{"id":594,"date":"2021-10-27T11:13:20","date_gmt":"2021-10-27T14:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/?p=594"},"modified":"2021-10-27T11:13:20","modified_gmt":"2021-10-27T14:13:20","slug":"por-que-chamamos-os-rompimentos-de-barragens-de-desastre-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/10\/27\/por-que-chamamos-os-rompimentos-de-barragens-de-desastre-crime\/","title":{"rendered":"Por que chamamos os rompimentos de barragens de desastre-crime?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper\"><em>Let\u00edcia Ferreira da Silva (IB\/Unicamp), Lucas Alves Pereira (FE\/Unicamp), <\/em><br><em>Bianca de Jes\u00fas Silva (Nepam\/Unicamp) e Giulia Mendes Gambassi (IEL\/Unicamp, GEDIS\/UFU)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Dentre as muitas possibilidades de nomear os rompimentos de barragens de minera\u00e7\u00e3o, o CRIAB prop\u00f5e que nos voltemos a eles enquanto desastres-crime. A ideia geral \u00e9 promover a utiliza\u00e7\u00e3o desse termo para evocar um desastre socioambiental que poderia ter sido evitado, e que \u00e9 resultado de um modo de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico materializado na cadeia de extra\u00e7\u00e3o mineral. Assim, deve ser analisado em uma perspectiva cr\u00edtica, que clama por responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image eplus-wrapper\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab2\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-684x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-595\" width=\"321\" height=\"479\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-201x300.jpeg 201w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-768x1149.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-500x748.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-800x1197.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1-180x270.jpeg 180w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2021\/09\/Samarco-2016-Lama-1.jpeg 802w\" sizes=\"(max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><figcaption>Figura 1: N\u00e3o esque\u00e7a Mariana.<br>Cr\u00e9ditos: J\u00falia Pontes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como exemplo de desastres-crimes, podemos citar dois casos que ocorreram nos \u00faltimos anos no estado de Minas Gerais: um na cidade de Mariana e outro em Brumadinho. O primeiro se deu quando a Barragem do Fund\u00e3o se rompeu, devastando comunidades pr\u00f3ximas ao local do rompimento, como o caso de Bento Rodrigues, e seguiu atingindo munic\u00edpios, ao longo do Rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. Al\u00e9m de ter gerado problemas irrevers\u00edveis dentre perdas de fauna, flora e 19 vidas humanas que foram ceifadas. O segundo caso ocorreu quando a barragem B1 rompeu, levando a vida de 272 pessoas que estavam nas imedia\u00e7\u00f5es da barragem. Grande parte dessas pessoas trabalhavam na empresa respons\u00e1vel pelas opera\u00e7\u00f5es na mina. Os desdobramentos desse rompimento foram continuados devido ao carreamento da lama para o rio Paraopeba, afluente do rio S\u00e3o Francisco, causando uma crise ambiental profunda marcada, inclusive, por um intenso desamparo na popula\u00e7\u00e3o local, diante das perdas materiais e imateriais provocadas pelo rompimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ambas as barragens eram do tipo a montante, que agora s\u00e3o proibidas no Brasil, como vimos brevemente no post <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/09\/01\/o-que-sao-barragens\/\"><em>O que s\u00e3o barragens?<\/em><\/a> e que detalharemos aqui no blog, nas pr\u00f3ximas publica\u00e7\u00f5es. Atualmente, elas est\u00e3o desativadas, mas tanto a Samarco quanto a Vale, que as administram, afirmavam estar seguindo as normas de seguran\u00e7a quando os desastres-crime ocorreram. Isso pode indicar que <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-11\/tragedia-de-brumadinho-poderia-ter-sido-evitada-segundo-anm\">as empresas administradoras n\u00e3o fizeram as manuten\u00e7\u00f5es e inspe\u00e7\u00f5es corretamente<\/a>, sendo, junto aos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores do Estado, respons\u00e1veis por essas trag\u00e9dias evit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse sentido, considerando que as palavras t\u00eam efeito n\u00e3o s\u00f3 na interpreta\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 ocorreu, sendo tamb\u00e9m ferramentas valiosas para dar novas dimens\u00f5es de sentido a acontecimentos presentes e futuros, trazemos &#8220;crime&#8221; junto a &#8220;desastre&#8221; para que o car\u00e1ter social e pol\u00edtico dessas constru\u00e7\u00f5es seja levado em conta, buscando responsabilizar os envolvidos nessa atividade mineral \u2013 sejam eles da esfera p\u00fablica ou privada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em breve, publicaremos um verbete na nova edi\u00e7\u00e3o do <em>Dicion\u00e1rio Cr\u00edtico da Minera\u00e7\u00e3o<\/em>, que explica em maior detalhe essa palavra que, como mencionamos, n\u00e3o \u00e9 qualquer uma na disputa de narrativas que se d\u00e1 ao redor dessas trag\u00e9dias. Esse dicion\u00e1rio \u00e9 resultado de um esfor\u00e7o coletivo de diversos\/as professores\/as e pesquisadores\/as de diferentes universidades do Brasil, articulados pelo Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">N\u00e3o perca nosso pr\u00f3ximo post, em que introduziremos uma s\u00e9rie sobre os principais impactos de barragens ligadas a grandes empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Siga nossas <a href=\"https:\/\/conecta.bio\/criabunicamp\/\">redes sociais<\/a> e acompanhe o blog!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Let\u00edcia Ferreira da Silva (IB\/Unicamp), Lucas Alves Pereira (FE\/Unicamp), Bianca de Jes\u00fas Silva (Nepam\/Unicamp) e Giulia Mendes Gambassi (IEL\/Unicamp, GEDIS\/UFU) Dentre as muitas possibilidades de nomear os rompimentos de barragens de minera\u00e7\u00e3o, o CRIAB prop\u00f5e que nos voltemos a eles enquanto desastres-crime. 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Assim, deve ser&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/10\/27\/por-que-chamamos-os-rompimentos-de-barragens-de-desastre-crime\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":601,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-594","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-conceitos-temas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/601"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/594\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}