{"id":177,"date":"2026-07-10T11:56:07","date_gmt":"2026-07-10T14:56:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/?p=177"},"modified":"2026-07-10T12:12:28","modified_gmt":"2026-07-10T15:12:28","slug":"territorios-de-resistencia-a-educacao-como-trincheira-na-america-latina-resenha-critica-da-obra-educacao-na-america-latina-historia-movimentos-resistencias-e-proposicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/2026\/07\/10\/territorios-de-resistencia-a-educacao-como-trincheira-na-america-latina-resenha-critica-da-obra-educacao-na-america-latina-historia-movimentos-resistencias-e-proposicoes\/","title":{"rendered":"Resenha critica da Obra Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: hist\u00f3ria, movimentos, resist\u00eancias e proposi\u00e7\u00f5es."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Helena Vetorazo&nbsp;<a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0001-5657-1900\">https:\/\/orcid.org\/0000-0001-5657-1900<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KRUPPA, Sonia Maria Portella; MASCARENHAS, F\u00e1bio Sampaio; SOUZA, Marilene Proen\u00e7a Rebello de (Orgs.). <strong>Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: hist\u00f3ria, movimentos, resist\u00eancias e proposi\u00e7\u00f5es<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Portal de Livros Abertos da USP \/ Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina, 2026.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Territ\u00f3rios de Resist\u00eancia: A Educa\u00e7\u00e3o como Trincheira na Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colet\u00e2nea <em>Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: hist\u00f3ria, movimentos, resist\u00eancias e proposi\u00e7\u00f5es<\/em>, organizada por Sonia Maria Portella Kruppa, F\u00e1bio Sampaio Mascarenhas e Marilene Proen\u00e7a Rebello de Souza, toma como ponto de partida a premissa de que a educa\u00e7\u00e3o no continente \u00e9 um territ\u00f3rio hist\u00f3rico de disputa, indissoci\u00e1vel das tens\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas locais. Publicada pela Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina em parceria com a FEUSP, a obra de 485 p\u00e1ginas afasta-se de neutralidades t\u00e9cnicas para analisar as redes p\u00fablicas de ensino diante das heran\u00e7as coloniais, das desigualdades estruturais e das reformas gerenciais neoliberais que buscam mercantilizar o direito \u00e0 instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O volume estrutura-se a partir de uma articula\u00e7\u00e3o institucional entre o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina (Prolam\/USP), a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP e o Memorial da Am\u00e9rica Latina, dividindo-se em tr\u00eas eixos te\u00f3ricos e emp\u00edricos: a an\u00e1lise integrada da regi\u00e3o, os estudos comparados e a inser\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio brasileiro nesse panorama conceitual. Essa arquitetura \u00e9 sustentada por um corpo de colaboradores que transita entre a pedagogia hist\u00f3rico-cr\u00edtica, a psicologia hist\u00f3rico-cultural e a sociologia pol\u00edtica, o que confere densidade interdisciplinar ao exame da realidade escolar e das a\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro eixo, voltado \u00e0s matrizes decoloniais e psicossociais, os autores mobilizam os referenciais de Paulo Freire, Lev Vigotski e Ign\u00e1cio Mart\u00edn-Bar\u00f3 para confrontar o conceito de fatalismo latino-americano \u2014 a percep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de que a exclus\u00e3o social seria um dado imut\u00e1vel da realidade regional. Por meio da Psicologia da Liberta\u00e7\u00e3o, discute-se como os processos de conscientiza\u00e7\u00e3o atuam na decoloniza\u00e7\u00e3o epist\u00eamica e na recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria hist\u00f3rica, transformando o ato pedag\u00f3gico em vetor de emancipa\u00e7\u00e3o. Essa base te\u00f3rica ganha contornos pr\u00e1ticos no segundo bloco, dedicado \u00e0 antropologia da educa\u00e7\u00e3o, com destaque para o estudo da marcha educativa em Oaxaca, no M\u00e9xico. O cap\u00edtulo demonstra como a organiza\u00e7\u00e3o sindical e as coaliz\u00f5es de professores ind\u00edgenas formularam propostas pedag\u00f3gicas aut\u00f4nomas em meio a processos de insurrei\u00e7\u00e3o popular. A dimens\u00e3o transnacional se completa com uma an\u00e1lise comparativa entre Brasil e Col\u00f4mbia a respeito do acesso de migrantes venezuelanos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, evidenciando as lacunas normativas e humanit\u00e1rias da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro n\u00facleo da obra concentra-se na realidade brasileira, oferecendo uma leitura cr\u00edtica do que os autores caracterizam como uma <strong>transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica incompleta<\/strong>. Os ensaios recuperam desde as Reformas de Base da d\u00e9cada de 1960 at\u00e9 os processos contempor\u00e2neos de privatiza\u00e7\u00e3o e estabelecimento de parcerias p\u00fablico-privadas nas redes estaduais e municipais de ensino. A cr\u00edtica direciona-se \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de modelos de gest\u00e3o empresarial que priorizam m\u00e9tricas de efici\u00eancia e competitividade demandadas por organismos financeiros internacionais, esvaziando o sentido formativo e cr\u00edtico da escola p\u00fablica. Em contrapartida, o livro documenta as t\u00e1ticas de resist\u00eancia mobilizadas por docentes e por movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista anal\u00edtico, um dos maiores m\u00e9ritos do livro consiste em superar o isolamento cultural e lingu\u00edstico que historicamente afasta a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica brasileira dos debates promovidos na Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica. A articula\u00e7\u00e3o entre a psicologia social e a sociologia pol\u00edtica confere rigor \u00e0 an\u00e1lise das subjetividades e das estruturas macroecon\u00f4micas. Contudo, a diversidade de perspectivas te\u00f3ricas resulta em oscila\u00e7\u00f5es pontuais no f\u00f4lego anal\u00edtico e na densidade estil\u00edstica entre os cap\u00edtulos. Al\u00e9m disso, embora o mapeamento da l\u00f3gica mercantil sobre a escola seja preciso, o volume deixa caminhos abertos para que investiga\u00e7\u00f5es futuras incorporem o impacto das novas tecnologias digitais corporativas e da intelig\u00eancia artificial na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina<\/em> consolida-se como um diagn\u00f3stico substancial das reformas educacionais contempor\u00e2neas e um registro da pr\u00e1xis pedag\u00f3gica dos movimentos sociais da regi\u00e3o. Trata-se de uma leitura de refer\u00eancia para pesquisadores, estudantes e profissionais dedicados \u00e0 Sociologia da Educa\u00e7\u00e3o, \u00e0s Pol\u00edticas P\u00fablicas e \u00e0 Psicologia Escolar que buscam compreender as din\u00e2micas de poder e resist\u00eancia que moldam o ensino p\u00fablico no continente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Helena Vetorazo&nbsp;https:\/\/orcid.org\/0000-0001-5657-1900 Ficha t\u00e9cnica KRUPPA, Sonia Maria Portella; MASCARENHAS, F\u00e1bio Sampaio; SOUZA, Marilene Proen\u00e7a Rebello de (Orgs.). Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: hist\u00f3ria, movimentos, resist\u00eancias e proposi\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Portal de Livros Abertos da USP \/ Funda\u00e7\u00e3o Memorial da Am\u00e9rica Latina, 2026. Territ\u00f3rios de Resist\u00eancia: A Educa\u00e7\u00e3o como Trincheira na Am\u00e9rica Latina A colet\u00e2nea Educa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina: hist\u00f3ria, movimentos, resist\u00eancias e proposi\u00e7\u00f5es, organizada por Sonia Maria Portella Kruppa, F\u00e1bio Sampaio Mascarenhas e Marilene Proen\u00e7a Rebello de Souza, toma como&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/2026\/07\/10\/territorios-de-resistencia-a-educacao-como-trincheira-na-america-latina-resenha-critica-da-obra-educacao-na-america-latina-historia-movimentos-resistencias-e-proposicoes\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":446,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/446"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":181,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions\/181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/prometeus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}