Marcapasso contra a depressão

Passeando pela net, me deparei com este artigo, a seguir um trecho:

Uma novidade pode reforçar o arsenal da medicina contra a depressão. Grupos de pesquisadores estão testando a eficácia de marcapassos no controle dos sintomas da doença, […] Embora ainda experimentais, os estudos têm apresentado resultados animadores.
O objetivo da implantação dos marcapassos é o mesmo dos medicamentos orais usados hoje contra a enfermidade. As duas estratégias têm como finalidade reequilibrar a concentração no cérebro de substâncias associadas às emoções.

Eu achei essa idéia tão absurda que juro que nem soube por onde começar a comentar, escrevi e apaguei este primeiro parágrafo umas três vezes pois em todas acabei sendo “radical” demais ou ofendendo alguém. Melhor apenas defender minha postura:
Eu não acredito que a depressão seja de origem genética nem que seja uma doença. Mas eu acredito que nosso corpo possui uma estrutura biológica herdada filogeneticamente para sentir, e em nossa ontogenia, ou seja, durante nosso desenvolvimento, esse corpo vai se adaptando ao meio que vivemos e em conjuntos de situações mais complexas como na perda de um ente querido, dificuldades financeiras, dificuldades de relações interpessoais, entre vários outras possíveis situações agravantes, acabamos adotando comportamentos rotulados como depressivos e nem sabemos como chegamos até tal ponto, muito menos como sair dele. No final das contas, é tão estranho que parece até doença!
O mais engraçado é que apesar de todos esses avanços e pesquisas nos tratamentos medicamentosos para a depressão (e outros transtornos), a terapia comportamental ainda é a mais eficaz.
Mais sobre o assunto em:
BANACO, R. A., Auto-regras e Patologia comportamental. Em ZAMIGNANI, D. R. (org.) Sobre comportamento e Cognição: a aplicação da análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no hospital geral e nos transtornos psiquiátricos. Santo André, ESEtec, 2001. (Cap.12)

Discussão - 10 comentários

  1. Isis disse:

    Que louco! Não acho bacana……

  2. Miriam disse:

    Felipe, gostei do site, principalmente pela possibilidade de discussão. Já percebi que é adepto da terapia comportamental, e eu nem tenho tanto cohecimento para discutir a respeito. No entanto, acho válido lembrarmos que mesmo que ela seja mais eficaz na maioria dos casos de depressão, não é em 100% deles. E o restante? Ficam sem solução? Cito, sem problemas, meu caso, como um em que a medicação junto com a psicanálise tiveram mais sucesso que as outras tentativas. O ideal, é que nós, como terapeutas ou pacientes tenhamos escolhas e informação.

  3. Primeiramente, obrigado pelo elogio ao site!
    Quanto ao seu comentário, você tocou em um ponto interessante, que assim como existem pessoas que respondem à medicação, existem outras que não. A mesma coisa acontece com os diferentes tipo de terapia: alguns se dão bem com um tipo, outros não. Difícil explicar o porquê.
    Fico feliz em ler seu relato, dizendo que obteve bons resultados usando a análise junto à medicação, pois no final das contas, o que todo buscamos (psicólogos, psiquiatras, neurologistas, etc) é o bem estar da pessoa.

  4. Ziza disse:

    Felipe, eu já achei muito boa esta descoberta. Justamente porque a depressão, embora bastante comum e tratável principalmente por abordagem cognitiva, é uma doença e há numerosas teses defendidas acerca disto. Entendo seu ponto de vista no sentido de que na maioria dos casos, há melhoras simplesmente com o rearranjo de variáveis. Adorei ter achado seu site! Esclarecedor mesmo! parabéns!

  5. Obrigado pelos comentários! Que bom que gostou do site!
    Ontem vi na tv uma garota que fumava maconha para aliviar a ansiedade (tinha Síndrome do Pânico). Sabemos que os ataques de pânico SOMEM com o tempo e bom arranjo de variáveis, no entanto, fumar maconha toda vez que se sentia ansiosa era um meio dela “tapar o buraco”, como um band-aid que ajuda, mas nao cura nada sozinho. Eu tenho a mesma visão com pessoas que se tratam apenas com medicamentos. Usar um marca-passo para estes problemas, na minha opinião, só deixaria as pessoas ainda mais passivas diante desses problemas, o que eu acho deprimente!
    Tenho mais coisas sobre depressão aqui disponibilizarei em breve! Orbigado pela visita e continue aparecendo por aqui! 🙂

  6. Cláudia Arantes disse:

    Bom Dia,
    Acho sério demais , vc comentar que acha um absurdo a idéia do marcapasso, pois para quem tem o problema torce para que isso se realize e seja um sucesso, pois não é um simples desarranjo, é difícil lidar com isso é terrível estar de luto sem ter razões efetivas para isso. Obrigada

  7. Felipe disse:

    É que sou a favor de outros tipos de tratamento, em nenhum momento desconsidero o sofrimento da pessoa!

  8. Tatiane disse:

    Olá,
    É dificil de entender para quem nunca passou pelo problema… e pior ainda é desconhecer que os tratamentos para depressão e os de síndrome de pânico são idênticos. Simplesmente imagine que por conta da falta de uma substância no cérebro uma pessoa pode começar a ter uma crise de pânico… O “marcapasso” serve, justamente, para regular o nivel desta. Não é um absurdo, é uma solução! A síndrome do Pânico existe, é um problema físico (já comprovado) e merece estudos. Recomendo que conheça mais a dificuldade de pacientes que sofrem de agorafobia… aposto que depois disto a sua opinião será outra!

  9. ALISSON GUIMARAES disse:

    PALAVRAS BONITAS MAS SEM NENHUM VALOR!!!!!CONHECO PESSOAS INCLUSIVE EU Q JA MERGULHOU NA DEPRESSAO MAIOR;SIM,UMA DOENCA TERRIVEL;CONHECIDA COMO A DOENCA DO SECULO 20.SINTOMAS TERRIVEIS QUE SE ALASTRAM PELO CORPO.ANSIEDADE EXTREMA,DORES HORRIVEIS;ETC;E CENTENAS MAIS Q SE FOSSE APENAS DESCRITO NINGUEM ENTENDERIA.SOMENTE AQUELE QUE JA TEVE ESTA EXPERIENCIA;MAS UMA COISA E CERTA,ANTIDEPRESSIVOS ATE MELHORA O QUADRO CLINICO,MAS SO JESUS PODE CURAR!!!!APOIO EM CONTATO ALISSON-86@HOTMAIL.COM

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