{"id":601,"date":"2021-11-11T21:09:06","date_gmt":"2021-11-12T00:09:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/?p=601"},"modified":"2021-11-11T21:09:06","modified_gmt":"2021-11-12T00:09:06","slug":"para-alem-da-cava-ampliacao-e-reverberacoes-da-atividade-mineral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/11\/11\/para-alem-da-cava-ampliacao-e-reverberacoes-da-atividade-mineral\/","title":{"rendered":"Para al\u00e9m da cava: amplia\u00e7\u00e3o e reverbera\u00e7\u00f5es da atividade mineral"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right eplus-wrapper\"><em>Talita Gantus, Ana Paula Leal, Marco T\u00falio C\u00e2mara, Claudia Pfeiffer<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A proposi\u00e7\u00e3o da <strong>Jornada de Debates na Minera\u00e7\u00e3o, <\/strong>iniciada em 2019<strong>, <\/strong>emergecom o intuito de aprofundar o debate sobre o \u2018problema mineral brasileiro\u2019, desde o mundo do trabalho e consumo, aos conflitos territoriais advindos da superexplora\u00e7\u00e3o da natureza e da interfer\u00eancia nos modos de vida das comunidades atingidas. Logo, faz-se necess\u00e1rio construir a\u00e7\u00f5es conjuntas e simult\u00e2neas para repercuss\u00e3o interna, no ambiente acad\u00eamico formal, que fortale\u00e7am a perspectiva da soberania popular na minera\u00e7\u00e3o e da defesa dos bens naturais do povo brasileiro, atrav\u00e9s de diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o e de m\u00eddias alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Desde os eventos de rompimentos de barragens de rejeito das mineradoras Samarco (2015) e Vale S.A. (2019), que se localizavam nos munic\u00edpios mineiros de Mariana e Brumadinho, respectivamente, o debate acerca do \u2018problema mineral\u2019 ganhou maior visibilidade na sociedade brasileira. Movimento que, em nosso entendimento, \u00e9 de extrema&nbsp; import\u00e2ncia, uma vez que as reverbera\u00e7\u00f5es da atividade mineral, enquanto problem\u00e1tica, atravessam os povos, os territ\u00f3rios e as m\u00faltiplas formas de vida, com consequ\u00eancias danosas, como as observadas nos epis\u00f3dios citados anteriormente, fazendo deste um problema que pertence a todos n\u00f3s. Posto isso, urge a necessidade de debat\u00ea-lo qualificadamente com vistas \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o das formas de domina\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da desigualdade, inerentes e continuadas, pelo atual modelo mineral imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A escolha do m\u00eas de novembro para realiza\u00e7\u00e3o da Jornadas reside na triste, por\u00e9m necess\u00e1ria, rememora\u00e7\u00e3o do desastre-crime (conceito trabalhado pelo CRIAB e abordado <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/blog\/\">neste texto aqui<\/a>) da barragem de C\u00f3rrego do Fund\u00e3o, em Mariana\/MG, sob responsabilidade da Samarco\/Vale\/BHP Billiton, ocorrido em 5 de novembro de 2015 e considerado como um dos maiores ecoc\u00eddios em territ\u00f3rio brasileiro. Importante pontuarmos que todo ecoc\u00eddio \u00e9 um genoc\u00eddio e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como forma de contribuir para esse debate de suma import\u00e2ncia acad\u00eamica e pol\u00edtica, o <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/criab-quem-somos\/\">CRIAB<\/a> (Grupo de A\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens), em parceria com<a href=\"https:\/\/www.apontepronorte.org\/\"> a_Ponte<\/a> (ONG de divulga\u00e7\u00e3o de geoci\u00eancias cr\u00edtica), o <a href=\"https:\/\/forumdanatureza.org.br\/\">F\u00f3rum Popular da Natureza<\/a>, a <a href=\"https:\/\/forumdanatureza.org.br\/c\/escola\/30\">Escola Popular da Natureza<\/a> e o <a href=\"https:\/\/mamnacional.redelivre.org.br\/\">MAM<\/a> (Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o), organizam, pelo 3\u00ba ano consecutivo, esta Jornada &#8211; de 22 a 24 de novembro de 2021.&nbsp; Pretendemos, dentro da multiplicidade&nbsp; de quest\u00f5es que competem ao debate, nos debru\u00e7ar em tr\u00eas eixos, que contribuem para pensar os impactos da atividade para al\u00e9m da cava e dos pr\u00f3prios eventos de rompimentos. O objetivo \u00e9 colaborar para a maior visibiliza\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o de algumas pr\u00e1ticas da atividade mineral e de suas consequ\u00eancias que s\u00e3o, muitas vezes, silenciadas. Assim, partiremos de uma an\u00e1lise mais global para uma mais espec\u00edfica, organizada em tr\u00eas sess\u00f5es, como apresentado abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Economia pol\u00edtica da minera\u00e7\u00e3o e perpetua\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica colonial &#8211; 22 de novembro, 19h00<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Bens naturais retirados em escala local s\u00e3o transacionados por agentes internacionais em mercados externos, gerando uma possibilidade de lucro infinito sobre recursos que s\u00e3o finitos. O Departamento de Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da mineradora Vale informa que 47,74% das suas a\u00e7\u00f5es pertencem a<a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2019\/01\/28\/bradesco-mitsui-bndes-fundos-de-pensao-saiba-quem-sao-os-donos-da-vale\/?__cf_chl_jschl_tk__=ce85988b9791681b37b8e5af5167fab6dc238171-1598490227-0-AXWKLpWnDQdhAnVrG8B5enPhD2sWHnIQy3yklZNagg2ef7rwgVhiI6WVMZ4oXHbfIuMX0GU9lOTfdDgkKPhbrpGB4iN9I_Q8J8YHA2L6qOblznGI8J1t3iNKyLW7p0HH8rDT9m4w6E4tlG08wKeW25Nw76c8WoYD72Lg0gJ87G8nwnZq7Ry_LOwXcESZ5gSp-bwTUPs8yEJ_O6_4sv2FOkVi_0zI31GNFRo7-nzakoIFYd3xQJSAKQPoRgSDw9GIYM1VxLc9BGlHhU3fiEiqOxu_r7tY9rDtKQ_XLHk0dQ169XbAPN3GFRqbvSAqAR6ZZSBgD1dmqeUQ-zP0Mz3BryPfyRNjXYAY9EApWd5flORAYanyrV6WMz8jhAwMPRcDbA\"> <\/a><a href=\"https:\/\/deolhonosruralistas.com.br\/2019\/01\/28\/bradesco-mitsui-bndes-fundos-de-pensao-saiba-quem-sao-os-donos-da-vale\/?__cf_chl_jschl_tk__=ce85988b9791681b37b8e5af5167fab6dc238171-1598490227-0-AXWKLpWnDQdhAnVrG8B5enPhD2sWHnIQy3yklZNagg2ef7rwgVhiI6WVMZ4oXHbfIuMX0GU9lOTfdDgkKPhbrpGB4iN9I_Q8J8YHA2L6qOblznGI8J1t3iNKyLW7p0HH8rDT9m4w6E4tlG08wKeW25Nw76c8WoYD72Lg0gJ87G8nwnZq7Ry_LOwXcESZ5gSp-bwTUPs8yEJ_O6_4sv2FOkVi_0zI31GNFRo7-nzakoIFYd3xQJSAKQPoRgSDw9GIYM1VxLc9BGlHhU3fiEiqOxu_r7tY9rDtKQ_XLHk0dQ169XbAPN3GFRqbvSAqAR6ZZSBgD1dmqeUQ-zP0Mz3BryPfyRNjXYAY9EApWd5flORAYanyrV6WMz8jhAwMPRcDbA\">investidores estrangeiros<\/a> que operam por meio da Bolsa de Nova York e da Bovespa, totalizando US$ 31,86 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O que se vivencia na atual cadeia produtiva mineral, portanto, \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o do lucro por uma minoria e a socializa\u00e7\u00e3o dos impactos socioambientais. Mais que isso, seguindo a l\u00f3gica colonial: o lucro vai para os acionistas estrangeiros, enquanto os conflitos permanecem em solo brasileiro. Todavia, o agravamento das condi\u00e7\u00f5es e o aprofundamento da crise pelo capitalismo financeirizado apresenta-se como uma forma desenvolvida do empreendimento colonial, sua outra faceta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para tratar da conjuntura nacional e da economia pol\u00edtica do setor extrativo da minera\u00e7\u00e3o, suas ra\u00edzes coloniais e da transfer\u00eancia de valor entre os pa\u00edses ditos desenvolvidos e subdesenvolvidos, convidamos, <strong>no dia 22 de novembro<\/strong>, Charles Trocate, Giliad de Sousa e Juliane Furno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Charles Trocate<\/strong> \u00e9 educador popular, fil\u00f3sofo, escritor e membro da Academia Sul Paraense de Letras (ALSSP), e da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM). Desde os 15 anos, \u00e9 militante pol\u00edtico do MST, e na \u00faltima d\u00e9cada, vem se dedicando \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do MAM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Giliad de Sousa<\/strong> \u00e9 professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Par\u00e1 (Unifesspa), mestre e doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenador do Laborat\u00f3rio de Contas Regionais da Amaz\u00f4nia (Lacam) e integrante do Grupo de Estudos em Pol\u00edtica, Economia e Din\u00e2micas Miner\u00e1rias (GPEM).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Juliane Furno<\/strong> \u00e9 mestre e doutora em desenvolvimento econ\u00f4mico pela Unicamp e militante do Levante Popular da Juventude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Mulheres e minera\u00e7\u00e3o: as opress\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe &#8211; 23 de novembro, 19h00<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em locais onde a minera\u00e7\u00e3o se instala, fortemente amparada pelo discurso de desenvolvimento e progresso, ao contr\u00e1rio, o que se observa \u00e9 o aumento da precariza\u00e7\u00e3o da vida, dos conflitos por terra e \u00e1gua, da viol\u00eancia f\u00edsica e tamb\u00e9m simb\u00f3lica \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, principalmente aquelas mais vulner\u00e1veis, e da consequente desestabiliza\u00e7\u00e3o e perda de v\u00ednculos entre comunidades e seus territ\u00f3rios. Nessas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel observar uma sobreposi\u00e7\u00e3o de opress\u00f5es que atravessam as quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe social, fazendo com que as mulheres, sobretudo as mulheres negras, sejam as principais impactadas pelos danos advindos da atividade mineral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A <a href=\"http:\/\/www.plataformadh.org.br\/\">Plataforma Brasileira DHESCA (Direitos Humanos Econ\u00f4micos, Sociais, Culturais e Ambientais)<\/a> apresentou, em 2013, o <a href=\"http:\/\/www.global.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/plataforma-dhesca_carajas.pdf\">relat\u00f3rio <\/a><a href=\"http:\/\/www.global.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/plataforma-dhesca_carajas.pdf\">Minera\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00f5es de direitos relativos a tal opera\u00e7\u00e3o<\/a>, pontuando como efeito: migra\u00e7\u00e3o desordenada, agravamento nas condi\u00e7\u00f5es de vida e nas desigualdades de g\u00eanero, precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e vulnerabilidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual e outras formas de viol\u00eancia. Ainda, Segundo a<a href=\"https:\/\/www.sof.org.br\/\"> Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista (SOF)<\/a>, nas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o mineral \u00e9 recorrente a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra as mulheres, a viol\u00eancia sexual e a prostitui\u00e7\u00e3o. Dentro das empresas nesse setor produtivo, o cen\u00e1rio \u00e9 de desigualdade de g\u00eanero na empregabilidade; em todos os postos de trabalho, o n\u00famero de trabalhadores homens dentro de toda a cadeia supera muito o de mulheres. Segundo pesquisa do IBGE de 2015, o setor mineral tem quase<a href=\"http:\/\/projetofosfato.com.br\/mulheres-na-mineracao\/\"> <\/a><a href=\"http:\/\/projetofosfato.com.br\/mulheres-na-mineracao\/\">90% de profissionais homens<\/a>. Al\u00e9m da quest\u00e3o de g\u00eanero, pretendemos construir o debate em torno da problem\u00e1tica da atividade mineral tamb\u00e9m pela lente \u00e9tnico-racial, destacando que a maior parte dos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fund\u00e3o \u00e9 negra:<a href=\"http:\/\/anpur.org.br\/xviiienanpur\/anaisadmin\/capapdf.php?reqid=665\"> o povoado de Bento Rodrigues apresenta 84,3% de sua popula\u00e7\u00e3o negra, Paracatu de Baixo, 80%, Gesteira, 70,4% e Barra Longa, 60,3%<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Conceitualmente, \u00e9 poss\u00edvel tratar a sobreposi\u00e7\u00e3o dessas opress\u00f5es atrav\u00e9s da interseccionalidade entre o machismo, o racismo e as a\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o de classe. Mas, e nos territ\u00f3rios, como esses movimentos s\u00e3o observados e sentidos, quais formas de mobiliza\u00e7\u00e3o e&nbsp; enfrentamento atravessam essas causas? Para abordarmos como as mulheres, principalmente mulheres negras, s\u00e3o as mais afetadas pela minera\u00e7\u00e3o, convidamos, para o dia<strong> 23 de novembro<\/strong>, Fabrina Furtado, Ana Carla Cota e Larissa Vieira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Fabrina Furtado<\/strong> \u00e9 professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRRJ, pesquisadora do Laborat\u00f3rio Estado, Trabalho, Territ\u00f3rio e Natureza e do Grupo de Estudos sobre Mudan\u00e7as Sociais, Agroneg\u00f3cio e Pol\u00edticas P\u00fablicas (GEMAP). Foi assessora da Relatoria de Direitos Humanos ao Meio Ambiente da Plataforma Dhesca e atuou e acompanha redes de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, como a Rede Brasileira de Justi\u00e7a Ambiental (RBJA).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Ana Carla Cota<\/strong> \u00e9 atingida da barragem do Doutor da Mineradora Vale; engenheira ge\u00f3loga. Membro da Comiss\u00e3o dos Atingidos por Barragens de Ant\u00f4nio Pereira, Ouro Preto &#8211; MG; membro da Flama &#8211; MG (Frente Mineira de luta das atingidas e atingidos pela Minera\u00e7\u00e3o); e membro da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Vila Residencial Ant\u00f4nio Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Larissa Vieira<\/strong> \u00e9 advogada popular. Integra a RENAP (Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares) e o Coletivo Margarida Alves. \u00c9 tamb\u00e9m colaboradora do MAM. Atua com conflitos socioambientais h\u00e1 8 anos. Mestre e, atualmente, Doutoranda no PPGSD\/UFF pesquisando a tem\u00e1tica de minera\u00e7\u00e3o e racismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Minera\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da cava: reflexos na crise habitacional &#8211; 24 de novembro, 19h00<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em se tratando de uma outra camada dessa problem\u00e1tica ainda pouco explorada, h\u00e1 uma profunda rela\u00e7\u00e3o entre os capitais imobili\u00e1rios e especuladores, empreiteiras e construtoras e o setor mineral, principalmente o de agregados de constru\u00e7\u00e3o civil. Talvez passe despercebido este fato, mas o cimento, a tinta, a cal, a brita, enfim, muitos materiais utilizados na constru\u00e7\u00e3o civil s\u00e3o provenientes da extra\u00e7\u00e3o mineral. A ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil usufruiu de alguns anos de bonan\u00e7a, resultado da ampla oferta de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio e por obras decorrentes do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e tamb\u00e9m das obras preparat\u00f3rias para a Copa do Mundo 2014. Segundo dados do DNPM, a produ\u00e7\u00e3o recorde de 745 milh\u00f5es de toneladas de agregados em 2013 foi resultado dessas a\u00e7\u00f5es. Embora a din\u00e2mica desse setor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de ferro seja diferente, os impactos s\u00e3o t\u00e3o devastadores quanto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A despeito disso, reside a\u00ed uma contradi\u00e7\u00e3o, principalmente quando avaliamos o cen\u00e1rio do estado de S\u00e3o Paulo: apesar das in\u00fameras obras p\u00fablicas continuadas e da presen\u00e7a de canteiros de obras que se acumulam e se sobrep\u00f5em em cidades como a capital, o d\u00e9ficit habitacional na cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 estimado em <a href=\"https:\/\/exame.com\/brasil\/raquel-rolnik-moradia-dos-mais-pobres-nao-e-alvo-de-politica-publica\/#:~:text=Em%20entrevista%20a%20EXAME%2C%20Raquel,desta%20ter%C3%A7a%2Dfeira%20(1)%3F\">358 mil moradias<\/a> &#8211; que abrigariam fam\u00edlias de v\u00e1rias pessoas. No caso espec\u00edfico do centro de S\u00e3o Paulo, im\u00f3veis p\u00fablicos e privados t\u00eam sido mantidos vazios, como reserva de valor fundi\u00e1rio e imobili\u00e1rio, enquanto muitos, que n\u00e3o tendo onde morar, ocupam onde podem e da forma que podem. Somado a isso, na maioria das vezes, o financiamento habitacional subsidiado pelo governo, que deveria ser dirigido aos mais pobres, tem financiado a habita\u00e7\u00e3o das classes m\u00e9dias e dos mais ricos. Em mar\u00e7o deste ano, <a href=\"http:\/\/novosite.fjp.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/04.03_Relatorio-Deficit-Habitacional-no-Brasil-2016-2019-v1.0_compressed.pdf\">a Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro divulgou os dados do d\u00e9ficit habitacional brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo de 2016 a 2019<\/a>. De acordo com os dados apresentados, o d\u00e9ficit habitacional entre 2016 e 2019 foi basicamente feminino e negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para entendermos a rela\u00e7\u00e3o entre esses setores &#8211; mineral, imobili\u00e1rio e fundi\u00e1rio &#8211; e como a minera\u00e7\u00e3o lucra a partir dessa crise habitacional, convidamos, para o dia<strong> 24 de novembro<\/strong>, Edson Mello, Celso Carvalho e Irene Maestro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Edson Mello<\/strong> \u00e9 ge\u00f3logo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e doutor pela Unicamp e Universidade da Austr\u00e1lia Ocidental &#8211; UWA. Acumula experi\u00eancias na iniciativa privada e na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal na Secretaria de Geologia, Minera\u00e7\u00e3o e Transforma\u00e7\u00e3o Mineral &#8211; Minist\u00e9rio de Minas e Energia, e \u00e9 professor na UFRJ e Diretor do Instituto de Geoci\u00eancias da UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Celso Carvalho <\/strong>&nbsp;\u00e9 engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia pela Escola Polit\u00e9cnica da USP, institui\u00e7\u00e3o onde foi professor entre 1990 e 2011. Pesquisador do IPT de 1985 a 2003. Diretor do Minist\u00e9rio das Cidades de 2003 a 2014, onde foi respons\u00e1vel pelos programas de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria urbana e preven\u00e7\u00e3o de desastres. Engenheiro Especialista em Infraestrutura na Superintend\u00eancia do Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o em S\u00e3o Paulo, de 2015 a 2018. Servidor p\u00fablico federal aposentado. Membro da coordena\u00e7\u00e3o nacional da Rede BrCidades, integrante do Projeto Brasil da Frente Brasil Popular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Irene Maestro<\/strong> \u00e9 militante do movimento Luta Popular, advogada e pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talita Gantus, Ana Paula Leal, Marco T\u00falio C\u00e2mara, Claudia Pfeiffer A proposi\u00e7\u00e3o da Jornada de Debates na Minera\u00e7\u00e3o, iniciada em 2019, emergecom o intuito de aprofundar o debate sobre o \u2018problema mineral brasileiro\u2019, desde o mundo do trabalho e consumo, aos conflitos territoriais advindos da superexplora\u00e7\u00e3o da natureza e da interfer\u00eancia nos modos de vida das comunidades atingidas. Logo, faz-se necess\u00e1rio construir a\u00e7\u00f5es conjuntas e simult\u00e2neas para repercuss\u00e3o interna, no ambiente acad\u00eamico formal, que fortale\u00e7am a perspectiva da soberania popular&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/11\/11\/para-alem-da-cava-ampliacao-e-reverberacoes-da-atividade-mineral\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":601,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[6,8],"tags":[],"class_list":["post-601","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-conexoes-criab","category-eventos"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/601"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}