{"id":45,"date":"2011-06-08T16:46:00","date_gmt":"2011-06-08T20:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/podeimburana\/2011\/06\/subjetividade-do-paciente-x-subjetividade-do-medico\/"},"modified":"2011-06-08T16:46:00","modified_gmt":"2011-06-08T20:46:00","slug":"subjetividade-do-paciente-x-subjetividade-do-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/podeimburana\/2011\/06\/08\/subjetividade-do-paciente-x-subjetividade-do-medico\/","title":{"rendered":"Subjetividade do paciente x subjetividade do m\u00e9dico"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto escrevia a reportagem \u201cCatarata Mapeada\u201d, publicada ontem na Revista Pesquisa FAPESP, fiquei matutando sobre a fonte da subjetividade em testes diagn\u00f3sticos. Logo pensei que isso viraria um post aqui para o P\u00f3: subjetividade do m\u00e9dico versus subjetividade do paciente. Um post sem respostas, claro, apenas questionamentos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/media.tumblr.com\/tumblr_lmhmkoSv7x1qb2qz8.gif\" \/><\/p>\n<p><strong>Simulando como indiv\u00edduos com catarata enxergam. <em>Fonte: Camera Culture, MIT Media Lab.\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O que disparou minha reflex\u00e3o foi uma declara\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico Rubens Belfort, um dos entrevistados para a reportagem. Ao opinar sobre a aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da tecnologia interativa que detecta catarata usando celular, o oftalmologista da Unifesp fez v\u00e1rias pondera\u00e7\u00f5es e se mostrou preocupado com o fato do teste ser baseado no que o paciente est\u00e1 enxergando e n\u00e3o em uma avalia\u00e7\u00e3o objetiva do olho, por um profissional de sa\u00fade, em busca das manchas brancas da catarata.\u00a0<\/p>\n<p>Detalhes sobre a tecnologia est\u00e3o na reportagem (<a title=\"CATRA Fapesp\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.revistapesquisa.fapesp.br\/pdf\/184\/075-077-184.pdf\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>).\u00a0Em resumo, o usu\u00e1rio olha para a tela do celular por meio do dispositivo, como se estivesse manipulando um caleidosc\u00f3pio, e responde a diferentes comandos apertando as teclas do pr\u00f3prio aparelho. Se, por exemplo, um ponto verde aceso na tela some, pisca ou fica emba\u00e7ado \u00e9 sinal de que a luz que sai da tela do celular foi desviada por uma poss\u00edvel mancha branca da catarata. Mapas de localiza\u00e7\u00e3o e gravidade da catarata s\u00e3o gerados de acordo com as respostas dos pacientes.<\/p>\n<p>Fiquei pensando: ser\u00e1 que os testes realizados em consult\u00f3rios m\u00e9dicos atualmente para detec\u00e7\u00e3o da catarata s\u00e3o livres de subjetividade? N\u00e3o sei.\u00a0O indiano Shrikant Bharadwaj, que trabalha em um dos centros da OMS para preven\u00e7\u00e3o da cegueira, me disse que os testes atuais por vezes falham na detec\u00e7\u00e3o precoce ou deixam de diagnosticar certos tipos da doen\u00e7a. Nem sempre dizer se o paciente tem ou n\u00e3o catarata \u00e9 preto no branco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/media.tumblr.com\/tumblr_lmjs35rrIe1qb2qz8.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;Subjetividade&#8221;, gentilmente cedida por\u00a0Beatriz Chaim <\/strong><a title=\"Berilis\" target=\"_blank\" href=\"\/\/www.flickr.com\/people\/berilis\/)\" rel=\"noopener noreferrer\">(<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/people\/berilis\/\">http:\/\/www.flickr.com\/people\/berilis\/<\/a>)<\/a><\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00e3o vale mesmo a pena levar em conta o que o paciente est\u00e1 enxergando, ao menos como uma triagem inicial da presen\u00e7a de catarata?\u00a0Me parece que n\u00e3o valorizar a capacidade do paciente em fazer seu pr\u00f3prio diagn\u00f3stico vai contra a tend\u00eancia (ops, n\u00e3o sei se \u00e9 tend\u00eancia) em colocar o paciente cada vez mais como respons\u00e1vel por sua pr\u00f3pria sa\u00fade. Veja o que o pessoal do\u00a0<em>CollaboRhythm<\/em>, projeto do grupo <em>New Media Medicine<\/em> (MIT Media Lab) est\u00e1 fazendo (<a title=\"NewMediaMedicines\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/newmed.media.mit.edu\/collaborhythm\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>).\u00a0<\/p>\n<p>Com a dissemina\u00e7\u00e3o de tecnologias port\u00e1teis, baratas e de f\u00e1cil acesso para monitoramento da nossa sa\u00fade, acredito que a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico\/paciente passar\u00e1 por uma importante reavalia\u00e7\u00e3o. \u201cPacientes\u201d ser\u00e3o cada vez mais ativos e engajados nas decis\u00f5es terap\u00eauticas por conta do f\u00e1cil acesso aos dados de prontu\u00e1rios m\u00e9dicos e por poderem realizar testes cl\u00ednicos antes restritos a consult\u00f3rios m\u00e9dicos e\/ou a profissionais de sa\u00fade.\u00a0<\/p>\n<p>Claro que o caminho ainda \u00e9 longo e a estrutura \u00e9 pesada demais para ser mudada com rapidez. Claro tamb\u00e9m que tais tecnologias t\u00eam suas desvantagens&#8230;<\/p>\n<p><em>PS:\u00a0Dos sete autores do trabalho realizado no MIT, que ser\u00e1 apresentado em agosto no SIGGRAPH, a maior confer\u00eancia de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do mundo, quatro s\u00e3o brasileiros: Manuel Oliveira e Vitor Pamplona da UFRGS e Esteban Clua e Erick Passos da UFF.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto escrevia a reportagem \u201cCatarata Mapeada\u201d, publicada ontem na Revista Pesquisa FAPESP, fiquei matutando sobre a fonte da subjetividade em testes diagn\u00f3sticos. Logo pensei que isso viraria um post aqui para o P\u00f3: subjetividade do m\u00e9dico versus subjetividade do paciente. Um post sem respostas, claro, apenas questionamentos. Simulando como indiv\u00edduos com catarata enxergam. 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