{"id":691,"date":"2024-04-10T18:52:18","date_gmt":"2024-04-10T21:52:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/?p=691"},"modified":"2024-04-10T18:52:18","modified_gmt":"2024-04-10T21:52:18","slug":"um-giro-ecoterritorial-pelas-veias-abertas-da-america-latina-um-relato-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2024\/04\/10\/um-giro-ecoterritorial-pelas-veias-abertas-da-america-latina-um-relato-2\/","title":{"rendered":"UM GIRO ECOTERRITORIAL PELAS VEIAS ABERTAS DA AM\u00c9RICA LATINA: UM RELATO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><i>Por Leonardo de Souza da Silva,\u00a0 Luna Alves Pereira e Talita Gantus de Oliveira<\/i><\/p>\n<p>A oficina\u00a0<i>\u201cUm giro ecoterritorial pelas veias abertas da Am\u00e9rica Latina<\/i>\u201d foi o ponto central que movimentou parte dos integrantes do CRIAB ao IV Congresso de Ecolog\u00eda Pol\u00edtica y Pensamiento Cr\u00edtico Latino-americano, sediado em Quito \u2013 Equador. A oficina visava a constru\u00e7\u00e3o de debates e questionamentos acerca do ideal hegem\u00f4nico sobre o neoextrativismo e a percep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento socioecon\u00f4mico a ele associada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_663\" aria-describedby=\"caption-attachment-663\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-663\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab2\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2.jpg\" alt=\"Roda de Conversa: Experiencias de peritos comunitarios en derechos de la naturaleza en las cortes del Ecuador. IV Congresso Latinoamericano de Ecologia Pol\u00edtica, Quito, Equador, 19\/10\/2022.\" width=\"1200\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2.jpg 1200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-1024x469.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-768x352.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-500x229.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-800x367.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/TALITA-2-589x270.jpg 589w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-663\" class=\"wp-caption-text\">Roda de Conversa: Experiencias de peritos comunitarios en derechos de la naturaleza en las cortes del Ecuador. IV Congresso Latinoamericano de Ecologia Pol\u00edtica, Quito, Equador, 19\/10\/2022.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Tendo em vista o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/2021\/10\/27\/por-que-chamamos-os-rompimentos-de-barragens-de-desastre-crime\/\">desastre-crime<\/a>\u00a0decorrente do rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana \u2013 MG, tema com o qual o grupo vem trabalhando desde sua origem, em 2019, e sabendo que a problem\u00e1tica\u00a0 neo-extrativista atravessa os territ\u00f3rios latino-americanos desde sua\u00a0 g\u00eanese colonial, estabeleceu-se a constru\u00e7\u00e3o visual da paisagem do rompimento das barragens, como um elemento disparador das discuss\u00f5es constru\u00eddas na oficina. Associados a isso,\u00a0 foram feitos alguns questionamentos que serviram como provoca\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o dos di\u00e1logos.<\/p>\n<p>No primeiro momento, os participantes tentaram identificar nas\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1zw6UQQdJXntt84LhLPGvF72QRl_jikWQ?usp=share_link\">fotos entregues<\/a>\u00a0como parte da din\u00e2mica a que localidade se associava aquelas paisagens que retratam a destrui\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m qual o tipo de atividade extrativista havia sido praticada ali. Em comum acordo, todos associaram as paisagens retratadas nas fotografias \u00e0 minera\u00e7\u00e3o a \u201cc\u00e9u aberto\u201d. Entretanto, nem todos notaram que todas as imagens tratavam-se de um territ\u00f3rio brasileiro. E, os que o fizeram, acreditaram que se tratava de territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos, por desconhecerem que grande parte da minera\u00e7\u00e3o no Brasil acontece no bioma Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Como foi levantado nos di\u00e1logos, a descaracteriza\u00e7\u00e3o da paisagem acontece porque a atividade de minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente extrai os recursos naturais dessas localidades \u2014 removendo montanhas, poluindo rios, desmatando florestas e expulsando formas de vida humanas e n\u00e3o-humanas \u2014, como tamb\u00e9m extrai parte da identidade daquele territ\u00f3rio, dissociando nossa capacidade de reconhecimento do lugar.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, formaram-se grupos para o desenvolvimento de di\u00e1logos e a constru\u00e7\u00e3o de pensamentos coletivos acerca de dois questionamentos principais. No primeiro, buscava-se propor modos de se fazer um furo no imagin\u00e1rio social hegem\u00f4nico quando o extrativismo mineral \u00e9 visto como sin\u00f4nimo de desenvolvimento ou progresso. No segundo, propunha-se pensar em pr\u00e1ticas coletivas para desestabilizar aquilo que j\u00e1 est\u00e1 cristalizado, a fim de buscar a constru\u00e7\u00e3o de ideais como os bens comuns, a justi\u00e7a ambiental, o bem viver e\u00a0 os direitos da Natureza.<\/p>\n<p>Durante a din\u00e2mica, enquanto se observavam as fotos do desastre-crime da Samarco\/Vale\/BHP nos territ\u00f3rios de Bento Rodrigues, MG, a fala \u201cEsto no es miner\u00eda a cielo abierto, esto es un infierno abierto\u201d, pronunciada pelo ind\u00edgena Domingos, nos permitiu uma nova reflex\u00e3o sobre o discurso do progresso e os significantes a ele atrelados a depender de quem o enuncia. Na sequ\u00eancia, as respostas apresentadas aos questionamentos apontavam a educa\u00e7\u00e3o como uma ferramenta estrat\u00e9gica para a desconstru\u00e7\u00e3o dos ideais capitalistas-coloniais que bradam o progresso, o desenvolvimentismo e o lucro acima da vida. Paradoxalmente, quando olhamos para o cen\u00e1rio do rompimento de barragem retratado nas fotografias, observa-se a Escola Municipal Bento Rodrigues \u2014 lugar que representa um desses espa\u00e7os educacionais que seriam lanternas que apontam para a supera\u00e7\u00e3o desse modo de produ\u00e7\u00e3o extrativista \u2014 destru\u00edda pelo mar de lama resultado do rompimento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_649\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-649\">\n<p><figure id=\"attachment_649\" aria-describedby=\"caption-attachment-649\" style=\"width: 1732px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-649\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab2\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30.jpg\" alt=\"Escola Municipal Bento Rodrigues, Bento Rodrigues, MG. Foto: Pedro Salom\u00e3o.\" width=\"1732\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30.jpg 1732w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-800x532.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-1280x851.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-406x270.jpg 406w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/projetocriab\/wp-content\/uploads\/sites\/302\/2024\/04\/Captura-de-Tela-2024-04-05-as-10.47.30-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1732px) 100vw, 1732px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-649\" class=\"wp-caption-text\">Escola Municipal Bento Rodrigues, Bento Rodrigues, MG. Foto: Pedro Salom\u00e3o.<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ao analisar as propostas levantadas pelos grupos, percebeu-se um ponto central do qual todos partiam e que se situava para al\u00e9m do pensamento acad\u00eamico, opondo-se radicalmente ao pensamento euroc\u00eantrico do qual boa parte da academia se fundamenta. Assim, notou-se que as propostas buscavam o resgate de conhecimentos ancestrais no intuito de possibilitar a autonomia dos territ\u00f3rios atingidos. Dentre elas, uma que se destacou foi a do turismo comunit\u00e1rio, por meio do qual seria poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um interc\u00e2mbio sociocultural e educacional aliado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do planeta, servindo como uma forma de desconstru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio social de que a minera\u00e7\u00e3o representa o progresso de um pa\u00eds e seus povos.<\/p>\n<p>Desenvolvendo o ecoturismo e\/ou o geoturismo \u2014 o turismo de preserva\u00e7\u00e3o da natureza \u2014, por meio das estrat\u00e9gias de base comunit\u00e1ria, como alternativa \u00e0 atividade miner\u00e1ria, a atividade tur\u00edstica pode ser vista n\u00e3o somente como dinamizadora da economia local, mas como elemento estruturante de uma ordem cultural e ambientalmente respons\u00e1vel, abrindo caminho para as reflex\u00f5es sobre a sustentabilidade socioecol\u00f3gica e sobre as simbologias culturais. Assim, os preceitos de conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ambiental passam tamb\u00e9m pela gest\u00e3o dos projetos que contemplam o desenvolvimento das comunidades.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.apontepronorte.org\/revista1\">O turismo de base comunit\u00e1ria aparece, portanto, como atividade complementar de gera\u00e7\u00e3o de renda e de educa\u00e7\u00e3o socioambiental e cultural, ao mesmo tempo<\/a>. Com isso, o turismo se relaciona com o lugar e com as pr\u00e1ticas culturais desenvolvidas naquele territ\u00f3rio. Essa rela\u00e7\u00e3o amplia sua escala de influ\u00eancia na medida em que, para se realizar, envolve elementos de ordens pol\u00edtica, social, cultural, econ\u00f4mica e ambiental no espa\u00e7o em que se instala.<\/p>\n<p>Para as\/os estudantes que puderam participar do congresso, dentro dos diversos aprendizados obtidos, o que mais se destaca foi como a influ\u00eancia da cosmovis\u00e3o ind\u00edgena pairando em boa parte do territ\u00f3rio latino age como um dos maiores eixos de resist\u00eancia ao extrativismo e \u00e0 l\u00f3gica capitalista, e como essa pode ser uma das melhores solu\u00e7\u00f5es frente \u00e0 problem\u00e1tica atual.<\/p>\n<p>Nesta cosmovis\u00e3o, n\u00e3o se distingue homem e natureza, o que se contrap\u00f5e \u00e0 l\u00f3gica dominante e cada vez mais homog\u00eanea no mundo, a qual n\u00e3o apenas diminui a autonomia humana ao longo da constru\u00e7\u00e3o do que se concebe como progresso, como tamb\u00e9m distancia o ser humano cada vez mais da natureza, do solo e at\u00e9 mesmo de seu pr\u00f3prio alimento e de suas ra\u00edzes ancestrais. Desse modo, nos tornamos ref\u00e9ns do sistema capitalista, em que o acesso a todo e qualquer produto seria detido\/controlado por ind\u00fastrias ou corpora\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo quando esse produto \u00e9 aquele que nos mant\u00e9m vivos.<\/p>\n<p>A partir dessas discuss\u00f5es, percebe-se, tamb\u00e9m, que a l\u00f3gica do capitalismo verde \u00e9 apenas paliativa, n\u00e3o solucionando o problema estrutural que envolve a produ\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o mineral para a acumula\u00e7\u00e3o de capital. E o que concebemos como ecologia \u00e9 insuficiente para promovermos verdadeiros ve\u00edculos de mudan\u00e7as, pois, mesmo que retomem a seus modos de vidas de culturas mais tradicionais, tratam-se, na verdade,\u00a0 de produtos deturpados pela apropria\u00e7\u00e3o cultural. Desse modo, parte da solu\u00e7\u00e3o vem sob a l\u00f3gica de um resgate ancestral centrado e pautado pela autonomia ind\u00edgena, em que o extrativismo\u00a0 mineral e diversas outras vertentes capitalistas encontrariam dificuldades para se estabelecer, pois atingiria ou violaria diretamente as pessoas, e n\u00e3o um outro, como a natureza ou apenas um territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>As reflex\u00f5es finais sobre a oficina e o congresso de Ecologia Pol\u00edtica, em s\u00edntese, apontam que n\u00e3o existe apenas uma resposta para essa invers\u00e3o da ideologia colonial dominante, o que ocorre \u00e9 que cada localidade ter\u00e1 particularmente uma s\u00e9rie de implementa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a desconstru\u00e7\u00e3o dessa hegemonia. Nesse sentido, entende-se que as iniciativas que envolvem pedagogias ambientais precisam abarcar vis\u00f5es comunit\u00e1rias e populares de sustentabilidade, e at\u00e9 mesmo cosmovis\u00f5es locais de povos tradicionais, pois \u00e9 apenas a partir dessa centralidade que avan\u00e7os reais poderiam ser alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Um ponto de partida para essa pedagogia ecol\u00f3gica ou interc\u00e2mbio cultural foi o vestibular ind\u00edgena que se iniciou em 2018 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entretanto, somente a inser\u00e7\u00e3o de outros povos em meio \u00e0 l\u00f3gica acad\u00eamica \u00e9 insuficiente para dar voz a eles e permitirem que pautem e renovem conceitos cristalizados em nossa sociedade. Assim, n\u00e3o somente o vestibular ind\u00edgena seria um caminho, mas a extens\u00e3o cultural de cada povo tamb\u00e9m deveria ser alimentada, por exemplo, utilizar do Centro de L\u00ednguas (CEL) para promover a riqueza lingu\u00edstica de cada etnia presente no campus. Aliados a estas propostas e din\u00e2micas, tamb\u00e9m deveriam ser promovidas rodas de ensino de saberes locais com professores, alunos e at\u00e9 mesmo comunidade em geral no entorno da Unicamp.<\/p>\n<p>Para a \u00e1rea das Ci\u00eancias da Terra, cita-se o exemplo da Col\u00f4mbia, uma das regi\u00f5es mais ricas em minerais met\u00e1licos da Am\u00e9rica Latina, onde s\u00e3o extra\u00eddos 50 toneladas de ouro por ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scirp.org\/html\/2-2000548_61147.htm\">segundo o artigo<\/a>\u00a0intitulado\u00a0<i>\u201cGreen Gold-Dirty Gold\u201d<\/i>, publicado pelos autores William E. Brooks, Julio Andr\u00e9s Sierra-Giraldo e Franciso Mena Palacios. Para essa extra\u00e7\u00e3o, cerca de 100 toneladas de merc\u00fario v\u00e3o parar nos rios e no solo, contaminando trabalhadores garimpeiros, a fauna e a flora regionais, meios pelos quais tamb\u00e9m atingem a comunidade ao redor por meio da bioacumula\u00e7\u00e3o de contaminantes. Para solucionar essa problem\u00e1tica da contamina\u00e7\u00e3o, comunidades de povos afrodescendentes colombianos fazem uso de epistemologias e tecnologias sociais ancestrais para realizarem a extra\u00e7\u00e3o do ouro de maneira ambientalmente equilibrada. Esta extra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita utilizando-se uma planta (balsa ou\u00a0<i>Croma pyramidale<\/i>) que substitui o uso\u00a0 de merc\u00fario em regi\u00f5es de garimpo, servindo como o mesmo princ\u00edpio de amalgama\u00e7\u00e3o do ouro. Ainda no contexto de saberes locais e sob a \u00f3tica extrativista de territ\u00f3rios latino-americanos, na Col\u00f4mbia, como citado acima, entende-se que essa constru\u00e7\u00e3o de saberes multiculturais ou uma melhor concilia\u00e7\u00e3o de saberes locais com saberes cient\u00edficos trata-se de um solo extremamente fecundo para o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es e alternativas necess\u00e1rias para solucionar problemas e possibilitar desconstru\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias que precisam ser feitas atualmente.<\/p>\n<p>Para a \u00e1rea da pedagogia, esse interc\u00e2mbio cultural possibilitaria a constru\u00e7\u00e3o de novos paralelos para metodologias de ensino, em que a rela\u00e7\u00e3o f\u00edsica e bi\u00f3tica poderia ser melhor constru\u00edda, at\u00e9 mesmo permeando campos espirituais. Percebe-se que nos primeiros anos de escola a crian\u00e7a \u00e9 muito mais aberta ao novo e disposta a aprender gestos de cuidado com o outro \u2014 seja esse outro humano ou n\u00e3o-humano. Todavia, ao longo do tempo, parte dessa rela\u00e7\u00e3o se perde. Nesse sentido, um dos questionamentos que se fica \u00e9 como fortalecer esse v\u00ednculo e mant\u00ea-lo ao longo de todo o ensino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Leonardo de Souza da Silva,\u00a0 Luna Alves Pereira e Talita Gantus de Oliveira A oficina\u00a0\u201cUm giro ecoterritorial pelas veias abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d foi o ponto central que movimentou parte dos integrantes do CRIAB ao IV Congresso de Ecolog\u00eda Pol\u00edtica y Pensamiento Cr\u00edtico Latino-americano, sediado em Quito \u2013 Equador. 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