Transtorno Obsessivo-Compulsivo e os Famosos

Você conhece o Transtorno Obsessivo-Compulsivo? Esse termo é utilizado quando as pessoas costumam ter pensamentos obsessivos que não conseguem tirar da cabeça, se comportam de maneira exageradamente repetida ou seguem rituais sem nenhum sentido aparente para aliviar alguma sensação de ansiedade.
Conheço muita gente que tem algumas pequenas manias, mas em uma frequência elevada pode trazer consequências indesejadas. O tratamento psicológico traz ótimos resultados. Veja algumas celebridades que apresentam alguns destes padrões de comportamentos:
Cameron Diaz
Apesar de sua conhecida cena do “gel de cabelo” em Quem Vai Ficar Com Mary, ela relata que não aguenta germes ou “fluidos” de outras pessoas. Ela diz que esfrega maçanetas de porta com tanta força para limpá-las que chega a sair tinta. Ela também lava as mãos e o chão “muitas vezes” todos os dias e chega a usar os cotovelos para abrir portas, para assim não pegar germes nas mãos.

David Beckham
David Beckham também tem seus problemas. Ele odeia números impares e é obcecado por simetria – se tem algo em trio, ele esconde o terceiro fora de seu campo de visão. Se vê algo meio torto, não descansa antes de “desentortar” a fila. Antes de se hospedar em algum quarto de hotel, ele diz que coloca todos os livros e panfletos juntos em uma gaveta.
Leonardo DiCaprio
Quando criança, não podia pisar em fendas ou bordas. Ele superou estes problemas até interpretar Howard Hughes no filme O Aviador. Ele reviveu seus antigos hábitos para entrar no papel do personagem fóbico Hughes e acabou caindo de volta no hábito – ele se atrasava frequentemente nas filmagens porque tinha um modo específico de andar para chegar ao set e refazia todos o caminho se cometesse algum erro.
Charles Darwin
Não são só os contemporâneos que apresentam tais características – evidências mostram que Darwin também apresentava estes tipos de comportamentos, incluindo outros relacionados à pânico, agorafobia e hipocondria. Esta pode ser um dos motivos do quanto ele detalhava os fatos – ele até mesmo anotava o volume e força dass campainhas em seus ouvidos todos os dias (Darwin sofria de uma condição que o fazia ouvir um zumbido permanente na ausência de qualquer fonte externa o emitindo).
Retirado de Neatorama – Eight Famous OCD Sufferers.

Garfield menos Garfield

Esse site eu achei sensacional! A idéia é simples e o resultado hilário, o autor pega várias tirinhas do Garfield e retira o próprio Garfield. Simples assim. A descrição original no site é a seguinte:
Quem diria que quando se tira o Garfield das tiras do Garfield, o resultado é uma série de quadrinhos muito melhor sobre esquizofrenia, transtorno bipolar e o desespero vazio da vida moderna? Amigos, conheçam Jon Arbuckle. Vamos rir e aprender com ele em uma profunda jornada na mente perturbada de um jovem isolado enquanto ele luta uma batalha contra a solidão em um quieto subúrbio americano.



E além de tudo, quem diria, tem tudo a ver com o objeto de estudo da Psicologia Clínica!
O endereço é www.garfieldminusgarfield.net (em inglês).

O “behaviorês” nosso de cada dia

O curso é ciência da computação, e a disciplina “Informática aplicada à educação”. Um grupo fica encarregado de explicar a “abordagem skinneriana”. Um dos alunos fala sobre o condicionamento operante e sua aplicação em pombos, ratos e humanos na aprendizagem de diversos comportamentos complexos, e um aluno da audiência pergunta como seria, por exemplo, ensinar um pombo a jogar ping-pong?
A resposta dada foi “…divide-se o problema aparentemente pequeno em problemas menores, e vai usando reforço imediato – primeiro incentiva ele a chegar perto da bola, depois a bicar ela, e vai indo…“. É certo que esta não é a linguagem que um Analista do Comportamento usaria, mas a idéia não estava errada e, de certa maneira, o ouvinte compreendeu o processo.
Sei que o uso de uma linguagem técnica é imprescindível entre os cientistas para garantir sua objetividade, clareza e precisão, mas já vi muitos professores (e, consequentemente, a abordagem behaviorista radical) perderem prestígio entre os alunos devido ao uso excessivo deste tipo de linguagem. A maioria dos calouros nunca ouviu falar no Behaviorismo Radical e nem na Análise do Comportamento (AC). Muitos entram no curso para descobrir os “segredos da alma”, as “energias internas do corpo” ou o “poder da mente” e ficam estarrecidos ao entrar em contato com a AC.
Será que, num primeiro contato, uma linguagem técnica é tão importante assim? Por que não dizer “aprendizagem” ao invés de “condicionamento“, ou “buscar causas” ao invés de “identificar variáveis controladoras“? Outros termos também costumam causar arrepios nos leigos, como a manipulação de variáveis e controle comportamental. O aluno que se interessar na abordagem terá tempo para se adequar à uma linguagem mais objetiva.
Se Stephen Hawking consegue me fazer aprender sobre o funcionamento de partículas subatômicas e buracos negros e Steven Rose sobre o desenvolvimento do cérebro no estágio embrionário, não acho que deveria ser tão difícil ensinar os princípios básicos da AC de maneira menos aversiva (ou mais acessível aos leigos). Alguma coisa está errada.
Não podemos esquecer que, se queremos uma boa divulgação de nossa abordagem e um reconhecimento positivo de nossos resultados na comunidade em geral, é importantíssimo saber adequar nosso discurso ao repertório verbal da audiência.
(E já que estamos no assunto, quem traduziu o “Beyond Freedom and Dignity” do Skinner para “O Mito da Liberdade” não merece ir para o céu!)

Calvin – Esquiva

Esquivando-se de uma contingência aversiva….
(quem nunca fez coisa parecida?!)

Garfield – Observação Direta

Essa tira é para quem trabalha com observação direta (no caso, 99,9% dos analistas do comportamento?).

Maurinho e a terapia


Retirado de: http://malvados.com.br/

Blade Runner – O Caçador de Andróides


Acabei de assistir à última versão do filme Blade Runner (The Final Cut – 2007). Sensacional. Esse negócio de humanos, adróides e robôs consegue ser bastante assustador. No filme, os Replicantes são andróides desenhados para serem réplicas exatas de seres humanos, se diferindo apenas pelo fato de não possuírem sentimentos. No entanto, seus criadores perceberam que após alguns anos de existência, eles desenvolviam seus próprios repertórios privados e sentimentais, inclusive o medo da morte.
Não são muito diferentes de nós, afinal de contas, não nascemos sabendo o que é inveja, ciúme, ganância ou empatia. Mas somos inteligentes, temos consciência das experiências que passamos durtante a vida e podemos ainda descrevê-las para outras pessoas. Herdamos geneticamente uma estrutura pronta para sentir, uma estrutura que nos faz modificar nossos comportamentos diante de diferentes situações baseados nas consequências obtidas. Desta maneira aprendemos a dizer que algo é legal, chato, engraçado, interessante ou perturbador. As repostas privadas que derivam destas experiências definem como vamos falar sobre elas. Sendo assim, a maneira como eu me sinto vem depende do ambiente externo, e os nomes que eu dou à estes sentimentos me foram ensinados pela comunidade verbal. Meu mundo interno é de origem social.
É possível então criar seres inteligentes capazes de aprender e descrever novas experiências mas não de sentir? Acho muito difícil. Retire estas sensações privadas e as situações já não tem mais as mesmas consequências. A aprendizagem é prejudicada.
Imagino que em algumas décadas (ou séculos) seremos capazes de montar nossos próprios andróides, de clonar seres humanos em qualqer estágio de desenvolvimento e, por que não, de criarmos seres vivos totalmente novos. Qual a finalidade destes seres? Que personalidade gostaríamos que eles tivessem, ou melhor, qual o repertório comportamental que deveria ser mais acentuado? Se quero clonar um cientista, precisa ser inteligente, no caso de um jogador de futebol deve ser mais forte fisicamente, no caso de um artista teria que conhecer bem os sentimentos humanos e como evocá-los. Que lembranças esses clones ou andróides deveriam ter para que se comportassem da maneira adequada? E que treinamentos precisariam? Bem, as únicas pessoas que eu conheço que estudam os impactos das lembranças, dos sentimentos, das experiências passadas e presentes no repertório comportamental (ou melhor, a interação organismo-ambiente) são os Analistas do Comportamento. Que bom, pelo visto ainda teremos muito trabalho nos próximos séculos.
Agora preciso ler o livro, originalmente chamado “Andróides Sonham Com Carneiros Elétricos?”, por Philip Dick.

Condicionamento de pombos em laboratório

O maior desafio dos Behavioristas é garantir uma ciência do comportamento capaz de descrever, explicar, prever e controlar seu objeto de estudo, que é a interação do organismo com seu ambiente. Não é uma tarefa fácil, mas pelo menos dentro do laboratório os cientistas possuem um maior controle acerca das variáveis que influenciam os comportamentos. A seguir um exemplo de condicionamento operante de pombos, narrado pelo próprio Skinner:

Se a gente consegue fazer um pombo dar uma, duas, três voltas (e por que não uma pequena dança), qual será o limite? Claro que é impossível ensinar um organismo a se comportar de maneira que sua fisiologia não permita (como uma pessoa a voar ou um pombo a falar) mas dá para se fazer muita coisa interessante, um exemplo é este próximo vídeo, que mostra dois pombos em uma partida de “ping-pong”:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MFC62xcOQuQ]

A Responsabilidade Humana


A Terra é uma anomalia. Em todo o sistema solar, ao que se saiba, é o único planeta habitado. Nós, humanos, somos uma entre milhões de espécies que vivem num mundo em florescência, transbordando de vida. No entanto, a maioria das espécies que existiram não existe mais. Depois de prosperarem por 180 milhões de anos, os dinossauros foram extintos. Todos sem exceção. Não sobrou nenhum. Nenhuma espécie tem garantido o seu lugar neste planeta. E estamos aqui há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projetou os meios para a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque podemos pensar dentro de nossas possibilidades. Temos o privilégio de influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação de lutar pela vida na Terra – não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles, humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores, e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro de nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos. Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma hipótese econômica, nenhum dogma religioso é mais importante.
(Carl Sagan; 1997, Bilhões e Bilhões: Reflexões sobre vida e morte na virada do milênio)
Os principais problemas enfrentados hoje pelo mundo só poderão ser resolvidos se melhorarmos nossa compreensão do comportamento humano.
(B. F. Skinner; 1974, Sobre o Behaviorismo)

O Mundo Assombrado por Demônios

O Mundo Assombrado por Demônios – A Ciência Vista Como uma Vela no Escuro (Carl Sagan).
Ainda não conheci ninguém que não tenha expressado interesse no livro após ler o título. No entanto, não posso dizer o mesmo quanto ao subtítulo – o que reflete justamente um dos temas mais discutidos por ele: a fascinação das pessoas em geral acerca das pseudociências e outras crenças fantásticas.
Entre os demônios aos quais o livro se refere estão cientistas charlatões, crenças como abduções alienígenas e viagens espirituais fora do corpo, a face em Marte como sinal de vida inteligente, marcas em plantações feitas por extraterrestres e até mesmo a Psicanálise e muitos outros. Mas o que mais fica evidente nos 25 capítulos do livro é a grande preocupação de Sagan em divulgar a importância de se ter uma visão parcimoniosa e cética dos fatos que chegam aos nossos ouvidos, não só quando se está trabalhando com ciência, mas também no dia a dia. O fato de se explicar algo cientificamente não necessariamente vai “tirar a graça” daquilo, pelo contrário, levanta mais questões a serem refletidas e respondidas.
E o que isso tem a ver com psicologia? Como foi dito, Sagan não hesita em chamar a Psicanálise de pseudociência, mas ao ler o capítulo dedicado à terapia, percebe-se que a crítica se aplica também à outras áreas da psicologia. Sagan critica a credibilidade de casos em que “lembranças” esquecidas vêm a tona de repente, pois podem ser de fácil indução por terapeutas, ou simplesmente inventadas.
Em um capítulo sobre alucinações ele levanta uma questão que muitos psicólogos já conhecem: até que ponto alucinar pode ser considerado um comportamento anormal? E pelo que percebi dividimos o mesmo ponto de vista: que alucinar é completamente normal e é facilmente influenciado por estímulos do ambiente.
De um modo geral, Sagan fala muito sobre visitas e abduções alienígenas, o que é compreensível visto que este é um dos demônios que mais assombram a astronomia – seu campo de trabalho. A nós, psicólogos, cabe refletir sobre quais são os demônios que precisam ser exorcisados.
Edição de bolso atualmente disponível na Saraiva. O meu foi “herdado” do meu pai! 😉

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