Falando de sexo

20090330_sexualidade1.jpgDepois do final da última semana, só posso dizer que a Liga de Saúde Mental da UFG está de parabéns! O curso sobre sexualidade foi muito bom!
No primeiro dia, o Dr. Humberto Giglio chegou já quebrando estigmas, levantando questionamentos sobre o que é ser masculino e feminino. Pelo que percebi dividimos o mesmo ponto de vista: se agimos como homem ou mulher, é porque fomos ensinados a ser assim. Claro, não descartaremos fatores biológicos e hormonais, mas que a sociedade pesa muito, pesa. Quando um filho nasce, o pai não pensa em comprar uma boneca pra ele, nem em o levar para dançar ballet.
As outras palestras do dia, da Dra. Siomara e do Dr. Sylverson Porto, deram especial atenção à transsexualidade (não confundir com o travesti, que basicamente é o homem que se veste como mulher). O transsexual é aquele que não se identifica com seu gênero, como o homem que se sente como uma mulher presa em um corpo masculino, muitas vezes ficando extremamente desconfortável com sua própria genitália. As fotos do procedimento cirúrgico na mudança de sexo quase me tiraram o apetite pro coffee break!
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O segundo dia também foi ótimo, se não melhor! O grande destaque da noite foi o Dr. João Baptista de Alencastro que fazia toda a audiência rir de 2 em 2 minutos, mas sem deixar de mostrar um ótimo conteúdo (e ainda citou a terapia comportamental como um dos mais eficazes tratamentos nas disfunções sexuais, um viva para ele!). Citando o professor:

Sexo é bom, amor é ótimo, sexo com amor é excelente. Na realidade, nós é que complicamos esta equação lógica da natureza.

Já o Dr. Renato Posterli fechou o curso falando sobre preferências sexuais. Assim como eu disse por aqui que a fobia é adquirida com o tempo (ou aprendida, use o termo que preferir) e portanto somos capazes de adquirir fobia sobre virtualmente qualquer coisa, o mesmo também é válido para a preferência sexual. Não faltou assunto ao Dr. Renato, que falou sobre: anoxia, zoofilia, doolismo, exibicionismo, fetiche, podolatria, cleptolagnia, urolagnia, cropolagnia, riparofilia, gerontofilia, incesto, masoquismo, voyerismo, necrofilia, ninfomania, pedofilia, pigmalionismo, sadismo, sadomasoquismo, satiríase e frotteurismo (ufa).
Fecharei o post com um link para um ótimo blog sobre o assunto: o Sexpedia!

X Curso Introdutório – Sexualidade: do normal ao patológico

Pra quem estiver em Goiânia…
A Liga Acadêmica de Saúde Mental (LASM) os convida para o X Curso Introdutório – Sexualidade: do normal ao patológico, a realizar-se dias 26 e 27 de março na Faculdade de Medicina UFG, às 19h.
26/03:
– 19h: Identidade de Gênero, Identidade Sexual e Comportamento sexual.
Palestrante: Dr. Humberto Giglio
– 20h: Distúrbio de Identidade de Gênero
Palestrante: Dr. Siomara
– 21h: Cirurgia de Mudança de Sexo
Palestrante: Dr. Sylverson Porto Rassi
27/03:
– 19h: Disfunção Sexual
Palestrante: Dr. João Baptista de Alencastro
– 20h: Transtornos de Preferência Sexual
Palestrante: Dr. Renato Posterli
Inscrições:
-CAXXIA-CA da Faculdade de Medicina UFG
Contato: 32611941
-> Contará com a entrega de certificados e coffee break
Valor da inscrição: R$20,00

Sobre pesquisa em psicologia

Uma vez eu falei pra alguém algo do tipo “não adianta só falar com a criança, se você quer que ela aprenda algo novo é melhor usar um incentivo, sejam elogios, pontos, brinquedos ou doces” e logo recebi um “sério? você fez 5 anos de faculdade pra aprender isso? grande coisa“.
Assim como uma certa jornalista que criou polêmica entre a comunidade científica, essa minha amiga não pensou a longo prazo, nas aplicações do tal conhecimento.
Por exemplo, com essa idéia cabe ao pesquisador descobrir quais incentivos são mais eficazes, em que quantidade, com que frequência, em que intervalos, além de testar as aplicações em diferentes situações, até que um dia se tenha um plano extremamente eficaz, cientificamente provado, otimizado para cada situação de ensino.
À primeira vista dizer “a criança aprende melhor com incentivos” pode até parecer óbvio e besta, mas besta mesmo é uma jornalista achar que a ciência se resume a isso. Acabou se queimando pro resto do país.
Leia a reportagem original aqui.
E a repercussão dela no Scienceblogs: no 42, 100nexos, Brontossauros, Ecce Medicus, n-Dimensional, Rainha Vermelha, e Rastro de Carbono,

Esquizofrenia: informe-se!

“Schizophrenia: Get the Facts” Public Service Annoucement from For the Record Productions on Vimeo.
Um destes garotos tem esquizofrenia.
Esquizofrenia, informe-se!

Um dos maiores erros é achar que a pessoa com este diagnóstico é agressiva. Outro pior é achar que ela não é capaz de se socializar.
É só reparar em como estas pessoas costumam ser tratadas pelos amigos, parentes e “cuidadores”: frequentemente há preconceito, impaciência e descaso. Eu também perderia a motivação e paciência sendo tratado assim.

Um psicólogo precisa ler mentes?

-…Mas escute só isto. Num recanto aberto do meu jardim plantei uma trepadeira. Quando mal começava a brotar do solo, finquei uma estaca a um metro de distância. A planta imediatamente se lançou para aquele lado e, depois de alguns dias, quando já ia alcançá-la, troquei a posição da estaca, levando-a para mais longe. A trepadeira logo mudou de novo, para o lado da estaca. Repeti a manobra várias vezes até que, afinal, como se tivesse desanimado, a planta desistiu da perseguição e, ignorando minhas novas tentativas para desviá-la da direção, resolveu se enroscar numa arvorezinha afastada.
– As raízes de um pé de eucalipto são capazes de se estender de maneira incrível à procura de umidade (…).
– Aonde você quer chegar?
– Mas será que não deu pra entender? Isso demonstra a consciência das plantas. Prova que são capazes de raciocinar.

Acho difícil acreditar que plantas sejam capazes de raciocinar, mas a questão que eu levanto aqui é: será que para modificar o “comportamento” da planta precisamos saber o que ela está pensando?
O que o rapaz fez no exemplo foi introduzir uma variável no ambiente (estaca úmida de madeira) que modificou o crescimento da planta. E o mesmo princípio pode ser usado com seres humanos:

  • Se o garoto não aprende na escola, pode-se mudar as contingências de ensino.
  • Se meus empregados estão desmotivados, posso melhorar os planos de benefícios.
  • O depressivo pode engajar em novas atividades e assim entrar em contato com novas pessoas e sensações, melhorando seus estados emocionais.

São todas mudanças no ambiente. E é assim que se faz pesquisa em psicologia usando o método científico: modificando variáveis ambientais e verificando os resultados nos comportamentos das pessoas.
É claro que as pessoas pensam (o próprio pensar é um comportamento), mas nem sempre é necessário saber o que ela está pensando para modificar seu comportamento.
(O texto citado é um trecho do conto “O Feitiço e o Feiticeiro”, de Ambrose Bierce, incluído no livro “Histórias de Robôs”, Vol.1, editado por Isaac Asimov – que será novamente mencionado no blog muito em breve).View imageView image

Isto é Psicológico!

Já aconteceu com praticamente todo mundo: você está morrendo de frio, ou fome, e algum espertinho vira e fala “calma que isso é psicológico“. Isso nunca fez muito sentido pra mim, afinal de contas, psicológico ou não, eu continuo sentindo!
Na verdade essa confusão pode ir muito além de uma brincadeira: não me importa muito se algo que experiencio é psicológico ou não porque ela continua sendo real pra mim, e continua me influenciando. Essa divisão faz parecer que as alucinações do esquizofrênico não existem, ou que a ansiedade do pânico é “coisa de outro mundo“: um mundo fictício e imaterial, o mundo do psicológico.
Bom, pra mim isso tudo existe, e não em outro mundo, acredito que a distinção entre corpo e mente é irrelevante, a pessoa, o que ela pensa, alucina ou se lembra, é tudo real, e tudo psicológico. E esse é o novo nome do meu blog no Scienceblogs Brasil: Psicológico.
Estou muito empolgado pois considero esta uma nova fase para o blog. Agradeço a todos vocês pelas quase 30,000 visitas (meus estímulos reforçadores) e espero que continuem o frequentando daqui pra frente!
(O novo endereço do blog é http://scienceblogs.com.br/psicologico – quem assina o Feed RSS, não precisa mudar nada, o endereço é o mesmo!)

TDAH nas escolas

No último post citei a posição do neurologista Steven Rose, que defende que a cada dia medicamos mais as pessoas como se os vários transtornos comportamentais fossem apenas “doenças da mente”, quando na verdade, muitos outros aspectos sociais estariam em jogo, o que nos faz questionar se estas doenças estão mesmo nas pessoas ou na sociedade.
Mas se o problema realmente estivesse na sociedade, não seria então ela que deveria mudar para melhor? Impedindo assim que as pessoas se tornem “doentes” (ou fazendo com que elas “se curem”)? Se dissermos que só a Ritalina não é suficiente para as crianças com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), não deveríamos então educar os pais e professores sobre outras formas de ajudá-las?
Sim! E aqui está um exemplo disso na escola:

Este vídeo eu vi primeiro no blog Serpsico.

Ritalina: A solução para seus problemas?

Em um outro post sobre um vídeo do Bart Simpson com TDAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade) acabei comentando sobre a Ritalina, que é hoje o medicamento mais prescrito em casos como este.

Para satisfazer mais minha curiosidade, fui atrás de mais informações e vou citar aqui o que li no incrível livro “O Cérebro do Século XXI“, escrito pelo neurocientista Steven Rose:

“O peremptório Diagnostic and Statistic Manual, com base em dados dos Estados Unidos, agora inclui como categorias de doenças o transtorno opositor desafiante, o distúrbio do comportamento destrutivo e, mais notavelmente, uma doença chamada de distúrbio de hiperatividade e déficit de atenção, que supostamente afeta até 10% das crianças pequenas (principalmente meninos). o ‘distúrbio’ é caracterizado por fraco desempenho na escola e incapacidade de se concentrar nas aulas ou de ser controlado pelos pais. Supostamente é consequência de função cerebral defeituosa associada a outro neurotransmissor, a dopamina. O tratamento prescrito é um remédio análogo à anfetamina, chamado Ritalina. Há uma epidemia mundial crescente de uso da Ritalina. Dizem que as crianças não tratadas apresentam um risco maior de se tornarem criminosas, e há uma literatura em expansão sobre ‘a genética do comportamento criminoso e anti-social’. Será esta uma abordagem médico-psiquiátrica apropriada para um problema individual, ou um quebra-galho barato para evitar a necessidade de questionar a escola, os pais e o contexto social mais amplo da educação?” (pág.14)

“…não há dúvidas que a Ritalina ‘funciona’, como no testemunho de crianças entrevistadas (…). Entretanto, a Ritalina não ‘cura’ o TDAH mais que a aspirina cura a dor de dente. Mascarar a dor psíquica indicada pelo comportamento destrutivo pode propiciar um espaço para pais e professores respirarem e para a criança negociar um relacionamento novo e melhor; mas, se a oportunidade não for agarrada, mais uma vez vamos nos encontrar tentando ajustar a mente, em vez de ajustar a sociedade.” (p. 289).

Fiquei até sem palavras!

Quente e frio: o amor bipolar

Vi no Mind Hacks que profissionais clínicos tendem a diagnosticar menos o Transtorno Bipolar quando a pessoa descreve ter se apaixonado recentemente, mesmo apresentando todos os padrões comportamentais necessários.
Do mesmo jeito que a Katy Perry descreve no seu último hit Hot N’ Cold (que com certeza você já ouviu por aí):
   ”You’re hot then you’re cold / Você está quente e está frio
   You’re yes then you’re no / Você é sim e é não
   You’re in and you’re out / Você está dentro e está fora
   You’re up and you’re down / Você está pra cima e está pra baixo
   Someone call the doctor / Alguém chame o médico
   Got a case of a love bipolar / Tenho um caso de amor bipolar”
É, pelo visto o diagnóstico não se aplica a ela… e outra, quem nunca viu casais brigarem e se reatarem milhares de vezes?
Link para o post no Mind Hacks.
Link para o artigo que originou o post.
Link para o clipe da música no Youtube.

Judith Beck falando sobre a Terapia Cognitiva

Vou começar a semana com este vídeo em que a Judith Beck fala sobre a Terapia Cognitiva, que apesar de não ser a qual eu trabalho, é uma que respeito bastante. Para quem não conhece, Judith Beck é psicóloga e filha do fundador da terapia cognitiva Aaron Beck.

Este vídeo eu vi primeiro no Serpsico!

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