e protegem popula\u00e7\u00f5es de organismos considerados inimigos dos organismos que se quer combater. Os chamados \u201cinimigos naturais\u201d podem ser insetos, fungos, bact\u00e9rias, etc. que se alimentam do organismo praga, predam seus ovos ou formas jovens, depositam seus ovos nele ou infectam-no com alguma doen\u00e7a. As possibilidades na natureza s\u00e3o in\u00fameras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um pr\u00e1tica do controle biol\u00f3gico conservativo \u00e9 o plantio na lavoura de plantas n\u00e3o-cultiv\u00e1veis ou n\u00e3o-comerci\u00e1veis que sejam fonte de alimento ou que sirvam de ninhos artificiais para os inimigos naturais. Para ilustrar, o uso de gergelim ao redor de planta\u00e7\u00f5es de arroz aumenta o n\u00famero de inimigos naturais das pragas comuns \u00e0 essa cultura e, na China (entre 900 e 1200 a.C.), ninhos da formiga-verde (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Oecophylla smaragdina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) eram espalhados deliberadamente pelas lavouras de citros para o controle de insetos, que danificavam folhas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Usar um organismo contra o outro \u00e9 ecologicamente correto e mais barato que o uso dos famigerados agrot\u00f3xicos. De acordo com um<\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41893-018-0114-0\"> <span style=\"font-weight: 400\">estudo recente<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o uso do controle integrado de pragas com o controle biol\u00f3gico conservativo aumenta a produ\u00e7\u00e3o em 5-40% e reduz o uso de qu\u00edmicos do grupo pesticidas em 30-70%. Apesar de antigas, essas pr\u00e1ticas s\u00e3o ainda pouco estudadas e exploradas comercialmente. O fato \u00e9 que os benef\u00edcios econ\u00f4micos, principalmente, para pequenos agricultores e as vantagens ecol\u00f3gicas e ambientais dessas pr\u00e1ticas poder\u00e3o ser estrat\u00e9gicas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em um futuro incerto de crise clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cr\u00e9dito de imagem: <\/span>Pixabay no Pexels<\/p>\n<p>Entrevista publicada originalmente em 29 abril de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madelaine Venzon, pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (EPAMIG) e coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Agroecologia, estuda insetos ben\u00e9ficos para eliminar agrot\u00f3xicos dos cultivos e reduzir a contamina\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n","protected":false},"author":354,"featured_media":825,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[47,28,46,48,26,27],"class_list":["post-823","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-agrotoxicos","tag-entrevista","tag-insetos","tag-madelaine-venzon","tag-pesquisa","tag-relato-pessoal"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-content\/uploads\/sites\/170\/2021\/10\/ladybug-beetle-coccinellidae-insect-121472.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/354"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=823"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":827,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/823\/revisions\/827"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/planteia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}