A psicologia das plantas

20090701_plants1.jpgTodo mundo aprendeu no primário que as plantas costumam crescer em direção à luz. Mas pesquisas já mostraram que diferentes plantas também brigam por recursos e respondem a estímulos dependendo da sua história de experiências, o que alguns chamam de memória. Por causa de achados assim, certos pesquisadores já estão procurando o “cérebro” das plantas, usando em seus artigos termos como “inteligência das plantas”. Mais detalhes sobre estas pesquisas podem ser lidos aqui.
Não vejo nada de errado em emprestar termos da ciência animal e adaptá-los à botânica, mas problemas surgem quando atribuímos cognição à elas!
Acontece que como aparentemente as plantas se comportam (sim, elas respondem à estimulos do ambiente, crescem em determinadas direções e algumas até se alimentam de animais) já querem atribuir processos cognitivos à elas.
Ora, deve-se tomar cuidado para não mudar o foco de atenção das coisas! Não é porque a planta responde a estímulos ambientais que ela possue processos cognitivos! Então a planta tem mente? Não só a planta, mas os cachorros, as moscas, as minhocas, e as bactérias também? Nesse vídeo vemos claramente uma bactéria perseguindo seu alimento, quer dizer que ela age por causa de uma mente ou inteligência?
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No campo das ciências naturais, nunca precisamos de termos como mente para explicar os comportamentos: assim como seres inferiores, somos animais respondendo à estimulos do ambiente! A grande diferença dos seres humanos é que somos capazes de descrever o que fazemos e como fazemos, e essas descrições em si podem servir como novos estímulos para outros comportamentos. Isso não implica que um comportamento tenha originado na “mente” ou no cérebro. O cérebro é só mais um órgão respondendo a estímulos ambientais, assim como o fígado.
E onde fica a mente nisso? No mundo metafísico, junto do Saci Pererê e do Papai Noel. (Ou como Skinner disse, no lado criacionista da psicologia!)
Minha inspiração pra esse post foi o MindHacks.

Discussão - 2 comentários

  1. Mente é um conceito complexo nas ciências naturais. A tentativa de eliminar a mente da equação é, ao meu ver, um tanto vã. O conceito de mente é que precisa ser refinado para adequar-se à realidade natural e, ao mesmo tempo, responder às características que são sua razão de existir conceitualmente.
    As impressões digitais nada mais são do que áreas da pele com características singulares. Ninguém fala em abandonar o conceito de impressões digitais e dizer simplesmente que estas são apenas outra parte do epitélio.
    O cérebro é um órgão altamente diferenciado em relação aos demais órgãos dos animais. O cérebro humano é, provavelmente, a estrutura mais complexa que conhecemos atualmente.
    Este órgão é diferenciado de indivíduo para indivíduo pela carga genética e se torna mais diferenciado ainda no decorrer da vida por influência do meio que o molda. Por exemplo, crianças privadas da aquisição da linguagem apresentam um desenvolvimento anatômico debilitado nas áreas da linguagem.
    Além disso, este órgão retém informação de forma volátil e não volátil, simula eventos futuros, reconstrói o passado, interpreta e reinterpreta o presente. O cérebro literalmente cria a realidade que conhecemos, interpretando os inputs dos sentidos. Um exemplo disso, dentre muitos que poderia citar, é o caso de Shirl Jennings.
    As características atribuídas a um modelo não-dualista, mas monista e materialista, de mente podem ser encontradas no cérebro, em sua organização funcional, configuração sináptica, desenvolvimento de conexões sinápticas e na própria comunicação intersináptica.
    O grande problema do conceito mente foi o dualismo de Descartes, que deu margem a muita metafísica, especulações e pseudociência.
    Descartes, por si só, não é um vilão. É um personagem histórico que fez o que podia na época em que vivia, com os recursos que possuía, com suas contingências. O vilão é o pensamento ocidental que, em seu continuum, é tão apegado a apelos à tradição.

  2. Ravick disse:

    As ‘decolagens’ são um problema em diversas áreas…
    Nesses casos bastaria argumentar que a cognição, ou qualquer resposta a estímulo através de nervos, foi um fenômeno evolutivo relacionado com a movimentação fgrequente dos animais..

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